Miranda: Midwinter
23 Underground
Thay Scott
Lembro-me da noite passada: não conseguimos dormir, pois estávamos com medo, então montamos alguns bonecos de neve, até pegarmos no sono, até que acordei com alguns barulhos vindos da Cabana.
— O que é isso? — perguntou Greeny sonolento.
— Não sei... — respondeu Minkis.
— Silêncio. Fiquem aqui, vou dar uma olhada. — disse, indo em direção à frente da cabana.
— Cuidado. — disse Greeny.
Me aproximei lentamente e vi que era um encapuzado. Não me aproximei muito, então, ele não provavelmente não notou minha presença.
— É um encapuzado. — eu disse, voltando para o local. — Vamos andando até o Centro, ele não vai nos perseguir. —
— Quanta calma para falar de um sequestrador. — disse Minkis, bastante séria.
— Se ele não vai nos seguir, não é motivo para ficar preocupada. — eu respondi. — Vamos.
— Você nem sabe se ele não vai nos seguir! — Disse Greeny revirando os olhos.
Começamos a andar em sentido ao Centro. O encapuzado parecia já ter entrado na Cabana.
Comecei a andar rápido, quando vi já estava a alguns passos de distância dos outros pinguins. Estava tudo muito silencioso, até que consigo ouvir alguns sussurros vindos de trás.
— Ela está estranha... Aconteceu algo?
— Eu também não sei.
Obviamente, eram Greeny e Minkis falando de mim. Comecei a acelerar o passo após ouvir essas duas falas, até que chegamos ao Centro.
— Ok, aqui suas esferas. Vamos para a caldeira. — Disse Greeny entregando as esferas para mim e para Minkis. — Nós vamos para a Caldeira, dentro do Dance Club.
Me concentrei, fechei meus olhos e joguei a esfera na minha testa. Eu ainda tenho que aprender a jogar isso no chão.
Passei a nadadeira na minha testa enquanto era teleportada. Estava doendo.
Abri os olhos e, lá estávamos.
Lá havia duas portas verdes. Uma estava trancada e outra destrancada. Não perdemos tempo e, logo entramos na destrancada.
Quando entramos, Minkis acabou pisando em algo que ativou várias armadilhas: Se você pisar em algo errado pode cair em algum lugar que não quero saber onde é, pode arriscar passar por uma “amarelinha”. A diferença é, se você pisar errado... E várias outras.
A outra porta era trancada com várias fechaduras. Até encontrarmos todas, perderíamos muito tempo, então tivemos que arriscar.
Passamos por todas as armadilhas, com um pouco de dificuldade, mas passamos.
— Não poderíamos ter teletransportado com a esfera não? — perguntou Minkis, se sentando no chão, encostando-se a uma porta que lá havia.
— Não. Nem foi tão complicado assim... — respondeu Greeny.
— Somos pinguins gordos. Claro que foi complicado. — eu respondi.
— Fale por você. — disse Greeny bem sério, mas querendo rir.
Eles riram e, Minkis levantou, abrindo a porta que estava encostada. Ou melhor, tentando abrir.
— Isso está emperrado — Minkis disse tentando abrir.
— Ou talvez esteja com senha. — eu disse apontando para uma tabela com números, ao seu lado.
— Como eu não vi isso... — Minkis disse batendo sua nadadeira na testa.
— Ok, ok. Agora, qual a senha disso? — perguntou Greeny.
— Hey, aqui parece ter algum tipo de equação. — disse Minkis, apontando para alguns números dentro da tabela. — Vou tentar resolver. —
Minkis começou a analisar os números na tabela, calmamente. Era uma equação bem grande. Quando ela tocou a tabela, parecia algo como touch screen. Pelo visto era uma tabela de alta tecnologia. Aos poucos foi adicionando alguns números nela, algumas letras, fazendo algumas contas do lado...
Algumas horas ela até teve que parar para pensar e rever tudo. Foi realmente demorado e difícil. Não imaginava quanto tempo tínhamos ficado lá, e eu sentia medo de que os encapuzados nos alcançassem, por mais que eu não estivesse sentindo nada ruim.
Eu já estava cansada de esperar até que... PRI!
— A porta destrancou! — Disse Greeny animado.
— Parabéns Minkis! — Eu disse.
— Obrigada! Agora, vamos entrar! — respondeu Minkis, girando a maçaneta da porta.
Entramos em outra sala, que tinha um longo corredor, que no final tinha outra porta com mais uma senha.
— Ai não... — disse Greeny.
— Agora não é uma equação. — disse Minkis.
— Vamos procurar por essa sala, vai que tem algum lugar com algo escrito. — Eu disse.
E assim fizemos. Começamos a procurar pela sala algum papel escondido, alguma marca na parede.
Porém, a sala era vazia. Quando não tínhamos mais ideia do que fazer, Minkis se lembrou de algo:
— Ei, como não pensamos nisso antes? — Minkis exclamou. — O sonho do Juan! Esquecemos totalmente sobre ele! Nossa, nós estivemos fazendo tudo sozinhos sendo que tínhamos as instruções... Ok, vamos ver. —
Minkis pegou um papel em seu bolso onde ela tinha escrito as coisas que Juan falara.
— Seguir corredor... Certo... Completar a equação... Certo... Ok, aqui estamos. A senha da porta é 3456 — ela falou. Fui em direção à tabela e comecei a digitar os números que Minkis disse e logo a porta foi destrancada.
— Se tiver alguma outra porta eu vou ficar brava. — eu disse.
— Fique brava. — disse Greeny, apontando para algo na minha frente.
E sim, era outra porta.
E sim, tinha senha.
— Ok, vamos lá... — Eu disse e suspirei. — Minkis, qual é a senha?
— Ok, vou ver aqui... — disse Minkis, olhando no papel novamente. Em poucos segundos, ela começou a dizer os números que abririam a porta. Dessa vez, eram muitos, mais de dez, mas finalmente digitei todos e a porta foi aberta. Por um momento eu fiquei aliviada, mas senti algum pressentimento estranho.
— Gente, cuidado. — Eu disse, enquanto observava a porta sendo aberta. A porta fez um pequeno barulho e logo escutamos um pequeno assobio. Logo, Greeny tirou algo da sua bolsa de couro verde, era um espelho de maquiagem, ele abriu o objeto que assim que refletiu nossos rostos começamos á escutar a voz de Juan: — Gente, parem! É tudo uma armadilha, não sigam as instruções do sonho! Ele quer que vocês entrem! E, de maneira alguma, não resolvam uma equação! Estou em algum lugar no subterrâneo, tem uma sala onde o Dylan está. Eu sei que é conectado com a piscina, então se puderem, desçam por lá!
Quando Greeny fechou o objeto biqueaberto nós a vimos, ela estava de capuz, com as nadadeiras na cintura e com um sorriso nada convidativo, sim, era Lina, e ela não estava sozinha, não mesmo.
Nós não conseguiríamos fugir de lá tão cedo.
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