Minha Vida Ao Seu Lado

4 Capítulo 4 - A perda.


Cinco messes depois

Todos nós passamos de ano e estávamos bem. Eu, Marina, Bernardo e Pedro na sala assistindo TV, minha mãe estava conversando com a Elisa sobre onde o Bê e a Mah iam morar, era em um apartamento no mesmo prédio que a gente morava, já estava todo arrumadinho pros dois e pra Alice, o bebê ia ser uma menina.

Lari — Pedro tira essa porra de programa de culinária.

Pedro — Não pow, a moça da culinária é gostosa.

Bê — E como é gostosa, nossa senhora.

Lari — Pedro e Bernardo, tarados. — Joguei a almofada na cabeça do Pedro.

Marina — Eu quero ver Discovery Kids, faz bem pra bebê.

Bê — Ela consegue enxergar amôo?

Lari — Cala boca Bernardo.

Pedro — Xiu Larissa me deixa ouvir. — ele aumentou o volume.

Fui chegando bem pertinho e peguei o controle da mão do Pedro e sai correndo e mudando os canais.

Pedro — Caralho volta aqui Larissa.

Lari — HAHAHAHAH vem me pegar se conseguir.

Ele saiu correndo atrás de mim e eu subi no sofá.

Lari — Pegue-me se for capaz.

Ele me agarrou e mordeu minha coxa.

Eu cai e sentei do lado da Marina, ela encostou a cabeça no meu ombro.

Lari — Mah, você ta bem?

Marina — Sei lá, ta tudo meio zonzo.

Lari — Ta tudo molhado aqui.

Pedro saiu correndo.

Pedro — Tia, tia, a bolsa da Marina estourou.

Belina — Nossa, corre.

O Bernardo pegou a bolsa da Marina e Pegou ela no colo.

Belina — Vamos Bê, antes que aconteça alguma coisa pior.

Bê e minha mãe foram correndo para o hospital.

Médico — Mas ela não ia fazer cesariana daqui duas semanas?

Belina — Mas a bolsa dela estourou.

Médico — Vamos levar ela pra sala de cirurgia agora.

A enfermeira levou a Máh, antes de o médico entrar na sala o Bê falou com ele.

Bê — Vai dar tudo certo né médico?

Médico — Eu não teria tanta certeza.

Bê — Mas como assim?

O Médico saiu e deixou o Bê com medo de perder o amor da vida dele.

Bê — Mãe será que vai acontecer alguma coisa com a minha Marina?

Belina — Calma filho vai dar tudo certo, ela, você e a Alice vão morar no apartamento que eu e a Elisa decoramos do jeito que vocês dois queriam.

Bê começou a chorar.

Eu, a mãe da Máh e o Pedro chegamos no hospital.

Lari — Cadê a Máh?

Bê — Tá na sala de cirurgia, o médico falou que não sabe se vai dar certo o parto.

Eu só sentei do lado dele e o abracei.

Pedro — Ela não vai morrer gente, para de pensar no pior.

Depois de quase 3 horas, recebemos a pior noticia, a Alice tinha nascido morta e com má formação. Foi muito triste saber que minha sobrinha, que eu sonhava tanto, tinha tantos planos de cuidar dela, nem se quer existiu.

Bê e Máh ficaram arrasados, a Máh quando soube da notícia, começou a chorar desesperadamente, a criança que ela mal conhecia e já amava. O jeito que ela e o Bê pensavam como ela ia ser. Se ia ter os olhos dele, o cabelo dela, se ia ser lindo como os dois juntos. Depois do enterro da bebê, o Bê e a Máh não queriam ir pro apartamento deles, com todo o quartinho da Alice, saber que quem eles esperaram ansiosos por 9 messes, não iria voltar pra casa com eles.

Marina – Bê eu não queria morar no nosso apartamento.

Belina – Tudo bem gente, colocamos a cama de casal de vocês no quarto do Bê e vocês moram juntos em casa. A Elisa vem todo dia ver vocês, pode ser?

Elisa – Ok, ela fica mais na casa de vocês do que lá mesmo.

–- 2 messes depois--

Eu e o Pedro estávamos na minha casa na varanda do apartamento conversando. Quando Pedro pega o celular, vê uma mensagem que tinha recebido.

Pedro — Larissa, eu vo sair com uns cara lá, depois a gente conversa ok?

Lari — Onde você vai?

Pedro — Dá uns rolê, Tchau Lari — Ele me deu um selinho.

Ele saiu, ligou para o Vitor e falou que já estava chegando.

Fiquei preocupada com o Pedro. Amanhã seria o aniversário dele de 15 anos.

Não estava mais aguentando o Tédio, a Marina e o Bê não estavam afim de sair. Fui ao cinema sozinha mesmo.

Coloquei uma calça jeans clarinha e uma blusa rosinha clara e meu all star preto. Passei lápis preto no olho.

Bê — Onde vai linda desse jeito?

Lari — Eu vou ao cinema, ta muito tédio.

Bê — Cadê o Pedro?

Lari — Sei lá. Ele saiu com os amigos dele.

Bê — Tão falando que ele ta andando com uns cara barra pesada, toma cuidado.

Lari — Se preocupando comigo?

Ele chegou bem perto de mim e me abraçou.

Bê — Sempre né? Te amo sua retardada.

Lari — Também te amo Maninho. Agora eu tenho que ir porque se não eu vou perder a hora do filme.

Bê — Vai lá.

Ele deu um tapa na minha bunda.

Sai e cheguei rapidinho no cinema, sorte que era perto de casa. Na fila eu vi que conhecia aqueles cabelinhos arrepiados e uma garota com cabelos ruivos.

Era Caique e Natasha. Fingi que nem os vi. Ele virou de costas, falou alguma coisa para a Natasha e Caique veio falar comigo.

Caique — Oi Lari.

Lari — Oi. — Olhei para baixo.

Caique — Que foi? — Ele pegou minha cabeça e me fez olhar nos olhos dele.

Lari — tem vergonha de falar comigo na escola é?

Caique — Eu cuido de você, de longe, mais cuido.

Lari — Vai lá com a sua namorada, ela ta olhando com cara de brava para mim.

Ele sorriu sem graça e me deu um beijo na bochecha. Sussurrou no meu ouvido.

Caique — eu sempre vou cuidar de você de longe, quando você mais precisar, não esquece do seu amigo, ta ligada?

Lari — Pode crer.

Ele virou de costas e foi ao encontro de Natasha.

Comprei meu ingresso, um pacote enorme de pipoca e guaraná.

O Filme era uma bosta, mais eu até que me diverti um pouco. Cheguei em casa era 19h30min. Minha mãe já estava em casa.

Belina — Oi minha linda, foi bom o filme?

Lari — Foi sim mãe.

Belina — E você e o Pedro?

Lari – Ele saiu com os amigos dele hoje, mas não me falou aonde eles iam.

Belina – Ah as vezes ele só queria um tempo com os amigos, como quando você e a Marina saem sozinhas. Deve ser isso Lari.

Lari – Tão falando que ele ta andando com uns caras que não prestam... Mas deve ser mentira.

Belina – Eu vou falar com a mãe dele, a gente ta amiga agora.

Eu apenas ri.

Belina – A Matilde falou para mim que vai ter festa na piscina na casa deles amanha, que vai ser festa do Pedro, só para adolescentes, ai nós vamos para Petrópolis.

Lari – Legal. É o Pedro vai fazer 15 anos.

Belina – E você vai fazer 15 depois de amanha. Conhecidência né?

Lari – Sim.

Belina – E o que você quer de presente Lari?

Lari – Nem sei mãe.

Belina – Lari vai pensando e eu vou na casa da vizinha, vamos?

Lari – Não mãe, eu vou mexer no computador.

Belina – Ta bom, só não fica muito tempo.

Lari – Ok.

Ela saiu e fechou a porta. Peguei meu netbook, o fundo de tela era eu e o Pedro abraçado no restaurante do hotel na viagem do Beach Park.

O Pedro estava on-line, eu fui falar com ele.

Lari via msn – Oi meu amor.

Pedro mudou seu subnick para “Somos a turma que maaaais fuma maconha”

Eu achei estranho o que ele escreveu.

Pedro via msn – oi

Lari via msn – Ta tudo bem?

Pedro via msn – tudo.

Pedro está off-line.

Que estranho, ele nunca tinha me tratado assim, mas tudo bem, resolvi pegar meus cadernos para estudar.

Acabei adormecendo e acordei com minha mãe gritando meu nome falando que estava quase na hora de ir pro aniversário do Pedro.

Lari – Já?

Belina – Sim.

Lari – Que beleza.

Levantei, coloquei um biquíni branco e a parte de baixo era a estampa do calçadão de Copacabana. Coloquei meu shortinho jeans claro e um tomara que caia de oncinha.

Cheguei lá já tinha muita gente da escola, Pedro assim que me viu veio falar comigo.

Lari – Parabéns meu amor.

Pedro – Valeu Leuris.

Dei o presente para ele, era um colarzinho que tinha uma metade de um coração, uma ficava para mim, e outra para ele.

Lari – Amarra na perna ou na mão. Para não ficar gay.

Pedro me deu um beijão, na frente de todo mundo.

Os amigos do Pedro ficaram zoando mais nós ignoramos. Caique e Bernardo ficaram conversando um bom tempo sentados perto da piscina, eu e a Marina ficamos conversando com a Natasha sobre um tanto de coisas e o Pedro estava falando com os outros amigos dele, Derepente a Isabela chegou já agarrando o Pedro.

Isabela – Posso te dar meu presente?

Pedro – Pode sim gata.

Isabela chegou bem perto do Pedro e deu um beijão na boca dele. Eu vi a cena, mas não falei nada. Máh e Natasha olharam para mim, meus olhos se encheram de lágrimas. Olhei para elas e sorri.

Lari — Que foi meninas?

Natasha — É, nada.

Máh — Ta tudo bem amor?

Lari — Sim.

Natasha — gente, eu tenho que ir embora agora, porque eu tenho que resolver umas coisas com as minhas amigas.

Lari e Máh — Ok.

Ela levantou, deu um beijo no Caique, falou tchau pro Pedro e foi embora.

Isabela ficava olhando para mim e pra Marina.

Lari – Eu não vou bater nela, ok?

Máh – Acho bom, brigar não se leva a...

Eu levantei com tudo, Isabela estava de costas agarrada com Pedro. Eu fui em sua direção e puxei o cabelo dela até o chão e isso fez ela gritar muito, pra se defender ela começou a arranhar meu rosto, ela caiu e eu sentei por cima dela, comecei a dar muito tapa na cara dela e arranhar.

Lari – O Pedro é meu namorado e você não tem nada de ficar beijando e se esfregando no namorado dos outros, sua vadia.

Isa – O Pedro é mais meu do que seu, com quem que ele ficou junto na viagem inteira?

Meus olhos se encheram de lágrimas, e de raiva eu comecei a arranhar os braços, a barriga dela, ela começou a me dar tapas, a me chutar, tentando me tirar de cima dela. Eu ia dar um tapão na cara dela, mas o Caique me segurou, e o Pedro segurou a Isabela.

Lari – Caique, me solta porra.

Caique – Não Lari, calma.

Pedro – Larissa, para com isso.

Lari – E a culpa é minha, Pedro? Você não fez nada quando ela te beijou.

Isa – Talvez ele deve ter gostado.

Bê – Lari vamos embora vai, já aconteceu muita coisa.

Pedro só ficou olhando para mim.

Máh – Vamos Lari, é melhor. – Máh fez o Caique me soltar, ela pegou na minha mão, pegou minhas coisas e fomos embora.

Fiquei quieta no caminho inteiro. Chegando em casa, Máh entrou no meu quarto e foi falar comigo.

Máh – E ai?

Eu estava deitada na cama chorando demais.

Lari – Que?

Máh – vai ser assim?

Lari – Me deixa.

Máh – Não quero.

Lari – Quer sim.

Máh – quer ser teimosa e não quer conversar comigo?

Lari – Como adivinhou?

Máh – Não vem ficar stressada e descontar em mim.

Máh saiu e fechou a porta. Eu fiquei deitada na minha cama o resto do dia inteiro, não sai para nada. Minha mãe chegou e ficou sabendo da historia. Ela brigou comigo porque eu bati na menina, mas eu ignorei. Amanhã seria meu aniversário e ia ter escola, não estava com a mínima vontade de ir.

Bê – Vamos acordando irmãzinha briguenta. E Parabéns coisa que eu aturo a 15 anos.

Lari – Não enche.

Levantei brava, coloquei o uniforme e meus all stars, passei lápis no olho e fui tomar café com Bê e Marina.

Máh – Lari, não fica brava por causa do Pedro, eu sei como é difícil, eu já passei por isso.

Lari – Com meu irmão?

Máh – Sim.

Eu olhei para ele.

Máh – Parabéns Lari.

Ela jogou um embrulho para mim, era um sutiã rosa.

Eu comecei a rir muito.

Lari – Que lindo Máh, amei. – Comecei a rir igual uma idiota.

Bê – Sorriu a retardada que gosta de bater.

Máh e Lari – Cala boca Bê

Máh – Toma cuidado pra ela não te bater.

Lari – Boba.

Saímos de casa e fomos pra escola, eu pensando que o Pedro ia vim e falar parabéns para mim, que nada. Ele estava lá do lado da Isabela e do Vitor. Tava até engraçada a cara dela toda arranhada e cheia de curativos.

Máh e Bê foram conversar com os amigos deles e eu fiquei sentada da rampa esperando o sinal tocar. Derepente alguém chega atrás de mim, era o Caique.

Caique – Parabéns Lari.

Lari – Obrigada Caique.

Ele sentou do meu lado e me abraçou.

Caique – Não me bate, ok?

Lari – até você?

Caique – Tô brincando. Eu trouxe um presente pra você.

Lari – É?

Caique abriu um pacotinho pequeno, e tirou um colar com o simbolozinho do infinito.

Lari – Que lindo.

Caique – Coloca seu cabelo pra frente?

Coloquei para frente e ele colocou o colarzinho no meu pescoço.

Lari – Que nossa amizade seja infinita.

Ele apenas riu.

Lari – E o Pedro nem veio falar comigo.

Caique – Talvez ele ainda não viu que você chegou :)

Lari – Sei não.

Caique – Ei Larissa, e tu vai deixar ele pisar em você? Tu vai deixar esse daí fazer o que faz com a Isabela? Na sua frente? Faz isso com os meninos também, Passa mão no cabelo, alisa a barriga, beijo no rosto, ri. E se o Pedro chegar pra você e falar: O QUE TU TAVA FAZENDO COM ELE? Você diz: O mesmo que tu faz com a Isabela.

