Mirror Myself In You
36 Afterglow
Notas iniciais
Victória Pov.
Respirei fundo e coloquei o celular no ouvido, esperando pacientemente enquanto chamava, focando minha atenção no teto do quarto. Em momento algum da minha vida, imaginei que iria me sentir um lixo, se bem que não sei se me sinto um lixo, uma inútil ou uma grande retardada. Talvez me sentir uma vaca, mas seria maldade me comparar a um animal tão inofensivo que, com certeza, não magoaria uma pessoa, principalmente a pessoa que ama. Cara, sou a junção de todas as coisas ruins em uma só apenas.
De tudo que poderia ter dito a Galateia, de todas as coisas que poderia ter feito, acabei fazendo o contrário. Como posso ser tão idiota? Devia ter explicado tudo com cuidado, não ter despejado aquele monte de idiotices nela feito uma louca. A magoei tanto! E a porra do meu dia tinha tudo para ser o melhor possível, mas terminou com Galateia chorando! Porra, eu não queria fazer isso, ver ela tão triste. Acho que desde que a deixei na escola, chorei o equivalente a um ano inteiro. “Tá tudo bem” essas palavras dela me fazem acreditar em tudo, menos que está tudo bem. Queria ter ficado com ela por mais tempo, ter aceitado sua carona, mas sabia que ficar perto de mim não era da sua vontade, não naquele momento ou talvez eu só estivesse sendo covarde.
Tudo o que quero é sumir, desaparecer por um tempo e só voltar quando Galateia se esquecer da minha idiotice. Contudo, isso não vai acontecer, claro que não, porque o mundo não é como queremos. Droga! Se eu que fui uma retardada e disse aquelas coisas a Galateia estou assim, como estão os sentimentos dela? Ela com toda certeza está me odiando e infelizmente, não a culpo. Como poderia? Eu que estraguei tudo, antes mesmo de ganhar ela, perdi. O que eu devia ter feito? O que poderia ter falado que não a deixaria chorar? Acho que nada, por mais autoexplicativa que eu fosse, isso não evitaria dela chorar. Sei que é egoísmo meu e que ela tem todo o direito de me xingar dos piores nomes possíveis. Posso dizer que concordo e, consequentemente, aceito tudo o que ela decidir falar para mim, no entanto, eu não quero! Embora mereça, não quero me sentir pior do que já estou, na verdade, eu só não quero ser odiada por ela, mas…. Por que parece tão inevitável?
— Escritório pessoal de Valquíria D’Ewder, em que posso ajudar? – A voz feminina atendeu e me sentei em posição de meditação.
— Oi, eu gostaria de falar com ela, é a Victória, filha dela. Está no escritório? – Perguntei.
— Conferirei. – O telefone ficou mudo por alguns segundos. Talvez ela esteja muito ocupada pra falar comigo, mas eu gostaria muito de receber um conselho dela. Mãe sempre sabe o que me dizer e como dizer. Tentei ligar para casa, mas o marido dela disse que ela não estava. – Senhorita?
— Oi!
— Vou transferir sua ligação. – Avisou e assenti concordando, mais uma vez ficando em silêncio pela ligação voltar a ficar muda.
— Boa noite, nenê! Estranho você me ligar no escritório, nunca faz isso. — Mãe atendeu e me encolhi.
— Eu liguei pra casa, mas o fulano lá disse que você ainda estava no escritório. – Contei ouvindo sua risada.
— Robert, Vick! O nome dele é Robert.
— Tanto faz, ele falou que você ainda não tinha voltado, então eu liguei pro escritório. – Contei, por um momento me sentindo menos triste só de ouvir sua voz.
— Ainda assim, você sempre deixa pra ligar no outro dia. Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu, eu consegui! Tive a capacidade de magoar a garota mais perfeita do mundo. – Contei me encolhendo. – A gente estava começando um relacionamento e eu o chutei pra lama. Fiz ela chorar e é óbvio que ela nunca mais vai querer olhar na minha cara. – Falei tudo rápido e ela se manteve em silêncio por alguns segundos.
— Calma, de quem você está falando?— Perguntou confusa.
— Galateia!
— Oh, a sua crush! Mas o que aconteceu? O que significa “chutei pra lama”? — Questionou e me deitei para trás limpando uma lágrima.
— Estraguei tudo! Eu sou uma anta, retardada que não sabe fazer nada. – Reclamei.
— Espera, que tal começar do início? A última vez que me ligou foi para contar que era lésbica. Agora diz que estragou tudo? Você estava em um relacionamento? — Perguntou parecendo chocada.
— Não! Eu estava para entrar em um. Mas agora não será mais possível, porque sou uma imbecil. Galateia nunca mais vai querer olhar na minha cara.
— Anjo, toma um ar. Você está falando rápido demais e eu não entendo. — Pediu e comecei a chorar. Eu só queria um abraço dela. — Explica com calma. Quase não te entendo quando começa a falar rápido. — Pediu e me encolhi em posição fetal.
— Eu fiz a Galateia chorar e magoei ela. – Contei um pouco mais devagar. Eu sempre disparo a falar quando fico nervosa e ninguém me entende.
— Por quê? O que você fez de ruim que seria capaz de magoar a menina? Você não é uma pessoa ruim. — Disse em um tom preocupado e olhei para porta do meu quarto quando ela foi aberta por Jhu, que olhou de um lado pro outro antes de ir até minha cadeira do computador e lhe arrastar para acender a luz.
— Mamãe tá te chamando pra jantar. – Falou da porta e em vez de respondê-la simplesmente afundei minha cabeça no travesseiro.
— Eu sou sim uma pessoa ruim. – Sussurrei pro telefone, voltando a chorar. Ela ficou tão decepcionada comigo.
