Juan Hussie

Depois de Dylan dizer aquilo para mim, eu não sabia mais como reagir. Meus amigos estariam indo direto para uma armadilha, e eram eles que terminariam de abrir o portal... Não era justo! Eu precisava avisá-los...

Mas como? Não tinha nenhuma maneira de eu contatá-los. Os celulares não tinham sinal no subterrâneo, não tinha nenhuma rede Wi-Fi. A única maneira possível de fazer isso seria usando algo como magia.

Mas onde eu conseguiria isso? Eu nem tinha magia própria... Olhei disfarçadamente à minha volta, mexendo apenas os olhos, com a cabeça parada, tentando encontrar uma solução. Observei a decoração da sala, a estante, os potes de vidro...

Espera! É claro! Eu já sabia o que fazer. As chances eram poucas, mas talvez seria possível.

— Então isso quer dizer que, não importa o que eu fizer, eles já vão seguir as instruções do meu sonho e acabar te entregando a resposta da equação e abrindo o portal... — Tentei distrair Dylan, demonstrando um pouco de desapontamento.

— Exato — ele afirmou, sorrindo.

— Então vocês precisam que eles sigam o sonho, porque senão eles vão acabar não dando as coisas que você precisa — reafirmei.

Dylan ficou quieto dessa vez.

Eu precisava esperar exatamente o momento certo. Mas, mesmo assim, precisava de uma distração. Reparei que, em cima de sua escrivaninha, tinha um porta-lápis com duas canetas e um lápis. Era aquela a distração que eu precisava.

Fui me aproximando da escrivaninha, agora demonstrando raiva. Com toda a força, bati as duas nadadeiras na parte de cima dela, empurrando o porta-lápis e fazendo com que ele caísse no chão:

— Argh, seu idiota! Eu não consigo acreditar que alguma vez eu tenha conseguido ver algo bom em você! Dylan, você é um babaca!” — gritei. Ele ficou quieto depois daquele sermão. Então, calmamente, foi pegar as coisas que eu derrubara no chão.

E, quando vi que ele não olhava mais para mim, percebi que estava no momento certo. Era agora. Primeiro, andei até a estante, calmamente, e peguei um dos potes de vidro. Depois, comecei a correr. Abri a porta da pequena sala e apenas ouvi os gritos de Dylan, dizendo “Volte aqui!” enquanto eu corria.

Eu desci correndo as escadas que levavam para a sala e vi o pinguim grande que tinha me levado para lá. Eu rapidamente tirei os óculos de visão noturna dele e os segurei em minhas nadadeiras. Com cuidado, coloquei os mesmos em meu rosto, e assim consegui ver tudo a minha volta, por mais que as únicas cores que eu conseguia ver fossem preto e verde.

Olhei um pouco em volta, tentando lembrar por qual caminho eu tinha andado para chegar ali. Tinha uma bifurcação, eu poderia ter vindo de qualquer um dos dois caminhos. Em uma das paredes da caverna, havia algumas portas fechadas, mas eu não imaginava para onde elas poderiam me levar.

Eu teria algum tempo até o pinguim pegar os outros óculos de visão noturna e vir me perseguir. Mas eu imaginava que, logo, Brincadeira mandaria vários encapuzados para me capturar.

Segurei o pote de vidro com muita força, eu ia precisar dele. As paredes daquele lugar eram basicamente feitas todas de pedras. Algumas estalactites eram formadas no teto do lugar. Tentei observar detalhes que eu tinha reparado na vinda, para assim descobrir qual dos dois caminhos era.

Observei o padrão de estalactites e... Sim, agora eu sabia. O lugar por onde eu tinha andado antes tinha uma linha perfeita de estalactites no teto. E aquele era o caminho da... esquerda.

Sem esperar mais, comecei a correr para lá. Se precisasse, eu usaria a caixinha com a água para me defender. Ela ainda estava guardada comigo. Aliás, aproveitei aquele momento que tinha lembrado dela para pegá-la em meu bolso, abri-la e colocar o pote de vidro dentro. Certo, agora não tinha perigo de ele ser quebrado.

O pote de vidro era bem grande, igual a aqueles usados para pegar vaga-lumes. Era mais do que o suficiente para o que eu precisava.

