Minha vida com você
27 Annabeth! Sua Goonie!
Notas iniciais
Eu ignorava Annabeth na escola como ela me ignorava, mas podia notar seus olhinhos acinzentados sobre mim, sempre que ela me olhava eu sentia um calor gostoso na barriga e mesmo não estando olhando eu podia sentir o mesmo. Meu pai deixou de tentar se explicar com Atena há muito tempo, estávamos apenas esperando pela festa de Afrodite, isso seria um escândalo, como disse a Afrodite ao ver o vídeo. Meus amigos sabem que meu pai nunca trairia a Atena e as meninas também sabiam, porém Annabeth é mais amiga delas do que eu sou então não achei errado elas terem ficado do lado de Annabeth.
Na aula, desenhava o rosto de Annabeth no caderno, independente de qual era a aula. Eu tinha que olhar repetidas vezes para a listinha de coisas ruins sobre Annabeth para poder me lembrar de que ela é incrivelmente inteligente e isso é lindo, mas ela pode ser metida demais às vezes quanto a isso. Porque, do contrário, pularia nela e desistiria de ser difícil ali mesmo.
Eu e meu pai estávamos arrumadinhos para a festa, prontos para mostrar para nossas garotas que nós somos fieis como cachorrinhos adoráveis. Afrodite disse que estava tudo ajeitado para provarmos a Atena que papai tinha contado a verdade sobre não tê-la traído. Acho que depois de dançar e comer muito seria o momento da verdade.
ANNABETH’S POV
Minha mãe não parecia feliz de estar na mesma festa que Poseidon, porém nada poderia ser feito, afinal, Afrodite era amiga dele também, não podíamos pedir a Afrodite que não convidasse os Jacksons, não era da nossa alçada.
– Atena! – disse Afrodite animada sentando-se à nossa mesa.
– Oi, Afrodite, a festa está linda. – disse minha mãe sorrindo.
– Eu sei. Eu queria colocar uns vídeos no meio da festa e tudo mais, alguns nossos quando éramos pequenas
– Awwwn, que fofo.
– Só que eu pensei que eram muito embaraçosos para mostrar.
– Você tem razão.
– Se você quiser ver, tem um computador lá trás e os vídeos estão lá.
Minha mãe sorriu.
– Quero sim. – ela olhou para mim – Vem com a gente, Annabeth, você vai gostar de poder me zoar no futuro.
– É, Annabeth, venha também. – Afrodite sorriu.
Levantamo-nos e seguimos Afrodite pelo salão e fomos até uma salinha. Minha mãe se sentou na cadeira diante do computador e eu fiquei atrás dela. Afrodite mexeu no computador e deixou o vídeo acontecer. Eu não estava entendendo direito porque o vídeo estava em preto e branco, minha mãe não era tão velha assim. Analisando melhor parecia uma câmera de segurança, e o local parecia um escritório.
– Sally, o que você está fazendo aqui? – a voz era de Poseidon.
Minha mãe olhou para mim, eu dei de ombros, depois olhou Afrodite que apontou para a tela. A duração do vídeo foi extremamente pequena, contudo foi bastante reveladora. Aparentemente, Sally quem se jogou em Poseidon e ele estava tentando o tempo todo se esquivar. Minha mãe fungou, acho que ela ia chorar. O vídeo acabou assim que ouvimos a voz de minha mãe no mesmo. Mamãe se levantou e olhou Afrodite.
– Era necessário, você não acreditava nele e Poseidon não mente e você sabe. – disse Afrodite.
Minha mãe saiu daquela sala e voltou para o salão principal, Afrodite pegou meu ombro e me levou junto. Eu estava me sentindo tão mal, mal por ter julgado Poseidon junto de minha mãe, sabia que ele amava minha mãe tanto que nunca faria isso, mas nós duas decidimos que as conclusões precipitadas eram as melhores a serem seguidas e ela não deixou Poseidon se explicar e nem eu a incentivei a deixar. Afrodite parou perto da mesa de Poseidon e Percy, eles estavam comendo, quando Atena se aproximou , Poseidon se ergueu, estava com a boca cheia de comida, tão típico dele, e o Percy estava do mesmo jeito, parecia um esquilo com nozes enfiadas nas bochechas.
– Atena. – falou ele tentando não cuspir comida em todo mundo.
– Eu vi o vídeo. – minha mãe suspirou – Desculpa ter desconfiado de você, eu fiquei com ciúme da Sally e de tudo que vocês já tiveram, vocês tiveram um romance e um filho e parecia que todo e qualquer coisa era motivo para vocês voltarem e ela apareceu querendo ser a mãe do Percy de novo, isso possivelmente poderia fazer você querer fazer seu filho feliz tendo a própria mãe de volta e me deixaria por ela.
