Minha Querida Francesa Anastasia
34 Pocket - Notícia e Denúncia
Notas iniciais

POV ELLIOT – NATAL
— Eu vou ser tio de novo! Eu sabia que logo logo teríamos um bebê no caminho! – estou tão empolgado com a notícia de Anastasia estar grávida novamente que não consigo conter a emoção.
— Elliot, você precisa ficar calmo! Eu quero fazer uma surpresa pro Christian! – diz Anastasia com receio, olhando para os lados, conferindo se não havia alguém conhecido por perto.
— Porra, Ana! Eu estou muito muito feliz! – Eu a abraço forte no meio do corredor do hospital, abraçando-a tão firmemente que chego a levantá-la.
— Elliot, é sério! Fica quieto! Não conta pra ninguém tá? – diz Ana séria assim que eu a coloco no chão.
— Você lembra o que aconteceu quando você pediu pra guardar segredo, não lembra? Não deu certo, Ana! Deu merda! – digo com nervosismo.
— Deu merda por que você é linguarudo! – diz Ana enquanto desfere-me um tapa no ombro.
— Ow! – exclamo – Que mão pesada! Coitado do seu filho! Jesus... – digo impressionado com a força de Ana enquanto alisava o local que ela havia me batido.
— Promete que não vai abrir a boca? – pergunta-me aflita.
— Só de você prometer que vai contar hoje! Não dá pra segurar uma notícia incrível dessas! E vai que acontece alguma coisa... – Comigo ou sei lá. Se Christian souber que eu escondi isso dele, me mata.
Ser amigo de Anastasia é um grande perigo à saúde. Meu irmão é imprevisível.
— Prometo, eu vou contar hoje! Vou dar de presente pra ele um daqueles sapatinhos de crochê que eu bordei, lembra? – comenta e eu lembro de quando ela ensinou Katherine a bordar.
A lembrança me faz bufar. Foi à cena mais ridícula que eu já vi. Aquela cobra fingindo que tinha mudado. Ainda bem que eu fiquei de olho o tempo todo que Christian esteve fora, senão estaria mortinho numa ruela por aí.
— Lembro daquele teatrinho da Katherine... E lembro dos sapatinhos. Você os trouxe? – pergunto impressionado.
— Sim, eu queria ter algo do meu bebê que não nasceu, mas agora estou gerando outro! – diz muito animada, com um sorriso enorme estampado no rosto.
— Foi a melhor notícia até agora! Cara, eu vou ser tio! – digo muito abestalhado.
Fico parado olhando para o nada só imaginando aquele tiquinho de ser tão delicado e tão incrível ao mesmo tempo...
— Vamos, Elliot! Temos que comprar algumas roupas e recolher mantimentos! – diz Ana que já estava lá no fim do corredor, quase chegando ao estacionamento.
— Vamos! – digo enquanto caminho apressado ao encontro dela para irmos terminar nossos afazeres.
~*~
— Elliot! Eu estou dirigindo! – exclama Anastasia quando consegue colocar o carro para andar depois de muito insistir em aprender.
Estamos em uma planície ao lado da fazenda dos Delacqua e não há com que se preocupar, porém a única coisa que eu consigo pensar é: se Christian souber eu sou um homem morto!
— É mais fácil do que atirar! – exclama ainda mais animada enquanto dirigia pelos vales. Ana tinha um ótimo senso de direção e espaço.
— Anastasia, me diz o que você NÃO consegue fazer! Pois tudo o que eu te ensino você aprende tão facilmente! – digo um tanto indignado.
— Ué, vai ver que você é um bom professor – diz enquanto me olha por um instante e sorri.
— OLHA PRA FRENTE, CRIATURA! – exclamo com muita tensão quando ela vira o olhar para mim.
— Ai, tá bem! – diz, concentrando-se na direção.
— Já pensou se o Christian souber? Você me coloca em cada uma, garota! – coloco as mãos no rosto e esfrego minha testa em sinal de preocupação.
