Minha vida com você
26 Sally não quer ser minha mãe
Notas iniciais
Meu pai estava chorando, eu não fazia ideia de como ajudar, não sou muito bom quando vejo papais e mamães chorando, eu entro em pânico.
– O que eu fiz, pai? – perguntei.
Ele me olhou e riu.
– Não estou chorando por que você fez algo, filho, eu fiz algo. – ele me olhou um pouco pensando no que iria dizer e suspirou – Uma coisa aconteceu e Atena viu e não gostou. Acho que agora iremos nos divorciar, e acho que Annabeth não quer namorar o filho de um traidor.
– Traidor?
– É, a sua mãe foi me ver no trabalho e eu não resisti e acabei beijando ela e Atena viu…
Isso não parecia possível.
– Você beijou a Sally? – perguntei. Ele assentiu – Não acredito em você.
– Por que não? – perguntou ele coçando a cabeça.
– Porque você olha para a Atena como o C3PO olha pro R2D2 e você nunca iria traí-la assim. Você não está querendo culpar minha mãe, não é? – perguntei me sentindo inteligente (- Pela primeira vez na vida, não é, senhor Percy?) (- Silêncio.).
– Não… foi minha culpa…
– Não mente, pai.
Ele suspirou e encostou a testa na mesa.
– Ela não acredita em mim. – ele soluçou e começou a chorar. Acariciei suas costas para dar apoio a ele – O que eu vou fazer, Percy?
– Eu provaria a Atena que ela está errada e a faria me reconquistar, quem mandou não confiar, não é?
Ele me olhou e limpou as lágrimas dos olhos.
– Mas como vou provar? Minha palavra não foi o bastante.
– Seu escritório não tem câmeras de segurança?
– Tem sim…
– Então, você pega a filmagem e prova para a Atena que quem te assediou foi a Sally. Eu sinto que não quero mais vê-la.
– Não faça isso, filho, você tem que conversar com ela, ela é sua mãe.
– Pare de proteger ela. nós temos que pensar em um modo de esfregar na cara da Atena a verdade.
– “Esfregar na cara” é uma expressão muito pesada, filho. – disse meu pai dando de ombros – Mas é o que faremos.
Assenti e subi as escadas para me trocar, já havia combinado mesmo que sairia com Sally, não desmarcaria se não meu pai iria ficar reclamando que eu tinha que dar oportunidade para ela e eu não conseguiria sossegar. Dei um beijo na testa do meu pai que estava na sala assistindo “Friends” e saí de casa indo para o carro de Sally, ela conversava comigo falando o quanto eu tinha crescido e o quanto eu parecia maduro e todas essas merdas e eu só assentia olhando para fora. É claro que eu tinha crescido, é claro que eu tinha amadurecido, como se ela estivesse ali para me ver crescer. (- Não fique triste, senhor Percy, eu posso ajudar com isso aqui.) (- Como, senhor Percy?) (- Assim: diga que sim.)
– Sim. – disse.
(- O que ela perguntou?) (- Se você gostava de comida italiana.) (- Mas eu nem estava prestando atenção.) (- Essa é a mágica de ser um subconsciente desenvolvido como eu, ficarei conversando com você se quiser e quando ela falar algo que necessite de resposta eu aviso.) (- É uma ótima ideia, senhor Percy, mas não seria má educação?) (- Imagine que é quando você está na aula de química e fica lembrando os passos da música de K-Pop que você estava praticando no dia anterior com o Leo enquanto o professor fala, também é má educação isso, mas você não liga.) (- Tem isso também.) (- Desça do carro, você chegou ao seu destino, queridinho.).
Olhei para fora e desci do carro. Minha… Sally sorriu e tocou nos meus ombros me levando para dentro do restaurante, sentamo-nos perto de uma janela grande que dava para ver a rua, pedi uma macarronada e Sally uma para ela também. Ela falava e comentava coisas e eu só assentia e respondia o que senhor Percy dizia para responder. É como estar no piloto automático.
