Minha Querida Francesa Anastasia

37 Cap 35 - Viagem ao Desconhecido


Notas iniciais
Olá leitores e leitoras dessa história abençoada (ou não, rs). Então é isso aí, penúltimo capítulo da fic... "Mas Ginger, a fic vai acabar?" NÃO, MEU CARO! Teremos uma segunda parte! Então fiquem aliviados que tem mais história vindo por aí! CRIAMOS UM GRUPO NO WHATSAPP PARA FALAR SOBRE A FIC, lá eu tenho liberado alguns SPOILERS e até uns trechinhos do CAPÍTULO antes de liberar! Então venham, é só amor! É só acessar o link que vocês caem direto no grupo: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll

POV ANASTASIA

Era madrugada e o vento forte chacoalhava as janelas escuras de ferro daquele quarto de hospedaria portuária em Brest, trazendo o cheiro da água salgada do Atlântico para a terra. As paredes traziam papéis estampados floridos um pouco desbotados pelo sol e pela maresia enquanto o ambiente era equipado com cozinha seguida do quarto por um corredor, onde havia uma passagem para o banheiro.

Eu e ele descansávamos sob a cama de madeira escura, mantendo acesa apenas a luz do abajour que se encontrava no criado mudo. Nossos corpos eram nus e protegidos apenas por um cobertor leve.

Tentava lutar contra o tempo com todas as minhas forças. Recusava-me a dormir e descansar naquela noite tão árdua para aproveitar cada milésimo de segundo ao lado de Christian.

Juntos, nós tentávamos sabotar o relógio que insistia em tic taquear os segundos a menos que tínhamos.

Após algumas horas de entrega, onde nossos corpos tornavam-se um só, Christian e eu nos olhávamos com atenção, como se quiséssemos guardar na memória todos os traços que conseguíamos registrar um do outro.

Os cabelos bagunçados de Christian devido à falta de corte, a barba que havia sido feita na tarde anterior, os olhos acinzentados e intensos que me fitavam com atenção, seu nariz e queixo com traços firmes, seu braço forte que deslizava pela minha cintura, o cheiro amadeirado de sua pele...

Suspirava profundamente enquanto estava perdida em meus pensamentos...

Como sentirei falta dele...

Como eu amo esse homem...

Eram certezas que eu iria carregar em meu coração por todo sempre.

Meu amor, minha gratidão, meu carinho, meu afeto e meu desejo por Christian são eternos em meu peito e em minha memória.

Meu amado deslizava sua mão pela minha cintura, chegando até minha barriga, onde procurava sentir algum vestígio de nossos gêmeos.

Suas mãos firmes e imponentes conseguiam agitar os bebês que, apenas com seu toque irreverente, reviravam-se dentro do meu ventre em resposta ao pai.

— Incrível como apenas um toque, eles correspondem... – comenta Christian com um ar de felicidade enquanto fitava minha barriga.

— Eles sabem que é o pai deles – sorrio ao dizer, pois tinha a certeza de que eles sabiam. Mas não posso negar que eu temo que eles possam estar sentindo que esta é uma despedida.

— Eu os amo tanto – Christian diz com grande sinceridade, fazendo com que o quarto todo se preencha com esse sentimento, que repercute em mim, contagiando-me.

— Eles também te amam, Christian – digo com toda sinceridade, sorrindo para ele – Quando você se aproxima, eles se agitam tanto que só eu consigo sentir a festa aqui dentro – e soltava um riso sincero por entre meus lábios.

Christian ri juntamente comigo e então estávamos conectados: a mão de Christian conectava-se com os gêmeos que se conectavam a nós dois em conjunto.

A plenitude daquele momento era tão sublime que nunca ousaria inferir a explicações. Era um ambiente de outro plano, como se não estivéssemos mais naquele quarto e sim flutuando pelos céus, onde ninguém poderia nos fazer mal algum.

— E então... – diz Christian – Serão Phoebe e Theodore.

— Assim como você decidiu – reafirmo.

— E se não for um casal de gêmeos e sim duas meninas, ou dois meninos? – questiona-me.

— Então eu vou ter que pensar em mais algum nome – sorrio com ternura.

Ao capturar meu sorriso, Christian aproxima seu rosto do meu, onde iniciamos um beijo terno e amoroso. Era um contato tão carregado de amor, que eu apenas me entregava a ele e aquele momento.

Enroscava meus dedos nos cabelos próximos a sua nuca, trazendo-o para mim, procurando explorar sua boca e sentir o gosto daquele beijo inebriante.

