Miracle

8 Capítulo 8- First day of school


Miracle


Capitulo 8- Firstday of school


–Eu me chamo Orihara Mai, é um prazer conhece-los! – A garota se apresentou diante da turma.


A reação da turma foi unanime; uma mistura de surpresa e espanto. Afinal, todos conheciam aquele sobrenome e a fama que vinha com ele.


–Pode se sentar na ultima carteira vaga, atrás do Ryuugamine. – O professor pediu.


Mai saiu de frente da turma e foi sentar onde lhe foi mandado. Depois da pequena interrupção, a aula voltou a seguir normalmente. A menina prestava atenção em cada palavra do professor, achando tudo interessante, porém havia momentos em que se distraia enquanto olhava para seus colegas; foi quando percebeu que alguns também a observavam. Tentava sorrir para os mesmos, se mostrar o mais simpática possível, mas rapidamente desviavam o olhar.


Logo o intervalo chegou e os alunos começaram a deixar a sala, mas como a aluna nova não conhecia ninguém, se manteve no lugar. Percebeu que, assim como ela, alguns alunos também ficaram em sala, apenas juntando as carteiras. Então tomou uma decisão.


–Com licença... – Disse, se aproximando de um grupo de três meninas.


As garotas que estavam rindo por algum motivo qualquer, pararam e olharam para Mai com receio.


–Posso sentar com vocês?


Duas das garotas se entre olharam, até que a terceira tomou a palavra.


–Por acaso, você tem algum parentesco com um homem chamado Izaya?


–Não... – Respondeu confusa.


–Então puxa uma carteira.


A garota pegou uma carteira e sentou perto do trio. Mas logo percebeu que as três meninas, apensar de a deixarem sentar perto, não tinham o menor interesse nela, pois continuaram a conversar como se nada tivesse mudado.

Mai passou boa parte do intervalo apenas observando as três garotas trocarem diálogos superficiais, até que resolveu tomar a palavra:


–Posso saber o nome de vocês? – Perguntou, um pouco mais alto.


As três pararam de falar e olharam para Mai com um pouco de desgosto, afinal, a novata tinha atrapalhado o assunto.


–Eu me chamo Yoko. – A primeira de cabelos castanhos se apresentou, depois apontou para uma loira. –Essa é Naomi. –Em seguida apontou para outra com o cabelo estranhamente rosa. –E Yukina.


As garotas já iam voltar para suas conversas, quando Mai perguntou:


–As pessoas estão um pouco receosas com relação a mim, por causa do meu sobrenome que é igual ao desse homem, o Izaya. Por que isso? – Indagou um tanto rapidamente, na tentativa de manter o foco das garotas.


As meninas pareceram um pouco irritadas com Mai pelas interrupções, mas responderam de qualquer jeito.


–Aqui em Ikebukuro as coisas ganham fama ou boatos muito rapidamente. Como Heiwajima Shizuo, a Motoqueira Sem Cabeça e, recentemente, o Lobo Assassino. – Yukina começou.


–Então é assim que estão chamando-o... – Mai pensou.


–Resumindo, Orihara Izaya também tem sua própria fama, a pior de todas. Ele é o informante mais temido de Ikebukuro e Shinjuko. Ele é um sujeito sujo e asqueroso com ações detestavelmente manipuladoras. Te aconselho a nunca se meter com ele. – Apesar das duras palavras, a garotas falou um tanto em descaso, como se não ligasse para o assunto.


Mas, mesmo assim, todas aquelas informações deixaram Mai perplexa. Sabia que Izaya não era a melhor pessoa do mundo, mas nunca achou que fosse tão terrível assim. Saber que o homem que a estava abrigando era tão temido fez seu coração pesar.


–Concordo que ele seja terrível. Mas temos que admitir, ele tem seu charme. – Naomi interpôs.


–Cha-charme? – Mai engasgou.


–Você é doente, Naomi. – Yoko repreendeu, ainda que rindo do comentário.


–Verdade, Naomi. – Concordou Yukina. –Ele anda por ai indiferente a tudo, vestido daquele jeito, como se tivesse seu próprio estilo. Fora que é rico e sexy.


–Acho que ele deve fazer do tipo sedutor. – Acrescentou Naomi.


Aquele assunto estava deixando Mai desconfortável. Sentia seu rosto corar ao pensar em Izaya daquela forma; E ao mesmo tempo sentia outro tipo de desconforto. Não sabia explicar o que era, mas achava aquele conversa realmente impropria, pois as garotas mal conheciam Izaya, não deveriam fazer comentários do tipo.