— Vick? Você tá chorando? – Jhu se aproximou preocupada e fechei os olhos. – Hey... PAI! A VICK TÁ MORRENDO. – Saiu correndo do quarto e suspirei limpando as lágrimas rapidamente.
— Olha, vou visitar você. Chego aí amanhã. — Ouvi minha mãe e arregalei os olhos.
— O quê? Não, mãe! Não precisa fazer isso.
— Você está fungando a cada meio minuto, é óbvio que precisa. Onde está o pateta do seu pai? — Perguntou meio irritada e olhei pra porta quando o mesmo entrou por ela quase em uma corrida.
— O que houve? Quem é no telefone? – Perguntou afobado e literalmente pulou na cama para chegar mais rápido em mim. – Nenê, desde quando você está chorando? Por quê? Machucou?
— Não, Galateia parou de falar comigo. – Murmurei e ele me olhou confuso.
— Por quê? Hoje de manhã vocês estavam tão fofas juntas. O que aconteceu? – Perguntou e funguei aproveitando para colocar minha mãe no viva voz.
— Vou contar tudo. – Alertei antes de contar tudo que havia acontecido, desde antes de conhecer a Galateia. Quando acabei, o silêncio que os dois fizeram durou por quase três minutos e para ser sincera, estava com medo do que fossem dizer. Só contando tudo agora, que me liguei do quanto foi uma atitude idiota.
— Filha, isso foi extremamente babaca da sua parte. – Pai falou e me encolhi na cama. – O que diria se a Galateia só te tratasse bem por causa da sua mãe? – Perguntou e arregalei os olhos, me sentindo ainda mais idiota do que antes.
— Não quero que ela me odeie, pai. Eu gosto dela, de verdade, gosto muito.
— Então tem que dizer isso pra ela, não ficar aqui se lamentando e dizendo que não quer que a situação fique assim. Se você lamenta, mas não toma uma iniciativa, vai se lamentar pelo resto da vida. – Falou sério e olhei para o lado do celular, esperando minha mãe dizer alguma coisa.
— Embora eu odeie admitir isso em voz alta, seu pai está certo, anjo. Se você bagunçou, arruma. Não importa se vai demorar. Estou comprando uma passagem e amanhã mesmo chego aí, pela parte da noite. Nós vamos conversar direito sobre o que está acontecendo.
— Onde vai ficar? – Pai perguntou assustado.
— Estava programando dormir entre você e sua esposa — Falou com a voz firme e acabei dando uma risada pelos olhos arregalados do meu pai. – Em um hotel, burro. Enfim, meu anjo. Mamãe vai desligar agora, mas amanhã estou aí, tudo bem?
— Sim senhora. Te amo.
— Também te amo, anjo. — Encerrou a ligação e olhei para meu pai em silêncio, fazendo contato com seus olhos azuis.
— Sei que você foi idiota e tal, mas vem cá. – Abriu os braços e fui rápida em lhe abraçar e esconder a cabeça em seu peito para chorar. Amanhã vou ligar para Galateia e tentar resolver as coisas, isso se ela ainda quiser falar comigo.
— Ela me odeia, pai. – Sussurrei sendo apertada um pouco mais forte por ele. – Ela estava tão decepcionada comigo, mas, mesmo assim, se ofereceu para me trazer em casa. Fui uma escrota e mesmo assim ela foi doce comigo. Eu talvez não mereça uma garota tão incrível. – Lamentei me conformando que talvez Galateia nunca mais fale comigo, mesmo que tenha dito só precisar de um tempo.
Liane Merok Maiden Pov.
Apertei o botão do elevador e olhei as horas no meu celular, só confirmando que Galateia ainda está dormindo e talvez não vá para escola hoje. Não que ela seja de faltar aula, mas se continuar tendo febre, tia Cass não vai deixá-la ir. Também preciso levá-la pra ver a Sam, porque sei que vai com ou sem a minha companhia.
— Deus, se eu voltar pra casa e ela já tiver saído, mato essa tal de Vick. – Rosnei comigo mesma e toquei a campainha duas vezes seguidas, cruzando os braços e esperando alguém vir atender, fazendo uma expressão séria por uma garota da idade da Galateia abrir a porta com cara de poucos amigos, arregalando os olhos aos poucos ao me ver em pé ali.
— Hã…. Er….
— Você certamente sabe quem eu sou. – Falei com a voz contida e lhe vi engolir em seco quando apoiei minha mão na porta para lhe manter aberta, não que eu esperasse que ela fosse fechá-la.
— Liane?
— Exatamente. Você é a Victória, certo? – Perguntei o óbvio e ela assentiu quatro vezes seguidas. – Vim falar com você. – Alertei.
— Eu…. Eu tenho que me arrumar para ir pra escola daqui a pouco, então nã-.
— Acho que você não entendeu, eu não estou te pedindo. Eu vim falar com você e você vai falar comigo, caso contrário eu vou quebrar a sua cara. – Ameacei e outra pessoa se aproximou da porta, capturando minha atenção por ser um homem.
— O que está acontecendo aqui?
— Nada, eu vim falar com ela. – Voltei a olhar pra menina que se encolheu.
— Mas eu a ouvi dizer que vai se arrumar para escola, então você não tem o que falar com ela. – Falou sério, cruzando os braços para parecer mais forte e intimidador do que já era.
— E eu digo que ela vai falar comigo de uma forma ou de outra. Ela tem que tomar responsabilidade pelas atitudes dela. – Falei me irritando só de lembrar em como a Galateia ficou ontem. – Quando você parte o coração de uma pessoa, tem que ter maturidade o suficiente para encarar as consequências. Você não ferra tudo e depois se esconde deixando a outra se curar sozinha das suas atitudes babacas. – Apontei o indicador para garota e seu pai olhou tanto para ela, quanto para mim.
