Minha vida com você
25 Ela não é minha mãe, você é, pai
Notas iniciais
– O que você veio fazer aqui – perguntei dando um passo para trás agarrando a mão de Annabeth –, mãe?
– Percy, acalme-se. – pediu meu pai – Vocês precisam conversar.
– Não, não precisamos. – disse olhando para o meu pai.
– Filho, você precisa conversar com a sua mãe. – disse meu pai.
– Eu não quero!
– Calma, Percy. – pediu Annabeth acariciando meu cabelo – Você precisa conversar com ela. Nós podemos sair para deixá-los a sós.
– É. – concordou meu pai, sem saber o que dizer.
– Não! Ela me abandonou… não tem o direito que vir aqui como se tivesse apenas saído de férias.
– Percy, eu sei que eu não deveria ter feito isso… – disse Sally, a minha mãe – Mas você tem que entender.
– Não! – exclamei nervoso correndo escadas a cima.
– Percy! – gritou meu pai chamando-me.
Tranquei-me no meu quarto e sentei-me contra a porta do quarto. Demorou alguns segundos até alguém vir bater na porta. Eu abracei meus joelhos e fiquei paradinho como se isso ajudasse a não me acharem.
– Percy, abre a porta. – pediu Annabeth com sua vozinha delicada preocupada comigo.
– Não! Eu não quero falar com ela! – disse.
– Ela foi embora, Percy, você não precisa falar com ela se você não quer. – disse ela.
– Eu quero meu pai, Annabeth. – confessei fungando.
– Eu to aqui, filho. – disse meu pai tentando abrir a porta.
Destranquei a porta e me afastei dela um pouco para que ele conseguisse entrar. Ele me olhou com pena nos olhos, afinal eu estava sentado no chão chorando. Meu pai se sentou no chão ficando contra o armário e me puxou para seus braços, assim como fez quando eu era criança e ele me contou que Sally tinha ido embora. Abracei-o e limpei as lágrimas. Meu pai me deu um beijo na testa e deitou sua bochecha na minha cabeça.
– Você tem que conversar com ela, filho, dar a ela uma oportunidade. – disse meu pai.
– Porque eu faria isso? – perguntei.
– Porque ela é sua mãe.
– Ela não é minha mãe, você é, pai.
Olhei para meu pai e ele sorriu.
– Ah, filho, posso até ter sido sua mãe todos esses anos, mas quem tem útero é ela.
– Não me importo, ela me abandonou, abandonou você. Olha para você, como você cuidaria de uma criança? Você é uma! – disse o fazendo rir.
– Eu posso até ser uma criança, mas criei uma e muito bem. – ele destruiu meu cabelo e sorriu – Eu tenho tanto orgulho de você, Percy.
– Eu também tenho de você, pai. – suspirei – O que ela quer?
– Só quer conversar e contar para você porque ela foi embora.
– Eu tenho que falar mesmo com ela.
– Eu acho que tem, filho, mas só quando você achar que é o momento certo.
– E se eu nunca achar que o momento é certo?
– Não diga isso, Percy, converse com ela, não precisa ir morar com ela ou chamá-la de “mamãe”, é só uma conversa entre adultos.
– Mas eu não sou adulto.
– Não, mas finja que é, eu não te dei aula de teatro à toa.
– Foi incrível ter papai como professor de teatro mesmo, mas não precisava usar colan, mas tudo bem.
Ele riu.
– Eu era tão magro aquela época e ficava tão lindo de roupas apertadas, era a minha oportunidade. – ele acariciou minhas costas – Você vai pensar em conversar com ela?
– Vou, mas por você.
– Ótimo. – ele beijou minha testa novamente e nos levantamos e nos abraçamos.
– Eu te amo, pai.
– Eu te amo, filho.
POV – Poseidon
Eu saí do quarto de Percy e Annabeth entrou. Era bom que Percy tinha alguém que pudesse se apoiar num momento como esse. Eu não sei por que só agora Sally resolveu voltar, ela podia ter vindo antes, ver Percy pelo menos, não precisava se desculpar comigo, era só ter um momento com o filho, para não deixar o coitado ficar a vida toda lembrando que sua mãe havia o abandonado.
