Notas iniciais
Minha primeira fic, seria maravilhoso se vocês pegassem leve.

Amelia mordia seu lápis freneticamente enquanto encarava, angustiada, os ponteiros do relógio se moverem lentamente: mais três minutos. Cento e oitenta segundos e ela estaria livre para voltar à sua casa, tomar um banho quente, deitar sobre sua cama e ler um daqueles romances policiais que ela amava.

Olhou através da janela, fitando o pátio da escola, vazio e silencioso como um campo de batalha poucos minutos antes da guerra. Árvores frondosas e coloridas espalhadas por toda a sua extensão, grama verde e perfeitamente aparada e o céu — ah, o céu — estava tão azul quanto o mar do Caribe. Era, irrevogavelmente e sem sombra de dúvida, um péssimo dia para ir à escola.

Então o sinal tocou, arrancando Amelia de seu transe. Com um sorriso enorme no rosto, ela guardou todos os seus livros na sua mochila, atravessou o tal pátio, enchendo seus pulmões com o ar mais-ou-menos-puro da cidade, e foi embora.

Assim que chegou à sua casa, lançou suas coisas no sofá e subiu a escadaria que levava ao segundo andar. Chegando lá, foi ao banheiro, onde lavou seu rosto. Depois, encarou seu reflexo no espelho por alguns segundos. Seus longos cabelos negros caíam delicadamente sobre seus ombros finos, seus olhos — que beiravam um tom azul elétrico — piscavam rapidamente e sua pele pálida tinha um leve brilho por causa da água.

Seu nome era Amelia Bourbon. Tinha quinze anos e sete meses de idade, mas era tão magra e pequena que parecia ter menos. Era apaixonada por livros de Agatha Christie, séries de televisão, filmes de terror e rock britânico. Falava três idiomas, entendia quatro, era uma excelente artista plástica e conseguia ficar um minuto e dez segundos sem respirar debaixo d'água.

Enquanto fitava sua face no espelho, Amy ouviu um som estranho, metálico e, logo em seguida, o barulho de gás saindo de algum lugar. Receosa, olhou para trás e se deparou com uma bomba de gás rolando no chão de seu banheiro. Com medo do que aquilo pudesse ser, tentou abrir a porta, mas parecia que algo ou alguém do outro lado a impedia. Batia desesperadamente na porta, gritando por ajuda.

- Não vai dar, não, docinho. — Uma voz perturbadoramente desconhecida respondeu, do outro lado.

- Quem é você? Tire-me daqui! Eu vou ligar para a polícia!

Então começou a se sentir tonta, o gás fazia efeito e o mundo girava.

- Tire-me... daqui... — ela disse num sussurro e então desmaiou.

[...]

Sua visão ainda estava turva quando Amelia acordou em um lugar que certamente não era o seu banheiro. Esfregou os olhos e murmurou:

- Onde estou?

Mas ninguém respondeu.

Olhou em volta. Estava deitada — ou melhor, jogada — em um corredor completamente branco. Então começou a se lembrar. Pensou no desespero, no som de gás vazando e na voz grossa do outro lado da porta. Pensou na família, no pai e na madrasta. A essa altura eles já estariam desesperados. Pensou no livro que teria começado naquela tarde e no evento que a impediu de lê-lo. E finalmente voltou a seu pensamento inicial: "Onde eu estou?"

Tentou se levantar, mas ainda estava fraca. Gritou por ajuda mas, novamente, não obteve resposta.

Notas finais
Ficou mais curto do que eu imaginava. Enfim, o que acharam?