— Vick? Do que ela está falando? – Perguntou confuso.
— Ela é a irmã mais velha da Galateia. – Contou e o senhor me olhou brevemente, descruzou os braços e ergueu as mãos no alto, se virando para sair. – Pai? – Vick chamou assustada e ele continuou seu caminho.
— Ela está certa. Assuma as responsabilidades. Não vou te defender disso, porque o que você fez foi muito escroto. – Sumiu de vista e voltei a olhar para garota, que desviou a atenção para o chão.
— Eu vou só pegar uma blusa de frio. – Avisou voltando a entrar e continuei na porta, vendo uma garotinha vir na minha direção.
— OOOOH! Você é a Lily! A Galateia me mostrou uma foto sua. – Falou animada e sorri por sua empolgação. – Você é tão bonita.
— Você também é muito bonita. – Elogiei de volta.
— Seu cabelo é lindo. – Voltou a elogiar e mantive o sorriso. Certeza que Galateia ficou extremamente encantada com essa garotinha. – Se eu deixar o meu crescer ele vai ficar assim? – Perguntou e observei seus cachinhos.
— Com toda certeza.
— Então vou deixar ficar grandão. – Falou animada e desfiz o sorriso me endireitando quando ela se virou para Vick, que saía de onde havia entrado, agora usando o casaco que disse que ia pegar. – Vocês vão tomar sorvete? – Perguntou curiosa e o pai da Vick veio até a sala a pegando no colo.
— Quem vai tomar sorvete somos nós. Vick vai conversar com a moça agora.
— Mas eu também quero conversar com ela. Galateia disse que ela é uma super irmã. – Reclamou enquanto era levada mais para dentro e sorri por suas palavras. Queria realmente ser uma super irmã.
— Você vem comigo. – Chamei a garota que assentiu vindo em minha direção, parando no meio do caminho para voltar correndo até o sofá e pegar o celular. – Ela não vai te responder, está dormindo e resfriada. – Contei e seus olhos se arregalaram.
— Meu Deus! Ela tá bem? – Perguntou fechando a porta quando saiu e lhe olhei fazendo uma careta.
— Acabei de dizer que ela está dormindo e resfriada, que parte disso te faz parecer que ela está bem? – Perguntei de volta e seus ombros se encolheram. – Olha…. É meio difícil falar com você quando tudo que quero fazer é te encher de porrada, mas se eu fizer isso a Galateia vai ficar chateada comigo. – Respirei fundo e entrei no elevador. – Então ache um lugar onde tenha testemunhas, senão eu vou te socar na primeira oportunidade. – Alertei e lhe observei ficar o mais longe possível de mim que o elevador permitia.
— Nós podemos ir na sorveteria aqui em frente. – Sussurrou e estreitei os olhos em sua direção.
— E você vai me pagar um sorvete.
— Eu?
— Tá vendo outra pessoa aqui? – Perguntei sem paciência. Não suporto perguntas burras.
— Eu não trouxe dinheiro... – Sussurrou e passei a língua sobre os lábios em frustração. Ótimo, vou ter que ficar com vontade de tomar sorvete, porque também não tenho dinheiro. – Mas deixo na conta, não tem problema. – Se afastou da parede do elevador e fiz o mesmo, a seguindo pelo caminho que levava para fora do apartamento.
— Não esquenta. – Coloquei as mãos nos bolsos e atravessei a rua com ela, entrando na sorveteria que não tinha uma alma viva além da atendente. – Eu digo testemunhas e você me traz aqui, alguém realmente não tem valor a vida.
— Não faz muita diferença mesmo. – Deu de ombros se sentando. – Pelo jeito que você me olhou quando abri a porta, me mataria até se eu estivesse armada. – Resmungou e lhe observei por alguns segundos. Errada ela não tá.
— Que bom que entendeu o recado. – Sentei na cadeira a sua frente e estalei os dedos de uma mão os apertando na outra. – Sendo assim, podemos entrar em uma conversa saudável sem que exista a necessidade do meu punho se chocar com o seu nariz várias vezes.
— Claro, tudo seguirá bem. – Sorriu em nervoso e olhei para o lado quando a atendente colocou um prato com cookie na mesa. – É por conta da casa. – Victória avisou ao me ver olhar pro prato em silêncio.
— Certo. Então me diga, Victória. – Apoiei os cotovelos na mesa e o queixo sobre as mãos, a olhando por alguns instantes. – Como que mesmo sabendo que a relação da Galateia com a nossa mãe não existe, você solta a brilhante frase de que se aproximou da minha irmã por causa dela?
— Eu não sabia que…. Que era tão ruim assim.
— Não vem com essa. – Bradei me irritando. Eu vou matar ela. – Você percebeu! Não precisa usar dois neurônios para perceber que a relação da Galateia com a mãe é uma merda. Mesmo que ela não diga nada, é óbvio pra qualquer pessoa que passe um tempo com ela. – Falei irritada. – E você manda essa? Você é louca? – Perguntei meio alto. – Isso aqui é minha irmã. – Mostrei o cookie sobre a mesa e ela o olhou em silêncio. – E a minha mão é a sua escolha de palavras. – Bati o punho fechado sobre o Cookie que se espatifou em migalhas. – Por um acaso você tem noção da grande merda que fez? Garota, você não tem noção, não faz ideia do estrago que fez.
— Eu vou me explicar, só que não soube como fazer isso na hora. Só preciso falar com ela outra vez q-.
— Falar com ela outra vez? – Perguntei incrédula. – O que te faz pensar que a Galateia vai querer falar com você?