Tocou o sinal, Pedro olhou para trás para ver o que eu estava fazendo, dei um beijo na bochecha do Caique e passei a mão nos cabelinhos arrepiados dele.

Lari – Eu não consigo fazer isso.

Caique – E a Natasha vai me matar.

Eu ri por dentro, me levantei da Rampa e entrei na sala.

Pedro logo veio falar comigo.

Pedro – Parabéns Leuris.

Lari – Valeu.

Pedro me deu um beijo na bochecha, e falou que amanhã teria uma surpresa para mim. Fiquei ansiosa, e no dia seguinte antes de entrar na escola, ele me puxou.

Pedro – Vem, hoje a gente não vai na escola, vai fazer uma coisa muito mais legal. – Ele estava sem uniforme.

Lari – ãm? – Eu olhei pro Bê e pra Máh.

Máh – Podem ir eu arrumo alguma desculpa pra sua mãe.

Lari – mas se eu for de uniforme vão nos pegar.

Máh – eu tenho umas roupas aqui. – Ela abriu a mochila e jogou um shortinho e uma blusa regata rosinha para mim.

Lari – Como você tem isso na sua bolsa?

Máh – Matava aula com seu irmão.

Eu ri e Pedro me puxou.

Pedro – Vamos meu amor. – Ele me abraçou por trás e fomos andando.

Lari – Aonde você vai me levar seu louco?

Pedro – Pra um lugar muito legal, acho que você vai gostar.

Lari – Pra onde?

Pedro – qual é o seu maior sonho?

Lari – Voar, mas é impossível, por quê?

Pedro – nada é impossível para mim.

A gente chegou em um lugar muito bonito e alto.

Pedro – hoje a gente vai voar de asa delta, esse é o meu presente pra você.

Lari – Será que eu mereço tanto?

Pedro – você merece isso é muito mais

Ele me beijou.

O moço da Asa Delta ensinou o Pedro como que voava e tal. Nós colocamos os equipamentos de segurança.

Pedro – ta pronta?

Lari – E eu tenho outra escolha?

Pedro riu, fomos andando rápido, na hora de pular eu fiquei morrendo de medo. Deu um frio na barriga, segurei Pedro com todas as minhas forças.

Voar de Asa Delta foi à sensação mais gostosa da minha vida, como se eu estivesse voando de verdade, voando com o meu anjo. Estávamos parando de voar, e descemos na praia, o moço tirou nossos equipamentos.

Moço da Asa Delta – Foi um bom voo?

Pedro – Ótimo. Você gostou Lari?

Lari – Se eu gostei? Foi a melhor experiência da minha vida.

Eu abracei o Pedro e ele me beijou.

Pedro – Vamos tomar sorvete?

Lari – Só se for agora.

Saímos correndo como duas crianças, como sempre somos quando estamos um perto do outro.

Chegando à sorveteria, escolhi sorvete de pistache e o Pedro de Chocolate. Sentamos em uma mesinha de frente para praia, eu achava o Rio de Janeiro fantástico, a cidade mais linda do mundo. Enquanto eu olhava as ondas, indo e vindo em um movimento sem fim, Pedro olhava para mim. Com um olhar meio triste, com arrependimento. Um olhar meio diferente do que ele acostumava a olhar para mim. Parei de prestar atenção no mar e olhei para ele. Esse silêncio me matava, não era assim antigamente, não era assim.

Lari – O que foi?

Pedro – Me desculpa?

Lari – Pelo que?

Pedro – Pela Isabela, por ter brigado com você, por ter te ignorado no dia do seu aniversário, por sempre errar. Só acho que eu faço muitas mancadas com você, e você sempre me perdoa.

Lari – Quem faz isso ama. E talvez eu deva amar muito você.

Pedro – Eu amo mais.

Lari – Eu tenho certeza que não.

Pedro olhou para mim. Por um momento eu gostaria de ler pensamentos, gostaria de saber tudo que ele pensava sobre mim, de saber se tudo é realmente verdadeiro.

Lari – Pedro, você ta amigo do Vitor agora?

Eu percebi que o comportamento do Pedro estava diferente.

Pedro – Sim, ele é gente boa.

Lari – Mas Pedro, ele usa droga!

Pedro – O que que tem?

Lari – Eu tenho medo.

Pedro – Do que?

Lari – De acontecer alguma coisa com você, de você começar a usar essas coisas.

Pedro por um momento se calou.

Lari – Você não usou né Pedro?

Ele colocou a mão no meu rosto, ele olhou no fundo dos meus olhos.

Pedro – Pare de se preocupar com coisas bobas Lari.

Eu olhei para baixo.

Ele pegou a casca do sorvete e tudo, e colocou na testa.

Lari – você é retardado?

Pedro – não, eu sou um unicórnio.

Eu adorava quando ele fazia coisas idiotas para me fazer sorrir. Eu peguei meu sorvete e também coloquei na testa.

Pedro – Vamos tirar uma foto?

Peguei meu celular e tiramos à foto. Duas crianças juntas será que da certo? Tiremos o sorvete da testa e limpamos com água.

Pedro – Me passa por bloottof a foto.

Lari – Ok.

Passei a foto para ele, ele ficou mexendo no celular e depois mostrou pra mim o fundo de tela.

Era nós dois.

Lari – Pensei que você ia colocar uma foto de você com a Isabela? – Isso ai Larissa, estraga o clima de novo, só isso que você sabe fazer.

Ele pegou o celular e guardou.

Pedro – É, por isso que eu voei de Asa Delta com a Isabela, fingi que era um unicórnio porque eu acho o sorriso da Isabela encantador. Por isso que agora eu tô com a Isabela. Lari, para de ser tão ciumenta.

Lari – Desculpa Pedro, é que eu tenho medo.

Pedro – Eu sempre vou ser seu.

Lari – Eu sei.

Pedro – Então para com isso.

Ele chegou perto de mim e me beijou.

Pedro – Lari, você já foi no pão de açúcar?

Lari – Nunca.

Pedro – vamos ver se da pra ir agora?

Lari – Vamos, mas que horas são?

Pedro – 11:40

Lari – Ta, vamos.

Pedro pegou na minha mão, e fomos caminhando.

Chegando lá, não tinha muita gente, porque era Quarta Feira.

Pegamos o bondinho, a vista do corcovado pro resto do Rio, era perfeita.

Lari – A gente mora em uma cidade tão linda né?

Pedro – O Rio é perfeito.

Lari – Vamos tirar uma foto?

Pedro – Sim.

Ele chamou uma das pessoas que estavam lá, e pediram para tirar uma foto para nós. Eu virei de costas e o Pedro ficou atrás de mim com os braços abertos, o moço tirou a foto para nós, ficou perfeita.

Eu e Pedro sentamos e ficamos falando da vida.

Pedro – Você foi a segunda menina que eu já disse eu te amo.

Lari – então quem foi a primeira?

Pedro – Minha mãe. E você acha que vai ser assim? Ainda vai ter uma terceira que eu vou falar eu te amo.

Lari – Quem, a Isabela? – Eu adorava estragar o clima, mas o Pedro ignorou e falou.

Pedro – Não vai ser a Isabela, vai ser a nossa filha, nossa pequena.

Eu apenas sorri, ele me beijou.

Depois desse dia, passamos nosso mês de março muito bem. Pena que minha história com o Pedro, sempre que acontece algo bom, vem depois uma coisa pior.

Eu estava caminhando para ir à praia, Pedro iria me ensinar a surfar.

Fiquei sentada na areia esperando o Pedro chegar, quando chega um menino, estranho e fala comigo.

Menino – Ei, você que é a Larissa namorada do Pedro?

Lari – Sim, por quê?

Menino – O Pedro ta usando droga menina, ele, Isabela e o Vitor tão lá no morro numa casinha lá tudo noiado. Se tu duvida vem comigo ver.

Eu morri de medo na hora que ele me falou, mas eu tinha que ver se era verdade.

Chegando lá, estava o Pedro, o Vitor e a Isabela, a casa estava com um cheiro horrível.

Pedro – Leuris, o que tu ta fazendo aqui?

Eu estava paralisada com tudo isso, não podia aceitar que o Pedro estava usando drogas, o meu anjo estava em um mundo sem volta. E eu não podia fazer nada pra tirar ele de lá, de aconselhar que isso era ruim para ele, para mim, para nós.

Lari – Pedro acabou.

Sai correndo e chorando daquele lugar horrível, só querendo conversar com alguém.

Fui para casa, o Bê tinha saído com o Caique e a Máh estava sozinha em casa. Cheguei chorando lá e a Máh reparou.

Máh – O que houve?

Lari – o Pedro, nós, acabou tudo.

Máh – Por quê? – Ela me abraçou.

Lari – Ele tava lá, usando droga com o Vitor e a Isabela. Máh eu sempre avisei pra ele não usar essas coisas.

Máh ficou quieta e só me abraçou.

Máh – Você vai ajudar ele a melhorar?

Lari – E se ele não quiser? Máh eu só tenho 14 anos, você acha que eu consigo? Lógico que não.

Eu e a Máh ficamos conversando, contei para o meu irmão sobre o que aconteceu. Ele me disse que não é de hoje que o Pedro usa essas coisas, o Caique havia dito para ele.

Uma semana depois, na escola, entrei e fiquei na rampa sentada, abraçando os joelhos, com os pensamentos longe de tudo. Pedro ficou me observando de longe.

Sentia-me sozinha novamente, como nos primeiros messes de aula. Já fazia um ano e dois messes que eu havia mudado. Tinha conhecido tanta gente legal, tantas pessoas que eu confiava. Mas minha vida era muito ligada ao Pedro. Enquanto meus pensamentos voavam mais e mais, alguém senta ao meu lado.

Era o Pedro.

Pedro – Decepcionada?

Olhei para cara dele, ele estava todo roxo.

Lari – Será? – Falei em tom sarcástico.

Pedro – Acabou mesmo?

Lari – E você iria me falar quando? Ou ia esconder para sempre?

Pedro – Tava tentando parar, mas é mais forte do que eu.

Eu fiquei quieta.

Pedro – Por você, eu sou capaz de mudar. Agora, se tu falar, que não vai voltar comigo nunca mais, eu paro de estudar e viro o cara mais drogado que esse Rio de Janeiro já viu. E a última noticia que tu vai ouvir de mim, é ou que eu morri, ou que fui preso.

Lari – Porque você faria isso só se eu não voltasse com você?

Pedro – Porque sem você do meu lado, sem nenhum motivo, pra que eu vou ficar bom? Pra qualquer uma ai ficar comigo? E perder a minha Leuris? Não, prefiro a droga.

Fiquei olhando para ele.

Pedro – Pensa direito Leuris, o que você decidir, pra mim ta bom.

Era quase obvio que eu iria falar sim, mas como sempre deixei para depois.

A aula foi um tédio, chegando em casa falei com a Máh sobre tudo que aconteceu.

Máh – Volta, não ia ser legal ir ao enterro do Pedro, né?

Lari – Principalmente se fosse eu o motivo de tudo.

Máh – Você se sente bem ao lado dele?

Lari – Bem? Mesmo depois de tantas mancadas, ele ainda é quem eu penso quando vou dormir.

Máh – que lindo. – Máh sorriu.

Lari – Ta, e agora, o que eu faço?

Máh – Vai falar com ele ué.

Sem pensar duas vezes, Máh foi comigo até o Metrô.

Máh – Vai lá e fala tudo pra ele, ok?

Lari – Ta.

Peguei o Metrô e sai uma rua atrás da casa do Pedro. Fui caminhando depressa, pra que esperar mais?!

Cheguei lá e o Pedro estava lá fora brincando com o cachorro dele, o Rufoos. Ele era labrador.

Pedro – Oi Leuris.

Lari – Oi :)

Pedro – o que fazes perdida no Leblon?

Lari – Vim encontrar meu namorado.

Pedro fez uma cara tensa.

Pedro – Que namorado?

Lari – Pedro Matarazzo. Conhece?

Pedro riu.

Pedro – Entra ai minha linda.

Ele abriu o portão e eu entrei. Ele saiu correndo e me abraçou.

Pedro — Se estivéssemos nos conhecendo pela primeira vez agora, eu faria tudo de novo. Tudo. As fodas, os erros, tudo. Eu faria tudo de novo.

Lari — O que isso significa?

Pedro – Que eu te amo e minha vida com você, deu um sentido diferente para tudo.

Pedro ficou contando sobre o Rufoos.

Pedro — Acho que meu cachorro curte Justin Bieber.

Lari – Porque? – Comecei a rir

Pedro — Porque toda vez que meu irmão está escutando e dançando ele vai correndo pro quarto e fica lá deitado no chão. MAS QUANDO EU TO ESCUTANDO WORD NO MAIOR ROCK DO MUNDO ELE NEM ~TCHUN~ PRA MIM, valeu Rufoos, valeu. – Rufoos saiu correndo atrás do Pedro.

Eu parada comecei a rir.

Pedro – Hoje é quinta.

Lari – Amanhã é sexta.

Pedro – Vamos na fazenda do meu avô sexta e voltar domingo?

Lari – Longe da civilização?

Pedro – Eu curto fazenda, tem galinha, vaca, boi, cachorro, gato, leite quentinho, cachoeira, cavalo, o céu é cheio de estrelas, tem bolo da minha avó...

Lari – Aqueles inseto filho da puta que querem sempre te comer vivo.

Pedro – Ah Lari, vamos vai.

Lari – Ok, por você eu faço tudo.

Pedro — As vezes eu acho que eu só faço você chorar. E é ruim saber que a felicidade que você me dá é diferente do que eu te dou.

Lari – Você me deixa feliz, só sendo você Pedro. Apesar de tudo.

Fiquei na casa dele até 17h, depois ele me levou até em casa e foi embora. Fiquei preocupada, mais em menos de 20 minutos, ele me ligou falando que estava bem.

Sexta perguntei para minha mãe se ela deixava eu ir com o Pedro na fazenda do avô dele, ela deixou.

Máh – Já arrumou suas coisas?

Lari – Sim.

Máh – Levou notebook, modem, celular, secador de cabelo, tudo?

Lari – Lógico – Comecei a rir.

Belina – Se divirta meu amor.

Lari – Pode deixar mãe. :)

Máh – Isso ela sabe direitinho.

Belina – Essa Larissa...

Máh – é tia, a gente tem que arrumar um namorado pra senhora.