Depois de correr bastante, parei alguns segundos para respirar e tomar um pouco de água. Eu estava suando. Abri a caixinha e a inclinei sobre meu bico como um copo, assim bebendo o líquido. Foi muito bom. Depois, respirei por mais alguns segundos antes de correr.

Eu imaginava que apenas aquele tempinho não me atrapalharia em nada. Mas eu não devia ter pensado daquela maneira.

Três encapuzados me alcançaram nesse meio tempo.

— Ah, não — falei.

Então, percebi que não tinha mais jeito. Abri a caixa de papelão, sem usá-la para jogar a água ainda, e tirei o pote de vidro de dentro. Então, virei-a de lado, pronto para usá-la como arma.

E, no momento certo, a água saiu como um jato, atacando os três encapuzados de uma vez e me impulsionando para trás.

"Oh, é claro!” Pensei.

Continuei com a caixa aberta por alguns segundos, e assim fui recebendo um boost para chegar onde queria.

Até que, finalmente, consegui ver os primeiros pinguins. Eu estava chegando perto. Lá já estavam pinguins dos que tinham sido capturados. Fechei a caixa, pois não queria atingi-los, e comecei a correr novamente. Ninguém entendia o que estava acontecendo.

Fui correndo, correndo mais, até que:

— Padans! — Exclamei. “Padans, sou eu!”

— Juan? Você voltou! O que aconteceu? — Padans, o pinguim roxo que eu conhecera após ser teleportado para o subsolo, perguntou.

— Não tenho tempo para explicar. Cadê a Jess? — Perguntei.

Padans chamou a amiga. Me lembrei de que, diferente de mim, ele não tinha os óculos de visão noturna, e não estava vendo nada.

Até que Dolds, o puffle dourado, começou a brilhar.

Depois que ele fez isso, tirei os óculos. Preferia ver as coisas em cores. Aliás, cores era exatamente o que eu precisava.

— Juan? Me chamou? — Jess disse. Ela era uma pinguim verde água de cabelos ruivos.

— Jess, você tem um puffle multicor, não é?

— Tenho sim, o Pride.

— Por favor, por favor mesmo, peça para que ele assobie. Isso poderá salvar todos nós.

— Uh... Certo. Pride, você pode assobiar?

Pride se aproximou de nós. Ele era bonito, gracioso e colorido.

— Isso, garotinho, assobie aqui nesse pote de vidro — falei.

Ele abriu um pouco a boca e se preparou para assobiar, enquanto eu colocava o recipiente próximo a sua boca. E, então, ele fez o barulhinho agudo. Perfeito! Normalmente, os assobios tinham apenas um som, mas, como eu tinha um recipiente para pegá-lo, uma imagem de nota musical se formou dentro do pote.

Fechei-o com a tampa.

— Espera, o que é isso? — Jess perguntou, surpresa.

— Um assobio de puffle multicor. Li sobre isso faz tempo, serve para várias coisas, sendo uma delas fazer um encanto de mensagem. Preciso avisar meus amigos sobre quem está por trás disso tudo — expliquei.

— Juan, faça isso logo, então. O Encapuzado está vindo aí! — Padans alertou. Eu olhei para o lado e vi um encapuzado vindo em nossa direção. Por onde ele passava, todos se aproximavam das paredes e tentavam se esconder. E, então, saíram mais dois, de trás dele. Eles estavam andando em fila antes disso. “Espera, tem três deles?” Padans parecia bem surpreso.

— Sim, são vários encapuzados, comandados por uma pessoa. Ok, vou mandar o encanto — falei. “Só preciso lembrar o feitiço...”

Aí é que estava o problema. Por mais que pessoas sem magia também pudessem usar aquele encanto, ele ainda precisava de um feitiço a ser recitado.

Enquanto eu tentava lembrar, Padans, Jess, Wendy e os outros pinguins que eu tinha conhecido ali, deram as nadadeiras e fizeram uma linha em volta de mim, me deixando no meio para me proteger dos encapuzados. Eu achei bem legal eles terem feito aquilo.

— Seria... Bibbidi Bobbidi Boo? Não... Ah, já sei! Yip, Yip! Não, isso é pra fazer bisões voadores voarem... É... — Fiquei tentando lembrar. Vários feitiços vinham a minha mente, mas nenhum deles era, até que... “Já sei! Presto Chango!”