Christian começa a intercalar os beijos em selinhos e então ouço sua voz.

— Como pode existir uma pessoa tão perfeita como você? Você é real, Anastasia?

— Não diga essas besteiras, Christian – o repreendo com humor.

— Tudo é tão soberbo com sua presença que quando você partir eu terei a sensação de que tudo não passou de um sonho – relata com peso em sua voz, fazendo com que eu sinta a sua dor.

Dor aquela que eu compartilhava. Só de pensar que em algumas horas eu iria atravessar o oceano sem Christian, meu coração afoga-se nas lágrimas que eu insisto em guardar para ser forte o máximo que consigo.

— Vamos ser pacientes e confiantes de que essa guerra logo termine para que você possa ir até a América para ficar comigo e com nossos filhos – digo em tom de esperança – Prometo que irei cuidar-me e que cuidarei deles.

— Eu sei que vai cuidar deles, você será uma excelente mãe – diz com convicção – E eu prometo que me cuidarei e que honrarei nosso compromisso com a vila de Menz. E quando essa guerra findar, eu irei atrás de ti. Juro por minha palavra.

— Estaremos lhe esperando – sorrio de orelha a orelha só de imaginar nosso reencontro.

— Falando em cuidar dos nossos filhos... – diz Christian com seriedade – Dentro do seu baú tem um fundo falso. Nele tem toda a sua herança em espécie. Providenciei o dólar para que você não precisasse trocar ao chegar a Nova York. Como os Estados Unidos acabou de se recuperar de uma crise econômica, os imóveis estão em um preço bastante em conta. Use parte desse dinheiro para comprar uma casa para vocês.

— Entendido – respondo-o com a mesma seriedade – Mas quanto tem de dinheiro aqui dentro, Christian? – pergunto curiosa, porém assustada.

— Juntando minha parte e a de Carrick... Por volta de 8 milhões...

— O que? – assusto-me com aquela informação – Como você colocou 10 milhões de dólares no meu baú? – e ameaço a levantar-me para conferir, porém Christian segura-me na cama.

— A casa de campo que nós vendemos custava por volta dos 6 milhões. E eu decidi completar dois milhões para ajudar no que for preciso. Vendi todos os meus pertences e o resto do meu dinheiro está no cofre na casa de meus pais. Não vou precisar de muito aqui já que eu me viro, mas você... – hesita, mas depois continua – Você vai para um novo país com dois filhos meus em sua barriga. Não posso te desamparar. Não seria honroso da minha parte.

— Christian, 8 milhões... – confesso que estava muito assustada por ter posse de tanto dinheiro.

— Além disso, junto com o dinheiro tem alguns documentos. Eu oficializei você como herdeira de tudo o que é meu se caso acontecer algo comigo e também há uma declaração a próprio punho reconhecida que eu sou o pai do seu filho. Que, no caso, são filhos...

— Eu não sei se darei conta – digo com nervosismo, sentindo minha respiração afobar-se. Nunca havia tido posse de tanto dinheiro – Como você lida com todo esse dinheiro? – pergunto assustada.

— O dinheiro que nós temos deve gerar retorno pra nós de alguma forma... – e então Christian começou a explicar-me em relação à economia, em como armazenar dinheiro e como fazer o uso do mesmo de forma adequada.

Era muito dinheiro em minhas mãos, mas eu tinha decidido em minha cabeça que este só seria usado única e exclusivamente com meus filhos. Afinal, eu tenho muita saúde para trabalhar e preciso me socializar naquele mundo novo.

~*~

Os raios de sol já encontravam os céus e o tempo havia passado absurdamente rápido. Nosso entrosamento era tão intenso que tudo ao redor ficava suspenso, como se nada existisse.

Vestia-me elegantemente: um suéter cor creme quente e de gola estreita, uma saia rodada preta e um peep toe da mesma cor.

Após arrumar-me devidamente para a viagem, Christian levava meu baú para o carro enquanto eu esperava minha mãe no hall da hospedaria.

Ela logo aparecia com uma mala muito simples e surrada que parecia carregar apenas o básico. Ao deparar-me com aquilo, eu percebia claramente minhas origens: humilde e simplória.

— Bom dia, minha Anastasia – diz sorrindo para mim, beijando-me a testa com todo o cuidado que sempre teve por mim – Pronta para esta aventura? – questionava-me de forma animada.

— Bom dia mamãe – digo com certo desanimo – Não sei se estou pronta, mas em algum momento, eu vou estar.

