Miracle
21 Capítulo 21- Conflicting Feelings
Notas iniciais
Espero que gostem, esse capítulo ficou um pouco maior que o normal.
Bom, tem alguns pontos que estou insegura, mas depois eu comento sobre.
Tenham uma boa leitura.
Huhuhuhu,acho que tem algo no capítulo que vocês irão gostar.
Miracle
Capítulo 21 – Conflicting Feelings
Virou-se abruptamente, arregalando os olhos ao ver quem estava chamando seu nome.
–I-Izaya... – Em pé, também molhando e com a respiração ofegante, estava ninguém menos do que o responsável por sua dor. –O que está fazendo aqui?
–Eu é que pergunto. – Seu tom parecia irritado. –Não devia estar na escola?
Mai ficou em silêncio por alguns segundos, tentando entender a situação. O que Izaya fazia ali? Será que ele a havia visto? Não, se esse fosse o caso, em tais circunstâncias, não teria ido atrás dela. Provavelmente estava andando pela cidade e havia visto-a no parque, e acabou ficando bravo por estar matando aula.
–Ah, é que... – Coçou atrás da cabeça, tentando sorrir e esperando que o rapaz confundisse as lágrimas com as gotas de chuva. –Lembra que quando nos conhecemos eu disse que tinha uma missão para realizar? – Perguntou, porém não recebeu resposta, o outro apenas estreitou os olhos. –Então... Essa missão era sobre ajudar alguém, e hoje eu percebi uma coisa muito importante, a pessoa que eu tenho que ajudar não está em Ikebukuro. E, infelizmente, terei que sair da cidade. É realmente uma pena, mas é aqui que nos despedimos, então...
–Não sabia que tinha o hábito de mentir, Mai-chan. ~
–O que? – Arregalou os olhos, ficando nervosa.
–Ah, não sei ao certo... – Colocou uma das mãos no bolso do casaco. –Mas um homem de terno branco veio me contar que uma estranha garota estava espiando pela porta do meu escritório e que saiu correndo de repente por algum motivo. Será que você tem uma ideia de quem possa ser, Mai-chan?
–... Você é muito injusto, Izaya. – Abaixou a cabeça, fazendo com que a franja tampasse seus olhos, deixando apenas à amostra um estranho sorriso. –Acho que é verdade o que dizem por ai sobre você. Estranho, é que mesmo as pessoas falando sobre como você era terrível e desprezível, eu nunca achei que um dia você fosse agir assim comigo.
O informante balançou um pouco a cabeça, se perguntando do que a garota estava falando e o que tinha de relação com a situação.
–Acho que eu estava errada, né? – Levantou a cabeça, fitando o rapaz com intensidade. –Por que insiste tanto em brincar com os sentimentos de alguém que te ama tanto?! Izaya, eu te amo, mas eu não aguento mais você brincado com os meus sentimentos. E não aguento mais te ver com outra pessoa. – Não ligava mais para nada, apenas cuspiu todos os sentimentos que estavam entalados em seu peito, que saiam junto com suas lágrimas, e faziam seus olhos arderem. Enquanto falava, sua cabeça latejava e sua visão ficava turva, fazendo-a apertar os olhos, mas aquilo não era obstáculo para que parasse de expor seu sofrimento. Estava tão absorta em sua dor que mal notou que o outro se aproximava à passos lentos. –E é por isso que eu vou embora e nunca mais voltar! Eu não quero ter ver mais... – Ao terminar de falar, voltou a abrir os olhos, para ter certeza que o informante havia entendido o recado, mas já era tarde, pois o rapaz acabou puxando-a um tanto bruscamente para algo que Mai nunca imaginou que pudesse lhe acontecer; Izaya a havia puxado para um beijo.
Era algo estranho e completamente novo para Mai, essa coisa chamada beijo. Izaya a puxou um tanto repentinamente unindo seus lábios, enquanto a outra mão ia de encontro com a sua cintura, apertando-a mais. Sentiu as pernas fraquejarem e seu coração disparar. Era confuso; sentia-se bem e, ao mesmo tempo, desesperada. Mal pode sentir descrever a sensação dos lábios do outro sobre os seus, pois, por iniciativa própria, o empurrou para longe.