–Provavelmente boa parte das colegiais de Ikebukuro tem o já tiveram uma queda por ele, coisa de fetiche. No entanto, ele está meio inalcançável. – Yukina falou com um suspiro.


–Fora que ninguém nunca o viu com uma mulher... – Naomi acrescentou.


–Inalcançável... – Mai murmurou.


Até o final do intervalo as três garotas ficaram falando sobre Izaya. Pareciam tão absortas que a esqueceram completamente, de novo.

O resto da aula passou de forma tranquila, apesar dos alunos ainda direcionarem a Mai olhares estranhos. Porém estava tudo bem, a garota já sabia o problema e logo iria esclarecer isso.

Indo embora, estava passando pelos corredores quando sentiu algo estranho. Não havia ninguém à sua frente, mas quando olhou para trás, viu o garoto que sentava à sua frente, junto com outro loiro e uma garota de óculos conversando. Tinha certeza que a sensação estranha vinha daqueles três, só não tinha ideia de qual deles vinha. Se tentasse se aproximar tinha certeza que conseguiria tirar uma conclusão. Começou a andar na direção do pequeno grupo, porém parou assim que sentiu uma mão em seu ombro.


–Como foi seu primeiro dia de aula, Mai? – Perguntou o professor Nasujima.


–Ah, foi ótimo. Já até conheci algumas pessoas. – Mai respondeu.


–Isso é muito bom. – De novo, ele olhava para ela de forma estranha.


O professor parecia querer continuar a conversa, porém Mai se lembrou de seu foco. Olhou de novo para o grupo, mas esse estava se afastando.


–Eu gostaria de conversar, mas preciso ir, Takashi. – Avisou, e ao chamar o homem pelo primeiro nome e sem nenhum sufixo, viu que seu sorriso se alargou.


–Certo, te vejo amanhã, Mai. – Dando ênfase no nome da garota.


A menina se afastou do homem e seguiu corredor afora. Só foi encontrar o trio novamente na portaria, perto do armário de sapatos. Mai parou a uma distancia segura e ficou observando-os.


–Tem certeza que não quer companhia até sua casa, Sonohara-san? – O garoto Ryuugamine perguntou. –Dizem que há um Retalhador à solta, pode ser perigoso.


–Não precisa, Ryuugamine-kun, eu vou ficar bem.


–Estou tão orgulhoso de você, Mikado! Está finalmente tomando alguma atitude. ~


–Pare com isso, Kida-kun!


Os dois garotos começaram a andar, porém Anri se manteve no lugar. Sentiu que alguém a observava, então se virou para trás e viu a novata de sua sala. Por alguns segundos as duas ficaram se encarando.

A garota de olhos azuis, não tinha mais duvidas, havia algo de diferente na de óculos. E o sentimento de Anri por Mai foi parecido, tinha algo de diferente na novata. E essa coisa a incomodava, não que tivesse alguma antipatia pela outra. Mas algo dentro de si parecia querer repelir Orihara Mai.


–Olá. – Mai cumprimentou, surpreendendo a outra. –Como sabe, sou Orihara Mai, mas não tenho parentesco com Orihara Izaya, é um prazer conhece-la. – Soltou um tanto rapidamente.


As ações repentinas e diretas da outra fizeram Anri ficar um pouco desconcertada. Mas antes que dissesse algo, Kida e Mikado a chamaram.


–Sonohara Anri, é um prazer. – Fez uma rápida reverencia e saiu, não antes de dar uma ultima olhada por cima do ombro para Mai, que acenou.


Depois do pequeno diálogo, Mai ficou andando por Ikebukuro aleatoriamente. Estava presa no comentário de Yukina sobre Izaya, mas não queria acreditar naquilo. Não queria acreditar que o informante podia lhe fazer algum mal. Estava tão fixada em seus pensamentos que nem notou um poste caindo ao seu lado.


–Se continuar jogando postes pela rua desse jeito, vai acertar alguém, Shizu-chan! – A alguns metros à sua frente, Mai viu Izaya e Shizuo brigando. –Vai acabar sendo preso de novo. E dessa vez não vai ser culpa minha. ~


–Se eu for preso, vai ser por ter matado você, pulga! – Shizuo bradou, arrancando outro poste e jogando no informante, que desviou.


Ficou por alguns segundos vendo a briga se desenrolar, entretanto preferiu ir embora. Nunca tinham conversando sobre não serem vistos pela cidade, mas pela situação tensa em que os dois homens se encontravam, Mai preferiu fingir que não conhecia o informante. Virou uma das esquinas e retomou sua solitária caminhada.