Lari – verdade mãe.

Belina – Para meninas, vocês são loucas?

Máh – Vou colocar a senhora no Par Perfeito, quem sabe achamos uns gatinhos?

Lari – OTIMA IDEIA.

Belina – Vocês só inventam, eu estou velha já. Quem vai querer?

Bê entrou no meio da conversa.

Bê – Velha? Que velha o que mãe, tem que curtir a vida mesmo, só trabalho e aturar seus filhos e ainda a nora, é foda.

Belina – Ok pode me inscrever Marina. Já vi que não vou conseguir escapar disso.

Bê – Lógico, tem que arrumar um amor pra cabeça, faz bem. E também pra esquecer de uma vez por todas o nosso Pai. Que já passou da hora. – minha mãe olhou para mim, eu achava tão bonito aqueles olhos verdes dela e também seus cabelos encaracolados castanhos claros. Minha mãe era linda.

Eu sempre me sentia culpada quando o Bê começava com esse assunto de “nosso pai”, porque foi por causa de mim que ele foi embora. Nossa mãe teve que se virar pra conseguir sustentar nós dois.

Belina – Ta bom desse assunto né Bernardo?

Bê só olhou para ela.

Lari – Gente, o Pedro me mandou uma mensagem dizendo que ta lá em baixo. — Peguei minha mala e dei um beijo em todos.

Belina – Juízo filha.

Lari – Pode deixar mãe. – Sorri para ela – Ah Máh, não esquece de colocar minha mãe no site do Par Perfeito ok?

Máh – Ah pode deixar – Máh começou a rir.

Desci e o Pedro já estava me esperando, o pai e a mãe dele iam nos levar de caminhonete.

Pedro – E ai, ansiosa?

Lari – 3 dias no meio do mato? Uhul.

Pedro – Que animação. Vamos, Vamos.

Na viagem inteira eu e o Pedro ficamos brigando de brincadeira, um mordendo o outro, lambendo. Pedro pegou uma caneta preta permanente que ele tava me riscando e escreveu na ponta do meu all-star direito “Leuris,” e no esquerdo “Eu te amo”. Peguei o all-star dele e escrevi só no direito “Meu anjo”

Ele deu um sorriso bobão, e me beijou.

O Pai do Pedro nos deixou lá e foi embora, porque ele ia ter que trabalhar no fim de semana.

Chegando à fazenda, cumprimentei os avós do Pedro, a avó dele chamava Dinora e o avô dele Sebastião. A Fazenda era Maravilhosamente linda. Era de dois andares a casa no fundo, e na entrada tinha uma porteira de madeira grande. Tinham vários cavalos, vacas, galinhas, porcos, tudo quanto era bicho. Tinha uma piscina linda, era tipo uma cachoeira. A casa era só de móveis rústicos e antigos. A avó de Pedro me mostrou o quarto que eu iria ficar, era enorme, nem parecia que eu estava em uma fazenda no meio do mato. O meu quarto era de frente para o de Pedro (6)

Fui para o quarto que iria dormir e arrumei minhas coisas lá, derepente o Pedro entra no meu quarto e fecha a porta.

Lari – Que foi?

Pedro – Vamos aprontar muito nessa fazenda – Ele fez uma cara de safado

Lari – você não da conta menino.

Pedro – Ah, ta me testando?

Lari – Quem sabe.

Pedro me jogou na cama, ficou me beijando e tentando tirar minha blusa.

Derepente a avó dele chama a gente para ir almoçar.

Pedro – Tamo indo vó!

Lari sussurrando – Acho que não foi dessa vez, Pedro pegador.

Pedro – Tu que pensa, Larissa santa.

Fomos almoçar, tinha um tanto de coisa boa da fazenda pra comer, eu e Pedro comemos como se estivéssemos 20 dias sem comer.

Sebastião – O que vocês vão fazer hoje?

Pedro – Tava pensando em levar a Lari de cavalo no Riacho, o que o senhor acha?

Sebastião – Lá é bacana de ir. Eu e sua avó vamos ter que ir à cidade pra resolver uns negócios.

Dinora — mas a Chica vai estar aqui, então qualquer coisa vocês pedem para ela.

Pedro – Ok.

Nós ficamos conversando sobre muitas coisas, os avós do Pedro queriam me conhecer mais.

Já era 16h e o Pedro foi me levar para andar de cavalo. Ele pegou um cavalo branco que era do avó dele para a gente andar, como eu não sabia andar de cavalo, fiquei olhando ele subir.

Lari – Parece o príncipe no cavalo branco, mas só falta uma coisa.

Pedro – O Que?

Lari – A princesa.

Pedro – Vem.

Lari – Eu morro de medo de andar de cavalo, sério.

Pedro – Não tem medo de andar de avião, e tem de cavalo? Vem logo.

Ele pegou minha mão e me fez sentar na frente dele.

Lari – Pedro, eu vou cair.

Pedro – Não confia em mim?

Lari – Confio.

Ficamos andando normalmente com o cavalo, derepente o Pedro começa a correr.

Lari – O que houve?

Derepente chegamos em um riacho super lindo, a água que caia da cachoeira era cristalina.

Pedro – Tenho uma coisa pra você.

Lari – O que?

Pedro – Vamos ser namorados assumidos agora? – Ele pegou a aliança e colocou no meu dedo.

Lari – Sempre fomos. – Eu sorri.

Ficamos lá nadando no riacho por um bom tempo, mas estava começando a escurecer, então fomos embora.

Eu e o Pedro ficamos vendo filme agarradinhos, era de terror e eu fiquei morrendo de medo.

Lari – Pedro, tira essa porra, eu to com medo.

Pedro – Se o bichão te pegar, eu te salvo.

Lari – Sério, tira disso.

Pedro – Não não. É legal.

Lari – Então vê sozinho… — Sai de perto e fui para o meu quarto. Estava cansada, tinha nadado, fui ao banheiro colocar meu pijama e fiquei deitada na cama ouvindo música. Derepente eu ouso um barulho, abro os olhos correndo e é o Pedro.

Pedro – Assustou?

Lari – Seu tonto. – Tiro os fones de ouvido e fico olhando para ele.

Pedro – Eu te amo.

Lari – Eu sei.

Pedro – To com medo da mulher do filme e com frio, posso dormir com você?

Lari – Vem, deita ai, to quentinha.

Pedro deitou. Ficamos abraçados de conchinha, quentinhos.

De manhã, quando o sol começou a nascer, Pedro levantou e foi para o quarto dele se arrumar. Ele tirou leite da vaca, colocou as ovelhas no lugar pra elas comerem, deu comida pros porcos, tantas coisas que ele não fazia a tempo.

Ele me acordou às 11 horas com café na cama.

Lari – Você acha que eu mereço isso?

Pedro – Isso e muito mais.

Sorri sem graça. Fiquei olhando para fora, todo o cenário, era tão bonita a fazenda dos avós do Pedro. O silêncio tomava conta de nós, quando o Pedro resolve falar.

Pedro — e se eu nunca mais acordasse? Se você recebesse a notícia que eu morri? Como tu reagiria Leuris?

Lari – Você ta ficando louco de perguntar isso para mim Pedro Matarazzo? Eu nunca me imaginaria sem você, você não vai morrer tão cedo, a gente vai casar, ter filhos, passar por muitas coisas juntos, e vamos morrer velhinhos, um ao lado do outro. E vamos ter muitas coisas para contar para nossos netos. Eu não me imagino sem você.

Pedro apenas sorriu, como eu queria saber os pensamentos dele.

Pedro – E vamos fazer o que hoje?

Lari – Você sabia que tem prova de Biologia segunda feira?

Pedro – E o que que vai cair mesmo?

Lari – Sistema reprodutor, e é difícil. Eu trouxe os cadernos pra gente estudar um pouco.

Pedro – Eu prefiro a parte prática do que a teórica, essa eu estudo com você direitinho, você sai tirando 10.

Lari – Professor Pedro?

Pedro – o melhor de todos. – Pedro começou a me beijar, fazer carinhos pelo meu corpo inteiro. Eu achava melhor a gente parar por ai.

Lari – Eu ainda não to pronta Pedro, sei lá.

Pedro – Ok, ok.

Fiquei olhando com cara de culpada para ele.

Pedro – Não foi nada meu amor, eu espero você estar pronta.

Lari – Mesmo? – falei com uma voz indecisa.

Pedro – Sim. – Ele sorriu

Lari – Vamos dar uma volta na fazenda?

Pedro – Vamos.

Lari – Então deixa eu trocar de roupa.

Escolhi um short e uma blusa preta.

Lari – Licença?

Pedro saiu do quarto, ele ficou me espiando pela fechadura, fingi que nem reparei.

Lari – Estou pronta.

Pedro – Vamos.

Ele me agarrou, eu fiquei na frente e ele atrás de mim me abraçando. Adorava andar assim.

Pedro – Vamos lá no mato onde eu ia com meus primos.

Lari – Ta.

Ele saiu correndo e eu fui atrás dele. Lá tinha tipo uma corda para passar do outro lado, igual do filme “Ponte para Terabítia” Pedro passou tranquilamente. Já eu, cai de costas nas pedras, começou a sair muito sangue da minha cabeça.

Pedro – Lari, calma. Continua respirando, pelo amor de Deus. – Ele falava desesperado.

Lari – Pedro, não me abandona aqui.

Pedro tirou sua camiseta, molhou com água e colocou na minha cabeça. Última coisa que eu vi antes de ficar desacordada foi o Pedro saindo correndo para buscar ajuda.

~ Le Pedro narrando ~

Sai correndo para procurar ajuda, caralho não podia acontecer nada com a minha Leuris, eu sou o anjo dela, como ela diz. E eu tenho que protegê-la de qualquer jeito. Consegui ajuda de um casal de velhinhos, eles levaram eu e a Lari no fusquinha amarelo deles.

Liguei para o número da casa da Lari, ninguém atendia. Liguei para a Marina, ela não atendeu. Consegui só falar no celular do Bernardo na segunda vez que eu tentei. Já estava ficando desesperado, porque ninguém atendia.

Bernardo – Fala ae.

Pedro – Tua mãe ta ae?

Bernardo – Que que deu?

Pedro – Tua irmã caiu no rio, e ta desacordada aqui no hospital, correm logo aqui.

Por três dias seguidos eu fiquei no hospital ao lado da Lari, cuidando dela, mesmo desacordada.

Belina – Pedro, vá para sua casa, tomar um banho e descançar, hoje atarde a Larissa vai sair do hospital, você manda uma mensagem pra ela ir na sua casa, e pronto, vocês se veem.

Pedro – Ok, você leva ela mesmo? – falei meio em dúvida

Belina – Palavra de sogra – Ela riu.

Eu dei um beijo na bochecha dela e fui tomar banho, esfriar a cabeça. Sai do banho e tocou a campainha. Eu estava sozinho em casa, era a Isabela que havia apertado à campainha.

Isa – oi pedrinho — Ela me deu dois beijos na bochecha.

Pedro – Ah, oi Isa.

Isa – Entrando. – Ela estava com um shortinho branco muito curtinho e uma blusa verdinha.

Isa – Cadê a sua namoradinha?

Pedro – Ta no hospital.

Isa – Oh, coitada. – Ela falou sinicamente e deitou na cama do Pedro.

Pedro – Veio fazer o que aqui?

Isa – Saudade – Ela olhou para mim e riu.

Pedro – Saudade do que?

Isa – Você sabe muito melhor que eu.

Pedro – Isabela, não da.

Isa – Ah Pedro, sua namoradinha da lá no hospital, e eu aqui. Ela ta doentinha e provavelmente nunca fez nada de mais picante com você. Já eu... – Ela começou a rir.

Pedro – Aff, vou tomar água, já volto.

Deixei meu celular em cima da cama. Isabela viu e mandou uma mensagem para a Larissa: “Ei meu amor, pode vim para cá, estou te esperando, morrendo de saudades.”

Quando voltei para o meu quarto, Isabela estava completamente nua.

Pedro – Nossa.

Isa – Que foi Pedro, vai ficar só olhando? – Ela e aquela vozinha me chamando, eu não conseguia me controlar quando eu estava perto daquela loirinha. Mas meu pensamento foi diretamente na Leuris. Mas quando eu me dei conta, já estava do lado da Isabela, todo soado e ofegante.

~Le Larissa narrando ~

Estava muito feliz, porque sai do hospital e iria ver meu Pedro, tadinho. Ele ficou todo esse tempo no hospital comigo, merecia uma recompensa boa, que eu não havia dado para ele na fazenda.

Cheguei na casa do Pedro, a porta da frente estava aberta, então eu fui entrando, chamando o Pedro, mas ninguém respondia. Entrei em seu quarto e me deparei com Pedro e Isabela juntos, deitados na cama, completamente nus.

Lari – Que putaria é essa cacete?

Pedro – Leuris, você ta bem.

Lari – Que que é isso Pedro? A Isabela?

Isa – Ixi Pedro, a corna chegou.

Lari – Pedro como assim? Denovo? E você ainda diz que me ama.

Pedro – Mas eu te amo Leuris, eu não sei, mas aconteceu.

Lari – Sempre é assim Pedro, agora dessa vez não tem mais volta. Eu lá no hospital, e você com essa daí?

Tirei a aliança do meu dedo e joguei na cara dele.

Lari – Acabou, para sempre. E lembra, Lembra quando, pra ficarmos bem, bastava estarmos juntos? – Sai correndo e chorando da casa dele, eu ainda estava fraca, então cai na calçada do Primeiro quarteirão.

Fiquei lá sentada e chorando. Liguei para o Bê ir me buscar. Não queria falar mais com ninguém, eu estava decepcionada com o Pedro. Uma semana se passou e não olhei na cara dele, por mais que doesse, ele já tinha feito muitas mancadas comigo, eu não podia mais aguentar, era quase um ano e meio de namoro, e só sofrimento, eu o amava, mas não sei se nosso amor já era maior do que as coisas que aconteciam. Marina veio falar comigo.

Lari — Sabe aquela vontade de deixar que tudo acabe porque você já não tem mais razão pra sorrir?

Marina — Sei. Você o ama?

Lari — Amo.

Marina — O quanto?

Lari — O suficiente para deixá-lo com a Isabela, já que ele é feliz com ela.

Marina — Mesmo essa outra sendo a garota que mais atrapalhou o namoro de vocês?

Deitei no ombro da Marina, e comecei a chorar.

~Le Pedro narrando ~

E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora.

Então é isso, perdi a Larissa de novo, e agora é pra sempre. Isabela estava na minha casa a tarde, era uma quarta feira.

