Minha Querida Francesa Anastasia

36 Cap 34 - Escolhas e Consequências


Notas iniciais
Olá leitoras! Estou liberando mais um capítulo para vocês, cumprindo o prazo dos sábados novamente! Gostaria de dedicar esse capítulo à Gaby, eu amei sua recomendação e eu tenho o maior respeito por vocês, leitores! Gosto dessa aproximação com vocês! Bom, vamos começar! CRIAMOS UM GRUPO NO WHATSAPP PARA FALAR SOBRE A FIC, lá eu tenho liberado alguns SPOILERS e até uns trechinhos do CAPÍTULO antes de liberar! Então venham, é só amor! É só acessar o link que vocês caem direto no grupo: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll

POV ANASTASIA

Meu corpo chacoalhava enquanto dormia acomodada no embalo das curvas da serra francesa em direção à região litorânea. Tinha me acostumado com a estrada sinuosa e a velocidade constante que Christian mantinha.

De repente, sentia em meu corpo a alteração da velocidade, com ela se tornando mais lenta, o que alterava o embalo do meu corpo, fazendo com que eu acordasse.

Ao abrir meus olhos, deparo-me com Christian, que apertava as mãos no volante com certa tensão e carregava um olhar pesado de preocupação.

— Onde estamos, Christian? – pergunto com certo cuidado, olhando para frente enquanto já ajeitava o meu corpo para sentar no banco corretamente.

— Estamos nos aproximando do cerco francês, meu amor – diz Christian após dar um profundo suspiro, tentando exalar calma, porém o que eu via eram os lábios de Christian sendo pressionados com força, formando uma linha estreita, demonstrando uma tensão no ar.

Percebia que a tensão era a respeito do cerco francês e que precisaríamos de alguma desculpa para conseguir passar sem sermos interrogados ou qualquer coisa que o valha.

— E o que vamos dizer aos oficiais para conseguirmos passar? – Decido perguntar de forma direta para mostrar a ele que eu sabia de sua preocupação eminente.

O silêncio de Christian me preocupa, e sinto um frio percorrer a espinha do meu corpo. Ele não tinha nada em mente, e isso me preocupava. Não posso deixar que Christian tome nenhuma atitude impensada. Podemos ser pegos e então eu não quero nem saber o que vai acontecer.

Em nossa frente, já podíamos ver o cerco oficial francês de forma muito singela: uma limitação da estrada feita de madeira. Havia dois carros oficiais franceses estacionados na beira do penhasco serrano e a escolta era formada por cinco homens, sendo três deles armados, e todos fardados.

Um deles, com a posse de uma lanterna, caminhava até o carro com bastante calma e tranquilidade. O céu ainda estava escuro e a densidade da serração fazia fumaça ao nosso redor.

Olho para Christian e percebo que escorre um suor frio por entre suas têmporas ao perceber a aproximação do oficial francês.

Observo-o mais um pouco e o vejo analisar toda a situação, pois seus olhos já se tornavam negros de concentração. Após isso, vejo Christian revirar os olhos, e então sei que está zombando de alguma coisa.

Isso é mau sinal, pois quando Christian zomba de algo, ele se coloca superior à situação, e não é o momento para isso.

De repente, observo Christian direcionar sua mão para seu cinto, portando-se de seu revolver de forma sorrateira.

Eu não acredito nisso! Não acredito que, uma atitude desesperada, ele vai colocar em risco a vida dele, a minha vida e a de nossos filhos!

Eu preciso tomar uma atitude.

— Bonjour, monsieur et madame. Où allez-vous? – pergunta o oficial francês com um olhar atento, porém seu ar era de sinceridade. Ele direcionava sua lanterna para nossos rostos com a intenção de nos ver melhor.

Tradução: Bom dia, senhor e senhora. Para onde vão?

Assim que olho para Christian, percebo que estava prestes a engatilhar o revolver, o que me faz tomar uma atitude desesperada.

Debruço-me por cima de Christian de uma forma que me aproximo do oficial, colocando minha mão em cima da sua, segurando-a para impedir que ele tomasse uma atitude impensada.

— Bonjour monsieur. Nous allons le port de Brest trouver Monsieur Lincoln. Nous fuyons du Menz. Été envahie par l'allemand et cherchent une protection – digo de forma sincera, porém mascarando nossa identidade.

Tradução: Bom dia senhor. Nós estamos indo ao porto de Brest encontrar o Senhor Lincoln. Nós fugimos de Menz. Foi invadido por alemães e buscamos proteção.

