Mini Contos
2 Nadando Com Sereias
Notas iniciais
O vento gelado na praia fazia o pesado cobertor parecer um fino lençol. A lua era a única divisão entre o mar e o céu. As nuvens cobriam as estrelas que deveriam brilhar e guiar o caminho de algum viajante. As ondas faziam os barulhos que o cercavam. As criaturas de sangue quente sabiam que aquele não era o melhor lugar para se passar a noite.
Devia ter pensado melhor antes de ir até ali. Havia areia em seus tênis, em seus bolsos e nos fios do cobertor. A brisa lhe fez cafuné nos cabelos que já deveriam estar totalmente à vontade para se expressar como uma obra abstrata. As roupas não lhe ofereciam proteção contra os pingos salgados que lhe escorriam o rosto.
A saudade de um corpo ao seu lado era um jogo em sua mente. Havia ego, havia egoísmo e havia amor. Desejou que pudesse decidir as coisas da molhada areia em vez de se afogar nas salgadas águas dos lagos profundos de suas ilusões.
Deu uma última respirada pesada e sentiu o gosto do ar. O oceano e a escuridão a sua frente comandavam a noite e decidiu não discutir. Fechou os olhos e esperou as finas lágrimas escorrerem e gelarem seu rosto. Eram resquícios de uma de suas decisões erradas.
Andou em direção ao seu destino. Com seus olhos fechados. A areia puxando os pés para baixo. Não precisaria do cobertor aonde ia.
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