Notas iniciais
Boa noite, leitoras! Eu finalmente voltei das férias! Tive um descanso SUPER merecido, mas agora voltei com meus compromissos, e um deles é postar capítulo novo para vocês! Espero que gostem! Estamos chegando na reta final dessa história! CRIAMOS UM GRUPO NO WHATSAPP PARA FALAR SOBRE A FIC, lá eu tenho liberado alguns SPOILERS e até uns trechinhos do CAPÍTULO antes de liberar! Então venham, é só amor! É só acessar o link que vocês caem direto no grupo: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll

POV CHRISTIAN

Após quatro horas de viagem, aquela trilha de pedras pela floresta findava na rodovia principal nas proximidades de Versalhes. Tudo aparentava estar calmo e eu procurava ao máximo distanciar-me das invasões alemãs nas proximidades.

Pelo caminho alternativo eu passei por algumas fazendas, as quais eu consegui trocar meu carro por outro um pouco inferior, porém vale tudo pela proteção de Anastasia e a minha. Precisamos passar despercebidos.

Eram dez e meia da noite e eu precisava fazer uma parada para esticar minhas pernas e me preparar para mais cinco ou seis horas de viagem, dependendo do caminho que eu faria para chegar ao porto de Brest.

Além do mais, preciso contatar Elena em Menz para checar a situação por lá e também verificar a possibilidade dela me ajudar. Afinal, os bilhetes de Karla expiraram e eu preciso encaixar ela e Ana em um navio com urgência.

Encontro um Bistrô em pleno funcionamento nas proximidades da estrada e decido parar ali, procurando estacionar pelas sombras das árvores para meu carro não ficar tão aparente.

Anastasia dormia com a cabeça apoiada ao vidro com extrema tranquilidade. Minha pequena passou a dormir muito mais na medida em que a gravidez avança e nossos gêmeos se desenvolvem dentro dela. Não deve ser fácil carregar uma barriga, ainda mais sendo delicada como Ana.

— Ana, acorde... – Acaricio o rosto da minha amada com calma para que ela acordasse tranquila, sem nenhum susto.

— Hmm... – Ana despertava aos poucos e bocejava antes de abrir seus olhos para encontrar os meus.

— Vamos fazer uma parada? Assim tu podes alimentar-se e descansamos um pouco para seguirmos, o que acha? – pergunto de modo a integrá-la naquela decisão, deixando que dê sua opinião sobre.

— Boa ideia, estamos com fome – resmunga Anastasia enquanto vai desencostando da janela e alisa sua barriga, mostrando que ela e nossos filhos estavam famintos.

— Então vamos – digo pegando dois casacos no banco de trás. Levanto-me, abrindo a minha porta e saindo do veículo. Coloco meu sobretudo, agasalhando-me pouco antes de abrir a porta para Anastasia.

Assim que minha pequena levanta e sai do carro, apoio o outro sobretudo em suas costas de modo que eu a esquentava enquanto fechava a porta do carro e o trancava.

Caminhávamos em direção à porta do bistrô enquanto o vento gelado daquela estação cutucava-nos a pele feito várias pontas de agulha.

Ao abrir a porta do estabelecimento, podia o perceber pequeno ambiente, porém muito aconchegante e quente. Puxava a cadeira de uma mesa para ajudar minha pequena a sentar-se e acomodar-se e logo após já puxava outra cadeira para mim.

— Bonne nuit. Voulez-vous la suggestion du chef ou préférez-vous le menu? – questiona educadamente uma garota de aproximadamente quinze anos para nós.

Tradução: Boa noite. Vocês vão querer a sugestão do chef ou preferem o cardápio?

— Bonne nuit mademoiselle, qui est la suggestion? – pergunta Anastasia de forma tranquila.

Tradução: Boa noite senhorita, qual é a sugestão?

— Aujourd’ui, nous avons soupe aux legumes accompagnée de pain et um vierre de vin – responde a menina e o que ela nos oferece soa apetitoso. Eu e Ana nos olhamos com a mesma expressão de interesse.

Tradução: Hoje nós temos sopa de legumes acompanhado de pão e uma taça de vinho.

— Nous voulons tous les deux la suggestion, merci – respondo a garota, que vai depressa para a cozinha fazer nosso pedido ao chefe.

Tradução: Nós dois vamos querer a sugestão, obrigado.

Eu e Anastasia nos olhamos por alguns instantes enquanto eu direciono minha mão para a dela, apanhando-a com carinho e beijando-a, demonstrando afeto para com ela.

— Sei que estamos nesse momento turbulento, mas já que demos essa pausa, podemos conversar sobre uma coisa que eu queria muito – diz a minha pequena olhando-me com um sorriso no rosto.

— Sobre o que quer falar, meu amor? – pergunto curioso.

— Bom, temos que escolher os nomes dos nossos filhos, não temos? – questiona Anastasia com bastante interesse na voz e já posso ver suas pernas balançando, indicando certa ansiedade.

