Miranda: Midwinter
3 The Party Is Over
Thay Scott
Estávamos sentados, num completo silêncio, quando ouvimos gritos vindos de fora do iglu. Todos nós corremos para a janela, onde era possível ver o Centro. Não podíamos acreditar no que víamos; vários pinguins estavam sendo atacados. Eu consegui ver um pinguim de capuz no meio, parecia que algo caía do céu e explodia liberando uma névoa preta que fazia os pinguins desaparecerem. Parecia um filme de terror. Parecia uma guerra.Nós entramos em pânico, não podíamos fazer nada, afinal não somos policiais.
O que nos deixou em mais desespero foi a questão das autoridades estarem sumindo junto com os civis. Parei de observar, porque a cena era triste, e eu não conseguia olhar mais, era muito forte para mim. Ver o desespero e não poder fazer nada, horrível. Começo a ver reflexos de outros pinguins pela televisão. Parecia ser inevitável ver tudo aquilo. Minkis estava parada, encarando tudo com seus olhos arregalados e uma de suas nadadeiras cobrindo seu bico. Juan estava sentado no sofá, levantou e se sentou de novo, encarando o nada, biqueaberto e perdido em seus pensamentos. Lina não tinha reação, só repetia algumas vezes a palavra “não”, sem emitir som, apenas mexendo o bico. Grenny estava encarando tudo, triste, biqueaberto cobrindo seu bico, com uma lágrima descendo por toda a extremidade do seu rosto.
O silêncio foi cortado por Lina:
— Os pinguins... Todos... sumiram. PC gamer...
— O que foi isso? Justo agora, que estamos perto do Natal... — Disse Juan, ainda encarando o nada.
— O Natal não importa agora. O que realmente importa é que houve um ataque terrorista, do nada! — Disse Greeny.
— Quem foi que fez isso? Que explosões foram aqueles? Isso foi horrível! — Eu disse bastante chocada.
Minkis continuou encarando a visão do Centro, só que, dessa vez, estava observando alguns pinguins que conseguiram escapar, correndo em direção a seus iglus, acompanhados de puffles. O chão estava coberto de mesas e cadeiras jogadas, algumas cobertas pela neve e pedaços de objetos quebrados com o desespero.
Lina saiu do local, indo em direção à cozinha, quando perguntou:
— Alguém quer água com açúcar? Minha vó dizia que isso acalma os nervos... PC gamer...
— Sim, por favor. — Dissemos em conjunto.
— Eu ainda não entendo... Como todos sumiram? Foi tudo tão de repente... Não sobrou quase ninguém. Eu queria tanto poder ajudá-los... — Disse Minkis, que se sentando no sofá.
— Sim, também quero ajudar, mas... Como? Se nem os policiais que estavam lá conseguiram escapar, imagina a gente! — Eu disse.
— Será que podemos sair agora? Não deve ter mais nenhum perigo, e podemos falar com alguém! Perguntar o que aconteceu, ou sei lá... — Disse Greeny.
— Eu não sei, acho que ainda é perigoso, vai que tem alguém escondido pronto para capturar mais alguém. — Disse Juan.
— Mudando um pouco de assunto, ainda tem pinguins sobrando? — Perguntou Juan.
— Claro né! Nem todos foram para o evento. Aliás, alguém liga a televisão, deve estar passando alguma matéria sobre isso, talvez a Tia Arctic esteja fazendo um plantão no jornal... Cadê o controle? — Disse Minkis, procurando o controle da televisão.
— Aqui a água, pessoal. PC gamer — Disse Lina, entregando os copos para cada um de nós.
— Obrigada. — Eu disse bebendo um gole do líquido.
— Interrompemos a programação para uma notícia urgente. Nesta noite de sábado, ocorreu um evento beneficente no Centro, organizado pela DJ Cadence, porém, houve um desastre: luzes começaram a surgir no céu fazendo com que os pinguins presentes desaparecessem, poucos conseguiram escapar. Autoridades deverão entrar em contato para mais informações. Alertamos para que todos fiquem dentro de seus iglus até os pinguins serem resgatados e os envolvidos serem pegos. Qualquer pinguim que sair de seu iglu será levado para a penitenciária mais próxima até o problema ser solucionado. Boa noite. — Disse a jornalista do Club Penguin News.
— Meu Santo Sensei... — Eu disse
— E agora? Não podemos sair do iglu, vários pinguins foram capturados e tem coisas que nem sabemos o que são por aí! E o pior de tudo, está perto do Natal! Isso é horrível! — Falou Grenny, com medo.
Todos ficamos em silêncio, não havia clima para fazer brincadeiras, conversar, cantar ou algo do tipo. Mas isso não é da conta de vocês! Vocês estão bem, isso é o que importa! Sim, estamos bem, mas também estamos em risco. Toda a população está. Não sabemos o que pode acontecer daqui para frente, nós queremos ajudar, mas não sabemos como, ou se podemos. A cena foi intrigante; pequenos pinguins correndo, gritando e chorando. Pinguins sendo levados, alguns tentando escapar e outros caindo e desaparecendo. O grito de socorro de um pinguim pequeno me deixou com um aperto no coração por não poder ajudá-los. Será que nós devíamos ter feito algo? Mas o que nós faríamos? O desespero nos cega.
Juan abriu o bico para falar algo, mas na hora, ouvimos batidas na porta. O medo aumentou, um desespero silencioso se manifestou, poderia ser mais uma ameaça, poderia ser o que nos tornaria mais uma das vítimas desaparecidas.
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