Christian mantinha-se paralisado enquanto eu falava, tentando demonstrar calma, porém podia ver a tensão em seu olhar.

— Je vois que vous êtes préoccupé par la situation – diz o oficial olhando para Christian e para mim com compaixão — A la fin de la montagne, continuer avant et de parvenir à la périphérie de Brest ont un autre siège qui est commandé par M. Lincoln.

Tradução: Posso ver que estão preocupados com a situação. No fim da serra, continuem em frente e ao chegar aos arredores de Brest terá outro cerco que é comandado pelo Sr Lincoln.

— Merci, monsieur! – agradeço ao oficial, que se afastava do carro enquanto sinalizava aos outros companheiros para autorizar nossa travessia.

Olho para Christian seriamente, reprovando a intenção dele em usar seu revolver para nos livrar daquela situação.

Christian devolve o revolver para o estojo no cinto e se põe a dirigir novamente, olhando para frente o tempo todo, sem olhar um momento sequer para mim.

Cinco minutos após passarmos pelo cerco, eu decido questionar.

— O que você iria fazer com essa arma? – pergunto.

— Uma besteira das grandes... – admite – Mas era para te salvar! Eu estou aqui para te salvar, Anastasia! – diz, aumentando o tom de voz.

— Quer me proteger apanhando uma arma com risco de sermos mortos? Você foi inconsequente, Christian – digo severa.

— Não sei se você percebeu Anastasia, mas a minha vida inteira eu estou sendo inconsequente mantendo você a salvo do partido nazista. Eu perdi a minha posição oficial e social por sua causa! Eu perdi minha liberdade para te amar e te salvar! Um obrigado não seria demais! – exclama Christian com fúria e eu o olho pasma com sua sinceridade tão extrema.

Ficamos em silêncio por instantes até que Christian para o carro e desce do mesmo, deixando os faróis acesos e caminhando para a beira do penhasco, olhando a noite que já ia se transformando em dia na medida em que o sol começava a despontar no horizonte.

Decido deixa-lo em seus pensamentos por alguns instantes enquanto permanecia dentro do carro com os meus próprios.

Christian sempre priorizou meu bem estar acima de qualquer consequência. Ainda mais agora com a guerra instaurada na Europa. Não posso negar tudo o que ele fez por mim e muito menos tudo o que ele passou para estar comigo.

Percebo que sou muito grata a esse homem e toda sua força de vontade para me fazer feliz todos os dias à sua maneira. Christian sempre foi zeloso e cuidadoso comigo e agora está sofrendo consequências graves por se envolver dessa forma.

Desço do carro com cuidado e vou caminhando até ele.

De pé em pé eu posiciono-me ao seu lado com posição de respeito.

— Me perdoe por falar com você daquela maneira... – Christian começa a dizer, porém eu o interrompo.

— Eu que tenho que me desculpar Christian. Peço perdão por não ter recursos e meios suficientes para lhe devolver tudo o que você perdeu por minha causa. Peço perdão por não ter bens, não ter nome e nem família e por ser quem eu sou. E eu só tenho que agradecer a você por todo o risco que você corre para manter-me a salvo – respiro fundo e faço uma breve pausa nas palavras enquanto Christian tem seus olhos perdidos no horizonte de forma reflexiva. — Eu entendo que é difícil para você largar mão da sua vida, das suas conquistas, das suas coisas para fazer tudo isso por minha causa.

Christian respira fundo e vira-se de frente para mim, olhando-me nos olhos e responde-me com sinceridade.

— Anastasia, eu corro estes riscos com consciência dos meus atos e das possíveis consequências. Eu disse aquelas coisas de cabeça cheia e por cansaço. Eu dirigi a noite toda sem descansar para me sentir bem com a promessa que eu fiz a mim mesmo de que ia proteger a você e aos nossos filhos.

Ele toma uma pausa pra si enquanto respira fundo e massageia os olhos com os dedos indicador e polegar da mão direita.

— Não me arrependo de nada do que eu fiz e eu nunca me senti tão vivo em toda minha vida – diz com calma e de forma pausada — Eu não sigo mais ordens esdruxulas, eu não tenho uma patente para representar e eu posso garantir que estou me sentindo cada dia mais em contato com o meu verdadeiro eu. E eu só tive êxito nisso com sua ajuda, devido aos dias em reflexão sobre tudo o que conversamos em relação aos meus atos com Katherine e aos meus pensamentos moldados por um partido com ideologias preconceituosas e restritivas.