— Essa é minha garota. Vamos para o carro? – pergunta já se encaminhando para o lado de fora, indo em direção a Christian que esperava ao lado do carro com uma calça caramelo de feltro, sapatos escuros e uma camisa branca com as mangas dobradas.

Eu adorava ver Christian vestido daquela maneira, pois eu podia ver a autenticidade do homem que eu amo que ele tanto escondia debaixo daquelas fardas pesadas e escuras.

Posso estar deprimida por minha partida, mas preciso confessar que vê-lo dessa forma, sendo ele mesmo, me deixa feliz. Por baixo de todos os seus títulos e patentes, eu sempre vi Christian por baixo disso tudo. Vê-lo transparecer me dá orgulho do homem que ele se tornou.

— Vamos querida? – o ouço questionar-me enquanto eu o analisava e perdia-me em pensamentos.

— Vamos... Claro – digo em afirmação, voltando à dura realidade caminhando em sua direção.

~*~

Sentada no banco da frente do carro ao lado de Christian que o dirigia, eu já podia notar o redor da sessão portuária e o cheiro de água salgada tornava-se mais forte.

— Antes de chegarmos ao porto eu gostaria de dizer algumas palavras – diz minha mãe, acomodada no banco de trás do carro – Primeiramente eu queria dizer que me é de muito gosto o relacionamento de vocês. Christian sempre foi um filho para mim tanto quanto você, Anastasia – dizia apoiando uma mão em meu ombro e a outra no ombro de Christian – Peço desculpas do fundo do meu coração por não ter dito sobre vocês serem meio irmãos, mas tenho que dizer que não os vejo assim. Eu sei do amor e do respeito que existe entre vocês e isso é o que me faz feliz.

— Sabes que, independente do envolvimento entre nós dois, era de nosso direito saber disso, não sabe Karla? – questiona Christian de forma educada.

— Sim, querido. Estou ciente disso e por isso lhes peço perdão – diz Karla em um tom sincero.

— Está tudo bem, mãe. Christian e eu não nos importamos mais com nossa relação sanguínea. Superamos isso muito bem – digo com um sorriso no rosto, apoiando uma de minhas mãos no joelho de Christian de forma carinhosa, podendo ver um sorriso brotar de seus lábios.

Espantava-me assim que chegávamos ao porto. O tamanho do navio que estava atracado no píer era imenso. Muito maior do que eu imaginava que seria.

— Oh, céus! – exclamo impressionada – Esse navio é enorme!

— É nada, Ana. Você que é pequena demais – brinca Christian que, logo após falar, solta um riso abafado por entre os lábios levemente abertos.

— Tão engraçadinho... – digo em tom de sarcasmo, mas pouco instante depois já começava a rir.

Christian desacelerava o carro, estacionando-o em um local reservado para o embarque de pessoas.

Descíamos do carro e Christian já tomava posse de meu baú, o carregando para dentro do píer. Minha mãe e eu caminhávamos ao seu lado, acompanhando-o.

Na zona de embarque, eu podia ver uma cena que jamais iria me esquecer: enfermeiras e médicos auxiliando no embarque de feridos de guerra enquanto soldados americanos desembarcavam do navio, prontos para a batalha, devidamente uniformizados com seus sacos repletos de pertences pessoais apoiados em suas costas por cima dos ombros.

Podia ver homens sem alguns dos membros, carbonizados, sem um olho, até mesmo caixões de madeira simples empilhados uns em cima dos outros sendo acomodados nos porões do transatlântico.

Além destes homens, muitas outras famílias embarcavam fugindo da guerra, predominando mulheres, crianças e pessoas com a idade mais avançada.

— Christian... – era a única coisa que eu conseguia expressar ao me deparar com aquela situação.

Meu amado parava assim que me ouvia, segurando o baú com uma das mãos enquanto envolvia seu braço por meus ombros e beijava-me os lábios com ternura.

— Está tudo bem, minha pequena – ele beijava minha testa após olhar-me nos olhos com confiança, tentando transmitir tranquilidade.

Caminhávamos mais um pouco em direção àquela visão e, de repente, um homem devidamente uniformizado parava próximo a nós.

— Bom dia, Grey – referia-se ao meu amado com firmeza.

— Bom dia Lincoln. Estas são Karla e Anastasia Steele – dizia para aquele senhor, referindo-se a nós duas.

Lincoln era um homem de porte médio alto, tinha rugas em seu rosto e os cabelos eram mesclados em tons de castanho claro e grisalho. Sua pele era um tanto avermelhada, que se tornava ainda mais destacada devido ao seu uniforme impecavelmente branco.