Poseidon engoliu tudo e bateu no peito para ajudar a descer.
– Você sabe muito bem o quanto eu te amo e o quanto pouco a Sally significava para mim e para Percy. Na verdade, ela apenas voltou para ganhar dinheiro de mim por estar sem, e mesmo se ela quisesse voltar comigo, eu sou apaixonado por você Atena, mas você tem que aprender a confiar em mim.
Minha mãe tentou tocar Poseidon, mas ele deu um passo para trás.
– Eu estou falando sério, Atena, um relacionamento é baseado na confiança, você tem que aprender a confiar em mim, quando isso estiver feito, nós podemos tentar voltar.
Os lábios da minha mãe se entre abriram e ela assentiu, sabia que Poseidon tinha sua razão. Percy apenas me encarou e assentiu, concordando com o pai. Eu acho que isso está valendo para Percy também. Talvez se eu tentasse reconquistá-lo de alguma forma. Ele também teria de entender que estava protegendo minha mãe e não poderia ser difícil demais porque se não eu desisto dele. (- Mentira, senhorita Annabeth, você gosta dele demais para desistir dele.) (- Calada, senhorita Annabeth!).
PERCY’S POV
… NA SEGUNDA-FEIRA SEGUINTE …
Tudo está lindo. Atena acredita no papai e vai ter que reconquistá-lo horrores assim como Annabeth. Papai disse que está se preparando muito para ser difícil e vai tentar muito lembrar que Atena não quer que a Juliette de Grimm morra para ajudá-lo a ser difícil. A minha macumbada começou bem, deixou um bilhete com uma caveira desenhada em preto em cima sobre minha mesa, atrás estava escrito:
Bocão,
Espero que tenha um tempo extra para encontrar um tesouro comigo, mas tem que ser logo porque acho que os Fratelli estão atrás de nós.
Da sua Stef.
Sorri, quando éramos pequenos, eu, Nico, Annabeth, Hazel, Frank, Thalia, Luke, Tyson e Ella, assistimos Os Goonies e nos transformamos neles, cada um de nós virou um. Tyson era Sloth, extremamente forte e gosta muito de chocolate; eu, Bocão, porque eu tenho uma boca estranhamente grande e gostava de deixar meu cabelo em pé na época; Annabeth, Stef porque vivia brigando comigo; Luke, Brand porque gostava de se exercitar; Frank, Mikey, por todas as suas armadilhas mirabolantemente inteligentes; Hazel, Dado porque inventava coisas levemente inúteis; Ella e Thalia, Andy I e II porque viviam reclamando de andar muito e subia nas costas de Tyson; Nico era ele mesmo porque ele não se encaixava com nenhum Goonie sendo tão emo e trevoso. Olhei para Annabeth tentando ao máximo esconder meu sorriso, contudo não consegui muito. Sorri para ela abertamente, que levantou uma folha grande de papel amarelado e parecia que havia um mapa na mesma.
Não é possível, ela fez um mapa! Um mapa igual ao dos Goonies! Ela está se saindo muito bem nesse negocio de me reconquistar. Espera… tenho que ser difícil, seja difícil, Percy!
Queria ter dado de ombros para parecer descolado e que pouco me importava muito. Mas sorri mais abertamente ainda e assenti freneticamente. (- Você se sai tão bem em parecer indiferente, senhor Percy.) (- Calado, senhor Percy, eu tento! Porém… ela fez um mapa e ela me chamou de Bocão e isso é tão nostálgico.) (- Calma, “what’s good enough for you, is good enough for me. It’s good enough. It’s good enough for me. Oh, yeah, yeah, yeah”.) (- Nem você resiste, senhor Bocão.) (- Entendi agora porque foi tão difícil ser indiferente, senhor Bocão.)
… QUANDO A AULA ACABOU …
– Então… – disse Annabeth se aproximando da minha mesa – Bocão, você vai querer procurar Willy Caolho comigo?
– Só dizer quando, Stef, só dizer quando. – afirmei.
Levantei-me pegando a minha mochila e a joguei no ombro andando com Annabeth para fora da sala. Annabeth me mostrou o seu mapa, era claramente o mapa da cidade, feito delicadamente fabuloso e até estava em espanhol e eu era bom e espanhol.
– Nós precisamos primeiro ir até onde podemos ver as três rochas e dar cem passos. – disse Annabeth apontado para o lugar no mapa.
– Espera, antes de irmos, preciso ir ao banheiro. – disse correndo ao banheiro.
Uma coisa que eu tenho sorte é que meu cabelo obedece a minha pessoa na maioria das vezes, liguei a torneira e molhei minha mão na água, passei a mão molhada pelos fios e puxei-os para cima até ficar bem arrepiado. Saí do banheiro achando que surpreenderia Annabeth por fazer o cabelo do Bocão, mas ela também me surpreendeu por estar usando óculos como os da Stef.