Pedro – Isa, bora lá no morro fuma uns e fica muito louco?

Isa – Ta esperando o que?

Eu e a Isa saímos e fomos lá no morro.

Vitor – Mano, vamo em outro lugar, aqui ta muito podre e ta vindo muita polícia aqui.

Isa – Vamo, vamo. Cadê seu carro?

Vitor – Ta aqui fora, vam’bora.

Vitor já estava meio bêbado porque tava bebendo desde cedo, começou a rir e fazer brincadeira com o Pedro e a Isabela dentro do carro.

Derepente ele começa a fazer cavalos de pau e acelerar muito, mais e mais, mais e mais, mais, mais...

~Le narrador~

Vitor não conseguiu parar o carro a tempo, havia um caminhão enorme estacionado na calçada. O carro de Vitor foi para debaixo do caminhão, que fez o carro "espremer" entre os ferros do caminhão. Não sabiam se existia mais alguém vivo naquele carro.

~Le Lari narrando~

Liguei a TV e estava passando jornal, não sei porque, mas eu estava com uma dor enorme no coração, uma angústia. Marina estava deitada comigo no sofá quando eu liguei a TV.

Jornalista – Hoje ocorreu um acidente de carro perto de uma das favelas mais famosas do Rio de Janeiro

Marina – Tira disso.

Lari – Cala boca, me deixa ouvir.

Jornalista – Estavam três adolescentes dentro do carro. Dois morreram no local, um chamava Vitor Silveira – Mostram a foto do Vitor

Lari – MARINA É O VITOR DA NOSSA ESCOLA.

Marina – É nada Larissa. – Marina continuou meio sonolenta no sofá.

Jornalista – E o outro chamava Pedro Matarazzo – Mostaram a foto do Pedro, a foto que eu tinha tirado dele a muito tempo.

Lari – MARINA, PELO AMOR DE DEUS, É O MEU PEDRO. – Joguei meu sapato nela.

Marina – Ah Lari, nem deve ser ele.

Lari – É SIM MAH, FOI A FOTO QUE EU TIREI DELE – eu já estava tremendo demais.

Jornalista – E a garota que estava com eles, Isabela Oliveira está no hospital em coma.

Lari – Meu Deus, eu vou ligar pra Matilde não pode ser verdade. — Eu já estava tremendo demais, meu anjo não podia ter ido embora. Porque eu só iria perde-lo para sempre, quando estaríamos velhinhos, um cuidando do outro.

–-ligação--

Lari – Alô?

Matilde — Oi Lari — ela estava com uma voz estranha.

Lari — Aconteceu alguma coisa?

Matilde – Você não sabe o que aconteceu? – Ela estava com uma voz de choro

Lari — Tia, passa o telefone pro Pedro agora.

Perola pegou o celular da Matilde.

Perola — Lari, vem aqui em casa agora.

Ela desligou o celular, fiquei desesperada. Gritei o nome do meu irmão.

Bê — O que Lari?

Lari — Vamos para casa do Pedro, eu tô com pressentimento de alguma coisa.

Marina — O que a mãe dele falou?

Lari — Ela não falou nada, a Perola falou para eu ir lá na casa deles. Bernardo pelo amor de Deus me leva lá.

Bernardo pegou a chave do carro e foi correndo para o Leblon, na casa de Pedro. Chegando lá, o carro da polícia e um carro preto estavam estacionados na frente da casa. Eu já estava tremendo.

Bê — Calma Lari, Calma não aconteceu nada. As vezes a notícia era mentira

Lari — E esse carro preto?

Nem esperei meu irmão estacionar o carro e sai correndo para dentro da casa do Pedro, quando cheguei lá, estavam Matilde, Perola, Pámela, Paulo e Miguel todos chorando.

Lari — Cadê o meu Pedro?

Miguel — Vem Lari, a gente precisa conversar.

Ele me levou tipo no escritório que tinha na casa do Pedro. Ele fez uma cara muito estranha.

Lari — Cadê o Pedro, Tio?

Miguel – Você não viu o jornal de hoje a tarde?

Lari – Vi. Mas era mentira, não era? Ele ta no hospital né? Ele ta em coma e ele vai resistir né Tio? – Eu não queria acreditar na realidade.

Ele balançou a cabeça negativamente.

Miguel — O Pedro morreu no acidente Lari. Ele não vai mais voltar.

Eu abracei meu joelho, e dei um grito, comecei a chorar desesperadamente.

Lari — Não tio, não pode ser. Cadê o Pedro?

Miguel – Na cama dele tem um papel em cima, vá lá ver.

Eu sai correndo e chorando. No papel estava escrito assim

“Quando lembrar, tenta me amar, me perdoar depois de tudo que fiz eu nunca quis te magoar, quando lembrar, tenta sorrir. Só tenta fazer de conta que eu tô aí”

Sentei na cama dele, vi que o notebook dele estava em cima da mesa, do jeitinho que ele havia deixado. Eu peguei, escrevi a senha que eu achava que era: “Larissa And Pedro” Quando eu abri, era nossa foto com o sorvete na testa. Não dava pra acreditar que ele havia morrido.

Desliguei o notebook e fui falar com a Matilde. Ficamos abraçadas por um bom tempo, meu irmão avisou para a Marina e para a minha mãe o que tinha acontecido.

Eu fiquei a noite inteira com a Matilde no velório. Eu olhava para ela, imaginava como ela estava sofrendo com tudo isso. Ela podia ter muitos filhos, mas o Pedro era único.

O Caique chegou quando já estava amanhecendo eu e a mãe de Pedro não saímos de lá em nenhum instante.

Matilde – Lari, você tem que ir tomar banho e dormir.

Lari – mas Matilde, o Pedro...

Matilde – Tudo que você poderia ter feito por ele, você fez.

Lari – Ok, daqui a pouco eu volto. – Dei um beijo na bochecha dela e a abracei muito forte.

Eu sai correndo e fiquei sentada na areia olhando para o mar, pois o cemitério era perto do mar. Fiquei chorando.

Caique me viu saindo de lá, e veio falar comigo. Sentou-se ao meu lado.

Caique – A Natasha terminou comigo.

Olhei para ele ainda com os olhos cheios de lágrimas e falei

Lari – Então nós dois perdemos quem amamos.

Caique – Eu não.

Lari – ãm?

Caique – Deixa baixo, um dia eu te explico.

Lari – Ok. Caique eu vou indo, daqui a pouco vão enterrar o Pedro. – Meus olhos se encheram de lágrimas. Sai de lá, meu irmão me levou em casa, tomei banho, tentei descansar, não consegui, só lembrava do Pedro falando que se nós terminássemos eu iria ver ele ou preso ou morto. É acho que ele falou a verdade.

Levantei da minha cama e peguei um papel, comecei a escrever tudo que eu estava sentindo em relação a essa noticia, em relação a morte do meu anjo, em tudo que aconteceu, em como tudo aconteceu, como tudo foi rápido demais, porque o Pedro tinha que ter ido embora? Terminei de escrever, dobrei o papel em 4 partes e fiquei olhando pela janela. Matilde tinha ligado para minha mãe para irmos logo ao cemitério, pois daqui a meia hora iriam enterrar o Pedro.

Chegando lá, estavam muitos amigos do Pedro já, todos muito tristes, o professor de História estava lá, ele era o único dos professores que gostava de verdade do Pedro. Os parentes de Pedro também estavam lá, Matilde me apresentou para todos. Estava na hora da oração antes do enterro, antes de fecharem o caixão chorando, disse baixinho enquanto passava a mão no rosto gelado de Pedro

Lari – E onde quer que você esteja agora, estará pra sempre comigo, no meu coração, meu eterno anjo.

Sorri, deixei-o descansar em Paz.

Fecharam o caixão, e na hora de enterrar, muitos começaram a falar coisas sobre Pedro, até o Diego e nosso diretor falaram sobre ele.

Matilde – Lari vai falar alguma coisa?

Lari – Eu fiz um texto, mas é muito grande, será que vocês querem ouvir?

Pessoas – Sim.

Eu era conhecida na escola como namorada do Pedro Matarazzo

Marina – Leia amor

Lari – Bom, vou começar.

Na minha carta estava escrito mais ou menos assim:

“Eu sinto falta de ter alguém como você aqui, perto de mim. Você me fez ficar desse jeito. Não foi o seu sorriso, que é o mais lindo, ou os seus olhos, que brilha como a estrela que ilumina o céu de noite e não foi a sua beleza que, aliás, é a mais admirada. Você já deve até estar costumado, não é? Acostumado com esse monte de meninas se descabelando pelo seu amor, mas acredite, nenhuma delas te ama tanto quanto eu. Sentimento bonito e limpo, o mais sincero, não sei direito o que foi, acho que foi o seu jeito engraçado e meigo, ou .. Não sei sinceramente eu não sei o que foi, mas de alguma forma você fez com que eu me sentisse assim. Eu sei, que você não vai ler isso e que nunca vai ler, por que você esta num lugar onde eu imaginava te ver só quando estivermos velinhos com muita história para contar, ainda não me acostumei em falar, era, para mim você sempre vai ser o meu garoto encrenca, o meu Pedro Matarazzo, o meu melhor amigo namorado do mundo. É, eu não ligo, estou aprendendo a conviver com isso, a conviver sem você, sem seus carinhos, sem seus beijos. Só quero que você tenha certeza de uma coisa, o meu amor por você é o sentimento mais verdadeiro que poderia existir. É tão ruim te ter longe de mim. Saber que não posso te ter a hora que eu quiser ou abraçar você como eu queria quando você precisasse. Ou quando eu precisasse. Porra, doí tanto saber que você morreu, saber que nunca mais vou ouvir aquela risada gostosa, acho que é isso, eu tenho de me acostumar sem você. Não importa o que a gente passou ou o que faltou pra gente passar. Não importa o motivo que Deus fez você ter ido embora. Não importa se você sentia o mesmo por mim. O que importa, é que eu nunca vou deixar você ir. Nas minhas memórias, eu não vou deixar você ir.

Ás vezes eu penso se isso vai passar… sabe? Se a gente vai ficar junto de novo ou foi só um capítulo que passou. Eu continuo pensando em você, e olhando pra trás.

Eu disse que nunca te deixaria ir embora, e nunca deixei.

Sinto falta dos sorrisos que você me arrancava com suas piadas idiotas, e até mesmo das nossas brigas. Talvez eu ainda pense em você, e em como as coisas poderiam ter sido diferentes, se não fosse o meu medo de te perder. Talvez eu ainda faça planos antes de dormir, talvez meus olhos se encham de lágrimas quando ouso seu nome.. Talvez eu ainda me arrependa por ter terminado com você daquele jeito, sem te ouvir. Por não ter te mostrado que eu realmente me importava com você. E ainda me importo. E, aliás, acho que sempre vou me importar. Quero que você saiba, apesar de ter certeza que você nunca vai ler isso, que eu ainda te amo. E que a cada dia mais, eu sinto sua falta, queria te pedir desculpas pela nossa briga, que me deixa com a consciência pesada, em saber que você morreu sem me desculpar. Eu te amava pra caralho, pra falar a verdade, talvez eu ainda ame. Dói não ter você aqui, mas o que me conforta é saber que de algum modo, você me espera e me quer do mesmo modo que eu te quero, e quero muito. Me desculpe, mas eu me apeguei demais a você e agora eu já não consigo mais imaginar minha vida sem você, você é e sempre será meu anjo disfarçado, que Deus levou embora. “Eu nunca planejei que um dia, eu perderia você, para sempre.”

Quando eu terminei de ler, havia muitas pessoas chorando. Antes de jogarem a terra, eu joguei uma rosa branca em cima do caixão dele, com a folha.

Sai de perto, fiquei abraçada com a Marina. Quando cheguei em casa, minha mãe veio falar comigo.

Belina – Eu sei como deve ser triste perder o primeiro amor da vida da gente. Lari – Como eu vou esquecer quem significa tanto na minha vida?

Minha mãe ficou quieta, eu fui para meu quarto, não queria falar com ninguém. Iríamos ficar uma semana sem aula, por causa do Pedro e do Vitor. A Isabela tinha ficado paraplégica, e só foi descobrir que o Pedro e o Vitor haviam morrido três dias depois do enterro.

Eu fiquei trancada no quarto ouvindo o Word o dia inteiro.

Tinha feito um mês da morte do Pedro, eu não queria mais saber de nada, eu só dormia, não queria falar com ninguém, eu só chorava. Pra que ir bem na escola, dar valor a vida, rir, se o menino que mais amava viver, que odiava rotina, que me alegrava, que eu amava foi embora?

Certo dia, eu estava sentada na rampa, quando sem falar nada, Caique senta do meu lado.

Caique — Você já não é a mesma, menina, eu costumava te ver sorrir todos os dias, costumava te ver alegre e animada.

Lari – Eu não tenho mais motivos para sorrir.

Caique — você sabe que o Pedro não iria gostar de te ver assim, ele sabe que você é forte, sabe que pode superar e levantar com a cabeça erguida. Então não fique triste, volte a sorrir, lembre-se que por maior que seja sua dor você não pode fazer nada pra mudar. Os momentos que você teve com ele, estão no seu coração, pra sempre. Mesmo que ele não esteja mais aqui.

Ele conseguiu me tirar um sorriso.

Caique – Consegui ver esse sorriso maravilhoso outra vez.

Tocou o sinal, ele me deu um beijo na bochecha e entrou na sala dele. Isabela veio falar comigo.

Isabela – Nós duas perdemos o Pedro.

Lari – Pois é.

Isabela – Achei muito lindo o que você disse no enterro dele, desculpa ter atrapalhado tanto o namoro de vocês.

Lari – Agora já é tarde.

A Isabela estava em uma cadeira de rodas.

Isabela – Você não sabe o quanto eu estou sofrendo.

Lari – Eu imagino, deve ser horrível estar em uma cadeira de rodas.

Isabela – É sim.

O professor entrou na sala, não falei mais com ninguém até chegar em casa, nem com a Marina e nem com o Bernardo.

Minha mãe me levou em um psicólogo, não sei por que, eu estava bem. Ele decretou que eu estava com depressão, era o que ela já esperava.