–Não me toque! – Exigiu com o rosto corado. -Por favor, Izaya, pare com isso.
–O que acha que aconteceu entre eu e a Atsuki? – Estava sério.
–Me diz você, não fui eu quem beijei ela. – Olhou para o lado.
–Eu estava apenas manipulando-a para conseguir uma informação, e agora que a tenho, não possuo qualquer relação com ela. Eu não a beijei porque eu gosto dela, se é o que está pensando.
–Você pode estar mentindo...
–Eu não me importo. – Virou o rosto, colocando a capuz do casaco. –Você acreditando ou não, vou trazê-la de volta.
Por alguns segundos nada foi dito, apenas o barulho da chuva preenchia o som entre os dois.
–Não... – Respondeu, olhando-o com os olhos arregalados, como se a própria não acreditasse em suas palavras. –Eu não vou voltar com você.
O informante se virou para a menina, incrédulo com a resposta. Seus rubros olhos estavam tão arregalados quanto os de Mai, que ao perceber a estranha reação do outro, desviou os olhos, não aguentando encará-lo.
–Por agora, eu quero apenas ficar longe de você, Izaya.
O moreno nada respondeu, continuava a encara-la fixamente. Não acreditava nas palavras da colegial, não conseguia processar o que ela dizia. Não dava para acreditar que Mai havia tomado uma decisão daquelas.
–Eu sinto muito... – Ela deu um passo vacilante para trás. –A verdade é que eu estou completamente perdida! – Virou-se repentinamente, disparando para longe de Izaya.
–Espera, Mai...! – Deu um passo forte para frente com o braço estendido, espirrando água para os lados, mas não passou disso. Não conseguia se mover, algo dentro de si não deixava. A única coisa que pode fazer foi ver a silhueta de Mai se afastando. –Que droga é essa...?! – Murmurou rangendo os dentes.
Ainda manteve-se por algum tempo olhando de forma mal-humorada para o balanço que Mai segurara, quando resolveu sair dali e voltar para o carro de Shiki. Sentou-se no banco de couro do carro, recebendo reclamações de que ia estragar o estofado, mas não deu muita atenção. Estava nervoso, muito nervoso.
As coisas estavam saindo completamente dos eixos.
Ficou martelando tanto o acontecimento anterior em sua mente, que mal notou quando o carro estacionou em frente ao seu escritório. Trocou algumas rápidas palavras com Shiki e desceu do veículo, subindo rapidamente para o seu escritório. Ao chegar, jogou sua jaqueta em qualquer canto e foi para o banheiro de sua suíte.
Tirou sua ensopada roupa e estrou para debaixo da água quente. Deixando-a correr pelo seu corpo, tentando aquecer-se e reorganizar seus conflituosos pensamentos.
Estava confuso, realmente confuso, chegando a ter receio de refletir sobre seus próprios sentimentos. No entanto, era necessário.
Depois de ter procurado pela cidade sem muito sucesso, estava começando a ficar impaciente, até que se lembrou da praça em que viu Mai, Celty e Sonohara Anri conversando dias atrás. Avisou Shiki, que seguiu para onde lhe foi pedido. No entanto, um quarteirão antes, uma árvore havia caído por causa da chuva – ou poderia ter sido Shizuo, impedindo a passagem. Foi quando sua paciência se esgotou e saiu de dentro do carro, correndo chuva afora em direção ao seu destino, sem saber ao certo o porquê de ter tanta certeza que Mai estava lá.
Felizmente, estava certo. Ao se aproximar, viu uma figura feminina de frente para o balanço. Enquanto chegava mais perto, percebeu que ela falava alguma coisa, mas não pode distinguir o que era. Então a chamou.
Foi quando as coisas começaram a perder o sentido.
Ela virou-se para ele um tanto assustada e, evidentemente, com lágrimas nos olhos. Odiou aquilo. Ficou irritado, irritado consigo mesmo, com Atsuki e com a própria Mai, mesmo não demostrando. Perguntou o que ela estava fazendo fora da escola, já sabendo que iria receber uma mentira como resposta. E foi o que ela fez, entretanto, havia uma parcela de verdade em sua fala; ela disse que iria embora.