Desci para a cozinha esperando para encontrar Atena. A minha esposa estava lá, quietinha tomando café. Aproximei-me e abracei a cintura dela e beijei sua bochecha.
– O que aquela mulher quer? – perguntou ela irritada.
– Conversar com o filho. – respondi sem entender.
– É obvio que ela te quer de volta, Poseidon. – resmungou ela.
– Ela pode me querer de volta, mas eu sou só seu, minha pequena coruja.
– Coruja?
– É, você tem olhos grandes e intimidadores.
Ela riu e me deu um tapa no ombro.
– Vem, vamos trabalhar, está na hora.
Assenti e me despedi das crianças junto de Atena e fomos para o carro dela. Atena parecia ainda nervosa com a aparição de Sally. Ela não gostou de saber que aquela mulher que apareceu do nada na nossa casa já teve uma relação comigo. Mas eu agora era só dela, não tinha nada entre mim e Sally mais, a única Sally que eu amava era a do Estranho Mundo de Jack, mas ela não é a Sally que pariu o Percy. De qualquer maneira, Atena só deve estar incomodada porque foi uma surpresa, para todos nós. Contudo, não podia expulsá-la de casa como ela devia querer quando eu disse que aquela mulher na porta era a mãe do Percy, afinal ela é a mãe do Percy e o Percy tem todo o direito de conhecê-la.
Atena é uma mulher inteligente, ela sabe que eu sou só dela. Mesmo que a Sally esteja no meu escritório naquele mesmo instante que eu havia chegado usando uma roupa provocadora, que ficaria linda em Atena, porque era azul e eu gosto de azul e gosto da Atena.
– Sally, o que você está fazendo aqui? – perguntei.
– Eu vim conversar com você. – respondeu ela passando a mão nos cabelos.
Assenti.
– Tudo bem, só desça da minha mesa, por favor.
Sally sorriu e ficou em pé apoiada na mesa. Ela deve ter amassado meus papeis importantíssimos de colorir. Verifiquei-os e nenhum deles parecia danificado, eu gosto de colorir sereias nas horas vagas e ela não pode sair sentando nas sereias para colorir dos outros.
– Então, Sally – disse colocando meus desenhos na gaveta e me sentei na minha cadeira –, o que você quer conversar? Presumo que seja sobre o Percy. Olha, eu conversei com ele e ele vai pensar sobre conversar com você.
– Eu não quero falar do Percy agora. – disse ela se aproximando de mim, sentando novamente na minha mesa agora diante de mim. Para que sentar na minha mesa? E ficar cruzando as pernas? Ela precisa tomar um sol, parecia um marshmallow.
– Então quer falar sobre o que? – perguntei sem entender.
Sally se inclinou para frente e acariciou meu braço.
– Sobre nós.
– Que “nós”?
– Ah, Poseidon… o “nós” que ficou esquecido e não devia.
Do que essa mulher está falando? Ela anda assistindo “Lost” e tá ficando confusa com o mundo em volta?
– O que?
Ela sorriu e acariciou meu queixo puxando minha cabeça para de encontro a dela. Espera! Espera! Ela vai me beijar! Eu tentei me afastar, afastando meu rosto e a minha cadeira e acabei virando-a e indo ao chão junto da mesma.
– Você fica aí! – ordenei apontado para ela.
Ela riu como se eu estivesse falando alguma idiotice, se ajoelhou no chão e veio para cima de mim, ficando sobre mim e a cadeira.
– Sally! Sai de cima de mim! – ordenei novamente.
Ela sorriu e se abaixou para me beijar. Tentei afastá-la, mas ela era mais forte do que eu. Mulheres sempre são. Só consegui soltá-la de mim quando a porta se abriu. Olhei para a porta e lá estava Atena. Ela estava com lágrimas nos olhos e logo ela correu para fora.
– ATENA! – gritei.