Não tinha andado muitos metros quando ouviu passos rápidos vindos à sua direção. E, de repente, um vulto escuro passou ao seu lado.


–Izaya! – Exclamou assustada.


–É melhor correr, Mai-chan, se não vai acabar sendo vitima da força bruta do Shizu-chan. ~


–I-ZA-YA-KUN!


Mai olhou para trás. Shizuo ainda não tinha entrado na rua em que estavam, mas se aproximava. Não tinha outra escolha, se não acompanhar Izaya na corrida.

Os dois começaram a correr e só pararam quando tiveram a certeza que Shizuo não os seguia mais.


–Achei mesmo que ele ia nos pegar. ~ — Izaya comentou, recuperando o fôlego.


–Por que fez isso?! Eu não tinha nada com a sua briga! – A outra exclamou.


–Queria apenas ver sua reação, minha pequena Mai.


–Reação?


–Isso. ~


Na verdade, a motivação da reação que Izaya queria ver em Mai era outra. Não era o medo de ser perseguida por Shizuo, queria vê-la irritada ao saber que estava sendo colocada em perigo apenas para um teste.

Seu sorriso estava se alargando na espera das próximas palavras da garota.


–Isso não é bom... – Ela respondeu, visivelmente triste; aquilo estava fazendo os argumentos de Yukina se tornarem verdade.


O sorriso de Izaya foi sumindo aos poucos. Não que se sentisse culpado, mas aquilo não estava saindo como o planejado. Ela deveria ficar irritada; qualquer pessoa normal iria ficar irritada numa situação dessas. Então porque ela estava triste?


–Vou voltar para sua casa, estou cansada. – Ela avisou.


Mai deu as costas para o informante, ainda perplexado, e foi embora.


–Tsk, que garota irritante...



–x-


Os dias foram se passando e, para Mai, as coisas na escola não estavam indo tão bem como imaginava. Não tinha conseguido fazer nenhum tipo de amizade com seus colegas de classe; no máximo, trocava algumas palavras com Sonohara Anri, apesar da mesma sempre ficar insegura com a aproximação dela. E com relação ao resto da turma, mesmo depois de ter esclarecido a duvida acerca de seu sobrenome, os alunos continuaram a olha-la torto, em grande parte as garotas que não pareciam gostar dela. Por outro lado, tinha uma boa relação com o professor Nasujima, que sempre parecia interessado em passar algum tempo com ela, apesar de algumas vezes essa aproximação a incomodar um pouco.


Quanto ao Izaya, Mai ficava sempre a observa-lo, na tentativa de entender sua péssima fama. E, tristemente, estava tendo progresso. Chegou a perguntar varias vezes para as pessoas que conhecia – de uns dias para cá o numero parecia ter aumentado – sobre Izaya, e sempre recebia como resposta comentários terríveis, de como ele era odiável e uma pessoa horrível, e que uma garotinha gentil como ela deveria se manter longe daquele tipo de escória.


Aqueles comentários a deixavam realmente triste, não só por saber que Izaya era, de fato, uma má pessoa, como também por concluir que o informante era uma pessoa extremamente solitária e isolada. Não que o moreno demonstrasse descontentamento com sua situação, mas era obvio que ele não tinha ninguém próximo.



Era inicio de tarde, e os alunos do Raira já estavam deixando a escola. Mai estava andando solitariamente na direção dos portões, quando viu alguém acenando.



–Quanto tempo, Kyosuke. – Comentou, se aproximando do outro. –Quase não tenho te visto no colégio esses dias.


–Ah, eu tive alguns compromisso. – Colocou a mão na nuca, um pouco inseguro. –Quer dar uma volta comigo, tomar um chá?


Com a confirmação de Mai, Kyosuke levou a garota até uma cafeteria relativamente perto do colégio. Acharam uma boa mesa e se sentaram.


–O que está achando do colégio?


–Muito bom, apesar de algumas meninas me olharem estranho. Porém não é nada grave!


–Certo... – Assentiu, não muito certo do fato. -Eu soube que seu sobrenome é Orihara, não sabia que...


–Não! Não tenho parentesco com o Izaya. – Negou com veemência.


–Então, não tem nenhuma relação com o Izaya-san?


–Familiar, não.


Kyosuke olhou para Mai com uma expressão de duvida, como se estivesse relutante em dizer algo. Por fim, cedeu.


–Você não acha estranho morar com outro homem? Não acha um pouco... Perigoso?


Mai inclinou a cabeça para o lado com uma expressão de duvida no rosto. Não entendia onde Kyosuke queria chegar.


–Como assim...?