— Tens razão, pequena. Toda essa loucura de estratégia, guerra e tudo isso me tira a atenção às vezes, perdoa-me – digo sentindo-me um pouco culpado pela falta de atenção aos nossos bebês – Acho que dedico tanto meu tempo para cuidar de vocês que eu esqueço até desses pequenos detalhes – admito.

— Nós sabemos o quanto se esforça por nós e entendemos, mas agora vamos falar sobre isso – diz Anastasia sorrindo enquanto aperta minha mão.

Nesse mesmo instante, a garota francesa retorna com uma bandeja, trazendo duas cumbucas de sopa, duas taças de vinho e um pão inteiro. Em seguida nos oferece as colheres enroladas em toalhas para limpar nossas bocas e uma faca para cortar o pão.

— Merci – ambos agradecemos a ela enquanto eu já cortava o pão e Anastasia provava a sopa.

— Está muito agradável – Ana elogia a comida e se põe a comer.

— Imagino, pois o cheiro está realmente ótimo – digo sorrindo, já servindo as fatias de pão para nós e me ponho a comer em seguida.

— Então Christian, você já pensou em nomes para seus filhos alguma vez na vida? – ela me questiona com diversão enquanto come.

— Para ser sincero, eu nunca pensei nisso – admito com certa timidez entre uma colherada e outra de sopa.

— Se fosse para escolher um nome de menina, qual você escolheria? – Ana questiona-me novamente com curiosidade levando o pano à boca, limpando-a enquanto apanha a taça de vinho, bebendo um pequeno gole.

— Phoebe – digo antes de morder um pedaço de pão – acho um nome bonito para menina, não achas? – retorno para Anastasia com curiosidade para saber sua opinião.

— É um bom nome, e para menino? – questiona-me novamente enquanto sua mão já alcançava um pedaço de pão e o mergulhava na sopa, levando-o a boca em seguida.

— Para menino... – faço uma pausa para pensar. Realmente nunca havia parado para pensar nesse assunto. Suspiro profundamente e o único nome que vem em minha cabeça é – Theodore.

— São ótimos nomes, Christian! Agradaram-me – diz Anastasia com um sorriso sincero após mastigar seu pão úmido de caldo de legumes. Ver minha pequena se alimentar me causa alívio, pois é uma forma de saber que ela está bem e que sua gravidez é saudável.

De repente, ao mesmo tempo, eu e Anastasia nos concentramos em ouvir os ruídos do rádio que era ouvido pelos funcionários atrás do balcão mogno daquele pacato Bistrô em Versalhes.

— Soldats allemands sont à la recherche de déserteurs de son armée à travers la France. Les rapports des soldats renégats augmentent tous les jours.

Tradução: Soldados alemães estão em busca de desertores de seu exército por toda a França. As denúncias de soldados desertores aumentam a cada dia.

Anastasia respira fundo e me olha com pesar e preocupação. Sei que minha pequena preocupa-se comigo assim como me preocupo com ela.

Nada de ruim pode acontecer com ela, senão minha vida será miserável.

Então lembro que preciso fazer uma ligação para Elena Lincoln. Seu marido é general da marinha francesa e eu preciso de dois encaixes em qualquer navio para Ana e Karla com destino à América.

Karla havia comprado bilhetes para ela e Anastasia, porém eu não pude levar minha pequena no prazo da viagem. Seria muito suspeito e eu estava em serviço militar.

Esta ligação também serviria para saber como estão as coisas por Menz. Eu fiz uma promessa àquele vilarejo e não posso abandoná-los agora. Não seria o correto.

— Com licença, amor. Eu preciso fazer uma ligação – digo com tranquilidade, segurando a mão de Ana e beijando seu topo com suavidade.

Levanto-me e ando em direção ao balcão, onde a garota lavava as taças de vinho uma a uma enquanto um senhor limpava o balcão com os ruídos do rádio de fundo.

— Excusez-moi. Puis-je utiliser votre téléphone? – pergunto educadamente se posso usar o telefone do local — Il est un long voyage et je dois dire à mes connaissances que ma femme et moi sommes bien.

Tradução: Com licença, posso usar seu telefone? É uma longa viagem e eu preciso dizer aos meus conhecidos que eu e minha mulher estamos bem.

— Bien sûr ! – diz a sorridente menina apontando-me o telefone no fim do corredor que dava acesso ao banheiro do local.

Tradução: Claro!

— Merci – agradeço e vou caminhando por aquele corredor até alcançar o grande telefone pregado à parede.

Aguardo pela telefonista do outro lado da linha até que sou atendido.

— Bonne nuit opérateur. Maison de Lincoln à Menz, s'il vous plaît – peço para que ela me direcione ao telefone de Elena e aguardo novamente.

Tradução: Boa noite telefonista. Casa dos Lincoln em Menz, por gentileza.

— Lincoln – ouço a voz de Elena atendendo, o que adianta muito mais meu trabalho. Seria perda de tempo se Leila tivesse atendido e eu tivesse de esperar um pouco mais.