Aquilo não podia acontecer, Izaya não podia deixar.
Jogou na cara dela que estava mentindo, como uma forma de começar a contornar a situação, porém teve um efeito contrário nela.
Com todo certeza, não esperava que ela se declarasse daquele jeito. Foi estranho, chegou a ficar um pouco perdido, mas ouvir aquelas palavras lhe trouxe um misto sentimento de satisfação e pânico – o que só soube explicar depois. E, logo em seguida, Mai começou a dizer várias coisas sobre como estava magoada e ferida com o que ele lhe fizera. Isso não era mentira, admitia isso; brincava com os sentimentos da colegial para satisfação própria. Afinal, era também dessa forma que conseguia mantê-la próxima e ao mesmo tempo controlar a situação.
Estava pronto para dizer algo, quando Mai soltou algo que o assustou e o fez tomar uma atitude inesperada e completamente impulsiva.
Ela gritou que iria embora, que não queria vê-lo mais. Que queria se afastar. Essa perspectiva o assustou. Mai, em hipótese alguma, deveria ir embora, pois era seu conforto. A forma como eles viviam era a sua zona de conforto. Porém essa delimitação foi mandada para longe, por iniciativa do próprio Izaya, ao beija-la. E isso era outra coisa que nunca deveria acontecer, pois ruiu toda a delicada e complexa estrutura de sentimentos que rodeava os dois.
O real problema não era ela ama-lo e tentar retribuir isso, o problema era o próprio Izaya manifestar qualquer tipo de sentimento com essa finalidade. Pois mantinha uma forte barreira em volta de seu coração, impedindo que as pessoas se aproximassem e ele próprio também. Infelizmente, sua estrutura começou a se abalar, e desconfiava que este tinha sido um processo gradual, que começou há muito tempo.
Mai...
Quando conheceu a colegial, de início, ela era apenas uma peça em seu tabuleiro, uma ferramenta muito útil. E a usou dessa forma. No entanto, com o tempo, ela passou a ter outra utilidade.
Antes de encontrar Mai, se sentia sozinho, muito sozinho. Mas estava bem, estava confortável. Não deixava seu coração se aproximar de ninguém e repelia qualquer tipo de tentativa. Em troca, conseguiu fazer o que era necessário para alcançar seus objetivos e fazer o que tanto lhe trazia prazer e diversão. No entanto, quando passou a morar com Mai, ela acabou com a solidão que o tanto perturbava, sem tira-lo de sua comodidade emocional. Na verdade, deixando-a ainda melhor.
Era bom tê-la em casa. Pois tinha com quem conversar, de quem rir e até provocar. E a simples sensação de saber que alguém se importava com ele realmente era boa.
Não se importava se o cotidiano dos dois se estabelecesse dessa forma. Pena que as coisas não duraram muito tempo... Estranhos sentimentos começaram a surgir de sua parte.
Começou a sentir ciúmes, a pensar demais nela, à se preocupar demais e a querê-la demais só para si.
Sentimentos que nunca deveriam existir.
Talvez o “pico” de tudo isso tivesse sido quando buscou Mai na casa de Celty, depois que foi esfaqueada. Ficou anormalmente preocupado. Sabia que ela estava ferida e até já tinha uma ideia de seu fragilizado estado psicológico. E por isso que estava indo atrás dela, queria a garota sob os seus olhos, só os seus. E foi justo naquele mesmo dia em que chegou à conclusão sobre os sentimentos da menina.
Foi estranho chegar àquele tipo de conclusão. Na realidade, não era saber que alguém tinha tais sentimentos por ele que foi estranho, mas, sim, o fato desses sentimentos virem de Mai. Era uma sensação completamente nova que lhe agradou, pois o fazia se sentir menos só.
As coisas poderiam ter ficado daquele jeito, porém saber de tais coisas começou a influenciar em seu interior. E, com isso, estava começando a tomar atitudes sem pensar.
No dia em que viu Mai e Kyosuke tão próximos, foi a pior delas. De volta ao escritório, quando mandou a garota passar a pomada em seu corpo, foi uma tentativa falha de fazer Mai admitir seus sentimentos.
