Mirai Mirai
1 Mirai Mirai
Notas iniciais
O sinal do término da aula tocou e o silêncio se desfez. -Tem certeza que vai ir sozinha Miria? -Sim, é perto de casa não se preocupem! -Ok então, nos vemos lá, às 7 horas! – elas se viraram e foram embora Meu nome é Riami Miria, é meu primeiro ano nessa escola. Me mudei esse ano, estou no segundo colegial. Sabe, aos meus 16 anos nunca consegui viver mais de dois anos no mesmo lugar. Meu pai nunca me diz o porquê, imagino que seja o trabalho, mas isso não importa, eu tenho que aproveitar! Hoje é dia de queima de fogos e vai ser ótimo pra conhecer minhas novas amigas. Eu não esperava ver meu pai em casa. Mas ele estava lá, fazendo coisas que eu nunca sei o que é. Aparentemente ele ficou meio solitário desde que minha mãe morreu, isso o deixou super protetor. Demorei duas semanas só para convencê-lo a me deixar ir ao festival a poucas quadras daqui. -Miria, o Yukata da sua mãe está no seu quarto. -Certo pai! O Yukata da minha mãe era realmente lindo! Era branco como a neve e com flores bordadas em azul claro. Queria ter visto minha mãe usando ele. Ela morreu logo depois do meu nascimento, vivo sozinha com meu pai desde então. Serviu perfeitamente em mim! -Pai,estou indo, até mais! — Não se atrase Miria, sabe que é perigoso à noite. -Tá bom pai. Saindo de casa eu corri até o local marcado. Seria uma noite incrível. Era a primeira vez em anos que eu ia a um festival, afinal meu pai é super protetor. O festival estava incrível! A decoração, a comida, os jogos e estava quase na hora dos fogos. Minhas novas amigas estavam sendo super gentis. -Os fogos vão começar logo, vamos pegar pipocas – Disse Miku, uma garota gentil que se enturmara comigo desde o começo. — Deixe que eu pego – Falei, quase que desesperada – Deixe eu fazer isso pra vocês – E então saí correndo. Elas estão sendo legais comigo, vou agradá-las se pegar as pipocas! Virei em um beco. Sabia que por ali depois dos prédios tinha uma vista para o local da queima de fogos e mais a frente uma barraca de pipocas. A melhor barraca de pipocas. Ao chegar ao lugar da vista, me deparei com um lugar estranhamente escuro e — Bump – Um barulho estranho veio do céu... DO CÉU? COMO ASSIM DO CÉU? — Cuidado! Um garoto estranho me empurrou. Milésimos de segundos depois eu estava no chão, um outdoor tinha caído de um prédio a poucos metros de mim e o garoto... o garoto... AI MEU DEUS, ELE TÁ EM CIMA DE MIM!?! -Precisa tomar mais cuidado Mirai! – Disse ele enquanto se levantava – Não sabe que os Deaths dominaram essa cidade? -Ein, como? Quem é você? E o que é Deaths? – Nada mais fazia sentido! Eu comecei a me desesperar. — Você não sabe? Qual seu nome? -Meu nome é Miria e não, não sei! -Miria? Sua mãe não é muito criativa né? -Como assim? Como ousa falar da minha mãe? -Bem, Miria. Seu nome de verdade é Mirai. Você é a encarnação física do futuro... é difícil de entender, mas é basicamente isso. -Ein? -É isso aí. – disse enquanto me ajudava a levantar – Meu nome é Genzai Yoshiaki, o presente. Você é Mirai, o futuro. -Olha aqui, obrigado por ter me salvo desse acidente, mas eu não gosto de falar com pessoas loucas! -Não foi um acidente! – ele levantou o tom da voz e se virou para mim — Ainda não entendeu? Eles querem te matar! Foi uma tentativa de assassinato, eles fazem muito isso. — O que quer dizer? Eles quem? -Olha, eu sei que vai parecer ridículo, mas me escuta. No mundo existem três formas físicas essenciais, uma do passado, uma do presente e uma do futuro. Eu sou o presente, você é o futuro. Essas pessoas são responsáveis por guardar aquilo que representam. Se elas morrerem, já era. — Como assim já era? — Bem, é claro que quase ninguém sabe dessa história e nem eu posso dizer se é verdade, mas a Kako me disse que se a gente