— Ela não falaria? Disse que só precisava de um tempo pra pensar. – Questionou de certa forma inocente e fechei os olhos suspirando.
— Deus, você não conhece mesmo a minha irmã, né? – Lhe olhei com certa pena por seus olhos marejarem.
— Ela não vai mais falar comigo?
— Se ela olhar no seu rosto, vai ser lucro. – Expliquei e ela deixou a testa bater de leve na mesa, repetindo o gesto de levantar a cabeça e lhe deixar bater de novo.
— Porra, eu estraguei tudo. – Sussurrou e cobriu a cabeça com ambos os braços. – Sou muito fodida! Agora ela vai me odiar e possivelmente nunca mais vai falar comigo. Isso tudo por causa daquele livro idiota! Nem sabia quem diabos era a mãe de vocês e depois fiquei obcecada por ela. Mas que inferno! – Começou a chorar e lhe observei por alguns segundos. – Eu estava tão feliz ontem pela manhã e hoje tudo que quero é morrer. Não queria ter machucado ela, eu só queria… Saco, por que fiz isso? – Se encolheu mais e voltei a suspirar.
— Eu queria muito dizer pra você ir se foder e deixar a Galateia em paz. – Falei séria e ela ergueu a cabeça com os olhos vermelhos. Queria odiar essa menina com todas as minhas forças, mas o fato de saber que ela é desmemoriada diminui 20% do meu ódio por ela e lhe deixa em uma posição de conseguir um pouco de ajuda.
— Eu sinto muito por ter feito a Téia chorar. Não queria fazer isso, de verdade. – Murmurou. – E não queria que ela ficasse decepcionada comigo.
— Então por que a decepcionou? – Rosnei, não percebendo meus movimentos até minha mão agarrar a gola da blusa e lhe puxar um pouco para cima da mesa. Fechei os olhos ao perceber o que fazia e lhe empurrei para trás pra evitar de lhe acertar um soco. – Queria pelo menos quebrar seu nariz com um soco, porque a raiva que tenho de você é grande. – Apertei os dedos no espaço entre os olhos e rosnei de pura frustração. – Não farei nenhum dos dois, mas acredite. Eu queria de verdade te machucar, te jogar pra tão longe que a distância da lua ia parecer perto. – Lhe olhei com ódio e fechei os olhos para regular minha respiração. – Só não faço isso, porque infelizmente, algo me faz diminuir 20% a sua culpa nisso. Se não fosse por isso, eu já teria te acertado um soco quando abriu a porra da porta do seu apartamento. – Bradei pegando meu celular. – Me fala logo a porra do seu número. E se você mandar mais alguma mensagem pra minha irmã, eu vou vir atrás de você com um taco de basebol. – Ameacei e ela assentiu mantendo a cabeça baixa, sussurrando o número do seu telefone para que eu salvasse.
— Você pode me acertar um soco. – Falou baixo e lhe olhei com os olhos estreitos por não ouvir.
— O que é que você tá murmurando aí?
— Disse que você pode me dá um soco. – Repetiu um pouco mais alto e suspirei.
— Falta de querer não é. – Resmunguei. – Mas a minha irmã me odiaria por isso, porque ela tem uma adoração por você. – Revelei e me ergui da cadeira. – Você nunca vai entender os sentimentos dela e isso é tão frustrante. A Galateia tem tanta, mas tanta dedicação em tentar entender o lado das outras pessoas, mas com você ela passa dos limites. Ela é tão doce e especial, mas você não viu isso! Não, é claro que não, estava ocupada demais pensando em quando conheceria minha mãe.
— Não! Não foi assim. – Falou rápido. – Eu não…. Eu não queria só conhecer ela, estar com a Galateia era mais importante, fazê-la sorrir e ter a atenção dela. Eu gosto dela, gosto muito. – Continuou falando rápido e se ergueu deixando as duas mãos na mesa. – Quando me aproximei foi mais por causa dela! Porra, fiquei 3 anos só olhando pra ela. Então quando entrei no grupo, só queria me aproximar dela, ser amiga dela e talvez... Beijar ela. – Sussurrou a última parte e me mantive em silêncio lhe observando. – Caralho, sua mãe estava longe da minha cabeça quando entrei no seu grupo, eu nem me importava mais, só queria ser próxima da Galateia. Estava realmente me empenhando em conseguir ir, daí... A vontade de ser amiga foi substituída por querer beijar ela, ser algo a mais, mas e-
— Não quero sua explicação, Victória. – Falei firme. – Você devia ter dito isso pra minha irmã, não pra mim! Devia ter dito essas coisas pra ela e não soltado aquele monte de bosta pra cima dela.
— Eu não consegui! Entrei em pânico. – Falou irritada e se encolheu logo em seguida por eu lhe olhar feio. – Porra! Eu passei o dia todo me preparando pra contar pra ela, eu ia contar, de verdade, mas quando estava saindo ela já vinha na minha direção e disse que gostava de mim! Toda a minha preparação caiu por terra. Perdi meu foco e comecei a chorar! Não queria falar sobre relacionamento antes de contar pra ela, mas... Não deu. – Sussurrou e soltei um suspiro.
— Não aprovo você com a minha irmã. – Alertei e seus olhos voltaram a se encher de lágrimas. – Ela merece uma pessoa muito melhor, alguém que realmente a entenda e no momento, você não está nem perto disso. – Expliquei. – Você pode ser uma pessoa boa, mas sua atitude não foi. Posso estar errada futuramente, mas o que me importa é o agora e agora você não a merece.
— Não foi de propósito. – Sussurrou.