— Eu vou parar pra você assumir, assim você fica mais tranquilo – diz Anastasia, parando o carro e o desligando com calma.
— Ufa... Agora sai daí – digo, saindo do carro.
Assim que eu fecho a porta, Anastasia liga o carro de novo e anda novamente.
— O que? Tá de brincadeira?! – grito, mas aí ela para o carro novamente e o desliga.
— Para de brincadeira e sai do carro! – digo com imposição.
— Ai, tá bem... – diz Ana após rir da minha cara.
Ela sai do carro e eu assumo o volante novamente e vamos em direção à Menz novamente.
Enquanto estamos no caminho de volta, eu suspiro profundamente e decido desabafar com Anastasia.
— Ana, eles querem me colocar na força aérea. Querem que eu seja piloto de caça e tudo mais... – digo com nervosismo.
— Mas isso não é bom, Elliot? Você vai aprender a voar, isso é incrível!
— Mas não é perigoso demais? – questiono um tanto inseguro.
— Sei que você vai aprender rápido, e pensa que um dia você vai poder levar o seu sobrinho ou sobrinha para voar, que fantástico! — diz com um baita sorriso no rosto, motivando-me.
— Pensando por esse lado, seria irado!
— E depois você me ensina a pilotar um caça – diz Ana séria, e depois começa a rir com a cara de assustado que faço para ela.
— Você quer que Christian acabe com a minha vida, é isso que você quer! – digo com a voz trêmula.
~*~
Após ter ajudado Christian com o vinho quente, estamos todos bebendo muito felizes após a ceia de natal.
Anastasia caprichou na comida e Leila também foi de grande ajuda. Só não entendi a ausência de Elena durante o processo.
Tudo bem que ela arrumou a sala, as louças, os copos e tudo, mas creio que deve ter pedido a maior parte do tempo maquiando-se, já que sua cara estava lotada e maquiagem quando apareceu novamente.
Conversava com meus companheiros de forma muito descontraída até que ouço Christian exclamar muito severo.
— Porra, Elliot!
E todo o salão que estava com muito zumbidos de vozes conversando ao mesmo tempo, se cala ao ouvir o ressoar da voz dele.
— Cara, é com você – diz Walfrey, empurrando-me para frente.
Bastardo! Filho da mãe! Energúmeno!
Entregando-me assim de bandeja pro meu irmão!
Caralho, será que ele sabe que eu deixei Ana dirigir?
Porra, ele vai me matar!
Ou ele descobriu da gravidez?
— De novo essa merda de esconder as coisas de mim? – questiona-me ainda mais autoritário.
Então olho para a caixinha em sua mão e consigo avistar o pequeno sapatinho de crochê. Então sei que é sobre a gravidez.
— M-mas, Christian... E-ela queria f-fazer surp-presa... – digo gaguejando mais do que a Tia Avó Tracie, tia da nossa mãe Grace.
— Eu to feliz pra porra! – alega Christian com um enorme sorriso no rosto e logo já busca os lábios de Anastasia, beijando-a.
— Caralho... – nesse momento coloco a mão em meu peito, fecho os olhos e respiro profundamente, recuperando o ar que havia perdido nesse momento de tensão.
Meu coração palpitava com força devido ao meu nervosismo e o sentia acalmar-se aos poucos.
Viro então de uma vez o vinho de minha caneca para relaxar e voltar ao normal.
Enquanto todos comemoram a gravidez de Anastasia, eu estou tentando acalmar-me daquele impacto.
— Elliot! – exclama meu irmão novamente e eu o olho no mesmo momento – Você pode ir até o escritório buscar minha caixa de charutos? Está em minha gaveta!
Respiro profundamente e me sinto mais relaxado com o vinho que havia acabado de beber. Aproximo-me do casal e sorrio para os dois.
— Claro que sim! Volto logo! Eu vou ser um tio muito babão! Pode acreditar! – e corro para a porta da casa, entrando no carro de Christian e dirigindo até a praça principal para entrar no prédio da base.
~*~
Mal entro no prédio e ouço o telefone do escritório de Christian explodindo de tanto tocar.