morrer o que nós somos acabará. Por exemplo, o que teria matado os dinossauros seria a morte do representante do presente. Se ele não tivesse morrido, nenhum meteoro teria colidido com a Terra. E a vida só surgiu de novo porque o futuro sobreviveu, ele construiu tudo de novo. Sendo assim, creio eu que por pior que seja o estrago da morte minha e da Kako, elas são substituíveis, mas sem você... bem, não teríamos futuro. — Você ta brincando com a minha cara né? E quem é essa Kako? -O passado. Acredite ou não, essa é a verdade. E esse é o motivo pelo qual tentaram te matar. Um grupo religioso suicida chamado Death pretende acabar com toda a vida na Terra. Para eles, termos sobrevivido é um erro e deus quer a erradicação total da vida. Um bando de idiotas isso sim. — Isso não faz sentido! Eu não estava viva na época dos dinossauros, mané! – falei em resposta levada pela confusão. — Ah sério? Bem que achei que você tinha poucas rugas. – disse ele debochando de mim – É claro que não! O manto é passado de geração em geração para um individuo da raça que domina o planeta. O representante só pode morrer depois que passar o cargo a um descendente. — Ein? COMO ASSIM POUXAS RUGAS? EU NÃO TENHO RUGAS! – Disse revoltada. Ele me ignorou e continuou: Seus pais nunca te falaram nada? -Meu pai é uma pessoa ocupada – respondi em protesto. -E sua mãe? Eu abaixei os olhos: -Ela morreu quando eu nasci. Ele pareceu surpreso. Vi algo em seu olhar. Repentinamente começou a queima de fogos. Podia ver seu rosto quando as flores de luzes desabrochavam no céu. Só aí percebi o quanto ele era bonito. Seus cabelos eram cinza, seus olhos castanhos. Ele era alto e me passava uma sensação de segurança. — Agora faz sentido – ele bufou e começou a se alongar – é, já vi que não tem outro jeito – ele olhou pra mim e sorriu – Já que você é o futuro, eu vou te proteger Miria! Ele saiu correndo pela direção contrária pela qual eu vim e só então percebi que pessoas chegavam para ver o que tinha acontecido. Eu via sua silhueta indo rumo a escuridão quando os foguetes brilhavam no céu. Quando os fogos pararam, perdi ele de vista. — Miria! Você tá bem? – Gritou Miku enquanto corria em minha direção. — Estou sim. — Meu Deus! Você escapou por pouco! Vamos voltar para casa, você deve estar em choque! — Não precisa, eu estou bem. Vamos comprar as pipocas. — Não Miria! Vamos voltar. A queima de fogos já foi de toda forma. E então voltamos. Parece tudo tão confuso, tão estranho. Eu nem sei dizer se consigo acreditar, mas ele... ele me passou algo diferente... algo que nunca senti antes. Quando cheguei, meu pai estava dormindo. Eu subi pro quarto e me arrumei para dormir. No outro dia tudo parecia um sonho. Com tudo que aconteceu no dia anterior eu nem escrevi no meu diário. Lá estava eu sentada na escrivaninha de frente para meu caderno onde escrevia tudo. Lembrei daquele garoto... qual era seu nome mesmo? Ah é, Genzai Yoshiaki. Eu realmente senti algo diferente por ele. Mas só conversamos poucos minutos, como isso pode acontecer? Miku me convidou pra ver os fogos de novo já que o incidente da noite passada estragou meu primeiro festival em anos. Mas depois daquilo eu não queria mais ver os fogos. Eu respirei fundo e peguei o papel, nele eu escrevi o que eu sentia, que eu só queria que ele estivesse aqui de novo, nesta noite vão soltar os fogos, mas eu vou ficar em casa tentando me lembrar de tudo, poderá meu desejo se realizar? Crash — Nesse momento algo quebrou minha janela. Eu dei um pulo de susto acompanhado de um belo e agudo grito. Alguém jogou uma pedra e saiu correndo antes que pudesse ver quem era. Na pedra havia um bilhete sem assinatura com apenas uma mensagem: “Cuidado com o que deseja, Mirai”
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