Queria que ela admitisse isso para ele.
Queria que ela dissesse isso na sua frente. Entretanto, não foi o que aconteceu. A única coisa que conseguiu com aquilo tudo foi uma resposta curta e fria de que ele era o problema dela. Aquilo o deixou irado, completamente frustrado. Teve que usar todo o seu autocontrole para não agarra-la ali mesmo na cama e fazer uso de quaisquer métodos para fazê-la admitir o que queria ouvir.
Mas não podia fazer isso.
Depois daquele dia, a relação entre eles ficou distante. E foi quando Mizawa Atsuki começou a exercer algum tipo de impacto entre eles, até chegar ao ponto em que Mai os viu se beijando. Não se arrependia do que havia feito — afinal, era o método que conseguiu arranjar para tirar as informações que queria da mulher. O que deixou Izaya irritado foi o fato da colegial ter voltado ao escritório ai invés de ir para escola.
Por que absurdo motivo ela resolveu voltar?!
Que garota irritante. Por que ela nunca agia como ele previa?
Seguindo um estranho impulso, foi atrás ela. E então chegaram à situação conturbada que deu origem a toda essa torrente de pensamentos que estavam torturando Izaya.
Mai havia dito que o amava, porém, mesmo assim, fugiu dele. E tudo isso lhe despertava sentimentos desagradáveis. O que era aquilo? Estava se sentido ressentido? Magoado? E por que no momento em que Mai disse que iria embora, sua única reação foi beija-la?
Colocou a ponta dos dedos nos próprios lábios, tentando lembrar-se da sensação dos lábios da outra. Mas não havia muito gravado em sua memória, pois o beijo entre os dois foi muito rápido, deixando o estranho gosto de insatisfação, fazendo-o desejar mais.
Por acaso, Orihara Izaya estava querendo uma pessoa em especial?
–Droga! – Bateu com força a lateral do pulso na parede úmida do Box, rangendo os dentes. –Isso não existe. – Relaxou só o pulso, abrindo a palma da mão sobre a parede. Uma baixa risada começou a ecoar pelo banheiro, até ficar tão alta que não se ouvia mais o barulho do chuveiro. –O que é isso? Ah, estou parecendo um humano qualquer. Que ridículo! Estou muito acima desses sentimentos bobos e sem fundamentos. Até parece que eu, Orihara Izaya, o informante, sentiria algo desse tipo.
Isso não existia. Izaya não tinha a capacidade de retribuir qualquer tipo de sentimento concentrado em uma única pessoa. Nunca precisou disso, nunca quis e continuaria assim.
Iria continuar assim.
Então, o que era aquilo tudo? Izaya não era burro ou ignorante o bastante para não notar as estranhas atitudes que começou a tomar em relação à Mai.
Afastou o punho da parede, relaxando os músculos do ombro. Levantou a cabeça para o chuveiro, deixando que a água morna caísse sobre o seu rosto. Seus olhos tinham um peculiar brilho, que somado ao seu sorriso, só podia significar óbvia malícia.
Desejo.
Agora, sim, entedia o que era aquilo tudo. No final das contas, Izaya também era homem, precisava de algum tipo de contato feminino. E Mai se encaixava perfeitamente nisso, até nos próprios padrões de gosto quanto à aparência e personalidade. E só ela servia para isso.
E esse era um sentimento impuro e obsessivo, nada mais. Apenas um desejo físico.
Afinal de contas, Orihara Izaya não sentia nada por ninguém em especial.
Desligou a água do chuveiro, pegou uma toalha e saiu do banheiro enquanto se secava.
Agora tudo estava claro, e para provar isso, precisava trazer Mai de volta para seu escritório. Claro que iria achar muito mais interessante e satisfatório se ela, por conta própria, decidisse voltar para ele. Mas tudo bem. De um jeito ou de outro, iria fazer com que ela voltasse. Entretanto, por enquanto, iria esperar ela própria dar algum passo. A garota havia de declarado a ele, e ele queria ver suas reações de agora em diante. Iria ser realmente divertido, levando em conta que Mai era tão inexperiente e tudo lhe parecia tão novo.