— Elena, é o Grey – digo sério e um tanto baixo para que nenhuma pessoa mal intencionada do Bistrô ouvisse minha conversa.

— Ah, boa noite Grey. Os oficiais acabaram de debandar – relata –me.

— E os meus homens? – pergunto um tanto preocupado.

— Escondidos. Os oficiais reviraram tudo por aqui, porém como não encontraram nada, foram embora logo.

Menos mal, pelo menos meus homens estavam seguros.

— Elena, sei que seu marido é general da marinha e eu preciso de ajuda. Posso contar com você? – pergunto sério, porém um tanto aflito. Preciso salvar Anastasia. Não posso correr o risco de que a peguem aqui.

— Eu já sei o que vai me pedir. Para que eu entre em contato com o meu marido para que ele leve Anastasia para a América, correto? – diz Elena com tom de adivinhação.

— Não só para ela, mas para sua mãe também. Ela havia comprado passagens para embarcar, porém expirou há algumas semanas – explico.

— Eu verei o que consigo fazer – diz Elena suspirando — Tente entrar em contato comigo amanhã de manhã que eu posso lhe dar uma resposta mais concisa. Depois de deixa-la, você irá retornar? – questiona-me.

— Muito provável que sim. Não posso deixar meus companheiros para trás. Sou um homem de palavra, Elena – digo com firmeza.

— Entendo. Bom, até amanhã. Prometo fazer o possível para conseguir embarcar Ana e mãe dela – diz com certo humor.

— Muito obrigado. Amanhã retorno a ligação, boa noite – e desligo o telefone.

Caminho em direção à mesa em que Anastasia está sentada finalizando sua sopa e apanho a taça de vinho ainda em pé, bebendo todo o seu conteúdo e dizendo em seguida:

— Vamos embora, não podemos mais perder tempo aqui.

Após colocar a taça novamente em cima da mesa, pego minha carteira no bolso de minha calça e apanho algumas notas francesas, deixando-as ali e caminhando para a saída acompanhando Anastasia, que caminhava a minha frente em direção à porta.

Acomodamo-nos no carro novamente. Anastasia sentava no banco passageiro ao meu lado, coloca o cinto com cuidado e usa seu casaco como manta, aquecendo-se enquanto me observava.

Tirava meu sobretudo para ter maior mobilidade para dirigir, colocava o cinto e ligava o motor do carro, voltando para a estrada.

Tínhamos muita viagem pela frente.

~*~

O sol mal raiava no céu e eu já me sentia exausto de tanto dirigir. Percorria curvas e mais curvas que contornavam a serra que dava acesso do campo ao mar.

Aproximadamente às quatro horas da manhã já nos aproximávamos do cerco militar francês que, da divisa com a Alemanha, já estava recuado nas proximidades do porto.

Assim que passarmos pelo cerco, eu e Anastasia estaremos seguros dos alemães, pelo menos por hora.

Anastasia dormia tranquila ao meu lado, mas a medida em que o carro ia perdendo velocidade ao se aproximar da região portuária, ela ia despertando aos poucos.

— Onde estamos, Christian? – pergunta-me preocupada e curiosa ao mesmo tempo.

— Estamos nos aproximando do cerco francês, meu amor – digo com calma, porém por dentro eu já pensava em como iriamos atravessá-lo sem revelar minha identidade.

Estava tão focado em salvar Anastasia e fugir do alcance dos alemães que ainda não havia pensado sobre como atravessaríamos o cerco.

— E o que vamos dizer aos oficiais para conseguirmos passar? – pergunta Anastasia como se estivesse lendo a minha mente.

Não consigo respondê-la, pois nada passa pela minha cabeça. Admito que estou sem saída nesse quesito.

E enquanto minha cabeça tentava pensar em milhares de recursos para conseguir entrar no cerco francês, eu dirigia sem parar um instante, pois ao mesmo tempo em que eu precisava chegar ao porto, eu precisava sair do domínio alemão o mais rápido que eu pudesse.

Quando dava por mim, já chegava ao limite da estrada, deparando-me com a limitação do caminho feito por escolta enquanto aos meus lados havia um penhasco e do outro a montanha da serra francesa que dava subsidio para aquela estrada.

Um dos oficiais acendia uma lanterna enquanto caminhava até nós.

Sentia minhas mãos soando enquanto minha mente pensava em tudo, mas ao mesmo tempo em nada.

Então olho bem para aquela escolta: eram aproximadamente cinco homens com dois carros à beira do abismo.

Reviro meus olhos em descrença.

Bando de preguiçosos, nem para um cerco decente são capazes.

Vou levando minha mão para o cinto da minha calça o qual eu portava o estojo do meu revolver.

Eu tenho a completa certeza que eu me garanto entre eles.

Notas finais
E aí? O que acharam? Elena vai ajudá-los afinal? Acham que essa atitude impulsiva de Christian é uma boa ideia ou ela oferece riscos à todos, principalmente à Anastasia? Estou esperando seus comentários, os quais estou com bastante saudades ♥