Sally segurou meu rosto e voltou a me beijar. Desta vez eu estava irritado. Segurei-a pela cintura e a joguei para o lado e levantei-me rapidamente correndo até o elevador, fui até o estacionamento e lá estava Atena. Corri até ela e segurei seu braço.
– Atena…
– O que? Você pode explicar, não é? – ela riu sem humor e limpou as lágrimas – Eu sabia que você iria voltar atrás dela, é difícil resistir a uma velha paixão, não é?
– Não, Atena, ela me agarrou…
– E como vocês foram parar no chão?
– Eu caí tentado afastar ela de mim! Eu juro! Eu estava em cima da minha cadeira, você não viu?
– Não, estava muito ocupada vendo aquela mulher em cima do meu marido.
– Atena…
– Chega, Poseidon, eu só vim buscar meu celular que eu havia deixado com você no caminho para cá.
Eu comecei a vasculhar meus bolsos e achei o celular de Atena, ela nem esperou eu entregar, arrancou da minha mão e foi para seu carro.
– Atena. – chamei seguindo-a.
– Não, Poseidon, eu não quero saber. Eu vou para casa dos meus pais hoje e vou levar minha filha comigo.
– Nós nem iremos conversar, você nem vai me deixar explicar?
– Não, eu vi mais do que precisava. Tchau, Poseidon.
Ela entrou no carro. Mas como eu ia provar que eu não tinha nada a ver com essas coisas? Eu não gosto da Sally, ela amassou meus desenhos e abandonou a mim e ao meu filho. Eu não sei se deveria contar ao Percy que a mãe dele havia feito aquilo, antes dele poder conversar com ela e ter suas próprias conclusões sobre ela. Mas ele vai perguntar o porquê a Annabeth e a Atena estão saindo de casa, e eu não sei mentir para ele. Meu filho já odeia a própria mãe se eu contar isso só vai piorar as coisas, vou ter que mentir e fazê-lo conversar com ela e deixá-lo ser independente quanto ao que sente sobre a própria mãe.
… VOLTANDO PARA CASA …
Percy estava na sala junto ao Leo, o moleque a prova de fogo, os dois estavam dançando “Orange Caramel” que realmente é uma ótima música para uma propaganda de batom, poderia até dançar também, mas estava muito triste para dançar, nem pintei a minha Ariel quando tive um momento vago. Quando voltei para meu escritório, Sally tinha sumido, ainda bem se não eu ia fazer cara feia para ela e brigar com ela.
Como eu vou lidar com isso? Eu não sei como posso fazer Atena acreditar em mim, eu já falei a verdade.
– Pai! – disse Percy entrando na cozinha animado – Vem dançar “Electric Shock” com a gente antes do Leo ir embora.
– Vão vocês, eu não to me sentindo bem, filho.
– O que aconteceu, pai? – perguntou Percy.
– Nada, eu só não estou me sentindo bem.
– Ah, tudo bem, então eu vou que já está na minha hora e quando você se sentir melhor, Poseidon, a gente dança, eu chamo meu pai e o Nico, porque precisamos de cinco para ficar melhor. – disse Leo sorrindo.
Sorri de volta.
– Ótimo, Leo, vou adorar dançar com todos vocês.
– Certo, então. Você fecha a porta para mim, Percy. – Percy assentiu e seguiu Leo até a porta – Tchau, Poseidon!
– Tchau!
Leo foi embora e Percy voltou para a cozinha e sentou-se ao meu lado abraçando meus ombros.
– O que houve, pai?
– Nada, filho. – suspirei – Pensou sobre conversar com sua mãe?
– Sim.
– E?
– Eu vou dar uma chance a ela. Vou ver o que ela tem a dizer.
Sorri e acariciei o cabelo dele.
– Ótimo.
O celular de Percy começou a tocar e ele atendeu falou umas coisas e me olhou sem entender.
– O que houve, pai? – perguntou ele desligando o celular.
– Quem era?
– Era a Annabeth, ela terminou comigo e quando perguntei “porque”, ela me disse para perguntar para você.
Eu não me aguentei e comecei a chorar. Porque eu tive que ferrar a vida do meu filho também? O que eu vou fazer?
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