— Sei, mas não importa. Se a Galateia fosse um oceano, você ainda nem teria colocado os pés na água. – Guardei o celular no bolso e lhe olhei. – Não quero ouvir suas desculpas. “fiz por causa disso”. Não quero os seus motivos, saber suas intenções. Você fez a minha irmã chorar! Isso é mais do que o suficiente pra não ir com a sua cara.
— Eu sei, mas eu realmente quero poder fazer isso! A Galateia é uma pessoa incrível.
— Sim, Victória! Ela é uma pessoa incrível, especial demais. Eu melhor do que qualquer pessoa sei quão perfeita ela é. Não tem de dizer isso pra mim, tem que dizer isso pra você. Sabe aqueles clichês onde um rapaz bonito é desafiado pelos coleguinhas estúpidos e deve conquistar a nerd da escola em tantos dias? – Perguntei e ela me olhou com os olhos marejados. – Sua atitude é quase igual, a diferença é que ninguém te desafiou. – Falei.
— Eu vou consertar! Só preciso… Só preciso que ela fale comigo.
— Eu não gosto de você, nem um pouco. – Falei e ela me olhou receosa. – Desde a primeira vez que a Galateia te mencionou, minha vontade foi de socar a sua cara. – Contei e a vi engolir em seco. – Porque não acho que a mereça, os sentimentos lindos dela. Não merece o amor da minha irmã, porque não se esforçou o mínimo pra poder entendê-la.
— Não diga isso! Eu realmente gosto dela, muito.
— Então pegue esse muito e tente consertar essa merda que você fez! – Quase rosnei de raiva. – Você vai ter uma chance pra conseguir ela de volta e infelizmente eu vou ser a responsável para que consiga isso, embora eu não queira. – Reclamei.
— Você faria isso?
— Por ela, não por você. – Virei as costas e arregalei os olhos por ser abraçada por trás.
— Obrigada! – Falou animada. – Você não gosta de mim, ok! Entendi essa parte, mas muito obrigada! Prometo que farei o impossível se for necessário. – Continuou abraça comigo e me sacudi saindo do abraço.
— Tá, mas não encosta em mim. – Reclamei e peguei o celular olhando o número dela. – Quando eu te mandar mensagem, me responde em no máximo três minutos, ou vou te deixar por conta própria.
— Ok. Vou te responder no mesmo minuto. – Sorriu e revirei os olhos por ela parecer meio pateta. Galateia tem gostos peculiares.
— Ok! Agora que já te ameacei... Espera! Eu te ameacei de morte? – Perguntei tentando me lembrar se havia feito isso.
— Não, você só ameaçou me bater.
— Entendo... Se fizer a minha irmã chorar outra vez, eu te mato.
— Sim senhora! Eu não ligo, só faz ela falar comigo de novo.
— Tá, vai demorar um pouco, a amiga dela não tá bem, a Sam. – Contei conferindo as horas. – Tenho que levar ela no hospital pra visitá-la.
— O que aconteceu com a Sam? – Perguntou preocupada e estreitei os olhos.
— Conhece a Sam?
— Claro que conheço a Sam! É a melhor amiga da Galateia e namorada do Vicent. São meus amigos também, até mesmo a Sara, embora ela me assuste. – Murmurou o final da frase e engoli uma risada. A Sara? Botar medo em alguém? Essa é boa. Ela mais parece um pinscher
— Certo, enfim. Tá no hospital, teve uma recaída e está mal. Se for visitar, aparece lá depois das duas da tarde, porque se a Galateia estiver lá e você aparecer, eu vou te dá uma surra. – Voltei ameaçar e ela assentiu várias vezes. – Agora se me der licença, vou ir ver como minha irmã está. – Coloquei as mãos no bolso de novo e saí do local, indo até o carro do motorista que estava me esperando.
Victória Pov.
Depois da conversa com Liane, embora devesse sentir tudo, o que eu mais estava era esperançosa. Ela me ameaçou de várias formas e por grande parte do tempo jurei que receberia um soco, mas ele não veio. O mais estranho de ter conversado com ela, é que sua semelhança com a Galateia é gritante. Entendi porque a Galateia parece gostar tanto dela. Ela tem um instinto fraternal muito grande. Tenho certeza que se tivesse dito algo errado, ela literalmente teria me socado. Acho que faria a mesma coisa pela Jhu, então entendo ela ter raiva de mim. Devia ter ido pra casa assim que minha conversa acabou e me arrumado para escola, mas saber que a Sam tá mal, está quase me fazendo desistir. Mamãe vem me ver a noite, então se eu for pra escola, não poderei visitar a Sam a noite.
— Você voltou. Como foi? – Pai perguntou do sofá assim que abri a porta e fiz cara feia pra ele.
— Eu poderia estar em reconhecimento no IML agora e você pergunta como foi? – Reclamei e ele deu de ombros voltando a assistir televisão.
— Não posso te proteger pra sempre.
— Meu Deus, pai! Aquela garota é faixa preta em karatê. A Galateia disse que ela é mil vezes melhor em golpes e você diz não poder me proteger pra sempre? E se eu tivesse morrido?
— Ela não parecia ser o tipo de pessoa que machuca as outras, só estava brava pela irmã.
— A irmã dela é a Galateia! Eu podia ter morrido. – Reclamei chocada.
— Mas não morreu. Como foi?
— Não quero falar com você, vou dar atenção apenas para minha mãe quando ela chegar. – Murmurei fazendo um bico e desviei o olhar pela sala ao ver minha borboleta voando pelo recinto. – Quem soltou ela? – Perguntei seguindo seu voo e lhe esperando pousar em algum móvel.
