Notas iniciais
Aqui estamos nós com mais um capítulo! Muito obrigada a todos os reviews maravilhoso. Elogios e críticas construtivas. Aos poucos corrigiremos problemas de formatação e ortografia. Estamos tentando responder a todos os comentários, os mais atrasados serão respondidos tenham certeza. Um pouco de nossa demora é porque estamos planejando e escrevendo bastante e decidimos alterar uns dois capítulos inteirinhos para que a linha do tempo da história dê certo. O capítulo de hoje trará muitas emoções. Espero que gostem! Miyukiki

Eu precisava fazer aquilo. Precisava mesmo que fosse errado! Eu necessitava descobrir algo que fosse meramente significativo sobre o tio Sebastian. Ele era extremamente fechado, nunca falava sobre si, sobre a infância junto de meu pai, sobre nada que fosse relativo à sua personalidade. Eu não sabia seus gostos, suas preferências... Era como viver com um estranho... um estranho que sabia tudo sobre mim.
– Não me olhe assim! – Sky, deitado no tapete, me acompanhava com os olhos. Aquele olhar inquisidor e recriminador, enquanto eu, sentado na cadeira giratória, revirava as gavetas da escrivaninha no escritório do tio Sebastian.

– Estou fazendo isso por nós, está bem? — se eu não achasse qualquer brecha no muro impenetrável que meu tio parecia querer construir entre nós em pouco tempo seríamos dois desconhecidos vivendo sob o mesmo teto.
– Ou vai me dizer que não sente falta de quando ele nos levava ao parque, huh? — perguntei ao cão que, estranhamente, andava tristonho nos últimos dias. Talvez Sky sentisse o clima pesado da casa. Os olhos, bicolores como os meus, andavam baixos e sem aquele brilho feliz de sempre. Eu podia ser só uma criança, mas parecia ter mais experiência em como era ter uma família do que meu tio e nós não estávamos sendo uma família. E eu precisava daquilo, precisava ter uma família com ele e não me preocupava com que rótulos teríamos nela. Tio e sobrinho... Ou algo a mais... Eu só precisava dele...

Abri uma gaveta e havia uma agenda com vários horários marcados nela, reuniões e compromissos, horários de antigas consultas com uma tal de Doutora Durless, a qual eu julguei interessante. Então anotei o nome e o número em um papel. Em certo momento Sky latiu me assustando, fazendo com que eu deixasse a agenda cair. Vários papéis se soltaram, e eu os peguei deixando-os em cima da mesa, começando a olhá-los um por um. Eram alguns cartões de visitas e lembretes e havia uma foto de meu pai. Uma foto na qual ele parecia ter um pouco mais que a minha idade. Senti meus olhos se encherem de lágrimas e passei os dedos em seu rosto. Eu sentia tanta saudade deles. E então encontrei outra foto, minha, do dia que fomos ao parque em meu aniversário. Nesta foto eu sorria timidamente mas neste exato momento eu tinha um imenso sorriso no rosto, feliz por saber que, para meu tio, eu tinha a mesma importância que meu pai, seu irmão, tinha. Revirei mais alguns papéis e um em especial chamou minha atenção. Era um panfleto impresso em uma folha simples de ofício, onde se podia ver jovens de uniforme, com calças xadrezes, lendo livros em baixo das sombras de antigas árvores. A bucólica cena tinha um ar escocês. Ao ler o que o papel dizia minhas mãos tremeram, meu coração falhou uma batida e uma lágrima dolorosa escorreu pelo meu rosto.

***
Sebastian chegou em casa no inicio da tarde. Conversar com o garoto de programa tinha lhe acalmado. Por mais que não gostasse de admitir desabafar com alguém sempre ajudava a fazer com que os problemas parecessem menores e com uma solução viável. Mas naquele momento, para o homem perdido que subia as escadas, falar com a doutora Durless, sua psicóloga de anos, não era uma opção.
Além de não se sentir preparado para falar para a mulher que os últimos anos de trabalho árduo dela haviam ido por água abaixo, no momento ela estava de férias e simplesmente Sebastian se negava a se consultar com outro psicólogo.
Mas a conversa e a energia gasta com o ruivo o deixaram temporariamente mais calmo, menos dramático e um pouco mais otimista. Claro que esse sentimento de paz passaria no exato momento em que a sua pequena criança o abraçasse daquela forma que exalava carinho e dependência.
Subiu as escadas decidido a se esconder de Ciel pelo tempo que conseguisse. Sorriu triste para si mesmo, ele era um fraco. Se escondendo de um garotinho...

