Mirai Mirai
2 O "sempre" é relativo - Parte 1
Notas iniciais
– Então aquele garoto que estava correndo te salvou? – Perguntou Miku que parecia realmente interessada. — Sim. Foi muito estranho e ele começou com um papo de futuro, presente, foi muito horrível. – Eu respondi ainda confusa sobre o que aconteceu. — Futuro? Meu deus, ele te pediu em namoro! – Disse ela com um brilho nos olhos. — Não. Ele disse que eu corro risco de vida... e que iria me proteger. — Meu deus! Isso é tão legal! Agora mesmo ele vai entrar por aquela porta e chamar você pra sair. — A Miria ta aí? – A voz de Genzai ecoou pela sala vinda dos fundos. Ele estava parado na porta procurando por mim. — Ela tá aqui! – Gritou Miku enquanto apontava pra mim. — Preciso conversar com você. Eu fiquei meio vermelha. Como assim, a Miku acertou? Por mais que muito esperta ela não era uma pessoa em que conseguia prever coisas. Não era eu quem fazia isso? Espera! Quer dizer que ele vai me pedir em namoro? Minha mão começou a tremer e eu fui conversar com ele lá fora. — O que f-foi? – Disse eu gaguejando. — Você ta bem? Eu vim aqui pra chamar você pra ir ver a Kako. Então era isso. Eu voltei ao normal, embora um pouco decepcionada. — Ela é o passado certo? — Sim. Ela ficou sabendo do recado que deixaram pra você no dia do festival. É... havia se passado uma semana desde o festival. Meu pai me fez limpar a bagunça da janela quebrada e nada mais. Eu ainda não sabia o que aquilo significava. — Quero que leve o papel e me encontre na estação de trem às 16:00h. Tudo bem pra você? — Claro! – Eu estava com um mau pressentimento. Vindo de mim quer dizer que algo ruim ia acontecer certo? Eu cheguei atrasada. Ele estava me esperando. Entramos no ônibus e seguimos por algumas estações sem trocar muitas palavras. Algumas vezes ele olhava um relógio que me fez perceber que ele tinha uma cicatriz no pulso. — O que é essa cicatriz? — É uma lembrança. Pra eu nunca me esquecer do que eu sou. -Como assim? — Deixa pra lá. Ao chegarmos nos deparamos com uma casa tradicional japonesa. Era bem grande e num lugar privilegiado da cidade. Quem quer que fosse que eu iria conhecer ela era financeiramente bem diferente de mim. — Takara! – Gritou Yoshiaki fazendo um funil com as mãos para aumentar o som. Uma mulher de idade avançada abriu a porta. Seus olhos pareciam cansados e eles me observavam com certa apreensão. — Ah, Genzai. Que bom que veio – Ela fez uma pausa e se direcionou para mim – Miria, como você cresceu! — E-eu te conheço senhora? — Não. Mas eu te conheço. Entrem. Ao entrarmos nos deparamos com uma casa rigidamente tradicional. -Por aqui – Nos orientou a senhora Ao entrarmos num quarto eu me deparei com um ser tão lindo que mal podia acreditar que fosse real. Sentada sobre uma fina almofada uma mulher linda trajava um yukata branco assim como seus cabelos. Sua pele também não era muito mais escura que neve. -Miria é um prazer conhecê-la – Ela se direcionou a mim, mas não abriu os olhos. — É um prazer é... -Takara. Kako Takara — Ela é o passado Miria – Me explicou Genzai -Sentem-se. Acho que a Miria deve querer umas explicações Eu e Genzai nos sentamos à pequena mesa oriental na frente dela e a senhora que nos acompanhava deixou a sala. — Pois bem Miria, acho que já sabe o que somos certo? — Sim. — Sabe por que está aqui? — Não. — Bem. Já sabe que eu sou o passado não é? Assim como você sente algo que pode acontecer No futuro eu sei daquilo que ocorreu no passado. Eu sei qualquer coisa que já ocorreu no mundo até esse exato momento. Já deve ter percebido que não abro os olhos não é? — Sim – respondi meio confusa — Acontece que eu sou cega. Mas eu não nasci assim. Eu tirei minha própria visão. Sabe por quê? Eu desde que herdei o manto do passado tive informações infinitas dentro da minha cabeça. Eu tinha 16 anos, assim como vocês e num ato de desespero furei meus olhos para ter um sentido a menos. Foi assim que eu consegui controlar tanta informação. Eu fiquei perplexa. Ela furou os próprios olhos para conseguir aguentar aquilo que lhe foi passado. E eu tive medo de simples visões e pressentimentos. Como eu sou fraca! — Agora, se eu sei de tudo que ocorreu no passado, sei também que um mineral voador visitou você dias atrás – Takara deu uma risadinha, porém ninguém mais riu. -Desculpe o meu senso de humor é mesmo horrível! Eu sei que você recebeu um recado estranho e é por isso que eu te chamei. — O que aquilo significa. — Os Deaths já sabem sobre você e estão prontos pra atacar. Quero que venha morar comigo por um tempo. — O que? Não! Eu não posso deixar meu pai sozinho! — Ele vai entender e você ainda não sabe se proteger. — Eu não posso. Meu pai é o único familiar que eu tenho! Eu não vou deixá-lo sozinho – Eu gritei enquanto batia as mãos na mesa — Miria, não seja idiota! Ficar perto do seu pai só vai trazer mais risco pra ele! – Gritou Genzai. — Se não quer ficar na minha casa pode ficar na do Genzai. Ele é bom com armas – Disse Takara meio irônica Eu avermelhei e só depois entendi o que ela disse. Armas? Eles pretendiam matar pessoas? — Eu não vou ficar com vocês! Quer dizer que são assassinos? — Se você quer viver Riami Miria você também se tornara uma, nem que pela própria sobrevivência – Ela abriu os olhos e eu só vi um olhar branco e sem vida – E no seu caso Mirai, morrer está fora de cogitação. Eu fiquei desesperada. Abri as postas e sai correndo. Corri rua afora por um bom tempo e só parei quando me senti segura. Eu só queria estar em casa de novo.
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