Minha versão da história-Divergente.
2 Menstruada.
P.O.V. Beatrice.
Estava tomando banho quando senti o cheiro do sangue. Eu sabia que estava em mim, comecei a procurar e vi que saia de dentro.
Minhas mãos ficaram ensanguentadas. Eu acho que estou morrendo.
—Meus Deuses!Eu... Meus Deuses.
Eu caí sentada no chão do box. Comecei a chorar, chorar de medo, de desespero.
—O Elixir parou de funcionar. Meus Deuses!
Acho que nunca senti tanto medo na vida.
—Ei, Beatrice você tá legal?
—Acho que estou morrendo.
—O que disse?
—Mas, e a imortalidade?
—Acho que parou de funcionar. Me ajude! Estou sangrando e não para, não estou curando.
P.O.V. Christina.
Comecei a ouvir ela se desesperar.
—Ei, Beatrice você tá legal?
—Eu acho que estou morrendo.
—O que? Mas, e a imortalidade?
—Acho que parou de funcionar. Estou sangrando e não estou curando, me ajude!
Corri chamar o quatro. Não sabia mais o que fazer.
P.O.V. Quatro.
Estava ajudando um novato a treinar quando Chris vem correndo desesperada.
—Quatro! Preciso de ajuda.
—O que houve?
—Beatrice está sangrando e acha que vai morrer.
Assim que cheguei vi o sangue saindo junto com a água.
—Beatrice. Beatrice!
Abri a cortina do chuveiro e ela estava desacordada, mas acordou depressa.
—Parou? Parou de sangrar?
—Não.
—Eu não quero morrer! Me ajuda, me ajuda.
Ela se agarrou a minha calça que ficou cheia de sangue.
Desliguei a água e Christina tirou ela do chuveiro.
—Calma, fica calma.
—Eu não quero morrer.
O sangue escorria pelas pernas dela.
—De onde está vindo o sangue?
—De dentro de mim.
—Acho que ela está menstruada.
—Isso é grave?
—Não. É normal, você não vai morrer.
—Como pode saber?
—Eu também fico menstruada.
Ela ficou menstruada e pensou que fosse morrer? Acho que ela achou mesmo que fosse sangrar até morrer.
—Está dispensada dos treinos hoje.
—Isso vai parar?
—Vai.
—Ótimo.
—Beatrice?
—Sim?
—Você achou mesmo que fosse morrer?
—Claro! Você não acharia se começasse a sangrar pelas partes íntimas?
—Sua mãe não te explicou?
—Não. Na época em que eu tinha uma mãe as coisas eram muito diferentes de hoje.
—Diferentes como?
—Garotas usavam togas que se pareciam com vestidos e os meninos também usavam togas que eram diferentes das nossas. Quase todas eram coloridas, menos as que usávamos para ir ao templo.
A maneira que ela descrevia as coisas era muito detalhada.
—Olhem. Eu sempre mantenho diários e claro os desenhos das coisas que eu vi, que eu conheci.
Amara nos mostrou os desenhos e todos os membros da facção tinham perguntas.
—O que é isso?
—Isso era o coliseu. Eu fui na inauguração, vi a magnitude daquilo, era enorme, a arena, os gladiadores, os leões, as batalhas navais encenadas. Eles inundavam toda a estrutura e navios colossais atiravam flechas pra tudo o que era lado.
—O que é uma flecha?
Ela foleou o caderno e mostrou.
—Isso é uma flecha. Antigamente e até hoje se utilizada corretamente é uma arma letal. Existiam as incendiárias, que tinham as pontas cheias de piche, então eles tocavam fogo e atiravam.
—Esse era o Titanic.
—É um navio?
—Isso. Ele tinha 269 metros de comprimento e 46 mil toneladas, infelizmente em 14 de abril de 1912 na sua viagem inaugural o navio colidiu com um iceberg e matou mais de mil e quinhentas pessoas, o navio se partiu ao meio.
—Que horrível!
—Esse navio funcionava á base de caldeiras que eram sempre abastecidas com carvão.
—E o que é isso?
—O Panteão de Agripa, um lugar gigantesco dedicado aos deuses. Um templo onde as pessoas iam rezar, fazer oferendas e pedir forças, saúde e segurança aos Deuses. Infelizmente em 80 antes de Cristo o incêndio causado pelo imperador Nero destruiu mais da metade desta linda obra, mas ele foi reconstruído.
—E esse lugar, onde ficava?
—Paris, a cidade do amor. Esse era o museu do Louvre onde estava exposta a maior e mais bela obra de Leonardo Da Vinci, a Monalisa.
—O que é Monalisa?
—Um quadro de uma moça que por acaso era eu. Claro que á meu pedido ele modificou algumas das minhas características.
—Gostaria de ter visto.
—Espere, devo ter uma cópia aqui em algum lugar. Aqui.
O quadro não se parecia muito com ela, mas olhando atentamente podíamos ver algumas de suas características.
Ela contou tudo, tudo o que sabia, tudo o que vivenciou. E até mesmo Eric parou para escutar as histórias.
—Vejam. Isso era da minha mãe Athenodora, ela adorava essa caixinha.
—O que há na caixa?
—Veja.
Ela abriu e a caixa começou a entoar uma canção e no centro havia um casal dançando.
—Que lindo.
—O que é isso?
—Uma caixinha de música.
Aos poucos as dúvidas foram sendo esclarecidas.
Encontrei algo que me deixou intrigado.
Uma fotografia dela onde estava escrito:
—Katherine 1864.
—1864?
—É o ano. O ano em que foi tirada.
E outra que estava em um medalhão.
—Melissa 1774.
—Tatia 1.000 a.C.
Inúmeras fotografias, inúmeras identidades. Famílias diferentes.
—Loren Hansett 2008.
—Elena Jenna Gilbert 2001.
—Maria, 2011.
—Candice,2012.
Imagino como deve ser pra ela assistir seus entes queridos envelhecerem e morrerem.
—Amara?
—Sim?
—Como é ser como você?
—Triste e solitário. Todos me abandonam.
—Te abandonam?
—Ela leva todos eles, menos eu. Ela levou meus pais, meus irmãos, meu filho, meu marido e minha amada Qetsyah.
—Quem é essa Quetsyah?
—Ela era minha criada e nós tínhamos um relacionamento amoroso.
—Você é lésbica?
—Eu gosto de meninos também e espero um em especial a muito tempo.
—Um dia você vai encontrá-lo.
—Eu já o encontrei.
Fiquei desapontado, afinal pensei que teria uma chance.
—Quem é ele?
—Você.
—Eu? Eu?
—Porque acha que eu escolhi a audácia? Eu senti o seu cheiro neles, em todos eles.
—O meu cheiro?
—Sim. Aquele que eu tenho procurado incansavelmente durante dois mil anos. O homem de sangue puro.
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