P.O.V. Morgana.

Desde que o Rei descobriu sobre o poder de Guinevere ele a cobre de jóias, belos vestidos e a colocou em um suntuoso quarto.

Ela aceitou e não posso culpá-la afinal, ambas somos mulheres e fazemos o que é preciso para sobreviver.

Meu meio-irmão Arthur está lá fora no pátio de treinamento.

Tenho tanta inveja dele. Ele tem tudo o que se poderia querer, o trono, o amor de Uther, a admiração dele e senta-se ao lado direito do rei.

—Qual o problema Milady?

—É a inveja.

—De quem?

—Arthur.

—Porque?

—Ele tem tudo e eu não tenho nada.

—Isso não é verdade. Você tem a mim, os seus poderes e o amor de Merlin.

—O que disse? Poderes?

—Não precisa mentir pra mim.

—Como descobriu?

—Eu sou vidente esqueceu?

—Ah! Isso.

—Prometo que não contarei a ninguém.

—Obrigado.

—Se me permitir, eu gostaria de assistir o treino.

—Vá.

—Obrigado.

P.O.V. Arthur.

Estava treinando com os soldados quando a vejo descer as escadas correndo. Ela usava um vestido ousado pra dizer o mínimo.

Era de seda azul, com as mangas feitas de pérolas.

Em seus cabelos estava uma tiara dupla prateada como a lua.

Guinevere ficou parada lá, olhando pra mim.

—Vai lutar ou vai ficar ai me namorando?

Fiquei sem ter o que dizer. Ela era tão... adorável.

—Ah! Dá isso aqui!

Guinevere tomou a espada das mãos do cavaleiro.

—Angard! Vamos, vamos! Nada de moleza!

—O que está fazendo.

—Lute!

—Com você?

—Que que é? Tá com medinho?

—Não quero te ferir.

—Sou imortal esqueceu?

—Vamos lá então.

Menos de cinco minutos de luta e eu estava no chão e a espada dela estava no meu pescoço.

—Ganhei.

—Como?

—Meus reflexos são melhores que os seus. Minha visão é melhor que a sua, você é um guerreiro e eu sou uma arma.

Ela me ajudou a levantar e nós apertamos as mãos. Então como num passe de mágica ela foi parar na janela de seu aposento.

A vi sorrir, um sorriso sapeca e acenar pra mim. Me deu uma piscadinha e gargalhou fechando a janela.

—Essa mulher vai me roubar a sanidade.

—Ah, meu Príncipe ela lhe roubou o coração e a dignidade.

Naquela noite todos fomos acordados por um grito pavoroso.

—O que houve?

Ela apontou para a mesa do salão de baile onde meu pai jazia. Sua garganta havia sido cortada.

—Meu Deus!

—Tenho que sair daqui.

No segundo seguinte ela havia sumido.

Duas noites e Guinevere ainda estava desaparecida.

—Acha que foi ela?

—Não. Mas, lembre-se que ela se alimenta de sangue e o cheiro a deve ter tentado.

—Mas, o local foi limpo e o funeral já foi realizado.

—Os sentidos dela são mais aguçados que os nossos Arthur. Ela ainda deve conseguir sentir o cheiro.

—Sim. Eu não tinha pensado nisso.

—Mas, deveria. Como pode acusá-la de assassinato?! Ela encontrou o corpo.

—Como?

—Sei lá, deve ter sentido o cheiro do sangue.

—Será que ela consegue identificar o assassino?

—É possível.

—Vamos mandar os guardas atrás dela.

—Ficou maluco?! Isso vai assustá-la.

—Tem razão.