Colocou uma calça jeans escura e sentou-se em sua cama. Olhou para a janela, ainda em dúvida. Era estranho, tinha chegado a uma perfeita conclusão em relação aos seus sentimentos, uma conclusão que lhe era realmente atraente, no entanto, ainda havia um confuso sentimento de inquietação. Um sentimento de insatisfação que o deixava desanimado.
Observou a chuva bater no vidro da janela, se perguntando onde Mai estaria.
Corria, mas agora com um destino em mente. Mai estava completamente confusa, não entendia mais nada. Pela primeira vez se sentiu confusa em relação à sua missão e sua própria existência. Nada mais fazia sentido! Perdeu-se completamente no caminho que achava que estava traçado. Não sabia mais o que fazer de sua missão, achava realmente que havia falhado ou entendido tudo errado e que tudo que estava lhe acontecendo era uma consequência de sua negligencia. Mas se havia falhado, o que ela ainda fazia ali?
E não era só isso, a postura de Izaya com relação a ela também não fazia o menor sentido. Por que ele fez aquilo tudo? Por que mesmo depois de todos aqueles acontecimentos, ele ainda queria que ela voltasse? Não entendia nem mais os próprios sentimentos.
Sentia-se sufocada, como se estivesse se afogando num mar de perguntas.
Por isso estava correndo. Correndo para onde podia encontrar alguém que pudesse ajuda-la. Alguém que, assim como ela, não era humana.
Parou em um cruzamento, olhando para os lados, tentando se lembrar do caminho que fez da última vez que foi para a casa de Celty. Deu alguns passos incertos, até que conseguiu se localizar e seguir o caminho certo.
Diminuiu um pouco de ritmo para tentar compassar sua respiração e prestar mais atenção aonde ia. Até que notou um carro negro que parecia segui-la. Tinha visto-o perto da praça em que estava com Izaya, mas não deu muita atenção. Porém, agora aquilo a preocupava. Pensou em começar a correr novamente, quando percebeu quem era. Serrou os punhos, parando de andar e esperou que o carro a alcançasse.
–Que cena foi aquela, ein? – Mizawa Atsuki riu, ao aproximar o carro da menina. –O que pretende fazer de agora em diante?
Mai nada respondeu, apenas olhou para a mulher com desprezo. Entretanto, ao mesmo tempo, sabia que não era inteiramente culpa dela. Na verdade, o grande culpado de tudo era Izaya, que manipulou as duas.
–Sabe, eu sei como deve ser difícil pra você, Mai. – Por um momento, ela pareceu realmente se preocupar. –Você deve ter e ainda passa por muitas dificuldades, fora que deve se sentir muito sozinha, não é?
–Por que me seguiu?
–Por que eu quero te ajudar. Está chovendo muito, não quer...
–Não quero. – Interrompeu, fazendo Atsuki soltar um murmúrio irritado.
–Tudo bem, entendo o seu lado. – Deu de ombros. –Mas gostaria de conversar com você na escola. Lá nos encontramos. – Foi a última coisa que disse antes de fechar o vidro do carro e partir.
Suspirando, Mai voltou a caminhar em direção ao apartamento de Celty. Aproximou-se do portão do prédio, olhando de forma desanimada para o interfone, pois não se lembrava do número do apartamento.
–É mesmo um mistério como eu consegui sobreviver até hoje... – Murmurou cansada, encostando a cabeça na grade de metal, enquanto xingava a si mesma por não ter tido o bom senso de decorar o número.
–Mai-chan? – Ouviu chama-la, fazendo-a virar-se.
–Shinra... – Olhou para o rapaz de óculos, que segurava um guarda-chuva e uma sacola de compras.
–Você está bem? – Se aproximou da ensopada menina, cobrindo-a com o guarda-chuva, mesmo já sabendo que já era tarde para isso. –Vamos subir.
O médico guiou a garota até seu apartamento, onde a emprestou uma muda de roupas para que pudesse se trocar – que, por coincidência, eram as mesmas que Mai havia usado da última vez. Já devidamente aquecida, voltou para a sala e sentou no sofá.