Trazia o quepe em mãos em sinal de respeito e ligeiramente estendia sua mão em direção a minha mãe, que a apertava em cumprimento.

— É um prazer Comandante Lincoln – dizia minha mãe.

Sem demora, Lincoln direcionava sua mão em minha direção, procurando por meu cumprimento.

— Prazer Lincoln – dizia educadamente, segurando sua mão e apertando-a com firmeza.

— Nosso navio partirá dentro de meia hora. Estamos abastecendo e carregando. Aqui estão seus bilhetes – e ele estica em direção a minha mãe dois papeis brancos com detalhes em dourado – Como tem muitas famílias importantes viajando conosco, o melhor aposento que consegui foi na segunda classe, porém é privativo para as duas senhoras e o acesso à primeira classe é permitido com exceção dos restaurantes. A cabine contém um beliche confortável, sofá, lavatório equipado, banheiro privativo, armário e cofre. A alimentação é por conta do navio, servindo cinco refeições ao dia: café da manhã, brunch diurno, almoço, brunch vespertino e jantar. Outras informações serão dadas após o embarque e ele se encerra em 15 minutos. Preciso retornar ao trabalho – diz de forma respeitosa enquanto coloca seu quepe novamente e segue em direção aos seus marinheiros subordinados.

— Só temos quinze minutos?! – pergunto em descrença, sentindo meu coração apertar no mesmo momento.

— Eu vou andando então, minha filha. Espero-te dentro do navio. E você – diz minha mãe direcionando-se a Christian, o abraçando com carinho – Não há maneiras de agradecer tudo o que fizestes pela minha filha. Muito obrigada e sabes que lhe espero muito em breve no ocidente.

— Eu irei. Não há jeito da sua filha de livrar de mim – diz de forma descontraída, porém Christian olha para Karla com uma expressão aflita e lhe diz – Cuida dela e dos meus filhos, por favor.

— Assim como cuidei de você, de seu irmão e de Anastasia – diz Karla com segurança enquanto entrega-me o meu bilhete, caminhando em direção ao embarque da segunda classe, deixando-me a sós com meu amado.

Meus olhos iam de encontro aos de Christian no mesmo instante em que Karla se afastava.

Sem demora, eu me entrego aos seus braços, abraçando-o e apertando-lhe fortemente, afundando meu rosto em seu peito.

Christian envolve-me com um de seus braços firmes enquanto a mão do outro braço se direcionava até minha cabeça, afagando-me com cuidado. Logo sentia seus lábios apoiados em meus cabelos, onde ele beijava com ternura, enchendo-me de amor.

Ficamos neste abraço por longos instantes em silêncio, apenas sentindo-nos um ao outro.

— Eu te amo, minha pequena – sussurra Christian contra meus cabelos – Eu lhe dou minha palavra de que, quando esta guerra terminar, eu irei atrás de ti.

— Eu te amo Christian, e sei que irá atrás de mim. E eu vou estar lhe esperando junto com os nossos filhos que logo irão nascer – digo esboçando um sorriso. Meus filhos eram o meu elo com Christian e eu os protegerei com todas as minhas forças.

Christian segura meu rosto com as duas mãos e faz com que eu encontre seus olhos intensos e acinzentados novamente.

Ele fita-me com ternura e aproxima seu rosto do meu com urgência, pressionando seus lábios contra os meus, estabelecendo um beijo terno e intenso em que nossas línguas se encontravam harmonicamente e eu podia sentir seu gosto. O qual eu iria sentir falta por muito tempo.

Depositando selinhos em meus lábios, Christian encerra nosso beijo e ajoelha-se em frente a mim moldando suas mãos na protuberância de minha barriga, beijando-a diversas vezes com certo cuidado.

— Cuidem um do outro e sejam fortes – diz Christian com firmeza aos nossos filhos, e isso me faz sorrir. Nunca vou esquecer estas palavras.

O navio apitava em seu aviso dos últimos cinco minutos para o embarque de passageiros.

— Vamos! Você não pode perder este navio – diz Christian com firmeza, carregando meu baú às pressas para o carregador do navio que gentilmente requisitava meu bilhete para destinar corretamente minha bagagem.

No início da rampa de embarque que ia do chão do píer até a porta do navio parávamos eu e Christian um de frente ao outro.

O último olhar em seus olhos e então sei que é hora de partir.

