Notas iniciais
A Tris é a Shailene Woodley só que ela só vai aparecer mais pra frente.

P.O.V. Beatrice.

Eu estou apavorada, vou fazer a seleção hoje e serei selecionada para uma das facções.

Quando o meu teste acabou descobri que sou uma divergente por tanto me encaixo em todas as facções.

Na hora de escolher escolhi a audácia.

Tivemos que pular dentro de um buraco e felizmente caí numa rede.

—Qual é o seu nome?

—Beatrice.

P.O.V. Quatro.

Ela caiu na rede e eu a ajudei a sair. Um véu cobria seu rosto e seu vestido parecia uma toga grega.

—Qual o seu nome?

—Beatrice.

—Seja bem vinda á audácia.

—Obrigado.

—Você foi empurrada?

—Não.

Depois que o grupo de transferidos foi reunido eu disse:

—Me sigam.

Comecei a escutar um tilintar. Um barulho de sininhos.

—Quem está fazendo esse barulho?

—É a careta.

—Porque está fazendo isso?

—Não é culpa minha. São as minhas jóias.

—Jóias? Pelo que me consta os membros da abnegação não usam jóias.

—Eu uso. Estão na minha família a gerações.

—Tudo bem. Continuando.

—Eu sou quatro.

Uma das transferidas decidiu fazer uma gracinha e eu cortei o mal pela raiz.

—Aqui é o fosso. O centro da vida na audácia.

—Legal.

Quando chegamos ao dormitório eles ficaram chocados.

—Se troquem.

Saí, mas não pude deixar de ouvir o menino caçoar dela.

—Belas pernas careta.

Quando eles chegaram já trocados pude finalmente ver o rosto de Beatrice.

E era um belo rosto. O cabelo era castanho escuro assim como os olhos, a menina tinha cara de boneca de porcelana.

Os cabelos eram compridos e batiam na cintura. Tranças singelas o enfeitavam.

Depois do discurso de boas vindas era hora do almoço. Todos começaram a pegar a comida, menos ela.

Beatrice rezou e ao ver a carne perguntou:

—O que é isto?

—Nunca viu carne?

—Não. Pra que serve?

—Pra comer.

Ela se atrapalhou e o molho espirrou todo encima dela que não pareceu sentir o calor.

—Eca! Que coisa gosmenta.

—Isso ai está fervendo, você devia ser torrada agora.

—Eu não sou como nenhum de vocês. É muito difícil me machucar. Com licença.

Quando ela retornou estava novamente usando seu vestido.

—Quem te deixou usar essa roupa?

—É única que eu tenho. A outra está suja.

—Tire.

—O que disse?

—Eu mandei tirar.

—E espera que eu ande nua por ai?

—Esses não são os trajes da audácia. Tire!

—Vós sois um abestado.

Beatrice se levantou e saiu andando.

—Volte aqui!

Eric correu atrás dela e ao tentar agarrá-la foi jogado no chão.

—Faça isso de novo e serás a minha refeição. Com licença.

Fui atrás dela e a encontrei na enfermaria. Ela abriu uma bolsa de sangue e começou a beber.

—Hum!Estava precisando disso.

—Beatrice?

Ela olhou pra mim assustada.

—O que faz aqui?

—Eu é que pergunto.Você sabe que isso que está bebendo é sangue não é?

—Claro que sei. Odeio o sistema de facções, sinto falta de antes, de quando as pessoas eram livres pra escolherem seu próprio caminho.

Hora da luta. Eric usaria isso para se vingar dela.

—Beatrice e Peter.

Infelizmente para Eric ela venceu. Venceu como se fizesse isso a anos.

—Como venceu?

—Eu estou neste mundo miserável a muito tempo. E neste tempo eu aprendi a lutar. Eu sou Amara Petrova e eu sobrevivo.

Quando chegou a hora dos jogos de guerra ela caiu de cima da roda gigante e todos os ossos dela se quebraram, mas ela se concertou.

—Que que é isso?!

—Ai. A minha coluna.

A cabeça dela virou trezentos e sessenta graus.

—Peraí, algo está errado. A cabeça.

Ela recolocou a cabeça no lugar certo e estralou o pescoço.

—A bandeira está no farol.

—Você é humana?

—Sou. Mas, tenho dois mil anos, sou imortal e indestrutível.

Uma imortal? Incrível.

Por isso o sangue que ela bebe. Ela bebe o sangue para se manter jovem e bela.

—E o sangue?

—O sangue é a vida. Preciso dele para me manter jovem e linda para sempre.

—Quantos anos tem?

—17.

—E a quanto tempo tem 17 anos?

—Á dois mil anos.

—Uau! Isso é muito tempo.

—Com certeza.

—E como era antes? Quer dizer antes do sistema de facções.

—Era incrível. Claro que havia uma divisão, mas as pessoas podiam escolher o que fazer sozinhas, sem testes e podiam mudar de ramo e de profissão se quisessem. Por exemplo, eu já fui médica, enfermeira, secretária, garçonete, camareira, criada, dama de companhia, faxineira, cozinheira, costureira, mãe, babá e até comerciante.

—E porque escolheu a audácia?

—Porque é algo diferente de tudo o que eu já fiz. E a vantagem de se ser imortal é que sobra tempo para experimentar coisas novas.

—Você teve filhos?

—Sim. O nome dele era Heitor.

—O que aconteceu com ele?

—Ele morreu. Obviamente.

—Então...

—Apenas eu sou imortal, meu filho não era.

—E você nasceu assim?

—Isso é história para outra hora. Mas, ainda tenho descendentes vivos.

—E quem são?

—Três garotas. Uma mortal e duas imortais.

—Isso é tipo um gene?

—Não. Uma das imortais foi transformada e a outra nasceu híbrida e imortal.

—Híbrida?

—Metade vampira, metade bruxa.

—Vampira? É o que você é?

—Não. Ser vampiro implica em infertilidade, ter presas e queimar ao sol. Nada disso acontece comigo.

—Então pode ter filhos?

—Claro.

—E o que sairia de você?

—Uma criança mortal. Agora, se ela se tornará imortal é impossível saber.

—Porque?

—Porque eu nunca tive um filho sendo imortal.

—Mas...

—Quando eu tive Heitor eu era apenas uma humana não sobrenatural.

—Então nasceu humana?

—Sim.

Ela era incrível. Fascinante e intrigante ao mesmo tempo.

Nem consigo imaginar o tanto de conhecimento que ela detém. Eu tenho tantas perguntas, tanta sede de conhecimento.

Quero muito saber o que ela sabe, ver o que ela viu, conhecer o que ela conheceu. Amara viu mudanças acontecerem no mundo, ela testemunhou em primeira mão todos os eventos descritos nos livros de história.

Ela é praticamente um museu que vive e respira.

Amara aprende numa velocidade incrivelmente rápida, a rotina da audácia já ficou fácil pra ela e os novatos estão a apenas uma semana na facção. As pessoas normais levam pelo menos um mês para se readaptar, principalmente os transferidos.

—Como consegue?

—Eu já fiz parte do exército. Das forças armadas, da marinha e do FBI.

—O que é a marinha?

—A marinha era uma instituição militar do governo que cuidava da segurança marítima e travava batalhas em alto-mar.

—E o FBI?

—Era uma unidade de polícia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, apenas os melhores dos melhores eram contratados. Eles eram o alto escalão das forças de segurança do mundo.