Com as faltas de Sebastian à empresa muito se acumulara, então o empresário resolveu ter uma tarde regada a trabalho. Ótima desculpa para se ocultar no escritório. Ele se dirigiu para lá. Encontrou a senhora Coburgo no corredor, ela levava a roupa suja para a lavanderia, o homem a cumprimentou e negou quando a velha governanta lhe ofereceu um lanche.
Mas não pode evitar perguntar sobre Ciel. Como ele estava, se tinha almoçado bem, estudado, essas coisas que crianças tem que fazer. Entrou no escritório e sentou-se na cadeira giratória, ligou o computador e olhou por fim para alguns itens em sua mesa que pareciam estar fora de lugar.
O moreno havia recebido um e-mail: Meirin o avisava que ele havia perdido um grande contrato com uma companhia americana que queria investir em seu país. Suspirou desgostoso. Não estava mais pobre por causa disso, mas nunca antes foi de seu feitio perder negócios importantes por simplesmente não comparecer a uma reunião marcada com semanas de antecedência.
Nisto a porta se abriu com brutalidade, o som estrondoso fazendo com que Sebastian tirasse os olhos da tela do computador e os fixasse no menino que por ela passou. O rosto dele estava triste, mas sem lágrimas.
Ciel caminhou em direção ao tio, a expressão fechada e um bico bravo na boca.
– O que significa isso? — ele jogou em cima da mesa um pedaço de papel amassado. Era o panfleto do internato da Escócia que o mais velho havia impresso dias atrás. Sebastian nem ao menos se lembrava mais daquele papel. O homem gaguejou, olhou para a criança e depois para a folha que agora estavam em suas mãos e então de volta para Ciel.
– Disse me amar, mas deseja me mandar para esta escola? — disse o menino com a voz embargada, as mãos nervosas se torcendo. — Se sua intenção era se livrar de mim, então por quê?! Por que disse que queria ser minha família?! — as lágrimas já faziam os olhos brilharem. — Por que disse que me amava?! Por quê?! Por que me fez acreditar nisso, quando a verdade é que me quer longe..?
– Mas eu te amo!! — Sebastian respondeu transtornado. Viu que Ciel chorava, ele estava perto demais, bonito demais, frágil e a sua mercê demais...
–Então por que quer se livrar de mim? — Ciel perguntou já à sua frente.
–Esse é o problema! Eu te amar demais... te querer demais... — o cheiro do menino recém-saído do banho o inebriou, a bermuda infantil deixava as pernas branquinhas à mostra, as mãos de Sebastian queimaram de vontade de pegar no colo e acalentar seu sobrinho choroso. E foi o que ele fez. Puxou Ciel para o seu colo fazendo-o sentar-se com as pernas abertas sobre suas coxas. Espantado, Ciel engoliu em seco enquanto sentia as mãos do tio passearem por suas costas e o nariz deste acariciou seu pescoço.
– Deveria me temer, deveria aproveitar essa oportunidade que lhe estou dando e se livrar de mim. Deveria fugir desse mostro que me tornei.
– Eu não tenho medo de você... — Ciel sussurrou trêmulo.
– Você não sabe o que eu poderia fazer com você... Você não sabe o que eu gostaria de fazer com você... — Sebastian fechou os olhos com força e virou a cabeça para o lado, horrorizado com a própria confissão ao menino que ele queria tanto amar como um tio mas em vez disso amava e desejava como um amante.
–Talvez... talvez eu queira saber... — Ciel estava tão próximo de seu tio. Reuniu toda a coragem que possuía, estendeu as mãozinhas e segurou o rosto de Sebastian. O homem olhou seu sobrinho, o rosto bonito banhado de lágrimas, corado, os olhos bicolores temerosos, tão lindo... tão doce... por que ele tinha de fazer o seu pequeno chorar? Por quê? Ele indagou a si mesmo. Enquanto isso o coraçãozinho de Ciel batia tão rápido e forte que chegava a doer. Ele acariciou o rosto do mais velho, observando seus belos traços e a sua boca macia. Ciel não sabia se o que ele queria fazer era certo... na verdade, ele tinha certeza de que era errado. Mas a simples idéia de ser mandado para longe, de não mais ver seu tio, de não descobrir o que era aquele sentimento, fez com que ele tomasse uma decisão. Sebastian olhou para Ciel entre horrorizado e maravilhado. Ciel se aproximou ainda mais e as mãozinhas em seu rosto tremiam. Sebastian sabia que devia se afastar, correr, segurar Ciel, qualquer coisa! Mas ele não se moveu. Estavam tão próximos que as respirações aceleradas se encontravam. Ele viu Ciel fechar os olhos... E então aquela boca pequena e macia tocou a sua. Sebastian fechou também os seus olhos e foi como se o paraíso estivesse diante de si. Ciel beijou de leve, inexperiente, a boca de Sebastian. Os lábios rosados sentindo o calor e a maciez dos daquele que deveria ser lhe como um pai. Que sensação era aquela? Seu coração parecia querer saltar-lhe do peito, os sentidos se nublavam. Afastou os lábios por alguns segundos, incerto... inseguro... e em seguida voltou a uni-los ao notar que, ainda que estranha, a sensação era boa e ele se ressentiu de perdê-la. Sebastian abandonou-se àquela doçura, aquele toque tímido... Sentiu seu interior vibrar com um calor intenso e seu primeiro impulso foi enfiar sua língua na boca pequenina, puxá-lo para seus braços e satisfazer a sua sede tremenda, a sua fome devastadora.