— Você deixou a porta do seu quarto aberta e ela saiu. – Jhu avisou vindo para sala assim que peguei o bichinho na mão. – Cadê a irmã da Galateia? – Olhou para os lados e Vane chegou na sala.
— Liane estava aqui? – Perguntou e revirei os olhos ignorando a todos e indo para meu quarto. Eu realmente podia ter morrido hoje. Coloquei Galateia sobre a flor do cômodo e me deitei na cama olhando as horas no celular. Não posso mandar mensagem, nem ligar pra ela, mas como vou saber se ela tá melhor? Liane disse que teve febre! Será que está bem agora?
— Sam! Droga. – Abri meu WhatsApp e enviando uma mensagem pro Vicent. Acho que ontem Galateia ia me contar isso e acabou não dando, porque eu ferrei com tudo.
Vick:
{10:23} Hey! Soube que a Sam está dodói. Tá tudo bem por aí?
Mandei a mensagem e foquei minha atenção no teto do quarto, tentando ignorar o cheiro do perfume da Galateia na minha cama. Deus, eu fui idiota, tão idiota! Ela ficou tão decepcionada comigo. Preciso pedir desculpa, mesmo que depois ela não olhe mais na minha cara e nunca mais fale comigo. Preciso pedir desculpa por magoar ela.
— Sinto muito. – Sussurrei puxando o travesseiro e o abraçando com carinho, inspirando o cheiro de cereja que ele tinha. – Não queria te fazer chorar. – Senti meus olhos marejarem e olhei para o celular que começou a tocar. Estiquei o braço o pegando e guiei até o ouvido ao ver que quem ligava era o Vicent. – Alô.
— Hey, Vick. Vi sua mensagem agora.
— Como ela está?
— Não sei, ela não quer falar comigo, não me deixa entrar no quarto e me manda ir embora a cada cinco minutos. — Choramingou e me sentei na cama em surpresa.
— O quê? Mas por quê?
— Não sei. Só quero falar com ela, mas... Ela me odeia? Será que fiz algo que a magoou? Nunca na minha vida faria algo de propósito que a machucasse. Então porque não posso vê-la? Só quero abraçar ela e fazer companhia. — Falou choroso e meus olhos marejaram por perceber sua tristeza pelo tom da sua voz. – Ela não gosta de hospitais, tem medo. — Falou baixo e olhei para o chão. Eu também não gosto de hospitais e entendo o medo dela.
— Visitarei você depois das duas. – Alertei.
— Não vai pra escola?
— Não, vou visitar vocês. Mas não ficarei muito, minha mãe está vindo de viagem e vou me encontrar com ela logo depois, porém, ficarei o máximo possível. – Garanti.
— Tudo bem, obrigado por isso. Vou te esperar então.
— Aham, Galateia também vai ir ver vocês, mas ela vai mais cedo.
— Tá, vou esperar por ela também. Acho que vou em casa tomar um banho então, prometo estar aqui quando qualquer uma de vocês chegar. — Falou com a voz um pouco melhor e sorri.
— Sim senhor. Vou me organizar aqui para ir.
— Tudo bem. Obrigada, Vick.
— Não tem de quê. Broto aí mais tarde. Beijos.
— Beijos. – Falou e encerrei a chamada voltando a me deitar para abraçar o travesseiro. Queria ir lá junto com a Galateia.
Fiquei no quarto deitada na cama pelo resto das horas seguintes, não cheguei a almoçar por não estar com fome, apenas me foquei nas horas, esperando pacientemente passar das duas. Liane disse que se eu fosse antes ela ia me bater, não duvido que ela realmente faça isso, então é melhor obedecer do que ter minha cara amassada. Acabei ajudando a Jhu com a lição de casa por ela vir ao meu quarto se deitar comigo. Segundo ela, eu estava triste, por isso iria me fazer companhia até dar a hora de ir pra escola, o que realmente fez. Depois que ela saiu, tomei um banho e voltei a olhar pro meu celular, relendo todas as mensagens que tinha mandado para Galateia antes da Liane aparecer, só confirmando que nenhuma delas tinha resposta, mesmo que todas estivessem visualizadas. Perguntaria pra irmã dela se sua febre tinha passado, mas apenas ela quem pegou meu número, não tenho contato algum.
— Se eu não reagir, vou virar um vegetal. – Murmurei erguendo da cama e saindo do quarto para beber água. Alimentei Kiss no caminho e me encontrei com Vane, que estranhamente ainda estava em casa, sentada na mesa da cozinha enquanto mexia no notebook e tomava café. – Você não trabalha não? – Perguntei de implicância e fui olhada por baixo dos cílios.
— Não, sou uma desocupada. – Voltou a beber o café e me sentei ao seu lado na mesa.
— Tá tudo bem? Você não falta ao trabalho. – Perguntei preocupada.
— Eu não faltei o trabalho, Vick! Peguei uma folga hoje, apenas isso. Como você está? Ontem ficou chorando e hoje não quis comer. Galateia ainda não falou com você? – Questionou preocupada e suspirei.
— Não, mas acho que talvez ela vá, só preciso dar um tempo. Bom que visito a Sam no hospital hoje.
— Eu não estou fazendo nada hoje, quer uma carona? – Ofereceu e sorri.
— Se for de graça, aceito.
— Tudo bem, só me diga quando estiver para sair. – Alertou voltando a beber seu café e fui pegar meu copo de água. – Sua mãe disse onde vai ficar? – Vane perguntou sem desviar a atenção do notebook e lhe olhei com um sorrisinho.
— Em um hotel.
— Quantos dias?
— Não sei, não perguntei. Mas acho que um dia ou dois, por quê?
— Jhu quer conhecer ela e passar um tempo com a mãe “postiça” dela. Só porque é sua mãe, ela está empolgada. – Murmurou fechando o notebook e me olhando com uma expressão divertida. Espera….
