Minha estranha obsessão
3 Dereck Collins, Lauren Walker e a vaca da diretora
Notas iniciais
No dia seguinte, acordei com uma forte dor de cabeça, meu corpo estava terrivelmente quente, era algo assustador. Fui até a janela e o céu ainda estava nublado. Como de costume o carro não estava na garagem. Tomei um banho, coloquei uma calça jeans, e minha blusa xadrez vermelha. Não estava com muita fome, então apenas peguei o dinheiro do lanche. Quando abri a porta tomei um susto tremendo. Meu companheiro de mesa estava na minha frente. Quando fixei meus olhos no dele, minha dor de cabeça parecia ter aumentado dez vezes.
Meu corpo foi ficando fraco e senti que ia desmaiar. Apoiei na porta e por um momento vi tudo girando, era algo que eu desconhecia.
—Nós precisamos conversar. – Ele me disse antes de eu conseguir me recuperar e trancar a porta.
—Jura?
—Eu sei que foi falta de maturidade minha não ter te cumprimentado, mas...
—Olha, eu não quero uma explicação, não estou muito bem hoje. Se não se importa, preciso realmente ir. Estou muito atrasada. –Cortei-o já subindo na moto.
—Tudo bem.
Dei partida na moto e peguei a estrada. Quando cheguei na escola, para minha sorte, tinha chego cedo. Lauren veio até mim e me encheu de perguntas. Depois de alguns minutos conversando, consegui convence-la de que tudo estava bem. E que já tinha melhorado.
Entrei na sala de aula e sentei na última cadeira. Coloquei meu fone no último volume e abaixei a cabeça. Depois de dez minutos senti um pequeno toque no meu ombro. Levantei a cabeça e novamente senti minha dor de cabeça triplicar. Era ele novamente.
—Posso sentar aqui? –A sala toda ficou em silencio e todos olharam para mim.
—Posso pelo menos saber seu nome?
—Dereck. –Disse ele sentando do meu lado.
—Nome legal, parece até filme de terror.
—Não vai se acostumando.
Quando terminou a aula de física, Dereck voltou a puxar assunto. Queria saber se eu realmente tinha passado mal ontem e eu disse que sim. Ele não estava mais com aquele semblante esquisito, e intimidador.
Enfim tinha chego o intervalo. Esperei a sala se esvaziar e fui até o refeitório. Peguei apenas um suco de laranja e sentei em uma mesa vazia. Coloquei meus fones de ouvido e fiquei observando cada passo de cada estudante. Dereck foi se aproximando e se sentou na minha frente.
—Está a fim de almoçar comigo hoje?
—Aonde?
—Um restaurante que eu gosto muito.
—Ok.
Quando voltei para a sala, Dereck me acompanhou. A diretoria me parou no corredor e pediu que eu fosse até a sala dela no fim da aula.
As três últimas aulas passaram bastante rápido. Lauren ficou me encarando durante a última aula inteira, como se eu estivesse fazendo algo de errado. A culpa não era minha se a companhia de Dereck me fazia bem. Para falar a verdade. Eu não queria que isso terminasse como um romance anormal, mas acabou acontecendo. Eu acredito muito em destino, e aquilo para mim, no final acabou sendo. Um romance onde não existem príncipes encantados e que para alguns, não tenha um final feliz.
O sinal havia tocado e Lauren veio até mim, parecendo ter sangue nos olhos.
—Se não se importa Dereck, preciso conversar com ela urgentemente.
—Tudo bem, espero lá fora Taylor.
Ela puxou minha mão até um canto da sala onde ficasse fora de sua visão.
—O que está acontecendo entre você e Dereck?
—Nada, somos apenas companheiros de mesa.
—E por que parece que você dormiu com ele ontem?
—Somos só companheiros de mesa, não falei?
—Presta atenção, Dereck não é quem você está pensando. Ele é muito mal.
—Está insinuando que eu não eu sei o que é maldade?
—Estou apenas pedindo para tomar cuidado.
—Eu faço o que eu quiser da vida, mamãe.
Soltei minha mão da dela, e saí da sala, encontrei com Dereck observando o mural do colégio.
—Sua amiga gosta mesmo de mim né? –Disse ele para mim, não conseguindo conter o sarcasmo.
—C-como você sabe?
—Força do hábito.
—Quero uma explicação melhor.
—Você vai saber.
—Hoje?
—Com o tempo, não se apresse.
—Quero saber logo.
—A diretora está esperando.
—Me espera do lado de fora?
—Vou para casa, passo na sua 13:30.
Fui até a sala da diretoria, e realmente parecia ser um dos melhores lugares que eu já tinha visitado naquela escola. As paredes, eram brancas como folhas de papeis. Os móveis eram todos pretos e cinzas, dando uma seriedade ao local. A diretoria parecia bem jovem. Uns 42 anos, eu diria.
—Fico feliz por ter vindo senhorita Syker.
—Não foi um grande esforço.
—Como está se adaptando ao colégio?
—Não quer ir direto ao ponto? –Levantei as sobrancelhas, já sabendo o que ela queria dizer.
—Vejo que está fazendo amizade com Dereck Collins.
—Algum problema com a minha vida pessoal?
—Nenhum. Queria apenas te pedir para ficar longe dele.
—E se eu não estiver a fim? –A confrontei já ficando de pé.
—De qualquer forma, até amanhã Taylor.
Por um momento consegui reconhecer a fisionomia, ela com certeza era mãe de... Lauren Walker.
—A propósito, peça para sua filha ficar longe de mim. –Disse para ela enquanto fechava a porta.
Fui até o estacionamento e subi na moto. Coloquei uma música para tocar no fone de ouvido e peguei a estrada.
Chegando em casa, tomei um banho e me dei conta que ainda tinha duas horas para descansar. Coloquei meu pijama e deitei na cama com esperança de que a dor passasse.
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