Mas ele se conteve. Lutou para domar dentro de si aquela fera. Levantou os braços e estreitou Ciel neles, uma das mãos indo para a nuca do menino, forçando-o um pouco mais para perto enquanto Sebastian assumia o controle daquele beijo. Entreabriu a boca e cobriu a de seu sobrinho de forma gentil, carinhosa. O sabor daqueles lábios era infinitamente mais doce que o mais desvairado de seus sonhos. O beijou com cuidado, com carinho, se controlando e sem exageros, temendo assustar a sua criança tão amada, sentindo o pequeno corpo relaxar aos poucos. As mãozinhas envolveram seu pescoço. “Oh... ” ele pensou “se for um sonho... que eu não acorde jamais...”. E após um período, que Sebastian considerou muito pouco para o seu desejo, o contato se desfez.

Ele olhou para seu sobrinho que tinha o rosto adoravelmente rubro, a boquinha vermelha e úmida do seu beijo. Seu coração se apertou. Qual seria a reação do pequeno? Como seria de hoje em diante?!

Ciel lentamente abriu os olhos, ergueu-os para o rosto de Sebastian e este viu a delicada face tornar-se dois tons mais vermelha. Ele abaixou timidamente os olhos mas não por muito tempo, logo os ergueu e os fixou nos de seu tio.
– Isso... isso foi bom... — ele sussurrou baixinho.

Sebastian, mesmo consciente de seu pecado, não pode deixar de sorrir ante a visão de seu anjo. Soube então que estava irremediavelmente acorrentado. Tornara-se o escravo, o servo.

E em seus braços estava o seu pequeno e formoso senhor.

Notas finais
Eis que surge na trama o primeiro beijo de nossos heróis. Agora entendem porque anteriormente respondendo comentários eu dizia que era o Ciel quem resolveria o problema deles? Ele quem foi lá e tomou uma decisão. E para quem achava que a história do internato ia dar treta, bom até que deu, mas foi dela que surgiu em Ciel a coragem de se rebelar contra a atitude de se esconder dentro de uma concha do tio. E agora entramos em um outro nível na fanfic, mas para chegarmos ninaquilo que chamamos eu e Miyukiki de 'época de preparações' temos que passar por uma intensa turbulência que se iniciará no próximo capítulo. Aguardem! Esperamos ansiosamente seus comentários. Bjinhos até Chibi Lord ~