(- Diga “Oi?”).
– Oi? – perguntei olhando para ela.
– Eu perguntei se seu pai estava em um relacionamento ou algo do gênero.
– Estava, mas aí… uma coisa aconteceu… não sei o que. – me fiz de idiota. (- “Se fez”, tá bom…) (- Calado, senhor Percy.).
– Ah, sim. É que eu estava pensando se eu ele poderíamos voltar a ter alguma coisa. Você gostaria que eu e seu pai voltássemos, Percy?
(- Responda “Não”.) (- Eu posso me virar agora, senhor Percy, obrigado.).
– Não, Sally. – afirmei convicto.
– Você não gostaria de ter uma mãe novamente, Percy?
– “Novamente” não, porque eu nunca perdi a minha, papai foi mais mãe do que você jamais poderia ter sido. – disse. Sally ia abrir a boca, mas me levantei – Quero ir embora.
Ela me olhou decepcionada, suspirando.
– Tudo bem, vamos.
Ela ficou em silêncio todo o caminho de volta para a minha casa, eu agradeci-a mentalmente por isso, eu não aguentava mais ela falando. Chegando, saí do carro e nem ia me despedir, só iria entrar em casa e tentar não pensar no dia de hoje por quanto conseguisse até que ela me chamou de volta.
– Psiu… volta aqui… – Que lindo. Estava me chamando de “filhinho” até agora pouco, agora é “Psiu”, está ganhando tantos pontos comigo, Sallyzinha.
– Fala. – disse contrariado ao voltar e me apoiar no vidro do carro.
– Será que você poderia me ajudar? Eu estou com uns probleminhas financeiros, será que você poderia pedir ao seu pai…
Nem a ouvi terminar, minha boca se entreabriu e foi assim, espantado com seu cinismo, que eu voltei para dentro da minha casa. É óbvio que Sally não voltou para fazer as pazes, para ser minha amiguinha e mamãe, ela voltou porque precisava de dinheiro e meu pai foi o primeiro otário que ela pensou que poderia dar dinheiro a ela, ela sabia que se eu pedisse ele acataria. Cheguei em casa e sentei no sofá com meu pai e fiquei abraçado com ele por um bom tempo em silêncio, ele não perguntou nada, até ia, mas quando peguei seu braço, levantei e coloquei em volta de mim, ficou quieto e entendeu que eu precisava ficar quietinho um pouco.
– Não me peça mais para ir encontrar ela, por favor, papai. – pedi.
– Tudo bem, filho, você não precisa fazer nada que não queira. – dizendo isso ele me deu um beijinho na testa e deitou a cabeça na minha.
… NO DIA SEGUINTE …
Fui com papai para a empresa dele e fuçamos na sala de vídeo onde se gravava e passava as filmagens das câmeras de segurança. Logicamente estávamos acompanhados do segurança especializado nelas, porque era capaz que apagássemos tudo. Achamos a filmagem certa e salvamos a gravação em um pen-drive. E tentamos varias vezes enviar a filmagem para Atena, mandamos por e-mail, pelo celular mesmo, e ela sempre xingava dizendo que não queria saber de nada.
Virei para meu pai torcendo o nariz.
– Pai, você não foi convidado para aquela festa da amiga da Atena? Da Afrodite, de aniversário.
– Sim, sim, fui.
– Podemos usar isso a nosso favor.
Expliquei a ele o que tinha em mente, papai sorriu e disse que tinha um filho esperto e que eu tinha puxado a ele. Sorri e assenti. Lógico que tinha puxado a meu pai. Não era hipócrita nem nada nojento do gênero.
– Mas e se Atena quiser voltar naquele momento? Sabe, pedir desculpas e pedir para voltarmos? – perguntou ele – Eu obviamente vou voltar para ela mais rápido do que ela poderá pedir.
– Verdade, não podemos permitir que você volte tão rápido assim para ela. ela tem que te reconquistar.