–Onde a Celty está? – Perguntou, olhando para os lados.
–Trabalhando, como sempre. – Sentou-se na bancada, que dividia a sala da cozinha. –O que estava fazendo lá fora no meio dessa chuva?
–Ah... – Encolheu-se um pouco no lugar, acanhada.
–Não precisa ter vergonha. – Riu de forma estranha, com se estivesse prestes a dissecar um animal. –A Celty me contou sobre você, e eu sou bom para entender coisas “diferentes”, posso ser de alguma ajuda.
–Então você sabe que não sou humana, certo? – Olhou para Shinra, seus olhos azuis começaram a tomar uma coloração brilhante.
–Disso e dos seus sentimentos pelo Orihara-kun. – Respondeu, fazendo a outra engasgar.
–É, tem isso também...
–Sabe, mesmo você tomando algumas atitudes “fora do padrão”, para alguém não humana, você parece ter se adaptado bem ao ambiente.
–Nem tanto. – Deu de ombros. –Eu vivo constantemente com dúvidas, muitas coisas que vejo e ouço não fazem o menor sentido para mim. Por exemplo, não entendo o porquê de você chamar o Izaya pelo sobrenome e muito menos o significado do sufixo. Não é mais fácil chama-lo apenas pelo primeiro nome? Também não entendo por que as pessoas têm de abaixar a cabeça para se desculpar ou agradecer. Faz muito mais sentido fazer isso olhando nos olhos do outro. E por que temos que tirar os sapatos para entrar em casa? Tudo bem, talvez na própria casa faça algum sentido. Mas na escola também? E tem aqueles palitinhos! É demorei semanas para aprender a usa-los. E isso porque eu não falei sobre as combinações de comida... O Izaya sempre diz que tudo o que eu faço é horrível, mas eu não acho, afinal, coloquei todas as comidas que eu gosto juntas. Qual o problema em misturar camarão com chocolate? E ainda tem... – Foi parando aos poucos de falar, ao perceber que Shinra havia começado a rir.
–Deve ser bem interessante morar com você e tentar entender seu ponto de vista sobre o mundo. Mas é perfeitamente normal você não entender esse tipo de coisa, já que algumas fazem parte da nossa cultura e outros têm relação com o processo de aprendizado comum. E é só isso que não entende?
–Não... – Sua voz se tornou um pouco desanimada. –O que mais me confunde são as pessoas e suas atitudes. Sabe, até pouco tempo atrás, isso não era nenhum problema, pois eu não precisava entender as pessoas, bastava eu entender a minha missão, que já era o suficiente para eu continuar. Só que agora... – Recolheu as pernas para cima do sofá, abraçando-as contra os seios. –Agora não compreendo nem a mim mesma. E, por causa do Izaya, sinto uma dor insuportável.
–Você pode me explicar melhor essa missão?
–Bom, não tem muito que dizer sobre. Na verdade, é difícil para uma pessoa que não seja eu entender realmente, e até eu estou confusa agora... Mas, simplificando, há frase que resume um pouco a situação: Ajude essa pessoa. Só isso, não tem mais nada.
–Não me admira que esteja confusa... É só isso? E quem é essa pessoa?
–Não sei... Por isso comecei a tentar ajudar pessoas aleatórias, pois tenho quase certeza que fazendo isso vou achar a certa.
–Então o que está te confundindo tanto? – Olhou com curiosidade.
–O Izaya. – Olhou para a porta de vidro que dava para varanda. –Eu estou aqui para realizar minha missão, nada mais. Só que... Ficar perto do Izaya estava me deixando distraída. Antes minha única preocupação era a minha missão, agora todos os meus pensamentos giram em torno dele. Minha única preocupação virou o Izaya. – Seus olhos brilhantes começaram a se encher novamente de lágrimas. –Mas ele não se importa com nada nem ninguém, ele joga e brinca com todos apenas para a sua diversão. Eu achava que, por morar com ele, seria algum tipo de exceção. Só que justamente eu sou a pessoa que ele mais gosta de jogar. E saber disso dói! Saber que é esse o tipo de sentimento que o Izaya tem por mim, dói. Fora que, primeiramente, eu nem devia me apaixonar, pois não tenho futuro. Mas, mesmo assim, não consigo ficar longe dele.
