Miranda: Starve
22 Who Are You?
Minkis Mackenzie
Estava me preparando para interrogar mais um suspeito, ótimo! Porque eu sempre era a escolhida? Enquanto arrumava as folhas de papel, que esperava usá-las para algo, pensava em tudo que estava acontecendo. Não conseguia ficar muito tempo pensando em algo fixo. Peguei minha caneta e andei em direção a sala de interrogatório, onde estava Owen.
Abri a porta, estava com um turbilhão de sentimentos. Mas o nervosismo estava maior. Precisava demonstrar confiança, não poderia demonstrar fraqueza. Caminhei até a cadeira livre, me sentei, ficando em frente ao pinguim. O mesmo estava com um sorriso em rosto, parecia não estar nem um pouco preocupado por ter sido preso.
Olhei para o papel, me preparando para iniciar o interrogatório. Respirei fundo, olhando para Owen, que continuava sorrindo.
— Então, Owen, onde estava no horário do roubo?
O pinguim arqueou uma sobrancelha, ainda com o sorriso em rosto e disse:
— Vocês têm como ver nas câmeras, por que estão me perguntando? Estão perdendo tempo, sinceramente.
Ele estava brincando comigo, né? Não era possível! Eu teria que pedir para ele levar aquele interrogatório a sério? Em momento algum demonstrei a minha indignação com o pinguim, precisava me manter neutra naquele momento, então, apenas respirei fundo, continuando com as perguntas:
— Poderia falar o nome de algum pinguim que pode comprovar a sua inocência?
Dessa vez, o pinguim nem se preocupou. Ele nem ao menos respondeu, a possibilidade de abrir o bico para responder não deve ter se passado pela sua cabeça, já que ele apenas abriu um sorriso maior.
Aquilo era um jogo comigo? Esperava que não. Eu apenas queria conseguir respostas para minhas perguntas e acabar com toda a situação da ilha, mas Owen não estava colaborando. Dessa vez, acabei não aguentando, revirei meus olhos, bufando em seguida. As ações daquele pinguim estavam acabando com a minha paciência em uma velocidade enorme.
Nem pensei em fazer uma pergunta, sabia que o pinguim não daria uma resposta útil. No máximo, iria duvidar da capacidade dos investigadores, e sinceramente? Eu não estava com a mínima paciência para escutar aquelas piadinhas do pinguim. Só de olhar para o sorriso cínico e sarcástico de Owen, fazia minha cabeça latejar e minhas nadadeiras fecharem em um punho.
Ia abrir meu bico para perguntar se ele continuaria com aquele tipo de comportamento, mas o pinguim se levantou e começou a se transformar. Aos poucos, parecia que ele se tornava um pinguim totalmente preto, tudo era preto, seu bico, suas penas. Mas algo que me assustava era seus olhos, no espaço que deveria ser encontra-los, estava um buraco, como se ele estivesse morto, como se não tivesse uma própria alma. Ele era tão assustador, parecia um monstro de um filme de terror, era horrível. Owen pegou um revólver e tudo se tornou desesperador. Qualquer passo meu poderia acabar com uma Minkinha com um tiro na testa. Maldita hora em que resolveram tirar os agentes da sala! Sem sombra de dúvida, esse suspeito era bem mais perigoso do que o anterior. O que eles têm ao invés de cérebro?
A possibilidade de gritar estava fora de jogo, a bala seria bem mais rápida do que os policiais, por isso, lembrei-me da existência de um botão embaixo da mesa. Abaixei-me rapidamente e bati minha nadadeira contra o objeto, ocasionando um barulho na sala inteira, o som de sirenes ecoava nas paredes, entrando em meus ouvidos. Ainda abaixada, consegui ver a expressão de desespero de Owen, não havia escapatória, a polícia chegaria antes da bala naquele momento. Sentia-me em um filme de ação, a possibilidade do pinguim simplesmente ignorar a chegada da polícia e atirar em minha direção me apavorava.
Durante aqueles segundos de medo, tentava me manter calma. Os sentimentos que permaneciam juntos a mim desde o início da investigação, parecia que as vezes eles sumiam, me deixando totalmente tranquila, mas a realidade é que eles sempre estavam lá, me desesperando em momentos como esse.
Os poucos segundos que se passava aquele momento, tive a sensação que deveria perguntar algo, mas o medo era algo enorme. Não sei se teria coragem. Fechei meus olhos com força, você precisa ter coragem, Minkinha! Abri meus olhos, olhando para o pinguim, perguntando rapidamente:
— Quem é você? O que é você?
Ele olha para a porta, vendo alguns policiais se aproximando, voltando seu olhar para mim, ignorando minhas perguntas e dando um sorriso de canto. Até mesmo naquele momento ele tinha que dar aquele sorriso? Ele não tinha noção da situação? Maldito pinguim!
— Vida longa à Miranda.
Aquela frase me arrepiava. Talvez porque já havia a escutado, ou talvez porque a chance de tudo isso ter sido causado por essa Miranda era gigantesca. Afinal, isso tudo não poderia ter acontecido naturalmente, em um período tão curto de tempo.
E logo em seguida, já com sua aparência totalmente preta, com sua forma original, vira o revólver em sua direção, não, ele não pode fazer isso! E fazendo o que havia pensado, atira em si mesmo, desaparecendo em seguida. O pior é que ele não havia caído no chão, morto, ele apenas sumiu, como se ele já estivesse morto. Assim que sua figura sumiu, a porta da sala foi aberta brutalmente pelos policiais, com os olhares atentos e com as armas em nadadeiras, prontas para dispararem, mas já era tarde demais, o suspeito havia sumido, e não seria tão fácil reencontra-lo, na verdade, nem sabia se realmente seria possível reencontra-lo. Junto com os policiais, os outros investigadores entraram no local, indo a minha direção.
Ainda estava abaixada, estava em choque. Tudo aquilo havia acontecido tão rapidamente, minha mente ainda não havia processado tudo, nem sabia que eu conseguiria relembrar isso futuramente, já que foi algo tão rápido. Os pinguins foram até mim, se sentando no chão e olhando para mim. Juan se aproximou de mim, me abraçando, ele também estava chocado.
— Fica tranquila, Ryan também era um deles! Isso é coisa dela!
Separei o abraço, olhando assustada para o pinguim. Havia mais deles, e isso me assustava, muito. E afinal, a pergunta que havia feito a Owen, e que não havia sido respondida ainda martelava em minha mente, quem eles são? O que eles são?
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