Minha versão da história.-Camellot.
5 P.O.V. Rei Uther.
P.O.V. Rei Uther.
Estamos festejando a chegada do bastardo do Rei e quando levanto a taça para brindar alguém grita:
—Não! É veneno!
A serva arrancou a taça de minhas mãos e despejou o vinho no chão.
—Como ousa atacar o seu Rei?!
—Salvei sua miserável vidinha! Olhe pro chão.
O vinho havia corroído a pedra maciça e formado um buraco no chão.
—Tentou me envenenar?!
—Salvei sua vida!
—Guardas! Guardas! Prendam-na!
Num piscar de olhos todos estavam mortos, meus melhores homens. Mortos.
Seus corpos drenados jaziam no chão e alguns foram mortos pela própria espada.
—Vampira!
Agarrei-lhe o braço e ela me deu um gancho de direita que quebrou meu nariz.
—Imbecil!
—Como ousa chamar-me assim?
—Porque é o que você é. Um imbecil, egoísta, mesquinho e mal agradecido.
—Mal agradecido?
—Salvei sua vida, o mínimo que pode fazer é agradecer.
—Obrigado.
—De nada. Viu? Não é tão difícil ter humildade, admitir que errou e pedir perdão.
—Eu não errei!
—Um bom Rei admite seus erros.
—E o que você sabe sobre reinar?
—Sei que desde que o mundo é mundo existem reis como você que não ligam a mínima para o seu povo. Que se isolam com sua corte de fofoqueiros, conselheiros e amantes dentro das muralhas de um castelo esbanjando o dinheiro dos impostos.
—Eu não faço isso!
—Faz sim! Será que alguma vez já saiu deste castelo?
—Não.
—Sabe o que se passa lá fora?
—Não.
—Vou te dizer o que há lá fora. Morte, fome, miséria e violência.
—Mulheres afogam seus bebês para não ter que vê-los morrer de fome e frio, mais da metade do povo lá fora não vai sobreviver a este inverno que está por vir. Mulheres tem que vender seus corpos, se prostituir para conseguir se sustentar, crianças são arrancadas de suas camas, de suas famílias e vendidas como escravas.
—Ás vezes a própria família é forçada a vender suas filhas mulheres para mercadores de escravos.
A raiva em sua voz é palpável, sua indignação é ainda mais evidente.
—Como pode saber?
—Eu já morei lá fora. No mundo real. Acha mesmo que alguém sobrevive com essa merreca que vocês chamam de salário?
—Merreca?
—Sim. Merreca!
—É mais do que suficiente.
Ela soltou uma gargalhada, como se eu tivesse dito algo engraçado, mas então de repente parou.
—Isso foi sério?
—Claro que foi.
—Sabe o que você é?
—O que?
—Burro! Você tem os cofres cheios com o dinheiro do seu povo! Esse dinheiro não é seu, nunca foi. E o povo sabe disso, portanto tenha cuidado quando o povo está descontente nada de bom pode acontecer com o Rei.
—Eles são apenas servos!
—Temos vantagem numérica, para cada um soldado real existem 10 cidadãos e eu mesma vou tratar de ensiná-los a lutar, como sempre fiz e sempre vou fazer.
—Ousa me ameaçar?
—Na sua posição, ousa não é muito adequado. Afinal, sou mais forte, mais inteligente, mais bonita e muito mais veloz do que qualquer um de seus soldados.
—Sua criada insolente!
—Seu Rei tirano!
—Eu Sou o Rei de Cammellot!
—Não por muito tempo se não mudar de atitude.
—Você viu isso?
—Vi. Vi você preso dentro deste castelo, todos vocês. Reféns, todas as coisas caras que você ostenta serão roubadas, seus guardas massacrados e será obrigado a desfilar nu e acorrentado pelas ruas da cidade.
—Foi o que você viu?
—Já disse que sim.
—Existe uma forma de evitar o que está por vir?
—Sim. Minhas visões são subjetivas, afinal o futuro sempre pode mudar.
—Então o que devo fazer?
—Mude ou morra. Pare de ostentar, pare de comprar castelos que só servem pra acumular pó, corte gastos com a sua corte.
—Aumento de salário pra começar, faça menos bailes, menos festas, invista no futuro do seu povo.
—Pode começar a vender as coisas velhas ou badulaques que compraram pra satisfazer caprichos de seus filhos, seus caprichos. Prenda os mercadores de escravos, liberte aqueles a quem eles servem. Arrume uma forma de vender castelos que não se usa ou melhor use-os para abrigar as pessoas que vivem jogadas nas ruas.
—É uma ótima ideia pai.
—Arthur!
—Você será um bom Rei. Um Rei justo, amado pelo povo.
—E você será a Rainha?
—Serei sim.
—O povo te amará?
—Mais do que já me ama. Principalmente os garotos.
P.O.V. Lorde Sebastian.
Guinevere me lembra de Mary, ambas são líderes natas. Bondosas, belas e justas.
Ela será uma Rainha muito amada tanto pelo povo quanto pelos nobres.
Todos os homens dariam tudo para ser o marido dela, o dono de seu coração.
Todos incluindo eu e o Rei Uther, sei que a coragem dela o deixou impressionado.
Ela, uma simples serva calou a corte e o próprio Rei por minutos.
Chocou a todos com a realidade do país, os Lordes e Ladys terão muito o que fofocar hoje e pelo que eu soube o Rei decidiu sair do palácio.
P.O.V. Uther.
O que a garota disse é mesmo verdade. Meu criado pessoal levou-me até um local chamado a roda dos rejeitados onde haviam bebês chorando alto e bebês mortos, depois me levou ao mercado onde crianças, homens e mulheres eram vendidos e esbofeteados.
As pessoas estavam magras como esqueletos, sujas. Na taverna um de meus homens tentava abusar de uma servente e os outros estavam rindo de seu sofrimento.
—Já chega! Solte-a!
—Majestade?
—Sou eu! Solte a moça e não volte a importuná-la.
—Sim, Majestade.
A dona da taverna me olhou com cara de indignada e disse:
—O que aconteceu? Porque de repente vossa Majestade decidiu sair do seu castelo de marfim e enfrentar a realidade?
—Uma moça me convenceu.
Uma outra disse:
—Aposto que foi a Feiticeira Guinevere. Ela deve ter deixado a máscara cair e as saias também.
—Nunca mais ofenda a minha irmã! Ela é uma moça de respeito.
—Apoiado. A Gwen fez uma promessa de que se manteria pura até o casamento e ela sempre cumpre com sua palavra.
—Ela é uma bruxa! Ela sempre foi boa demais, bonita demais, perfeita demais.
—Isso é a inveja falando.
—Não sou eu que sirvo ao demônio!
—Retire o que disse!
—Não retiro nada.
—Você não sabe nada sobre Guinevere.
—O garoto tem razão. A senhora nada sabe sobre ela.
—Claro que vossa Majestade vai defender a Feiticeira.
—A Feiticeira será Rainha e você vai continuar como uma serva invejosa.
—Eu disse que ela tinha aberto as pernas para o Rei.
—Eu jamais toquei em Guinevere.
Essa serva já está me dando nos nervos.
—Merece ir pra fogueira essa bruxa.
—Cale-se!
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