– Como se eu amo ela ainda?
– Ela tem que se esforçar para te ter de volta. Assim como Annabeth terá que fará por mim, eu posso amá-la e achá-la uma fofa eu preciso me preservar, ela não pode sair terminando comigo por causa da mãe dela.
– Eu acho que ela fez isso porque namorar você aproximaria a mãe dela de mim de vários modos e ela não queria isso.
– Merda, como ela é fofa. – rosnei – Por que eu tinha que me apaixonar por ela? Droga!
Meu pai suspirou.
– Então o que fazemos para não cairmos em tentação tão de cara assim? Afinal, elas não acreditaram em nós.
– Faremos uma lista de contras e prós delas, sempre que pensarmos em cair em tentação e não tivermos provas suficientes que elas nos amam e fizeram o que poderiam fazer para nos reconquistar, pensamos na lista de contras e quando já estiver suficiente de espera apenas caímos nas graças.
– E pra que a lista de prós.
– Pra não esquecermos pelo o que nos apaixonamos, se ficarmos muito ligados as coisas negativas podemos esquecer, entende?
– Meu filho é um gênio.
– Eu sei. – disse fingindo me gabar.
Cada um de nós pegou uma folha e começamos a escrever os contras.
– Um pouco metida. – disse escrevendo.
– Mandona. – disse papai escrevendo também.
– Se acha incrivelmente inteligente.
– Não gosta dos meus colans.
– Estressadinha.
– Não quer que a Juliet de Grimm morra.
Tínhamos uma boa lista de contras então finalmente começamos com os prós do outro lado da folha.
– É radiante. – disse escrevendo.
– Amo quando manda em mim. – disse papai escrevendo também.
– É incrivelmente inteligente.
– Gosta de me ver dançar.
– Compreensiva.
– Quer que o T-Bag de Prison Break morra.
– O jeitinho que ela ri.
– Quando sorri para mim quando nota que eu acordei e só estou olhando para ela ao invés de levantar.
– Como ela cuida dos amigos e de quem se importa.
– Como ela é boa com animaizinhos.
Suspiramos juntos apaixonados quando terminamos nossas listas de prós. Éramos apaixonados por mulheres incríveis. Estávamos parados pensando em como éramos afortunados e sendo felizes um pouco até que Atena entrou no escritório do papai, ela estava com um envelope em mãos, quando meu pai ia falar algo, ela já soltou a bomba.
– Esses são os papeis do divorcio, Poseidon, assine-os se estiver de acordo e depois me devolva. – disse ela seca.
E novamente não deixou meu pai falar, deu meia volta e foi embora. Papai abriu o envelope, olhou os papeis e suspirou.
– Ela é rápida e me odeia mundo por causa de tudo isso. – disse ele.
– Quando ela descobrir a verdade que foi tudo uma farsa ela vai pedir perdão e depois de ser um pouco difícil você volta para ela.
– Eu vou precisar ter muita força, é só essa mulher estalar os dedos que eu busco o jornal.
– Sei como você se sente. A Annabeth tinha um truque para me fazer fazer o que ela queria…
– EI! EI! EI! Eu não quero saber da sua promiscuidade!
– Eu só ia falar que ela fazia cara de coitada! Nada do que você estava pensando, seu tarado!
– Ah – ele começou a corar –, desculpa.
Acabamos rindo de nós mesmos. Tínhamos que conversar com Afrodite sobre o que iríamos fazer e obviamente ela ajudaria, amar um drama romântico da nisso. Depois era só cair nas graças das garotas e fazê-las nos fazer amá-las novamente, "amá-las" porque já amamos, só queremos um pouco de valorização aqui. *estala os dedos* *estala os dedos* *estala os dedos* Querida, eu sou um diamante, quebre uma pedra para me ter.
(- Isso foi lindo, senhor Percy.) (- Obrigado, senhor Percy.).
Fale com o autor