Mini Contos
3 Marcado Com Sua Boca
As marcas denunciavam o último encontro deles. Hematomas de diferentes tonalidades manchavam sua pele alguns tons mais clara do que o usual. Não saia ao sol para não exibir vestígios e não conseguia manter-se no calor sem tirar algumas das peças de roupas de inverno que usava. No começo, havia dor nas marcas e o resquício da memória de uma noite sem fim. Agora sua única preocupação era a possibilidade de uma repetição. Havia angústia nesses pensamentos, que lhe invadiam em conjunto com uma dor quente no peito. A esquisita sensação fazia o peito apertar, mesmo que lhe parecesse que houvesse espaço suficiente para o medo se acomodar entre seus pulmões.
Então a saudade do alivio, que sentiu quando tudo acabou, o trouxe de volta a realidade. Sentiu o calor incomodar, do mesmo modo crescente que a vontade de eliminar algumas peças ou arreganhar as mangas. Pensou bem nas consequências e não lembrou de nada que não conseguisse lidar. Começou a sorrir só com a ideia de livrar-se daquele fardo e, pelos quatro céus acima de sua cabeça, como aquilo seria divertido. Sentiu-se criança de novo, pensando em como era errado, ainda assim delicioso finalmente ter sua pele em contato com a brisa.
A liberdade levou todos os outros sentimentos embora. As marcas quase nem apareciam afinal. Teve certeza de que teria outra noite boa como aquela quando viu o sorriso travesso no rosto do menino que o esperava no cômodo ao lado.
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