Minha estranha obsessão
2 Companheiro de classe.
Notas iniciais
O dia amanheceu terrivelmente nublado naquela manhã, o que significaria que eu precisava tomar cuidado com a pista. O fato de eu ter que aguentar minha mãe falando no meu ouvido sobre cuidado na velocidade, dirigir com capacete e blá-blá-blá me incomodava bastante. Levantei da cama ainda cambaleando, e olhei pela janela, o carro não estava na garagem, então eles já tinham ido trabalhar.
Meu olhei no espelho e para minha sorte, estava razoavelmente bem. Sem olheiras e minha cara não estava amassada.
Tomei um banho e deixei a água quente cair livremente no meu corpo. Coloquei uma calça jeans preta, uma blusa básica branca e uma jaqueta preta. Prendi meu cabelo em um coque mal feito e desci as escadas. Não estava com muita fome. Então tomei apenas uma xícara de café para me manter acordada durante as aulas.
Liguei a moto e segui rumo à estrada. O colégio era facilmente encontrado então não tive muitas dificuldades. Todos ainda estavam no estacionamento. Escolhi uma vaga perto da saída e estacionei. Desci da moto e me apoiei nela. Minha mãe havia deixado um mapa da escola em cima da mesa de jantar. Era melhor assim, não precisava pedir informação para ninguém.
Fui andando até a porta de entrada e fui surpreendida por risadas. Não estavam rindo de mim, mas sim de um casal estranho que estava na minha frente. Fui até o banheiro, em frente ao espelho estava uma menina de cabelo ruivo falando no celular.
—Aluna nova?
—Sim. –Respondi secamente.
—Prazer Lauren Walker. –Disse ela, me estendendo a mão.
—Taylor Syker.
—Está em qual turma?
—Terceiro ano.
—Que coincidência em? Eu também sou. Provavelmente estamos atrasadas para a aula de literatura. –Disse ela puxando minha mão e me arrastando para fora do banheiro.
O professor ainda não havia chego na sala de aula, e não havia nenhuma dupla sobrando. Lauren se sentou com uma amiga e só me restou um garoto.
Ele não estava olhando para sala de aula, estava apenas olhando o jardim do lado de fora. Ele estava de capuz e usava fones de ouvido. Seu cabelo era totalmente preto e sua pele, era branca como a neve. Olhos cinzas e determinados. Estava vestindo uma calça jeans e um casaco vermelho.
—Prazer, Taylor Syker. –Disse para ele estendendo a mão.
Ele nada fez, apenas continuou seu momento de observação. Joguei os livros com força na mesa e me sentei.
O professor entrou na sala e me olhando, sorriu.
—Sempre acontece com os novatos. –Disse ele rindo. –Qual seu nome senhorita?
—Taylor Syker.
Não entendi o motivo da graça, a aula já estava para começar, e nada melhor do que um companheiro de mesa que não cumprimenta as pessoas. As horas foram se passando e finalmente havia chego o intervalo.
Saí da sala batendo o pé e me odiei por tentar ser legal com pessoas que chamam meu interesse. Sentei em um banco no jardim e fiquei observando o céu nublado e sentindo o vento frio daquela manhã.
Não queria assistir mais aula nenhuma, fingi um enjoo e a enfermeira me levou para casa. A diretora providenciaria alguém para levar minha moto de volta.
—Tem certeza que vai ficar bem sozinha? –Disse a enfermeira quando já estávamos à porta da minha casa.
—Tenho sim, vou tomar um remédio e descansar um pouco.
—Tudo bem, amanhã passa na minha sala para me dar notícias.
—Tchau.
Abri a porta de casa e a primeira coisa que fiz foi me jogar no sofá, aquele lugar estava me cansando, aquelas pessoas, aquele tempo nublado, aquele companheiro de classe.
Peguei um livro no quarto da minha mãe sobre ficção e fiquei o dia todo trancada no meu quarto. Quando tive fome, apenas fiz um cereal e uma vitamina de morango. Minha tarde ficou ocupada pela vida de Katie e seu mundo louco. Aquele livro era bem chato, então optei por dormir um pouco.
Tive um sonho bem esquisito, tinha algumas pessoas ameaçando meu companheiro de classe com tochas e armas. Já ele, parecia calmo, não parecia ser real naquele sonho e sim uma fumaça, como uma neblina. Um rápido flash me fez mudar de cena. Eu estava me afogando em um rio, a falta de ar contaminando meu corpo, o sentimento de frustração por não conseguir sair daquele rio e algo me puxando cada vez mais para o fundo.
Acordei com o susto da minha mãe batendo na porta do meu quarto, meu corpo estava molhado, como se estivesse acabado de sair de um banho com roupa. Mesmo acordada, ainda estava com falta de ar.
—Filha, o colégio me ligou, está melhor? –Disse ela para mim entrando no meu quarto preocupada.
—Sim, estou muito melhor. –Disse mentindo mais uma vez.
—Ótimo, o jantar está na mesa.
—Tudo bem, já estou indo.
Jantei e fui até o jardim. Fiquei pensando o porquê de eu ter acordado daquele jeito, era praticamente impossível, a não ser que...
Alguém tenha me levado realmente para um rio.
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