–Bom... – Estava um pouco sem graça em continuar. –Você é uma garota nova e bonita, e ficar na mesma casa com um homem mais velho, e esse homem sendo o Izaya-san... Não tem medo que ele lhe faça algo... Estranho?


–Estranho? Ah, claro que não! – Respondeu rindo. –Acho que é mais fácil eu fazer algo estranho com ele. O Izaya sempre diz que eu vivo fazendo coisas estranhas.


Kyosuke olhou para Mai incrédulo. Ou ela confiava muito em Izaya, ou era extremamente inocente. Nenhuma das opções era muito segura na situação da garota, como Kyosuke concluiu.


–Naquele dia em que nos vimos no escritório, Izaya disse que você estava com algum tipo de problema. – Mai mudou de assunto. –Está tudo bem, Kyosuke?


–Ah, não se preocupe com isso. As coisas irão melhorar.


–Tem certeza?


Mai relutou; queria perguntar mais sobre a situação do rapaz. Sabia que tinha algo relacionado com os Dollars, uma gangue que rondava a cidade, fora que também tinha a questão do lobo, que era ainda mais complexa. Kyosuke era a pessoa quem o lobo ansiava por vingança, o que o colocava em uma situação realmente delicada.


–Não se preocupe, Mai-san, estou bem. – Respondeu, tirando a outra dos pensamentos.


–Pode me chamar só de Mai.


–Certo, Mai. – Sorriu.



Depois de algumas conversas aleatórias, Mai e Kyosuke se despediram e cada um seguiu seu caminho no frio entardecer.


E foi nessa fria caminhada de volta para o escritório que a menina começou a tomar algumas decisões. Sua tarefa, basicamente, era ajudar alguém. Pois bem: faria isso com pessoas perto de si. Kyosuke era um bom exemplo, não só tinha o problema com o Lobo, mas como, também, havia essa confusão com as Color Gangs. Também tinha Sonohara Anri, que parecia sempre se retrair mais em sua presença. Tinha certeza que havia algo de estranho com a garota de óculos, e que esse fato estava relacionado com as próprias habilidades de ver coisas “fora do normal”.

Certo. Conhecia duas pessoas próximas que precisavam de algum tipo de ajuda, e daria seu melhor por elas.


Quanto ao informante... Já concluíra que o mesmo era realmente uma má pessoa — apesar de ainda achar que o outro nunca lhe faria algum mal-, mas aquilo podia ser apenas reflexo de sua solidão. Quem sabe se o informante não descobrisse o que era ter alguém por perto que lhe proporcionasse companhia e afeto, ele não poderia mudar de postura? Mesmo que fosse algo bem lento e sutil, a menina se comprometeu em tentar se aproximar de Izaya. Estranhamente, pensar nessa possibilidade, lhe trouxe um tipo de felicidade.


No entanto, dentre todas as tarefas que pretendia realizar, se aproximar de Izaya era a mais difícil. O informante era tão confuso e estranho, fora que nunca levava Mai a serio. E não era só isso: havia varias duvidas que ficaram presas na cabeça da garota. Algumas delas surgiram quando conversou com Yukina, Naomi e Yoko sobre Izaya. Aqueles comentários sobre o informante ser charmoso, sexy e sedutor, o que era isso? Sempre que tentava imaginar o que era, mesmo que fosse algo confuso, sentia seu rosto esquentar. E não poderia esquecer-se do que Kyosuke falara há pouco. Qual era o problema em viver com Izaya? Por que seria perigoso? E que coisas estranhas eram essas?

Ahh... Eram tantas coisas. Mai sentia sua cabeça rodar, e o pior é que tinha absoluta certeza que nunca conseguiria uma resposta sozinha. Talvez se perguntasse para pessoas mais próximas, como Celty, logicamente iria ocultar a pessoa que estava relacionada com as perguntas. E, talvez, até Izaya pudesse ajuda-la, se não fizesse piadas sobre suas perguntas.



A garota só foi parar com seus pensamentos ao chegar ao escritório do informante.


–Tadaima! – Mai exclamou ao entrar. Depois que Izaya a repreendeu por entrar em casa sem avisar, tratou de pesquisar na imensidão de livros do escritório sobre esse tipo de cumprimento. Aprendeu que se diz “Tadaima” quando chega em casa e quem estiver no local responde “Okaeri”


E, por coincidência, no momento em que entrou, Izaya estava passando em frente a porta segurando uma xicara de chá. Depois de tudo o que pensou naquele dia, ver o informante fez seu coração dar um sobressalto.


O que é isso? – Perguntou para si mesma, em seus pensamentos.


Fim do capitulo 8.