Christian executa outra pausa e continua seu discurso olhando para o chão.

— Mas ás vezes... Eu sinto falta da facilidade que era ser quem eu era e com os títulos que eu tinha. Eu não passava por nenhum tipo de risco já que eu tinha homens que morriam e matavam por mim. Também não passava dificuldade alguma já que tinha o total apoio da SS e do próprio Hitler. Além de que eu tive que me esforçar para ter o meu cargo de Tenente-General na área de inteligência estratégica. E agora eu perdi o mérito de tudo o que eu desenvolvi de estratégia com o meu esforço e minhas noites em claro estudando territórios. Tudo pelo meu amor a você, aos nossos filhos e por amor a mim mesmo. Não quero sucumbir a uma crise de consciência pesada no final das contas.

Posso sentir sinceridade nas palavras de Christian, porém eu posso sentir o peso delas e de como elas são intensas de se dizer. Então posso entender o que, esse tempo todo, passava em sua cabeça.

Aproximo-me dele de forma sutil e, carinhosamente, vou entrelaçando meus braços nas laterais de seu corpo, fazendo com que minhas mãos segurassem seus ombros enquanto apoio minha cabeça em seu ombro, podendo sentir o cheiro do seu pescoço que me inebriava.

Christian leva uma de suas mãos a segurar minha cintura e a outra ele leva até meus cabelos, afagando-os enquanto apoia seu rosto em minha cabeça, dando uma profunda fungada, procurando sentir o meu cheiro.

— E agora eu tenho que desistir da melhor coisa que me aconteceu para salvá-la – comenta com pesar, apertando ainda mais meu corpo contra o dele.

— Você nunca vai me perder, Christian. Sabes que eu serei sempre sua pequena. E depois que toda essa guerra terminar, você vai poder deixar o continente e ir morar comigo e com nossos filhos na América – digo com firmeza. Era o que eu sonhava para nós.

— Vou dar o meu melhor, eu prometo – diz Christian, beijando o topo de minha cabeça enquanto alisava meus cabelos.

E assim ficamos abraçados enquanto o sol nascia ao nosso lado, iluminando as montanhas e dando início a mais um dia.

~*~

O relógio já marcava seis horas e meia da manhã.

Após o fim da serra, havíamos chegado ao nível do mar e, antes de chegarmos à Brest, Christian resolveu parar em uma hospedaria nos arredores da região portuária.

O quarto era pequeno e simples, porém era o suficiente para que eu e Christian pudéssemos descansar.

Após um banho relaxante, nos deitávamos na cama e descansávamos nossos corpos daquela exaustiva fuga.

Estávamos deitados de frente um para o outro com nossas testas apoiadas uma na outra com nossos olhos fechados.

— Durma, pequena Ana – sussurra para mim de forma branda e suave, levando-me ao sono profundo.

Profundo...

~*~

Acordava de supetão com o bater da porta, abrindo meus olhos com certa pressa.

Podia ver Christian com a barba feita e vestido elegantemente com um terno escuro e seus cabelos puxados de gel para trás. Ele havia saído.

— Onde você foi? – pergunto confusa, esfregando meus olhos e olhando para o relógio no criado mudo – Já são duas horas da tarde, quanto tempo você ficou fora?

— Eu liguei para Elena, conheci e conversei com o Lincoln e pedi para que localizasse sua mãe. Eu acordei às onze e meia mais ou menos e, como você estava dormindo profundamente, eu não quis te acordar – diz com sinceridade, sentando ao meu lado na cama, beijando minha testa.

— Conte-me tudo, Christian – digo com curiosidade. Quero ficar por dentro do que se passa.

— Sim, eu conto. Mas antes vou te levar para comer alguma coisa – diz com um sorriso frouxo em seus lábios. E então sei que está triste.

— Tudo bem – e levanto-me para trocar de roupa o mais rápido possível.

~*~

Em baixo da hospedaria havia um bistrô, onde escolhíamos um lugar afastado para sentarmos confortavelmente.

Ele de frente para mim em uma mesa de dois lugares afastado da janela do estabelecimento.

Pedia para a garçonete dois pratos do dia: magret de pato en cuit com risoto de brócolis.

Quando ela se afasta, olho para Christian com ternura.

— Então, me diga o que houve – questiono-o com cuidado.

— Elena disse que havia entrado em contato com seu marido e que ele pediu uma reunião comigo. Ele ofereceu me ajudar em troca de algumas informações privilegiadas do exército alemão...

— E você deu informações? – pergunto curiosa.