A cada dia que passava, eu queria mais me matar, eu não queria mais viver, sem o Pedro ao meu lado. Mesmo o Caique tentando me animar, eu não conseguia passar pelo luto, e esquecer o Pedro. Pensei várias vezes em me matar e me encontrar com ele em algum lugar desconhecido.--5 messes depois --

Todos nós passamos de ano e estávamos bem. Eu, Marina, Bernardo e Pedro na sala assistindo TV, minha mãe estava conversando com a Elisa sobre onde o Bê e a Mah iam morar, era em um apartamento no mesmo prédio que a gente morava, já estava todo arrumadinho pros dois e pra Alice, o bebê ia ser uma menina.

Lari — Pedro tira essa porra de programa de culinária.

Pedro — Não pow, a moça da culinária é gostosa.

Bê — E como é gostosa, nossa senhora.

Lari — Pedro e Bernardo, tarados. — Joguei a almofada na cabeça do Pedro.

Marina — Eu quero ver Discovery Kids, faz bem pra bebê.

Bê — Ela consegue enxergar amôo?

Lari — Cala boca Bernardo.

Pedro — Xiu Larissa me deixa ouvir. — ele aumentou o volume.

Fui chegando bem pertinho e peguei o controle da mão do Pedro e sai correndo e mudando os canais.

Pedro — Caralho volta aqui Larissa.

Lari — HAHAHAHAH vem me pegar se conseguir.

Ele saiu correndo atrás de mim e eu subi no sofá.

Lari — Pegue-me se for capaz.

Ele me agarrou e mordeu minha coxa.

Eu cai e sentei do lado da Marina, ela encostou a cabeça no meu ombro.

Lari — Mah, você ta bem?

Marina — Sei lá, ta tudo meio zonzo.

Lari — Ta tudo molhado aqui.

Pedro saiu correndo.

Pedro — Tia, tia, a bolsa da Marina estourou.

Belina — Nossa, corre.

O Bernardo pegou a bolsa da Marina e Pegou ela no colo.

Belina — Vamos Bê, antes que aconteça alguma coisa pior.

Bê e minha mãe foram correndo para o hospital.

Médico — Mas ela não ia fazer cesariana daqui duas semanas?

Belina — Mas a bolsa dela estourou.

Médico — Vamos levar ela pra sala de cirurgia agora.

A enfermeira levou a Máh, antes de o médico entrar na sala o Bê falou com ele.

Bê — Vai dar tudo certo né médico?

Médico — Eu não teria tanta certeza.

Bê — Mas como assim?

O Médico saiu e deixou o Bê com medo de perder o amor da vida dele.

Bê — Mãe será que vai acontecer alguma coisa com a minha Marina?

Belina — Calma filho vai dar tudo certo, ela, você e a Alice vão morar no apartamento que eu e a Elisa decoramos do jeito que vocês dois queriam.

Bê começou a chorar.

Eu, a mãe da Máh e o Pedro chegamos no hospital.

Lari — Cadê a Máh?

Bê — Tá na sala de cirurgia, o médico falou que não sabe se vai dar certo o parto.

Eu só sentei do lado dele e o abracei.

Pedro — Ela não vai morrer gente, para de pensar no pior.

Depois de quase 3 horas, recebemos a pior noticia, a Alice tinha nascido morta e com má formação. Foi muito triste saber que minha sobrinha, que eu sonhava tanto, tinha tantos planos de cuidar dela, nem se quer existiu.

Bê e Máh ficaram arrasados, a Máh quando soube da notícia, começou a chorar desesperadamente, a criança que ela mal conhecia e já amava. O jeito que ela e o Bê pensavam como ela ia ser. Se ia ter os olhos dele, o cabelo dela, se ia ser lindo como os dois juntos. Depois do enterro da bebê, o Bê e a Máh não queriam ir pro apartamento deles, com todo o quartinho da Alice, saber que quem eles esperaram ansiosos por 9 messes, não iria voltar pra casa com eles.

Marina – Bê eu não queria morar no nosso apartamento.

Belina – Tudo bem gente, colocamos a cama de casal de vocês no quarto do Bê e vocês moram juntos em casa. A Elisa vem todo dia ver vocês, pode ser?

Elisa – Ok, ela fica mais na casa de vocês do que lá mesmo.

–- 2 messes depois--

Eu e o Pedro estávamos na minha casa na varanda do apartamento conversando. Quando Pedro pega o celular, vê uma mensagem que tinha recebido.

Pedro — Larissa, eu vo sair com uns cara lá, depois a gente conversa ok?

Lari — Onde você vai?

Pedro — Dá uns rolê, Tchau Lari — Ele me deu um selinho.

Ele saiu, ligou para o Vitor e falou que já estava chegando.

Fiquei preocupada com o Pedro. Amanhã seria o aniversário dele de 15 anos.

Não estava mais aguentando o Tédio, a Marina e o Bê não estavam afim de sair. Fui ao cinema sozinha mesmo.

Coloquei uma calça jeans clarinha e uma blusa rosinha clara e meu all star preto. Passei lápis preto no olho.

Bê — Onde vai linda desse jeito?

Lari — Eu vou ao cinema, ta muito tédio.

Bê — Cadê o Pedro?

Lari — Sei lá. Ele saiu com os amigos dele.

Bê — Tão falando que ele ta andando com uns cara barra pesada, toma cuidado.

Lari — Se preocupando comigo?

Ele chegou bem perto de mim e me abraçou.

Bê — Sempre né? Te amo sua retardada.

Lari — Também te amo Maninho. Agora eu tenho que ir porque se não eu vou perder a hora do filme.

Bê — Vai lá.

Ele deu um tapa na minha bunda.

Sai e cheguei rapidinho no cinema, sorte que era perto de casa. Na fila eu vi que conhecia aqueles cabelinhos arrepiados e uma garota com cabelos ruivos.

Era Caique e Natasha. Fingi que nem os vi. Ele virou de costas, falou alguma coisa para a Natasha e Caique veio falar comigo.

Caique — Oi Lari.

Lari — Oi. — Olhei para baixo.

Caique — Que foi? — Ele pegou minha cabeça e me fez olhar nos olhos dele.

Lari — tem vergonha de falar comigo na escola é?

Caique — Eu cuido de você, de longe, mais cuido.

Lari — Vai lá com a sua namorada, ela ta olhando com cara de brava para mim.

Ele sorriu sem graça e me deu um beijo na bochecha. Sussurrou no meu ouvido.

Caique — eu sempre vou cuidar de você de longe, quando você mais precisar, não esquece do seu amigo, ta ligada?

Lari — Pode crer.

Ele virou de costas e foi ao encontro de Natasha.

Comprei meu ingresso, um pacote enorme de pipoca e guaraná.

O Filme era uma bosta, mais eu até que me diverti um pouco. Cheguei em casa era 19h30min. Minha mãe já estava em casa.

Belina — Oi minha linda, foi bom o filme?

Lari — Foi sim mãe.

Belina — E você e o Pedro?

Lari – Ele saiu com os amigos dele hoje, mas não me falou aonde eles iam.

Belina – Ah as vezes ele só queria um tempo com os amigos, como quando você e a Marina saem sozinhas. Deve ser isso Lari.

Lari – Tão falando que ele ta andando com uns caras que não prestam... Mas deve ser mentira.

Belina – Eu vou falar com a mãe dele, a gente ta amiga agora.

Eu apenas ri.

Belina – A Matilde falou para mim que vai ter festa na piscina na casa deles amanha, que vai ser festa do Pedro, só para adolescentes, ai nós vamos para Petrópolis.

Lari – Legal. É o Pedro vai fazer 15 anos.

Belina – E você vai fazer 14 depois de amanha. Conhecidência né?

Lari – Sim.

Belina – E o que você quer de presente Lari?

Lari – Nem sei mãe.

Belina – Lari vai pensando e eu vou na casa da vizinha, vamos?

Lari – Não mãe, eu vou mexer no computador.

Belina – Ta bom, só não fica muito tempo.

Lari – Ok.

Ela saiu e fechou a porta. Peguei meu netbook, o fundo de tela era eu e o Pedro abraçado no restaurante do hotel na viagem do Beach Park.

O Pedro estava on-line, eu fui falar com ele.

Lari via msn – Oi meu amor.

Pedro mudou seu subnick para “Somos a turma que maaaais fuma maconha”

Eu achei estranho o que ele escreveu.

Pedro via msn – oi

Lari via msn – Ta tudo bem?

Pedro via msn – tudo.

Pedro está off-line.

Que estranho, ele nunca tinha me tratado assim, mas tudo bem, resolvi pegar meus cadernos para estudar.

Acabei adormecendo e acordei com minha mãe gritando meu nome falando que estava quase na hora de ir pro aniversário do Pedro.

Lari – Já?

Belina – Sim.

Lari – Que beleza.

Levantei, coloquei um biquíni branco e a parte de baixo era a estampa do calçadão de Copacabana. Coloquei meu shortinho jeans claro e um tomara que caia de oncinha.

Cheguei lá já tinha muita gente da escola, Pedro assim que me viu veio falar comigo.

Lari – Parabéns meu amor.

Pedro – Valeu Leuris.

Dei o presente para ele, era um colarzinho que tinha uma metade de um coração, uma ficava para mim, e outra para ele.

Lari – Amarra na perna ou na mão. Para não ficar gay.

Pedro me deu um beijão, na frente de todo mundo.

Os amigos do Pedro ficaram zoando mais nós ignoramos. Caique e Bernardo ficaram conversando um bom tempo sentados perto da piscina, eu e a Marina ficamos conversando com a Natasha sobre um tanto de coisas e o Pedro estava falando com os outros amigos dele, Derepente a Isabela chegou já agarrando o Pedro.

Isabela – Posso te dar meu presente?

Pedro – Pode sim gata.

Isabela chegou bem perto do Pedro e deu um beijão na boca dele. Eu vi a cena, mas não falei nada. Máh e Natasha olharam para mim, meus olhos se encheram de lágrimas. Olhei para elas e sorri.

Lari — Que foi meninas?

Natasha — É, nada.

Máh — Ta tudo bem amor?

Lari — Sim.

Natasha — gente, eu tenho que ir embora agora, porque eu tenho que resolver umas coisas com as minhas amigas.

Lari e Máh — Ok.

Ela levantou, deu um beijo no Caique, falou tchau pro Pedro e foi embora.

Isabela ficava olhando para mim e pra Marina.

Lari – Eu não vou bater nela, ok?

Máh – Acho bom, brigar não se leva a...

Eu levantei com tudo, Isabela estava de costas agarrada com Pedro. Eu fui em sua direção e puxei o cabelo dela até o chão e isso fez ela gritar muito, pra se defender ela começou a arranhar meu rosto, ela caiu e eu sentei por cima dela, comecei a dar muito tapa na cara dela e arranhar.

Lari – O Pedro é meu namorado e você não tem nada de ficar beijando e se esfregando no namorado dos outros, sua vadia.

Isa – O Pedro é mais meu do que seu, com quem que ele ficou junto na viagem inteira?

Meus olhos se encheram de lágrimas, e de raiva eu comecei a arranhar os braços, a barriga dela, ela começou a me dar tapas, a me chutar, tentando me tirar de cima dela. Eu ia dar um tapão na cara dela, mas o Caique me segurou, e o Pedro segurou a Isabela.

Lari – Caique, me solta porra.

Caique – Não Lari, calma.

Pedro – Larissa, para com isso.

Lari – E a culpa é minha, Pedro? Você não fez nada quando ela te beijou.

Isa – Talvez ele deve ter gostado.

Bê – Lari vamos embora vai, já aconteceu muita coisa.

Pedro só ficou olhando para mim.

Máh – Vamos Lari, é melhor. – Máh fez o Caique me soltar, ela pegou na minha mão, pegou minhas coisas e fomos embora.

Fiquei quieta no caminho inteiro. Chegando em casa, Máh entrou no meu quarto e foi falar comigo.

Máh – E ai?

Eu estava deitada na cama chorando demais.

Lari – Que?

Máh – vai ser assim?

Lari – Me deixa.

Máh – Não quero.

Lari – Quer sim.

Máh – quer ser teimosa e não quer conversar comigo?

Lari – Como adivinhou?

Máh – Não vem ficar stressada e descontar em mim.

Máh saiu e fechou a porta. Eu fiquei deitada na minha cama o resto do dia inteiro, não sai para nada. Minha mãe chegou e ficou sabendo da historia. Ela brigou comigo porque eu bati na menina, mas eu ignorei. Amanhã seria meu aniversário e ia ter escola, não estava com a mínima vontade de ir.

Bê – Vamos acordando irmãzinha briguenta. E Parabéns coisa que eu aturo a 15 anos.

Lari – Não enche.

Levantei brava, coloquei o uniforme e meus all stars, passei lápis no olho e fui tomar café com Bê e Marina.

Máh – Lari, não fica brava por causa do Pedro, eu sei como é difícil, eu já passei por isso.

Lari – Com meu irmão?

Máh – Sim.

Eu olhei para ele.

Máh – Parabéns Lari.

Ela jogou um embrulho para mim, era um sutiã rosa.

Eu comecei a rir muito.

Lari – Que lindo Máh, amei. – Comecei a rir igual uma idiota.

Bê – Sorriu a retardada que gosta de bater.

Máh e Lari – Cala boca Bê

Máh – Toma cuidado pra ela não te bater.

Lari – Boba.

Saímos de casa e fomos pra escola, eu pensando que o Pedro ia vim e falar parabéns para mim, que nada. Ele estava lá do lado da Isabela e do Vitor. Tava até engraçada a cara dela toda arranhada e cheia de curativos.

Máh e Bê foram conversar com os amigos deles e eu fiquei sentada da rampa esperando o sinal tocar. Derepente alguém chega atrás de mim, era o Caique.

Caique – Parabéns Lari.

Lari – Obrigada Caique.

Ele sentou do meu lado e me abraçou.

Caique – Não me bate, ok?

Lari – até você?

Caique – Tô brincando. Eu trouxe um presente pra você.

Lari – É?

Caique abriu um pacotinho pequeno, e tirou um colar com o simbolozinho do infinito.

Lari – Que lindo.

Caique – Coloca seu cabelo pra frente?

Coloquei para frente e ele colocou o colarzinho no meu pescoço.

Lari – Que nossa amizade seja infinita.

Ele apenas riu.

Lari – E o Pedro nem veio falar comigo.

Caique – Talvez ele ainda não viu que você chegou :)

Lari – Sei não.

Caique – Ei Larissa, e tu vai deixar ele pisar em você? Tu vai deixar esse daí fazer o que faz com a Isabela? Na sua frente? Faz isso com os meninos também, Passa mão no cabelo, alisa a barriga, beijo no rosto, ri. E se o Pedro chegar pra você e falar: O QUE TU TAVA FAZENDO COM ELE? Você diz: O mesmo que tu faz com a Isabela.