Quando falei aquilo, a imagem do assobio começou a brilhar. Estava funcionando. Ele brilhou mais, e mais, até que...

Vi um círculo em minha frente. Ele flutuava no ar e era como um espelho. Vi minha própria imagem. Percebi que aquilo mostrava como seria a mensagem que eu iria mandar. Pensei sobre o que falar e finalmente disse:

— Gente, parem! É tudo uma armadilha, não sigam as instruções do sonho! Ele quer que vocês entrem! E, de maneira alguma, não resolvam uma equação! Estou em algum lugar no subterrâneo, tem uma sala onde o Dylan está. Eu sei que é conectado com a piscina, então se puderem, desçam por lá!

E, então, a imagem desapareceu. Pelo jeito, o encantamento durava bem pouco. O assobio desapareceu do pote depois disso. Só tinha um pequeno problema... Como eu não tinha magia, eu não podia controlar para onde ou quando a mensagem iria. Ela poderia aparecer naquele momento ou dois anos depois. Ou em qualquer horário do futuro.

Eu só esperava que Greeny e os outros tivessem alguma maneira de receber a mensagem...

Mas, enquanto pensava, vi que os encapuzados tinham detido os pinguins que me protegiam. Senti uma pancada em minha cabeça, e depois disso tudo começou a escurecer. Eu estava desmaiando. Tudo estava ficando... Confuso...

***

Acordei em uma cela. Era uma cela bem estranha. As paredes eram totalmente brancas e a luz vinha de algum lugar que eu não sabia onde. As únicas coisas que se destacavam no local era a cama onde eu estava deitado, uma cama bem dura, e a porta. A porta era apenas uma simples porta de metal com algumas grades na parte de cima.

Me levantei e tentei forçá-la para que ela fosse aberta, mas meu esforço foi em vão. Ela estava trancada. Observei meus bolsos e não encontrei nada.

As duas lulas azuis tinham desaparecido, junto com a caixa da Dimensão das Caixas.

Eu estava realmente sem saída.

E o tempo passou. Passou muito. Eu não tinha mais noção de tempo já fazia semanas, mas agora estava pior ainda. Nada mudava, não tinha barulhos... Logo eu ficaria louco. Quantos dias tinham se passado? Um? Dois? Será que meus amigos estavam vindo? Será que o portal fora ativado? Será que todos já estavam na Ilha do Club Penguin enquanto eu estava ali, sozinho?

Até que a porta se abriu. Me levantei da cama onde estava deitado rapidamente. Cinco pessoas estavam lá. Três atrás, que eram encapuzados, e duas na frente, que eram pessoas que eu já conhecia. Os três encapuzados empurraram as duas pessoas para dentro da cela e fecharam a porta rapidamente.

— Minkis! Thay! — Gritei, correndo para abraça-las. “O que aconteceu? Como vocês chegaram aqui? Vocês receberam minha mensagem a tempo?”

— Haha, também estou com saudades de você, Juan! — Minkis falou.

— Juan, ainda bem que você está vivo! — Thay disse.

— Ok, agora contem o que aconteceu! Estou muito curioso! — Eu pedi, sem esperar mais tempo.

Elas começaram a contar tudo o que acontecera depois que nos separamos. Ouvi atentamente a história. Demorou algum tempo, até que elas finalmente chegaram ao final.

— Então, recebemos a sua mensagem, bem depois de já termos seguido as instruções do sonho... — Minkis disse. “Era tarde demais. E, logo depois, apareceu a cobra. A Lina surgiu com alguns encapuzados. Nós tentamos lutar, mas não conseguimos. Eu e Thay fomos capturadas, mas pelo menos o Greeny conseguiu escapar. Ele saiu correndo. Espero que esteja bem.”

— Oh... Então foi isso que aconteceu... — Eu falei. “Mas vocês não vão acreditar no que eu descobri!”

Então, contei sobre tudo. Sobre Dylan, sobre o portal, sobre o plano dele... Minkis pareceu decepcionada consigo mesma por ter respondido a equação.

— Droga, o portal vai ser aberto e é culpa minha... — Minkis disse. Ela parecia chocada.

— Não, não é sua culpa — falei.

— Ah, não! — Thay disse. “Alguém me mata antes que esse babaca me use!” Ela comentou.

Continuamos conversando um pouco, tentando montar planos, mas parecia não haver nenhuma maneira de nós sairmos dali.