— Sim, mas antes eu estabeleci um contrato de sigilo para me proteger. Se souberem que, além de desertar, eu entreguei algumas estratégias, vão colocar um preço alto na minha cabeça... – diz preocupado, apoiando uma mão na testa, massageando-a.

— Entendo – digo compreensiva, segurando a sua outra mão que estava sobre a mesa, alisando sua superfície com carinho.

— E depois do almoço nós vamos para outra hospedaria próximo ao porto. Karla está lá e quer te ver. Passaremos a noite lá e amanhã o seu navio vai sair antes do meio dia – Christian engasga antes de continuar falando na tentativa de não mostrar emoção — Vai haver uma parada no continente africano antes de seguir para a América. Estão transportando feridos de guerra de volta para lá e trazendo mais homens para a Europa.

— Compreendo. Depois do almoço nós iremos – sorrio para meu amado na tentativa de vê-lo sorrir, porém ele mantém-se sério.

— Confesso que estou sentido com sua partida. Não quero que vá, porém é preciso... – diz com a garganta fechada, levando sua mão livre aos olhos, esfregando-os ansiosamente.

— Christian... – o chamo e ele me olha com pesar e então eu digo com a sinceridade do meu coração – Eu te amo.

Ele sorri levemente para mim, debruçando-se sobre a mesa, segurando meu rosto e puxando-me para que eu encontrasse seus lábios em um beijo carinhoso e cheio de ternura.

— Voici le magret avec risotto au brocoli – diz a atendente ao voltar com nossos pratos na mão.

Tradução: Aqui está o magret com risoto de brócolis.

Christian e eu interrompemos nosso beijo para comermos.

— Depois nós continuamos isso – diz Christian com um sorriso nos lábios antes de dar a primeira garfada no risoto que exalava um cheiro delicioso.

~*~

Assim que chegamos à nova hospedaria, eu vejo minha mãe me esperando logo ao lado da porta de entrada.

— Mãe! – exclamo com tremenda saudade, já caminhando com certa pressa até ela, abraçando-a com toda a minha força.

— Minha Anastasia! – ela me recebe em seus braços, acolhendo-me calorosamente e então sinto que estou chorando bem ali.

— Oi Karla – diz Christian atrás de mim.

— Oi querido! – diz minha mãe a ele sem me soltar.

— Vou deixar que conversem – diz meu amado com respeito, voltando em direção ao carro.

Após nosso reencontro, Karla se impressiona com o fato de estar grávida e com o tamanho da minha barriga.

— Filha, que barriga é essa?! – questiona-me enquanto Christian descarregava nossas malas e as transportava para o nosso quarto, pedindo licença e nos deixando a sós no hall de entrada da hospedaria.

— É uma barriga de quatro meses que carrega gêmeos – digo com um sorriso no rosto, alisando minha barriga com certo orgulho.

— Gêmeos? Que maravilha! – diz com entusiasmo, colocando suas mãos em minha barriga, alisando-a com cuidado.

— Você sabe que eu estou grávida de Christian, não sabe? – questiono-a com cuidado.

— Christian me contou por cartas. Ele me disse que vocês também já sabem que são meio irmãos – diz com sinceridade para mim.

— Por que você fez isso? Por que traiu a sua amizade com Grace? Ela sempre foi tão boa para nós!

— Eu sei filha. É difícil de explicar... Mas prometo que, em outro momento, conversamos com mais calma. Primeiro vamos cuidar de você e dessa gravidez tão delicada, o que acha?

— Mas pode pelo menos responder alguma coisa? Dizer-me alguma coisa? Eu mereço depois de ter passado por tanta coisa sem saber disso!

— A única coisa que eu posso te dizer é que tudo o que eu fiz, foi por amor. Temos toda a viagem para conversar sobre isso. Se eu fosse você, ia aproveitar o tempo com Christian...

— Tem razão... – Preciso aproveitá-lo enquanto é tempo.

Preciso manter-me calma, ainda mais com a minha despedida de Christian.

Não sei quando retornarei a vê-lo.

Mas tenho fé que, um dia, iremos envelhecer juntos.

Notas finais
E então? Capítulo repleto de emoções, não é? Christian suportou este conflito interno todo esse tempo e agora ele explodiu. Esse desabafo foi necessário para que ele pudesse botar pra fora tudo o que sentia e abrir seu coração para Anastasia. E o encontro de Ana com sua mãe Karla? O que acharam? Comentem, favoritem e recomendem! Até o próximo sábado!