Tocou o sinal, Pedro olhou para trás para ver o que eu estava fazendo, dei um beijo na bochecha do Caique e passei a mão nos cabelinhos arrepiados dele.

Lari – Eu não consigo fazer isso.

Caique – E a Natasha vai me matar.

Eu ri por dentro, me levantei da Rampa e entrei na sala.

Pedro logo veio falar comigo.

Pedro – Parabéns Leuris.

Lari – Valeu.

Pedro me deu um beijo na bochecha, e falou que amanhã teria uma surpresa para mim. Fiquei ansiosa, e no dia seguinte antes de entrar na escola, ele me puxou.

Pedro – Vem, hoje a gente não vai na escola, vai fazer uma coisa muito mais legal. – Ele estava sem uniforme.

Lari – ãm? – Eu olhei pro Bê e pra Máh.

Máh – Podem ir eu arrumo alguma desculpa pra sua mãe.

Lari – mas se eu for de uniforme vão nos pegar.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Máh – eu tenho umas roupas aqui. – Ela abriu a mochila e jogou um shortinho e uma blusa regata rosinha para mim.

Lari – Como você tem isso na sua bolsa?

Máh – Matava aula com seu irmão.

Eu ri e Pedro me puxou.

Pedro – Vamos meu amor. – Ele me abraçou por trás e fomos andando.

Lari – Aonde você vai me levar seu louco?

Pedro – Pra um lugar muito legal, acho que você vai gostar.

Lari – Pra onde?

Pedro – qual é o seu maior sonho?

Lari – Voar, mas é impossível, por quê?

Pedro – nada é impossível para mim.

A gente chegou em um lugar muito bonito e alto.

Pedro – hoje a gente vai voar de asa delta, esse é o meu presente pra você.

Lari – Será que eu mereço tanto?

Pedro – você merece isso é muito mais

Ele me beijou.

O moço da Asa Delta ensinou o Pedro como que voava e tal. Nós colocamos os equipamentos de segurança.

Pedro – ta pronta?

Lari – E eu tenho outra escolha?

Pedro riu, fomos andando rápido, na hora de pular eu fiquei morrendo de medo. Deu um frio na barriga, segurei Pedro com todas as minhas forças.

Voar de Asa Delta foi à sensação mais gostosa da minha vida, como se eu estivesse voando de verdade, voando com o meu anjo. Estávamos parando de voar, e descemos na praia, o moço tirou nossos equipamentos.

Moço da Asa Delta – Foi um bom voo?

Pedro – Ótimo. Você gostou Lari?

Lari – Se eu gostei? Foi a melhor experiência da minha vida.

Eu abracei o Pedro e ele me beijou.

Pedro – Vamos tomar sorvete?

Lari – Só se for agora.

Saímos correndo como duas crianças, como sempre somos quando estamos um perto do outro.

Chegando à sorveteria, escolhi sorvete de pistache e o Pedro de Chocolate. Sentamos em uma mesinha de frente para praia, eu achava o Rio de Janeiro fantástico, a cidade mais linda do mundo. Enquanto eu olhava as ondas, indo e vindo em um movimento sem fim, Pedro olhava para mim. Com um olhar meio triste, com arrependimento. Um olhar meio diferente do que ele acostumava a olhar para mim. Parei de prestar atenção no mar e olhei para ele. Esse silêncio me matava, não era assim antigamente, não era assim.

Lari – O que foi?

Pedro – Me desculpa?

Lari – Pelo que?

Pedro – Pela Isabela, por ter brigado com você, por ter te ignorado no dia do seu aniversário, por sempre errar. Só acho que eu faço muitas mancadas com você, e você sempre me perdoa.

Lari – Quem faz isso ama. E talvez eu deva amar muito você.

Pedro – Eu amo mais.

Lari – Eu tenho certeza que não.

Pedro olhou para mim. Por um momento eu gostaria de ler pensamentos, gostaria de saber tudo que ele pensava sobre mim, de saber se tudo é realmente verdadeiro.

Lari – Pedro, você ta amigo do Vitor agora?

Eu percebi que o comportamento do Pedro estava diferente.

Pedro – Sim, ele é gente boa.

Lari – Mas Pedro, ele usa droga!

Pedro – O que que tem?

Lari – Eu tenho medo.

Pedro – Do que?

Lari – De acontecer alguma coisa com você, de você começar a usar essas coisas.

Pedro por um momento se calou.

Lari – Você não usou né Pedro?

Ele colocou a mão no meu rosto, ele olhou no fundo dos meus olhos.

Pedro – Pare de se preocupar com coisas bobas Lari.

Eu olhei para baixo.

Ele pegou a casca do sorvete e tudo, e colocou na testa.

Lari – você é retardado?

Pedro – não, eu sou um unicórnio.

Eu adorava quando ele fazia coisas idiotas para me fazer sorrir. Eu peguei meu sorvete e também coloquei na testa.

Pedro – Vamos tirar uma foto?

Peguei meu celular e tiramos à foto. Duas crianças juntas será que da certo? Tiremos o sorvete da testa e limpamos com água.

Pedro – Me passa por bloottof a foto.

Lari – Ok.

Passei a foto para ele, ele ficou mexendo no celular e depois mostrou pra mim o fundo de tela.

Era nós dois.

Lari – Pensei que você ia colocar uma foto de você com a Isabela? – Isso ai Larissa, estraga o clima de novo, só isso que você sabe fazer.

Ele pegou o celular e guardou.

Pedro – É, por isso que eu voei de Asa Delta com a Isabela, fingi que era um unicórnio porque eu acho o sorriso da Isabela encantador. Por isso que agora eu tô com a Isabela. Lari, para de ser tão ciumenta.

Lari – Desculpa Pedro, é que eu tenho medo.

Pedro – Eu sempre vou ser seu.

Lari – Eu sei.

Pedro – Então para com isso.

Ele chegou perto de mim e me beijou.

Pedro – Lari, você já foi no pão de açúcar?

Lari – Nunca.

Pedro – vamos ver se da pra ir agora?

Lari – Vamos, mas que horas são?

Pedro – 11:40

Lari – Ta, vamos.

Pedro pegou na minha mão, e fomos caminhando.

Chegando lá, não tinha muita gente, porque era Quarta Feira.

Pegamos o bondinho, a vista do corcovado pro resto do Rio, era perfeita.

Lari – A gente mora em uma cidade tão linda né?

Pedro – O Rio é perfeito.

Lari – Vamos tirar uma foto?

Pedro – Sim.

Ele chamou uma das pessoas que estavam lá, e pediram para tirar uma foto para nós. Eu virei de costas e o Pedro ficou atrás de mim com os braços abertos, o moço tirou a foto para nós, ficou perfeita.

Eu e Pedro sentamos e ficamos falando da vida.

Pedro – Você foi a segunda menina que eu já disse eu te amo.

Lari – então quem foi a primeira?

Pedro – Minha mãe. E você acha que vai ser assim? Ainda vai ter uma terceira que eu vou falar eu te amo.

Lari – Quem, a Isabela? – Eu adorava estragar o clima, mas o Pedro ignorou e falou.

Pedro – Não vai ser a Isabela, vai ser a nossa filha, nossa pequena.

Eu apenas sorri, ele me beijou.

Depois desse dia, passamos nosso mês de março muito bem. Pena que minha história com o Pedro, sempre que acontece algo bom, vem depois uma coisa pior.

Eu estava caminhando para ir à praia, Pedro iria me ensinar a surfar.

Fiquei sentada na areia esperando o Pedro chegar, quando chega um menino, estranho e fala comigo.

Menino – Ei, você que é a Larissa namorada do Pedro?

Lari – Sim, por quê?

Menino – O Pedro ta usando droga menina, ele, Isabela e o Vitor tão lá no morro numa casinha lá tudo noiado. Se tu duvida vem comigo ver.

Eu morri de medo na hora que ele me falou, mas eu tinha que ver se era verdade.

Chegando lá, estava o Pedro, o Vitor e a Isabela, a casa estava com um cheiro horrível.

Pedro – Leuris, o que tu ta fazendo aqui?

Eu estava paralisada com tudo isso, não podia aceitar que o Pedro estava usando drogas, o meu anjo estava em um mundo sem volta. E eu não podia fazer nada pra tirar ele de lá, de aconselhar que isso era ruim para ele, para mim, para nós.

Lari – Pedro acabou.

Sai correndo e chorando daquele lugar horrível, só querendo conversar com alguém.

Fui para casa, o Bê tinha saído com o Caique e a Máh estava sozinha em casa. Cheguei chorando lá e a Máh reparou.

Máh – O que houve?

Lari – o Pedro, nós, acabou tudo.

Máh – Por quê? – Ela me abraçou.

Lari – Ele tava lá, usando droga com o Vitor e a Isabela. Máh eu sempre avisei pra ele não usar essas coisas.

Máh ficou quieta e só me abraçou.

Máh – Você vai ajudar ele a melhorar?

Lari – E se ele não quiser? Máh eu só tenho 14 anos, você acha que eu consigo? Lógico que não.

Eu e a Máh ficamos conversando, contei para o meu irmão sobre o que aconteceu. Ele me disse que não é de hoje que o Pedro usa essas coisas, o Caique havia dito para ele.

Uma semana depois, na escola, entrei e fiquei na rampa sentada, abraçando os joelhos, com os pensamentos longe de tudo. Pedro ficou me observando de longe.

Sentia-me sozinha novamente, como nos primeiros messes de aula. Já fazia um ano e dois messes que eu havia mudado. Tinha conhecido tanta gente legal, tantas pessoas que eu confiava. Mas minha vida era muito ligada ao Pedro. Enquanto meus pensamentos voavam mais e mais, alguém senta ao meu lado.

Era o Pedro.

Pedro – Decepcionada?

Olhei para cara dele, ele estava todo roxo.

Lari – Será? – Falei em tom sarcástico.

Pedro – Acabou mesmo?

Lari – E você iria me falar quando? Ou ia esconder para sempre?

Pedro – Tava tentando parar, mas é mais forte do que eu.

Eu fiquei quieta.

Pedro – Por você, eu sou capaz de mudar. Agora, se tu falar, que não vai voltar comigo nunca mais, eu paro de estudar e viro o cara mais drogado que esse Rio de Janeiro já viu. E a última noticia que tu vai ouvir de mim, é ou que eu morri, ou que fui preso.

Lari – Porque você faria isso só se eu não voltasse com você?

Pedro – Porque sem você do meu lado, sem nenhum motivo, pra que eu vou ficar bom? Pra qualquer uma ai ficar comigo? E perder a minha Leuris? Não, prefiro a droga.

Fiquei olhando para ele.

Pedro – Pensa direito Leuris, o que você decidir, pra mim ta bom.

Era quase obvio que eu iria falar sim, mas como sempre deixei para depois.

A aula foi um tédio, chegando em casa falei com a Máh sobre tudo que aconteceu.

Máh – Volta, não ia ser legal ir ao enterro do Pedro, né?

Lari – Principalmente se fosse eu o motivo de tudo.

Máh – Você se sente bem ao lado dele?

Lari – Bem? Mesmo depois de tantas mancadas, ele ainda é quem eu penso quando vou dormir.

Máh – que lindo. – Máh sorriu.

Lari – Ta, e agora, o que eu faço?

Máh – Vai falar com ele ué.

Sem pensar duas vezes, Máh foi comigo até o Metrô.

Máh – Vai lá e fala tudo pra ele, ok?

Lari – Ta.

Peguei o Metrô e sai uma rua atrás da casa do Pedro. Fui caminhando depressa, pra que esperar mais?!

Cheguei lá e o Pedro estava lá fora brincando com o cachorro dele, o Rufoos. Ele era labrador.

Pedro – Oi Leuris.

Lari – Oi :)

Pedro – o que fazes perdida no Leblon?

Lari – Vim encontrar meu namorado.

Pedro fez uma cara tensa.

Pedro – Que namorado?

Lari – Pedro Matarazzo. Conhece?

Pedro riu.

Pedro – Entra ai minha linda.

Ele abriu o portão e eu entrei. Ele saiu correndo e me abraçou.

Pedro — Se estivéssemos nos conhecendo pela primeira vez agora, eu faria tudo de novo. Tudo. As fodas, os erros, tudo. Eu faria tudo de novo.

Lari — O que isso significa?

Pedro – Que eu te amo e minha vida com você, deu um sentido diferente para tudo.

Pedro ficou contando sobre o Rufoos.

Pedro — Acho que meu cachorro curte Justin Bieber.

Lari – Porque? – Comecei a rir

Pedro — Porque toda vez que meu irmão está escutando e dançando ele vai correndo pro quarto e fica lá deitado no chão. MAS QUANDO EU TO ESCUTANDO WORD NO MAIOR ROCK DO MUNDO ELE NEM ~TCHUN~ PRA MIM, valeu Rufoos, valeu. – Rufoos saiu correndo atrás do Pedro.

Eu parada comecei a rir.

Pedro – Hoje é quinta.

Lari – Amanhã é sexta.

Pedro – Vamos na fazenda do meu avô sexta e voltar domingo?

Lari – Longe da civilização?

Pedro – Eu curto fazenda, tem galinha, vaca, boi, cachorro, gato, leite quentinho, cachoeira, cavalo, o céu é cheio de estrelas, tem bolo da minha avó...

Lari – Aqueles inseto filho da puta que querem sempre te comer vivo.

Pedro – Ah Lari, vamos vai.

Lari – Ok, por você eu faço tudo.

Pedro — As vezes eu acho que eu só faço você chorar. E é ruim saber que a felicidade que você me dá é diferente do que eu te dou.

Lari – Você me deixa feliz, só sendo você Pedro. Apesar de tudo.

Fiquei na casa dele até 17h, depois ele me levou até em casa e foi embora. Fiquei preocupada, mais em menos de 20 minutos, ele me ligou falando que estava bem.

Sexta perguntei para minha mãe se ela deixava eu ir com o Pedro na fazenda do avô dele, ela deixou.

Máh – Já arrumou suas coisas?

Lari – Sim.

Máh – Levou notebook, modem, celular, secador de cabelo, tudo?

Lari – Lógico – Comecei a rir.

Belina – Se divirta meu amor.

Lari – Pode deixar mãe. :)

Máh – Isso ela sabe direitinho.

Belina – Essa Larissa...

Máh – é tia, a gente tem que arrumar um namorado pra senhora.

Lari – verdade mãe.

Belina – Para meninas, vocês são loucas?