Não a beije, Percy, não a beije.
– Pronto? – perguntou ela.
Assenti.
– Então, onde estão as três rochas?
Annabeth abriu o mapa na minha frente e apontou para um local onde estavam desenhados três roxas cumpridas e finas.
– Ficam aqui perto, na praça.
Fomos caminhando para a praça que ficava uns cinco minutos da escola conversando sobre o novo episódio de Flash e de Game of Thrones. Chagando na praça estávamos falando de como essa temporada de Game of Thrones estava entediante quando Annabeth parou e apontou para nordeste (- Gastando vocabulário, não é, senhor Bocão?) (- Sim. Viu como eu estou geográfico, senhor Bocão?) (- Geograficamente errado, ela apontou para noroeste!) ( — Ai bruto.)… corrigindo, ela apontou para noroeste onde haviam três estátuas grandes de pedra dos fundadores da cidade em volta da fonte. Isso foi brilhante, por isso as pedras eram compridas daquele jeito, eram as estatuas.
– Temos que das cem passos para lá. – disse ela apontando mais a noroeste.
Nós demos as mãos e começamos a contar os passos tentando andar com as mesmas passadas. Chegamos no sessenta e a frente de nós havia um coreto.
– Acho que é lá que temos de ir, só temos que esperar que os Fratelli não estejam lá. – disse Annabeth.
– Se estiverem a gente pode tomar uma água suja ou comer uma pizza mussarela.
Annabeth riu.
– Você está com fome, não é? – perguntou ela.
– Um pouco.
– Bom, tenho uma surpresa para você lá em cima então.
Annabeth sorriu e correu até o coreto. Eu ri e a segui correndo. Subimos as escadas, no centro do coreto havia uma toalha estendida no chão com uma cesta de piquenique em cima. Annabeth sorriu e sentou-se na toalha, sentei-me a sua frente e a observei mexer na cesta tirando coisas de dentro.
– Sloth e Andy I me ajudaram com isso, então acho que você vai gostar. – comentou ela olhando para um dos sanduiches embrulhados com papel alumínio, ela me entregou – Para você.
Olhei e sorri, em cima estava escrito “Só não enfie tudo na boca” na letra de Ella e havia uma caveira desenhada ao lado. Desembrulhei o sanduiche, era de patê de atum, a melhor coisa do mundo era o patê de atum da mãe da Ella.
– Percy, você entende que eu só terminei com você para proteger minha mãe, não é? – perguntou Annabeth comendo o sanduiche de queijo quente dela.
– Eu entendo, Annabeth, mas isso não significa que vamos voltar nesse exato momento. Quero que nossos pais se acertem primeiro. – expliquei.
– Eu sei que sim. Mamãe está fazendo umas coisinhas para chamar a atenção de Poseidon, ele vai gostar.
– Maravilha! Quero muito que eles voltem. Atena foi a única e melhor exemplo feminino que eu tive desde que Sally foi embora e você tem que concordar comigo que seu pai de tutu rosa não é exatamente o melhor exemplo de mulher na casa, e aquela peruca loira não cabia na cabeça do meu pai e ficava horrível. – contei a fazendo rir.
– Seu pai assistindo à “Cisne Negro” com aquele tutu foi a melhor coisa do mundo. – comentou ela rindo.
– Pelo menos ele emagreceu e cabe melhor no tutu agora.
Annabeth serviu suco de blueberry para nós dois e depois de comermos nossos sanduiches, dividimos um pedaço de bolo azul.
– Os outros Goonies ficaram com o resto? – perguntei comendo.
– Sim, a Andy I fez um cupcake preto só para o Nico.
– Que meiga. Ele deve ter ficado emocionado.
– Você não tem ideia. – ela fez a típica cara de indiferença – “Obrigado”. – disse ela imitando a voz do Nico.
Eu tive que rir.
– Tinha esquecido que você imitava o Nico tão bem.
– É a pratica, sempre sonhei em saber imitar o Nico e quando consegui foi como quando seu pai conseguiu imitar o Chewbacca.
Eu ri fechando os olhos lembrando-me do momento e voltei a abri-los quando notei que uma coisa foi esfregada no meu rosto. Olhei Annabeth, que estava se levantando lambendo os pedaços de bolo que ficaram na sua mão rindo da minha cara de otário com pedaços de bolo azul.
– Isso não vai ficar assim. – ameacei, pegando o que restou do bolo. Annabeth riu e saiu correndo em disparada para fora do coreto, logicamente corri atrás dela com o pedaço de bolo na mão – Volta aqui! Annabeth! SUA GOONIE!
Ela correu em disparada pela colina que havia na praça.
Eu corri atrás dela.
Pela primeira vez, eu não olhei para trás.
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