Subo as escadas rapidamente e chego em sua sala.
— Base Menz – atendo o telefone, sentando na cadeira.
— Desculpa interromper o natal de vocês, mas acabamos de receber uma denúncia de que Gruppenfüher Grey está acobertando uma francesa desde Berlin e que ela está infiltrada na invasão... – nesse momento meu corpo congela de tanto nervosismo e não consigo proferir uma palavra sequer.
No mesmo instante, eu desconecto o telefone do fio de base, tirando o sinal do mesmo, deixando-o incomunicável.
Sem nem pegar os charutos, desço as escadas em um pulo e entro no carro rapidamente. Acelerando sem medir velocidade, chego o mais rápido possível na casa da Sra Lincoln e abro a porta com a notícia.
— Christian! Denunciaram Anastasia! – digo ofegante, segurando-me entre as soleiras da porta para não cair com a adrenalina que tomava conta do meu corpo.
Posso ver o olhar tenso de Christian para todos ao redor e percebo sua revolta.
— Se foi alguém dessa sala, eu prefiro que diga agora, pois eu não estou para brincadeira, senhores – Christian, impaciente, tira sua pistola do estojo e prossegue em meio aos olhares perdidos e confusos — Senhores, não testem minha paciência. Eu quero saber quem foi.
Começo a olhar para todos ao redor e eu tento criar suposições, mas nenhum deles teve acesso ao telefone ou nada disso, pois a base estava trancada. E pelas suas feições, estavam completamente perdidos.
— Eu estou fazendo uma pergunta bem simples e quero respostas. Quem foi? – e sem paciência, Christian atira em um dos vasos de Elena
— Mas quem é Anastasia? – ouço um dos soldados questionar e então eu vejo que nenhum deles poderia ser de fato. Todos tem muita lealdade à Christian e nenhum deles sabe quem é Anastasia.
— Christian, eles não sabem – digo com calma, pois nenhum deles é suspeito.
— Porra... – diz Christian enquanto passa a mão em seu cabelo, e então sei que está nervoso.
— Eu sou Anastasia, senhores – diz minha Anastasia – Eu sou francesa e a família de Christian me protege desde que nasci. Corria risco na Alemanha, por isso ele me trouxe consigo, pois sabia que podia me proteger e que eu poderia ser de grande ajuda como eu estou sendo.
— Elliot – exclama Christian e eu o olho imediatamente — chame toda a minha tropa pra cá e vá embora daqui!
— O que? Ir embora? – ele está louco? Eu não quero ir embora!
— Você não ouviu o que eu disse? Vá embora! – ele segura em meu braço e me empurra para a porta enquanto sussurra em meu ouvido – Vou desertar e você é minha única fonte de informação dentro da SS. Por isso, vá embora e não se envolva ainda mais nisso!
Christian tem razão, eu sou sua única fonte e ele precisa de mim dentro da SS.
— Eu mandarei informações, eu prometo! Cuide-se e cuida da Ana também! – digo com um aperto no peito. Minha vontade de chorar é muito grande, pois não sei quando poderei rever meu irmão de Anastasia novamente.
— Prepare o caminhão, vou ver com quem das minhas tropas quer retornar para o exercito, e eles irão contigo – diz Christian.
— Tudo bem – digo e vou depressa avisar a todos para encontrar todos os restantes da tropa.
~*~
Enquanto dirigia rumo à Paris com dois soldados na caçamba do caminhão, eu pensava e refletia.
Christian e Anastasia cativaram a todos naquele vilarejo e creio que estarão seguros.
Mas sinto uma espécie de inveja, pois eu não queria estar nessa guerra. Meus ideais vão contra tudo o que essa guerra está proporcionando.
Só continuo nessa por Christian e por Anastasia. Sei que eles precisam de mim, mas a minha vontade de ficar e lutar com eles é imensa.
Por isso dirijo de volta à Paris com o coração apertado e a mente preocupada com medo de que eu nunca mais possa ver meu irmão novamente e nem Anastasia.
Merda de guerra.
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