Máh – Vou colocar a senhora no Par Perfeito, quem sabe achamos uns gatinhos?

Lari – OTIMA IDEIA.

Belina – Vocês só inventam, eu estou velha já. Quem vai querer?

Bê entrou no meio da conversa.

Bê – Velha? Que velha o que mãe, tem que curtir a vida mesmo, só trabalho e aturar seus filhos e ainda a nora, é foda.

Belina – Ok pode me inscrever Marina. Já vi que não vou conseguir escapar disso.

Bê – Lógico, tem que arrumar um amor pra cabeça, faz bem. E também pra esquecer de uma vez por todas o nosso Pai. Que já passou da hora. – minha mãe olhou para mim, eu achava tão bonito aqueles olhos verdes dela e também seus cabelos encaracolados castanhos claros. Minha mãe era linda.

Eu sempre me sentia culpada quando o Bê começava com esse assunto de “nosso pai”, porque foi por causa de mim que ele foi embora. Nossa mãe teve que se virar pra conseguir sustentar nós dois.

Belina – Ta bom desse assunto né Bernardo?

Bê só olhou para ela.

Lari – Gente, o Pedro me mandou uma mensagem dizendo que ta lá em baixo. — Peguei minha mala e dei um beijo em todos.

Belina – Juízo filha.

Lari – Pode deixar mãe. – Sorri para ela – Ah Máh, não esquece de colocar minha mãe no site do Par Perfeito ok?

Máh – Ah pode deixar – Máh começou a rir.

Desci e o Pedro já estava me esperando, o pai e a mãe dele iam nos levar de caminhonete.

Pedro – E ai, ansiosa?

Lari – 3 dias no meio do mato? Uhul.

Pedro – Que animação. Vamos, Vamos.

Na viagem inteira eu e o Pedro ficamos brigando de brincadeira, um mordendo o outro, lambendo. Pedro pegou uma caneta preta permanente que ele tava me riscando e escreveu na ponta do meu all-star direito “Leuris,” e no esquerdo “Eu te amo”. Peguei o all-star dele e escrevi só no direito “Meu anjo”

Ele deu um sorriso bobão, e me beijou.

O Pai do Pedro nos deixou lá e foi embora, porque ele ia ter que trabalhar no fim de semana.

Chegando à fazenda, cumprimentei os avós do Pedro, a avó dele chamava Dinora e o avô dele Sebastião. A Fazenda era Maravilhosamente linda. Era de dois andares a casa no fundo, e na entrada tinha uma porteira de madeira grande. Tinham vários cavalos, vacas, galinhas, porcos, tudo quanto era bicho. Tinha uma piscina linda, era tipo uma cachoeira. A casa era só de móveis rústicos e antigos. A avó de Pedro me mostrou o quarto que eu iria ficar, era enorme, nem parecia que eu estava em uma fazenda no meio do mato. O meu quarto era de frente para o de Pedro (6)

Fui para o quarto que iria dormir e arrumei minhas coisas lá, derepente o Pedro entra no meu quarto e fecha a porta.

Lari – Que foi?

Pedro – Vamos aprontar muito nessa fazenda – Ele fez uma cara de safado

Lari – você não da conta menino.

Pedro – Ah, ta me testando?

Lari – Quem sabe.

Pedro me jogou na cama, ficou me beijando e tentando tirar minha blusa.

Derepente a avó dele chama a gente para ir almoçar.

Pedro – Tamo indo vó!

Lari sussurrando – Acho que não foi dessa vez, Pedro pegador.

Pedro – Tu que pensa, Larissa santa.

Fomos almoçar, tinha um tanto de coisa boa da fazenda pra comer, eu e Pedro comemos como se estivéssemos 20 dias sem comer.

Sebastião – O que vocês vão fazer hoje?

Pedro – Tava pensando em levar a Lari de cavalo no Riacho, o que o senhor acha?

Sebastião – Lá é bacana de ir. Eu e sua avó vamos ter que ir à cidade pra resolver uns negócios.

Dinora — mas a Chica vai estar aqui, então qualquer coisa vocês pedem para ela.

Pedro – Ok.

Nós ficamos conversando sobre muitas coisas, os avós do Pedro queriam me conhecer mais.

Já era 16h e o Pedro foi me levar para andar de cavalo. Ele pegou um cavalo branco que era do avó dele para a gente andar, como eu não sabia andar de cavalo, fiquei olhando ele subir.

Lari – Parece o príncipe no cavalo branco, mas só falta uma coisa.

Pedro – O Que?

Lari – A princesa.

Pedro – Vem.

Lari – Eu morro de medo de andar de cavalo, sério.

Pedro – Não tem medo de andar de avião, e tem de cavalo? Vem logo.

Ele pegou minha mão e me fez sentar na frente dele.

Lari – Pedro, eu vou cair.

Pedro – Não confia em mim?

Lari – Confio.

Ficamos andando normalmente com o cavalo, derepente o Pedro começa a correr.

Lari – O que houve?

Derepente chegamos em um riacho super lindo, a água que caia da cachoeira era cristalina.

Pedro – Tenho uma coisa pra você.

Lari – O que?

Pedro – Vamos ser namorados assumidos agora? – Ele pegou a aliança e colocou no meu dedo.

Lari – Sempre fomos. – Eu sorri.

Ficamos lá nadando no riacho por um bom tempo, mas estava começando a escurecer, então fomos embora.

Eu e o Pedro ficamos vendo filme agarradinhos, era de terror e eu fiquei morrendo de medo.

Lari – Pedro, tira essa porra, eu to com medo.

Pedro – Se o bichão te pegar, eu te salvo.

Lari – Sério, tira disso.

Pedro – Não não. É legal.

Lari – Então vê sozinho… — Sai de perto e fui para o meu quarto. Estava cansada, tinha nadado, fui ao banheiro colocar meu pijama e fiquei deitada na cama ouvindo música. Derepente eu ouso um barulho, abro os olhos correndo e é o Pedro.

Pedro – Assustou?

Lari – Seu tonto. – Tiro os fones de ouvido e fico olhando para ele.

Pedro – Eu te amo.

Lari – Eu sei.

Pedro – To com medo da mulher do filme e com frio, posso dormir com você?

Lari – Vem, deita ai, to quentinha.

Pedro deitou. Ficamos abraçados de conchinha, quentinhos.

De manhã, quando o sol começou a nascer, Pedro levantou e foi para o quarto dele se arrumar. Ele tirou leite da vaca, colocou as ovelhas no lugar pra elas comerem, deu comida pros porcos, tantas coisas que ele não fazia a tempo.

Ele me acordou às 11 horas com café na cama.

Lari – Você acha que eu mereço isso?

Pedro – Isso e muito mais.

Sorri sem graça. Fiquei olhando para fora, todo o cenário, era tão bonita a fazenda dos avós do Pedro. O silêncio tomava conta de nós, quando o Pedro resolve falar.

Pedro — e se eu nunca mais acordasse? Se você recebesse a notícia que eu morri? Como tu reagiria Leuris?

Lari – Você ta ficando louco de perguntar isso para mim Pedro Matarazzo? Eu nunca me imaginaria sem você, você não vai morrer tão cedo, a gente vai casar, ter filhos, passar por muitas coisas juntos, e vamos morrer velhinhos, um ao lado do outro. E vamos ter muitas coisas para contar para nossos netos. Eu não me imagino sem você.

Pedro apenas sorriu, como eu queria saber os pensamentos dele.

Pedro – E vamos fazer o que hoje?

Lari – Você sabia que tem prova de Biologia segunda feira?

Pedro – E o que que vai cair mesmo?

Lari – Sistema reprodutor, e é difícil. Eu trouxe os cadernos pra gente estudar um pouco.

Pedro – Eu prefiro a parte prática do que a teórica, essa eu estudo com você direitinho, você sai tirando 10.

Lari – Professor Pedro?

Pedro – o melhor de todos. – Pedro começou a me beijar, fazer carinhos pelo meu corpo inteiro. Eu achava melhor a gente parar por ai.

Lari – Eu ainda não to pronta Pedro, sei lá.

Pedro – Ok, ok.

Fiquei olhando com cara de culpada para ele.

Pedro – Não foi nada meu amor, eu espero você estar pronta.

Lari – Mesmo? – falei com uma voz indecisa.

Pedro – Sim. – Ele sorriu

Lari – Vamos dar uma volta na fazenda?

Pedro – Vamos.

Lari – Então deixa eu trocar de roupa.

Escolhi um short e uma blusa preta.

Lari – Licença?

Pedro saiu do quarto, ele ficou me espiando pela fechadura, fingi que nem reparei.

Lari – Estou pronta.

Pedro – Vamos.

Ele me agarrou, eu fiquei na frente e ele atrás de mim me abraçando. Adorava andar assim.

Pedro – Vamos lá no mato onde eu ia com meus primos.

Lari – Ta.

Ele saiu correndo e eu fui atrás dele. Lá tinha tipo uma corda para passar do outro lado, igual do filme “Ponte para Terabítia” Pedro passou tranquilamente. Já eu, cai de costas nas pedras, começou a sair muito sangue da minha cabeça.

Pedro – Lari, calma. Continua respirando, pelo amor de Deus. – Ele falava desesperado.

Lari – Pedro, não me abandona aqui.

Pedro tirou sua camiseta, molhou com água e colocou na minha cabeça. Última coisa que eu vi antes de ficar desacordada foi o Pedro saindo correndo para buscar ajuda.

~ Le Pedro narrando ~

Sai correndo para procurar ajuda, caralho não podia acontecer nada com a minha Leuris, eu sou o anjo dela, como ela diz. E eu tenho que protegê-la de qualquer jeito. Consegui ajuda de um casal de velhinhos, eles levaram eu e a Lari no fusquinha amarelo deles.

Liguei para o número da casa da Lari, ninguém atendia. Liguei para a Marina, ela não atendeu. Consegui só falar no celular do Bernardo na segunda vez que eu tentei. Já estava ficando desesperado, porque ninguém atendia.

Bernardo – Fala ae.

Pedro – Tua mãe ta ae?

Bernardo – Que que deu?

Pedro – Tua irmã caiu no rio, e ta desacordada aqui no hospital, correm logo aqui.

Por três dias seguidos eu fiquei no hospital ao lado da Lari, cuidando dela, mesmo desacordada.

Belina – Pedro, vá para sua casa, tomar um banho e descançar, hoje atarde a Larissa vai sair do hospital, você manda uma mensagem pra ela ir na sua casa, e pronto, vocês se veem.

Pedro – Ok, você leva ela mesmo? – falei meio em dúvida

Belina – Palavra de sogra – Ela riu.

Eu dei um beijo na bochecha dela e fui tomar banho, esfriar a cabeça. Sai do banho e tocou a campainha. Eu estava sozinho em casa, era a Isabela que havia apertado à campainha.

Isa – oi pedrinho — Ela me deu dois beijos na bochecha.

Pedro – Ah, oi Isa.

Isa – Entrando. – Ela estava com um shortinho branco muito curtinho e uma blusa verdinha.

Isa – Cadê a sua namoradinha?

Pedro – Ta no hospital.

Isa – Oh, coitada. – Ela falou sinicamente e deitou na cama do Pedro.

Pedro – Veio fazer o que aqui?

Isa – Saudade – Ela olhou para mim e riu.

Pedro – Saudade do que?

Isa – Você sabe muito melhor que eu.

Pedro – Isabela, não da.

Isa – Ah Pedro, sua namoradinha da lá no hospital, e eu aqui. Ela ta doentinha e provavelmente nunca fez nada de mais picante com você. Já eu... – Ela começou a rir.

Pedro – Aff, vou tomar água, já volto.

Deixei meu celular em cima da cama. Isabela viu e mandou uma mensagem para a Larissa: “Ei meu amor, pode vim para cá, estou te esperando, morrendo de saudades.”

Quando voltei para o meu quarto, Isabela estava completamente nua.

Pedro – Nossa.

Isa – Que foi Pedro, vai ficar só olhando? – Ela e aquela vozinha me chamando, eu não conseguia me controlar quando eu estava perto daquela loirinha. Mas meu pensamento foi diretamente na Leuris. Mas quando eu me dei conta, já estava do lado da Isabela, todo soado e ofegante.

~Le Larissa narrando ~

Estava muito feliz, porque sai do hospital e iria ver meu Pedro, tadinho. Ele ficou todo esse tempo no hospital comigo, merecia uma recompensa boa, que eu não havia dado para ele na fazenda.

Cheguei na casa do Pedro, a porta da frente estava aberta, então eu fui entrando, chamando o Pedro, mas ninguém respondia. Entrei em seu quarto e me deparei com Pedro e Isabela juntos, deitados na cama, completamente nus.

Lari – Que putaria é essa cacete?

Pedro – Leuris, você ta bem.

Lari – Que que é isso Pedro? A Isabela?

Isa – Ixi Pedro, a corna chegou.

Lari – Pedro como assim? Denovo? E você ainda diz que me ama.

Pedro – Mas eu te amo Leuris, eu não sei, mas aconteceu.

Lari – Sempre é assim Pedro, agora dessa vez não tem mais volta. Eu lá no hospital, e você com essa daí?

Tirei a aliança do meu dedo e joguei na cara dele.

Lari – Acabou, para sempre. E lembra, Lembra quando, pra ficarmos bem, bastava estarmos juntos? – Sai correndo e chorando da casa dele, eu ainda estava fraca, então cai na calçada do Primeiro quarteirão.

Fiquei lá sentada e chorando. Liguei para o Bê ir me buscar. Não queria falar mais com ninguém, eu estava decepcionada com o Pedro. Uma semana se passou e não olhei na cara dele, por mais que doesse, ele já tinha feito muitas mancadas comigo, eu não podia mais aguentar, era quase um ano e meio de namoro, e só sofrimento, eu o amava, mas não sei se nosso amor já era maior do que as coisas que aconteciam. Marina veio falar comigo.

Lari — Sabe aquela vontade de deixar que tudo acabe porque você já não tem mais razão pra sorrir?

Marina — Sei. Você o ama?

Lari — Amo.

Marina — O quanto?

Lari — O suficiente para deixá-lo com a Isabela, já que ele é feliz com ela.

Marina — Mesmo essa outra sendo a garota que mais atrapalhou o namoro de vocês?

Deitei no ombro da Marina, e comecei a chorar.

~Le Pedro narrando ~

E só eu sei o quanto doeu ver a melhor coisa do mundo indo embora.

Então é isso, perdi a Larissa de novo, e agora é pra sempre. Isabela estava na minha casa a tarde, era uma quarta feira.