Até que o tempo acabou. Alguns encapuzados apareceram ali e abriram a portal. Eram cinco. Eles nos chamaram e nos mandaram sair do local e andar com eles.

Os cinco ficaram andando na frente e atrás, vigiando cada movimento que fizéssemos. Eu queria minha caixinha agora.

Nós andamos um pouco até chegarmos em um lugar diferente. Era uma caverna enorme. Diversas estalactites eram formadas por todo o teto. Na parede oposta ao lugar onde estávamos, ou seja, a parede Norte em relação a mim, estava um enorme portal desativado. Ele tinha uma base em baixo e outra em cima, no teto. A base de baixo tinha um pequeno degrau que deixaria as pessoas subirem nela. Ela também tinha várias lâmpadas que iriam se acender quando a máquina fosse ativada. A base de cima era um pouco semelhante, mas, obviamente, sem o degrau para que os pinguins subissem.

O portal inteiro era protegido por um vidro, menos na parte da frente, que servia como entrada. Por trás, diversos fios ligavam aquela engenhoca a várias máquinas, geradores de energia, controladores, e uma das principais coisas era a alavanca que, aparentemente, iria ligá-la. Uma alavanca, daquelas que aparecem em filmes, que você abaixa ou levanta para ligar ou desligar alguma coisa.

De resto, a caverna era apenas cheia de pedras, a não ser por uma grande porta branca do lado oposto ao portal onde estávamos. Pelo jeito era por ali que os pinguins capturados iriam entrar. Ah, e também tinham alguns poços de lava no chão, em uma altura menor. Eles ficavam no canto da sala e não tinham nenhuma proteção para que as pessoas não caíssem.

E, por fim, tinha o lugar onde eu e minhas amigas estávamos. Era uma plataforma de ferro no alto da caverna. Ela dava a volta por todos os cantos da caverna, em cima, e tinha um corrimão para evitar que qualquer um caísse. Também havia duas escadas, uma do lado Leste e outra do lado Oeste, as únicas maneiras de descer daquelas plataformas.

Eu não sabia o motivo de termos sido levados para lá. Fiquei esperando alguém dizer algo, até ver uma pessoa conhecida entrando pela porta da caverna.

Era Greeny.

Ele estava correndo, não sabia do que. Provavelmente de Lina e dos pinguins encapuzados que Minkis e Thay contaram. Ele estava olhando para os lados, tentando adivinhar para o que aquela sala servia, mas não olhou em nossa direção.

Então, apareceu mais alguém, vindo da porta. Dylan.

— Olha, parece que finalmente o grupo se reuniu — Dylan disse. “Que feliz. Aproveitem esses momentos juntos, porque podem ser os últimos... Se você não colaborar” ele completou, apontando para Greeny, que parecia não estar entendendo muito bem o que estava acontecendo.

Até que Dylan apontou para nós. Greeny olhou e finalmente nos viu. Ele parecia chocado. Então, Dylan fez um sinal.

Os guardas que nos vigiavam fizeram que nós nos movêssemos um pouco para o lado. Andamos um pouco até pararmos. Agora, estávamos em um lugar que, se caíssemos ou fôssemos empurrados... Acabaria que nós iríamos direto para um dos poços de lava, ou seja, morte certa.

— Então, Greeny. A bruxa que esperei por tantos anos. Eu só preciso de um favor seu: ative o meu portal para a Ilha do Club Penguin. Apenas o ative e eu não farei nada com os seus amigos. Senão... —

Um dos pinguins encapuzados que me vigiavam pegou o cachecol de Minkis e o jogou no poço de lava.

— Oops.

— O quê? Cretino! Eu não farei isso! — Greeny exclamou. Depois, ele fez uma bola de fogo com a nadadeira. Aquela bola de fogo brilhava bastante e flutuava sobre sua nadadeira, que estava meio dobrada. Ele a esticou e a bola de fogo foi arremessada em minha direção. Na verdade, não em mim, mas no pinguim ao meu lado. A bola de fogo iria acertá-lo, quando... Ela desapareceu. Greeny ficou surpreso.