— Você quer que eu leve a Jhu quando for ver minha mãe?
— Exatamente.
— Você nem sabe se minha mãe é legal.
— James disse que ela é um anjo e eu acredito nele. Ela é sua mãe também, Vick, deve ser uma pessoa legal. – Sorriu e fiquei lhe olhando em silêncio.
— Quer conhecer ela também? A gente pode tomar soverte, ela paga.
— Se não tiver problema, quero.
— Tá! Vou ligar pra ela e falar sobre isso. – Sorri animada. Ironicamente sempre achei que Vane se daria muito bem com a minha mãe. Seria incrível ver essas duas conversando.
XxX
Assim que cheguei no hospital fui guiada a sala de espera por uma enfermeira, onde Vicent estava sentado. Então me sentei do lado dele enquanto não era chamada para entrar no quarto da Sam. Estranhamente ficamos em silêncio por um longo tempo até ele o quebrar com o baixo timbre de sua voz, o que me assustou, já que Vicent sempre foi escandaloso.
— Ela ainda não quer que eu vá vê-la. – Praticamente sussurrou de cabeça baixa, o que involuntariamente me fez levar a mão em sua cabeça, fazendo um leve carinho.
— É só por enquanto, Vicent. Sam te ama e vai perceber que querer te afastar não vai dar em nada. – Reconfortei e acabei o abraçando de lado por ele se encolher. Ver Vicent triste parte o meu coração.
— Desculpa, eu não estou sendo tão amigável. – Pediu baixo e voltei a fazer carinho em sua cabeça.
— Você não tem que pedir desculpas, ok? Eu sei pelo que está passando. Sério! Quando estou assim só quero falar com minha cachorra, ela me entende. – Brinquei e ele deu um fraco sorriso.
— Obrigado, Vick. – Murmurou e assenti sorrindo de forma reconfortante. — Eu nem te perguntei como vão às coisas com a minha prima. – Falou baixo e engoli em seco ao me lembrar que Galateia não está falando comigo. Acho que contar isso para ele só vai deixá-lo pior, então é melhor não dizer nada, porque nem eu sei como as coisas vão ficar. Não sei se Galateia vai falar comigo de novo, ou se Liane vai ter algum progresso.
— Está tudo bem. Nada de novo. – Falei sorrindo e ele assentiu olhando em direção à porta do quarto de Sam, quando a enfermeira informou que já estava na hora da visita.
— Pode ir Vick, sou eu que…. Sou eu que ela não quer ver. Ela adoraria ver você. – Vicent sussurrou e me ergui entrando no quarto. Só que retornei segundos depois ao perceber que Sam ainda dormia profundamente e que talvez levaria alguns minutos para acordar. Vicent pareceu entender o motivo d’eu ter voltado tão rápido.
Fiquei um tempo em pé e logo depois me sentei ao lado dele de novo, enquanto estalava meus dedos um por um, olhando rapidamente a tela de meu celular quando o mesmo alertou uma mensagem. Bufei ao ver ser uma mensagem da operadora, então nem cheguei a ler. Isso é um saco! Ela poderia me responder, nem que fosse um “me deixa”. Eu só queria ter algum retorno.
— Você está nervosa? – Vicent perguntou e lhe olhei confusa.
— Não estou. – Neguei passando a mão sobre minha franja a jogando toda para trás, a que voltou para o lugar como se um ímã a puxasse de volta.
— Claro que está.
— Já disse que não. – Resmunguei cruzando as pernas e guardando o celular no bolso.
— Minha prima te fez alguma coisa, Vick? – Perguntou e suspirei.
— Não, ela não fez nada.
— Tem certeza? Vamos lá, o que houve entre vocês? – Perguntou curioso e suspirei.
— Não houve nada.
— Fala sério, Vick! Eu te conheço. Essa sua expressão triste não combina com você. – Como assim? Eu estou com uma expressão triste?
— Não posso estar triste por você? – Murmurei e ele sorriu.
— Claro, mas acontece que a Ninfa está com essa mesma expressão tristinha e pra ela ficar com uma expressão assim, é só se algo acontecer com a própria. Fora que a Liane veio aqui com ela, mesmo com a Sara aqui. Pra Lily cogitar a ideia de fazer isso sem se preocupar com a Sara histérica, a Galateia tem que precisar muito da companhia dela.
— Não quero te contar problemas. – Resmunguei e ele suspirou.
— Então aconteceu alguma coisa! – Afirmou e passei a mão em minha franja a jogando para trás uma segunda vez. – Pode me contar. Para Galateia eu nem sequer me atrevo a perguntar nada. Ela estava com a cara pior do que a de sempre, se eu perguntasse o que aconteceu ela me responderia com falta de educação.
— E quem te garante que eu não vou te responder assim? – Perguntei um pouco mais pra baixo por saber que a Galateia está triste.
— Porque gentileza é o seu ponto “forte”, enquanto o da Ninfa é ignorância. Fora que a Liane tá montando guarda nela. Se você é gentileza, Ninfa a ignorância, a Liane é agressão física.
— Só por que sou gentil, não significa que vou te contar tudo que me acontece. – Resmunguei cruzando os braços. Então Liane não ter socado a minha cara, foi realmente sorte?
— Eu sei! Você vai me contar porque eu sou o seu cupido e precisa desesperadamente desabafar comigo antes que acabe explodindo. – Suspirei pesadamente e o encarei séria, notando a determinação em seus olhos, tendo a certeza que ele não desistirá até me fazer falar.
— Bem… Eu fui idiota com a Galateia tipo, muito idiota. – Confessei em um fio de voz, abaixando a cabeça enquanto mexia nas mãos nervosamente.
