P.O.V. Quatro.

Conforme ela ia contando a história eu ia entendendo. Eu consegui o que sempre quis, respostas.

Sempre me senti deslocado na abnegação, na minha própria família e agora eu sei porque.

–Sou adotado.

–Sim. Você é último da linhagem Salvatore, o último membro da família real italiana.

–Obrigado.

–Pelo que?

–Por me dizer a verdade.

–Os seus pais adotivos nunca contariam a você nem a ninguém. Toda a família Eaton jurou lealdade absoluta ao clã Salvatore, a vida dos protegidos vem antes das deles, eles vivem em função do bem estar da família real da Itália.

–E porque o meu pai me batia?

–Não sei, mas sei que qual quer que fosse o motivo ele fazia para ajudar você.

Com o tempo fomos nos conhecendo melhor, fomos ficando cada vez mais íntimos um do outro.

–Você é divergente não é?

–Sim.

–Ótimo. Porque eu também sou.

Agora estamos olhando um nos olhos do outro e ela está com um de seus vestidos gregos que tilintam quando anda.

–Assim como você é minha, eu sou seu pra sempre porque quando eu olho pra você, Amara eu só vejo um anjo.

De repente, estávamos fazendo amor. Foi algo tão natural que quando percebemos já estava acontecendo.

E Amara não pareceu se incomodar.

De uns tempos pra cá começamos a chamá-la pelo seu nome de verdade. Embora, ás vezes a chamemos de Beatrice.

–Doeu muito?

–Já passei pior.

–Pior?

–Eu existo simultaneamente aqui neste plano físico e do outro lado. Basicamente, sou uma morta viva com um pé de cada lado.

–O que isso tem a ver?

–Posso transitar livremente pelos dois mundos, mas tem um preço a ser pago.

–Que preço?

–Posso sentir a dor deles quando eles tocam em mim. A dor que sentiram antes de morrer.

–Pode tocar nos mortos?

–Sim. Eu fico tão confusa.

–Porque?

–Já não percebo a diferença entre vivos ou mortos.

–Você gostou?

–Muito. Muito mesmo.

–Que bom.

–Deixe-me transformá-lo.

–Transformar em que?

–Imortal. Se você morrer, não poderei mais viver. Por favor, entenda.

–Eu entendo. Eu te amo.

–Também te amo.

Passamos a tarde treinando juntos. E ela ganhava de lavada.

–Vencido por uma garota.

–É injusto. Eu avisei a ele que era injusto.

–E porque seria injusto?

–Você não pode correr mais que eu!

Ela atingiu uma velocidade que nem conseguimos ver.

–Não pode lutar contra mim.

–Sou mais rápida, mais forte e tenho reflexos inumanos. É como se os golpes de vocês viessem em câmera lenta.

–Vamos tentar algo diferente.

–Uma arma de fogo? Sério?

–Está com medo?

–Isso vai ser moleza.

Ela desviou das balas com uma facilidade de dar inveja.

–E o que acha desta?

–Manda ver.

Uma metralhadora e ela desviou dos tiros. Saiu sem nenhum arranhãozinho.

Depois dele testar as armas nela, Amara acabou perdendo o interesse pela brincadeira.

–Estou com sede. Foi uma ótima distração.

Ela virou as costas para Eric e saiu andando.

–Espera ai! Eu não dei permissão para você sair!

–Eu não obedeço a um homem desde quando eu era mortal e isso já fazem dois mil anos. Não pretendo começar outra vez.

–Ela te destruiu Eric!

Tive que rir. Que situação.