Pedro – Isa, bora lá no morro fuma uns e fica muito louco?

Isa – Ta esperando o que?

Eu e a Isa saímos e fomos lá no morro.

Vitor – Mano, vamo em outro lugar, aqui ta muito podre e ta vindo muita polícia aqui.

Isa – Vamo, vamo. Cadê seu carro?

Vitor – Ta aqui fora, vam’bora.

Vitor já estava meio bêbado porque tava bebendo desde cedo, começou a rir e fazer brincadeira com o Pedro e a Isabela dentro do carro.

Derepente ele começa a fazer cavalos de pau e acelerar muito, mais e mais, mais e mais, mais, mais...

~Le narrador~

Vitor não conseguiu parar o carro a tempo, havia um caminhão enorme estacionado na calçada. O carro de Vitor foi para debaixo do caminhão, que fez o carro "espremer" entre os ferros do caminhão. Não sabiam se existia mais alguém vivo naquele carro.

~Le Lari narrando~

Liguei a TV e estava passando jornal, não sei porque, mas eu estava com uma dor enorme no coração, uma angústia. Marina estava deitada comigo no sofá quando eu liguei a TV.

Jornalista – Hoje ocorreu um acidente de carro perto de uma das favelas mais famosas do Rio de Janeiro

Marina – Tira disso.

Lari – Cala boca, me deixa ouvir.

Jornalista – Estavam três adolescentes dentro do carro. Dois morreram no local, um chamava Vitor Silveira – Mostram a foto do Vitor

Lari – MARINA É O VITOR DA NOSSA ESCOLA.

Marina – É nada Larissa. – Marina continuou meio sonolenta no sofá.

Jornalista – E o outro chamava Pedro Matarazzo – Mostaram a foto do Pedro, a foto que eu tinha tirado dele a muito tempo.

Lari – MARINA, PELO AMOR DE DEUS, É O MEU PEDRO. – Joguei meu sapato nela.

Marina – Ah Lari, nem deve ser ele.

Lari – É SIM MAH, FOI A FOTO QUE EU TIREI DELE – eu já estava tremendo demais.

Jornalista – E a garota que estava com eles, Isabela Oliveira está no hospital em coma.

Lari – Meu Deus, eu vou ligar pra Matilde não pode ser verdade. — Eu já estava tremendo demais, meu anjo não podia ter ido embora. Porque eu só iria perde-lo para sempre, quando estaríamos velhinhos, um cuidando do outro.

–-ligação--

Lari – Alô?

Matilde — Oi Lari — ela estava com uma voz estranha.

Lari — Aconteceu alguma coisa?

Matilde – Você não sabe o que aconteceu? – Ela estava com uma voz de choro

Lari — Tia, passa o telefone pro Pedro agora.

Perola pegou o celular da Matilde.

Perola — Lari, vem aqui em casa agora.

Ela desligou o celular, fiquei desesperada. Gritei o nome do meu irmão.

Bê — O que Lari?

Lari — Vamos para casa do Pedro, eu tô com pressentimento de alguma coisa.

Marina — O que a mãe dele falou?

Lari — Ela não falou nada, a Perola falou para eu ir lá na casa deles. Bernardo pelo amor de Deus me leva lá.

Bernardo pegou a chave do carro e foi correndo para o Leblon, na casa de Pedro. Chegando lá, o carro da polícia e um carro preto estavam estacionados na frente da casa. Eu já estava tremendo.

Bê — Calma Lari, Calma não aconteceu nada. As vezes a notícia era mentira

Lari — E esse carro preto?

Nem esperei meu irmão estacionar o carro e sai correndo para dentro da casa do Pedro, quando cheguei lá, estavam Matilde, Perola, Pámela, Paulo e Miguel todos chorando.

Lari — Cadê o meu Pedro?

Miguel — Vem Lari, a gente precisa conversar.

Ele me levou tipo no escritório que tinha na casa do Pedro. Ele fez uma cara muito estranha.

Lari — Cadê o Pedro, Tio?

Miguel – Você não viu o jornal de hoje a tarde?

Lari – Vi. Mas era mentira, não era? Ele ta no hospital né? Ele ta em coma e ele vai resistir né Tio? – Eu não queria acreditar na realidade.

Ele balançou a cabeça negativamente.

Miguel — O Pedro morreu no acidente Lari. Ele não vai mais voltar.

Eu abracei meu joelho, e dei um grito, comecei a chorar desesperadamente.

Lari — Não tio, não pode ser. Cadê o Pedro?

Miguel – Na cama dele tem um papel em cima, vá lá ver.

Eu sai correndo e chorando. No papel estava escrito assim

“Quando lembrar, tenta me amar, me perdoar depois de tudo que fiz eu nunca quis te magoar, quando lembrar, tenta sorrir. Só tenta fazer de conta que eu tô aí”

Sentei na cama dele, vi que o notebook dele estava em cima da mesa, do jeitinho que ele havia deixado. Eu peguei, escrevi a senha que eu achava que era: “Larissa And Pedro” Quando eu abri, era nossa foto com o sorvete na testa. Não dava pra acreditar que ele havia morrido.

Desliguei o notebook e fui falar com a Matilde. Ficamos abraçadas por um bom tempo, meu irmão avisou para a Marina e para a minha mãe o que tinha acontecido.

Eu fiquei a noite inteira com a Matilde no velório. Eu olhava para ela, imaginava como ela estava sofrendo com tudo isso. Ela podia ter muitos filhos, mas o Pedro era único.

O Caique chegou quando já estava amanhecendo eu e a mãe de Pedro não saímos de lá em nenhum instante.

Matilde – Lari, você tem que ir tomar banho e dormir.

Lari – mas Matilde, o Pedro...

Matilde – Tudo que você poderia ter feito por ele, você fez.

Lari – Ok, daqui a pouco eu volto. – Dei um beijo na bochecha dela e a abracei muito forte.

Eu sai correndo e fiquei sentada na areia olhando para o mar, pois o cemitério era perto do mar. Fiquei chorando.

Caique me viu saindo de lá, e veio falar comigo. Sentou-se ao meu lado.

Caique – A Natasha terminou comigo.

Olhei para ele ainda com os olhos cheios de lágrimas e falei

Lari – Então nós dois perdemos quem amamos.

Caique – Eu não.

Lari – ãm?

Caique – Deixa baixo, um dia eu te explico.

Lari – Ok. Caique eu vou indo, daqui a pouco vão enterrar o Pedro. – Meus olhos se encheram de lágrimas. Sai de lá, meu irmão me levou em casa, tomei banho, tentei descansar, não consegui, só lembrava do Pedro falando que se nós terminássemos eu iria ver ele ou preso ou morto. É acho que ele falou a verdade.

Levantei da minha cama e peguei um papel, comecei a escrever tudo que eu estava sentindo em relação a essa noticia, em relação a morte do meu anjo, em tudo que aconteceu, em como tudo aconteceu, como tudo foi rápido demais, porque o Pedro tinha que ter ido embora? Terminei de escrever, dobrei o papel em 4 partes e fiquei olhando pela janela. Matilde tinha ligado para minha mãe para irmos logo ao cemitério, pois daqui a meia hora iriam enterrar o Pedro.

Chegando lá, estavam muitos amigos do Pedro já, todos muito tristes, o professor de História estava lá, ele era o único dos professores que gostava de verdade do Pedro. Os parentes de Pedro também estavam lá, Matilde me apresentou para todos. Estava na hora da oração antes do enterro, antes de fecharem o caixão chorando, disse baixinho enquanto passava a mão no rosto gelado de Pedro

Lari – E onde quer que você esteja agora, estará pra sempre comigo, no meu coração, meu eterno anjo.

Sorri, deixei-o descansar em Paz.

Fecharam o caixão, e na hora de enterrar, muitos começaram a falar coisas sobre Pedro, até o Diego e nosso diretor falaram sobre ele.

Matilde – Lari vai falar alguma coisa?

Lari – Eu fiz um texto, mas é muito grande, será que vocês querem ouvir?

Pessoas – Sim.

Eu era conhecida na escola como namorada do Pedro Matarazzo

Marina – Leia amor

Lari – Bom, vou começar.

Na minha carta estava escrito mais ou menos assim:

“Eu sinto falta de ter alguém como você aqui, perto de mim. Você me fez ficar desse jeito. Não foi o seu sorriso, que é o mais lindo, ou os seus olhos, que brilha como a estrela que ilumina o céu de noite e não foi a sua beleza que, aliás, é a mais admirada. Você já deve até estar costumado, não é? Acostumado com esse monte de meninas se descabelando pelo seu amor, mas acredite, nenhuma delas te ama tanto quanto eu. Sentimento bonito e limpo, o mais sincero, não sei direito o que foi, acho que foi o seu jeito engraçado e meigo, ou .. Não sei sinceramente eu não sei o que foi, mas de alguma forma você fez com que eu me sentisse assim. Eu sei, que você não vai ler isso e que nunca vai ler, por que você esta num lugar onde eu imaginava te ver só quando estivermos velinhos com muita história para contar, ainda não me acostumei em falar, era, para mim você sempre vai ser o meu garoto encrenca, o meu Pedro Matarazzo, o meu melhor amigo namorado do mundo. É, eu não ligo, estou aprendendo a conviver com isso, a conviver sem você, sem seus carinhos, sem seus beijos. Só quero que você tenha certeza de uma coisa, o meu amor por você é o sentimento mais verdadeiro que poderia existir. É tão ruim te ter longe de mim. Saber que não posso te ter a hora que eu quiser ou abraçar você como eu queria quando você precisasse. Ou quando eu precisasse. Porra, doí tanto saber que você morreu, saber que nunca mais vou ouvir aquela risada gostosa, acho que é isso, eu tenho de me acostumar sem você. Não importa o que a gente passou ou o que faltou pra gente passar. Não importa o motivo que Deus fez você ter ido embora. Não importa se você sentia o mesmo por mim. O que importa, é que eu nunca vou deixar você ir. Nas minhas memórias, eu não vou deixar você ir.

Ás vezes eu penso se isso vai passar… sabe? Se a gente vai ficar junto de novo ou foi só um capítulo que passou. Eu continuo pensando em você, e olhando pra trás.

Eu disse que nunca te deixaria ir embora, e nunca deixei.

Sinto falta dos sorrisos que você me arrancava com suas piadas idiotas, e até mesmo das nossas brigas. Talvez eu ainda pense em você, e em como as coisas poderiam ter sido diferentes, se não fosse o meu medo de te perder. Talvez eu ainda faça planos antes de dormir, talvez meus olhos se encham de lágrimas quando ouso seu nome.. Talvez eu ainda me arrependa por ter terminado com você daquele jeito, sem te ouvir. Por não ter te mostrado que eu realmente me importava com você. E ainda me importo. E, aliás, acho que sempre vou me importar. Quero que você saiba, apesar de ter certeza que você nunca vai ler isso, que eu ainda te amo. E que a cada dia mais, eu sinto sua falta, queria te pedir desculpas pela nossa briga, que me deixa com a consciência pesada, em saber que você morreu sem me desculpar. Eu te amava pra caralho, pra falar a verdade, talvez eu ainda ame. Dói não ter você aqui, mas o que me conforta é saber que de algum modo, você me espera e me quer do mesmo modo que eu te quero, e quero muito. Me desculpe, mas eu me apeguei demais a você e agora eu já não consigo mais imaginar minha vida sem você, você é e sempre será meu anjo disfarçado, que Deus levou embora. “Eu nunca planejei que um dia, eu perderia você, para sempre.”

Quando eu terminei de ler, havia muitas pessoas chorando. Antes de jogarem a terra, eu joguei uma rosa branca em cima do caixão dele, com a folha.

Sai de perto, fiquei abraçada com a Marina. Quando cheguei em casa, minha mãe veio falar comigo.

Belina – Eu sei como deve ser triste perder o primeiro amor da vida da gente. Lari – Como eu vou esquecer quem significa tanto na minha vida?

Minha mãe ficou quieta, eu fui para meu quarto, não queria falar com ninguém. Iríamos ficar uma semana sem aula, por causa do Pedro e do Vitor. A Isabela tinha ficado paraplégica, e só foi descobrir que o Pedro e o Vitor haviam morrido três dias depois do enterro.

Eu fiquei trancada no quarto ouvindo o Word o dia inteiro.

Tinha feito um mês da morte do Pedro, eu não queria mais saber de nada, eu só dormia, não queria falar com ninguém, eu só chorava. Pra que ir bem na escola, dar valor a vida, rir, se o menino que mais amava viver, que odiava rotina, que me alegrava, que eu amava foi embora?

Certo dia, eu estava sentada na rampa, quando sem falar nada, Caique senta do meu lado.

Caique — Você já não é a mesma, menina, eu costumava te ver sorrir todos os dias, costumava te ver alegre e animada.

Lari – Eu não tenho mais motivos para sorrir.

Caique — você sabe que o Pedro não iria gostar de te ver assim, ele sabe que você é forte, sabe que pode superar e levantar com a cabeça erguida. Então não fique triste, volte a sorrir, lembre-se que por maior que seja sua dor você não pode fazer nada pra mudar. Os momentos que você teve com ele, estão no seu coração, pra sempre. Mesmo que ele não esteja mais aqui.

Ele conseguiu me tirar um sorriso.

Caique – Consegui ver esse sorriso maravilhoso outra vez.

Tocou o sinal, ele me deu um beijo na bochecha e entrou na sala dele. Isabela veio falar comigo.

Isabela – Nós duas perdemos o Pedro.

Lari – Pois é.

Isabela – Achei muito lindo o que você disse no enterro dele, desculpa ter atrapalhado tanto o namoro de vocês.

Lari – Agora já é tarde.

A Isabela estava em uma cadeira de rodas.

Isabela – Você não sabe o quanto eu estou sofrendo.

Lari – Eu imagino, deve ser horrível estar em uma cadeira de rodas.

Isabela – É sim.

O professor entrou na sala, não falei mais com ninguém até chegar em casa, nem com a Marina e nem com o Bernardo.

Minha mãe me levou em um psicólogo, não sei por que, eu estava bem. Ele decretou que eu estava com depressão, era o que ela já esperava.

A cada dia que passava, eu queria mais me matar, eu não queria mais viver, sem o Pedro ao meu lado. Mesmo o Caique tentando me animar, eu não conseguia passar pelo luto, e esquecer o Pedro. Pensei várias vezes em me matar e me encontrar com ele em algum lugar desconhecido.

Notas finais
Chorei no final, escrevendo. E vocês? :/