— Sério? O que você fez?
— Se eu te contar, você vai me odiar também. – Sussurrei e ele franziu a testa.
— Jura? – Perguntou surpreso e assenti. – Olha, não acho que ela odeia você, só deve estar chateada.
— Acho que não, uma parte dela deve me odiar muito.
— Por quê?
— Te conto depois que as coisas com a Sam melhorarem, ok? Não acho que vão se resolver antes disso. – Me encolhi e olhei para ele por sua mão fazer carinho na minha cabeça.
— Não acredito que a Ninfa vá ficar chateada com você por tanto tempo, ela parece gostar bastante de você, até mais do que gosta da Sara.
— Você não sabe o que aconteceu, se ela não falar comigo pelo resto da vida, vai ser um bônus. – Sussurrei. – Eu nem posso reclamar, porque mereço esse tratamento.
— Tenho certeza que você tem uma explicação adequada. O que ela te disse? – Perguntou e suspirei.
— Nada eu… Você também vai me detestar. – Murmurei e ele ergueu uma sobrancelha.
— Por quê?
— Er, eu meio que me aproximei dela por causa de um livro que vi da mãe dela, onde tinha uma dedicatória. A gente estava muito bem, sabe? Creio até que estaríamos namorando se não fosse eu contar isso. Ela ficou muito desapontada comigo. – Contei me encolhendo e limpando uma lágrima por me sentir triste de novo. – Não queria deixá-la triste, mas não soube como me explicar e só acabei ferrando tudo.
— Também não entendi muito bem... – Falou confuso.
— Não me admira. Eu não sei como explicar isso sem parecer mais babaca do que já pareço. Quando eu era um pouco mais nova, me esbarrei nela na sala de aula e vi uma dedicatória em um livro que ela lia. Achei muito interessante e pesquisei o nome da autora. Descobri que era a mãe dela, então comecei a ler todas as obras dela e passei a admirar a Galateia. – Contei e vi a expressão assustada dele.
— Você está me dizendo que se aproximou da minha prima por causa da Scarlet?
— Sim e não. Ela serviu para que eu prestasse atenção na Galateia, e acho que somente isso. Mas não soube explicar pra ela, e só piorei tudo. Ela acha que eu só queria conhecer a mãe dela e não quer mais falar comigo.
— Eu também não falaria se fosse ela. – Falou sério e lhe olhei chorosa. – Talvez, se fosse com a minha mãe, mas a mãe da Ninfa? Porra, você não só cavou sua cova, como se enterrou. – Falou com pesar e suspirei.
— Liane disse algo parecido.
— Liane? Você conversou com a Lily e ainda está respirando? – Perguntou assustado e assenti. – Uau, talvez ainda tenha salvação ou ela só não te matou porque a Ninfa gosta muito de você. Liane é basicamente um pitbull com quem faz algo com a Galateia. E pra saber que não estou exagerando, ela já deslocou o braço de uma menina por ela acidentalmente socar o nariz da Ninfa. – Contou e arregalei os olhos. – Ela quase bateu na Sara também. Acho que você teve muita sorte.
— Ou muito azar, talvez se ela tivesse me batido e eu desmaiasse, acordaria menos idiota. – Murmurei e ele riu.
— Ou morreria, Liane é um ogro. – Brincou e suspirei aborrecida. – Eu devia ficar bravo com você, mas se tá na reta da Lily, tenho é pena. Vou perguntar o óbvio, mas ela te proibiu de mandar mensagem pra Ninfa, não foi? – Perguntou e assenti. – Coitada. – Riu baixinho e negou algumas vezes com a cabeça. – Não se preocupe, tá? Se ela não te matou, é porque ainda há esperança. – Suspirei pesadamente e olhei para baixo. Galateia nem sequer me enviou uma mensagem, o que me faz pensar que ela decidiu não falar mais comigo, bem como a Liane disse que faria. – Você vai pra escola amanhã?
— Provavelmente não, minha mãe chega hoje e quero passar um tempo com ela. – Contei. – Por falar nisso, verei se a Sam acordou, porque depois que minha mãe chegar, eu não vou voltar tão cedo. – Me ergui indo até a porta do quarto e sorrindo por ver Sam sentada na cama, brincando com os dedos. – Boa tarde, princesa. – Saudei animada e ela sorriu me chamando com a mão.
— Senta aqui comigo. – Pediu carinhosa e o fiz, arregalando os olhos pelos cinco tapas fortes que recebi no braço.
— Meu Deus! Que diabos? – Perguntei me afastando em um salto, cobrindo o local com a mão. – Por quê?
— Isso é por você fazer a Ninfa chorar, sua ridícula. – Bradou e me encolhi no lugar. – Se eu não tivesse doente, corria atrás de você. – Continuou irritada e abaixei a cabeça evitando uma risada.
— Eu subiria em uma escada. – Falei em um tom divertido e sua boca se abriu em descrença. – Desculpa. – Pedi voltando a me aproximar, dessa vez com as mãos erguidas. – É seguro?
— Nunca saberá. – Abriu os braços e sorri lhe abraçando apertado.
— Eu vou resolver as coisas com a Galateia, palavra. – Garanti não confiando nas minhas próprias palavras. Grande parte do processo depende de mim, mas a outra parte, depende exclusivamente da Galateia aceitar minha explicação. Se ela não me desculpar, não sei se conseguirei me manter perto dela e consequentemente será meu primeiro coração partido. Talvez, falar com minha mãe vai ser o suficiente para me ajudar no que dizer a ela, mas, ainda assim, estou com medo dela não querer ouvir uma explicação.
Fale com o autor