A garota parou de falar, deixando um pouco das lágrimas desceram, para depois limpa-las com força. Enquanto isso, Shinra se manteve em silêncio, apenas usando a mão para apoiar o queixo, olhando de forma observadora para Mai.
–Desculpa ficar falando dessas coisas para você... – Disse Mai.
–Claro que não. Mas me diga, por que gosta tanto do Orihara-kun?
–Ah... – O rosto da garota começou a adquirir um tom rosado. –Er... Porque é o Izaya.
–Tem que ter um motivo.
–É meio difícil de explicar, mas antes de toda essa confusão, conviver com o Izaya era algo bom. Ao lado dele as coisas faziam sentido. Por não ser humana, sempre me senti isolada do resto do mundo, mas com ele eu não me sentia assim. Mesmo o Izaya me provocando, eu me sinto normal, me sinto humana ao lado dele. – Sorriu, ao se lembrar do informante. –Eu sei como o Izaya realmente é, sei que ele manipula as pessoas para diversão própria, só que tem algo nele... Não sei explicar o que, mas tem algo que me faz sempre querer estar com ele. Como se eu me sentisse protegida. Acho que é como se eu estivesse parada no tempo, vendo o mundo rodar, e então ele veio e parou ao meu lado, me fazendo companhia. É, eu acho que é isso.
Shinra apenas sorriu, se levantando da cadeira e indo para a frente da porta da varanda; cruzou os braços nas costas e olhou para o céu nublado.
–Só que gostar do Izaya dessa forma está me desviando do meu objetivo, e o sentimento também não é reciproco. Fora que... – Fechou os olhos com força, mas não continuou.
–Que bom que o Orihara-kun te conheceu. – Comentou, fazendo Mai abrir os olhos e encarar o médico com uma expressão interrogativa. –Será que eu posso dizer a conclusão que cheguei?
–Pode...
–Eu acho que as coisas são mais simples do que você imagina. Na verdade, tudo é muito óbvio. Você disse que mesmo não sabendo quem devia ajudar, tinha absoluta certeza de que uma hora ou outra ia encontra-la, certo?
–Certo.
–Quem foi a primeira pessoa que encontrou ao chegar em Ikebukuro?
–O... Izaya.
–Pronto! Não há nada de errado, você não se desviou de sua missão, nada está confuso. Você não precisa se sentir perdida, já que estava com a pessoa que precisava ajudar desde o início.
–O que? – Mai arregalou os olhos, começando a entender a situação.
–Acredito que seja o Orihara-kun a pessoa que você tem que ajudar. – Virou-se para a garota.
–O Izaya?! – Levantou-se bruscamente do sofá.
Fim do capítulo 21.
Notas finais
Será que vocês estão felizes com o que aconteceu na chuva? @3@
Bom, só vou comentar que eu estou meio insegura quanto ás reflexões do Izaya, não sei se ficou muito dentro do personagem. Me digam você o que acharam.
E, lembrando, a Mai resumiu a missão dela para que o Shinra entendesse, mas não é bem isso. Há algo por trás.
Ah, esses dias eu fiz um desenho da Mai usando o uniforme do Raira. Vocês querem ver? Mas não riam, ok? xP
Nyah! Eu recebi uma recomendação! Muito obrigada ~ Também agradeço á pessoa que mandou a anterior.
Só não coloco os nomes, porque agora com essa coisa de mudar o user, fica meio complicado, né?
Mas agradeço muito e fico muito feliz pelo carinho.
Droga, eu sempre tenho muitas coisas pra falar aqui, mas na hora eu sempre esqueço tudo. Ai lembro depois e digo para mim mesma que vou falar no próximo, ai esqueço de novo. E assim vai...
Espero que vocês estejam gostando da fic. Comentem bastante e digam o que acharam. Não me escondam nada!
Sabe, eu sempre fico um bocado insegura quanto ao que eu escrevo, mas venho recebendo muito apoio pelos reviews, e isso me deixa muito feliz. Obrigada á todos.
Feliz Páscoa atrasada, que Deus esteja com vocês ~
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