— Imaginei que tentaria isso. Bom, pelo menos eu tenho uma proteção “anti-bruxa” que vai nos proteger de seus feitiços. Não percebeu que não conseguia se teleportar aqui em baixo? A única coisa que você poderá fazer vai ser abrir o portal, e tudo ficará bem. Seus amigos serão poupados e... Eu até posso colocar vocês em uma classe social maior na nova ilha! — Dylan disse.

Greeny parecia confuso. Ele não sabia o que fazer, não tinha nenhuma opção.

— Greeny, não abra o portal! Deve ter outro jeito de acabar com esse idiota! — Exclamei.

— Não, Juan, eu não vou perder vocês. Eu preciso fazer isso. Nós só precisamos evitar que os pinguins sejam levados para lá. — A bruxa disse, pegando a varinha guardada em meio a suas vestes.

Ele a apontou para o portal e não disse nenhuma palavra. Apenas fechou os olhos e se concentrou. A varinha era muito bonita: ela tinha uma esmeralda verde brilhante em sua base e algumas pedras de ônix em sua volta que faziam desenhos de flores.

Aos poucos, uma luz foi aparecendo na ponta da varinha. Ela era amarela, muito brilhante. No começo, era uma pequena bolinha, mas depois ela foi se aumentando, e, quando era grande o suficiente, mudou sua forma e se transformou em uma linha dourada que ia da varinha até o portal. Greeny ficou pelo menos dois minutos daquele jeito, até que o feitiço acabou, e o portal finalmente foi ativado.

Agora ele era uma coisa brilhante, mágica. As luzes das lâmpadas se acenderam. O portal estava funcionando.

— Ahahahahaha! Funcionou! — Dylan riu, e depois pegou um controle em seu bolso. Ele apertou um botão, e após isso eu ouvi uma mensagem sendo tocada em todos os lados, provavelmente vindo de alto-falantes:

— Tragam os pinguins! Atenção! Tragam os pinguins, o portal está aberto! — A mensagem continuou a se repetir. Nesse momento, reparei que os encapuzados a minha volta estavam com os braços levantados e pulando, comemorando. Era minha chance.

Eu me agachei e passei por eles sem que nenhum percebesse, e depois comecei a correr. Desci rapidamente as escadas de ferro e cheguei ao solo. Fui correndo até onde Dylan estava, por trás, e pulei em cima dele derrubando-o no chão.

— O quê? Juan! — Ele gritou. O controle em sua nadadeira tinha caído, e algo mais saíra de seu bolso: A caixinha mágica da Dimensão das Caixas.

Eu corri para pegá-la, pois agora eu teria uma arma, e aproveitei e peguei o controle de Dylan.

— Não, me devolva isso! — Ele disse, enquanto tentava se levantar. Eu precisava destruir o objeto antes que ele pudesse dar um alerta. Olhei a minha volta até lembrar dos poços de lava.

Olhei, mirei, me preparei e finalmente arremessei o controle naquela direção, derrubando-o bem no lugar onde eu queria. Yes! Pensei.

— Haha. Seu tolo. O controle tinha um segredo. Se ele fosse destruído, ele ativaria um alarme nas pulseiras que eu dei para todos os encapuzados. É apenas uma questão de tempo até eles chegarem aqui... — Dylan explicou, olhando para mim. Eu não esperava por aquilo.

Então, aconteceu. A primeira pessoa que chegou ali foi Lina. E logo chegaria mais gente, inclusive os pinguins capturados. Lina foi correndo até onde nós estávamos, quando... Ela bateu a cara no ar e caiu no chão. Algo ali nos protegia, uma barreira invisível. Olhei direto para Greeny.

— Juan... Eu coloquei um feitiço de proteção. Ninguém pode entrar aí, mas ninguém pode sair também... Mas, vamos lá, eu sei que você consegue! Não vai durar muito, mas acabe com esse babaca! Eu vou tentar bloquear a porta! — Ele explicou. Eu dei um sorriso, e fui respondido com outro. Eu não sabia o que esperar, não sabia o que fazer. Olhei para a porta e vi alguns aliados chegando: Eram Tia Arctic e o pinguim detetive que tinha fugido bem no dia do evento beneficente, pelo que vimos na TV. Eles dariam conta. Eu só precisava me concentrar em Dylan.

— Você acha que pode me vencer? Eu sou o Cavalo Vermelho da Guerra! — Ele disse. Agora estávamos os dois em pé, um de frente para o outro.

Era a hora do conflito final.