Seguro seu rosto com desespero e afogo meus lábios nos seus e Christian faz o mesmo. Beijamo-nos desesperadamente até que Christian desvia os lábios às pressas para minha testa, beijando-a antes de dizer:

— Vá, minha querida.

— Christian... – hesito em subir a rampa.

— Por favor, não faça isso comigo. Apenas vá – ele diz em um tom de sofrimento.

— Eu te amo, Christian. Saiba que estás no meu coração e que estarei lhe esperando.

— Eu te amo, Anastasia – diz com sinceridade – Agora vá!

Sem mais delongas, corria rampa acima, entregando meu bilhete para o serviço de embarque sem olhar para trás. Sem demora, as portas atrás de mim eram lacradas.

De repente, meu coração é tomado por um vazio tão imenso que me faz correr.

Vou perseguindo todas as setas direcionadas para o deck do navio com extrema pressa.

Assim que a alcanço, corro com ainda mais pressa para as laterais do deck em posição meia nau, debruçando-me sob os ferros que protegiam as beiradas do navio e procurava desesperadamente por Christian.

Quando o avisto, percebo que ele já havia me encontrado há muito tempo e que seus olhos estavam em mim lá de baixo.

O navio apita novamente e eu já podia ouvir os marinheiros em comandos sincronizados para subir a âncora e dar início à partida.

Mas todos esses barulhos tornavam-se o segundo plano para mim, pois meus olhos eram em Christian o tempo todo.

Beijo a palma de minha mão e a direciono para o meu amado, o qual sorri de canto com minha atitude e continua olhando-me.

O navio já começava a manobrar, dando início à saída do cais, e o desespero assola meu coração novamente.

Na medida em que o navio se movimentava, eu percorria as beiradas no intuito de não perder Christian de vista até que, em pouco tempo, já alcançava a popa.

Não tinha mais para onde correr, mas eu permanecia ali com meus olhos nele o tempo todo. Até que eu já não conseguia vê-lo mais, apenas fitava o porto ao longe, o qual ia se afastando cada vez mais.

Ao me dar conta de que já percorríamos a costa francesa alcançando mar aberto, as lágrimas tomam conta de meus olhos e lavavam meu rosto indiscriminadamente.

Mal podia controlar a tristeza do meu coração e o vazio que eu sentia.

Porém eu não podia desistir.

Precisava ser forte por mim e pelos meus filhos.

~*~

Já haviam se passado três dias desde que saímos de Brest.

No fim da tarde daquele mesmo dia, o navio atracou no extremo norte da África, recolhendo mais passageiros: tanto soldados feridos e caixões quanto mulheres, crianças e idosos.

Na madrugada do primeiro dia no navio eu tive muita febre e náusea. Karla tentou abaixar minha febre, porém foi sem sucesso.

No segundo dia um médico e uma enfermeira que estavam cuidando dos feridos de guerra vieram me averiguar e constataram baixa imunidade e que meus bebês correm risco.

Agora estou aqui no convés médico em uma maca de hospital improvisado sendo alimentada por sondas e monitorada todo tempo.

O convés médico feminino tinha sido completamente dominado devido a grande quantidade de feridos e então foi necessário improvisar biombos para manter-me separada dos demais, onde eu tinha o privilégio de estar acompanhada de minha mãe a todo momento.

Durante a noite, enquanto minha febre se mantinha alta, eu podia ouvir os gritos desesperadores daqueles homens em um pedido de socorro agoniante.

No meio destes gritos, minha cabeça girava e variava em febre enquanto não parava de repetir o nome dele...

— Christian... – eu variava enquanto meu corpo suava em febre e ameaçava em vomitar, tossindo o tempo todo.

— Minha filha, seja forte! – exclamava minha mãe em desespero, trocando as compressas para abaixar minha febre, porém sem êxito.

— Christian... – variava em febre. Já não comandava mais meu corpo.

— Tudo vai ficar bem, minha filha – repetia Karla várias vezes.

Sentia meu corpo extremamente cansado. Meu corpo não parava de pingar suor e nada abaixava minha febre.

Meu corpo ia se esvaindo e amolecendo cada vez mais na maca, como se eu estivesse cansada demais para lutar.

De repente, tudo ao meu redor é escuro e meu corpo fica cada vez mais leve.

Toda a dor amortecia e eu só conseguia processar vozes enquanto elas se tornavam cada vez mais distantes.

— Sua filha está com malária, senhora. Estamos fazendo o possível para salvar a ela e aos bebês.

— Malária? Como assim malária?

— Provável que ela tenha se contaminado quando o navio atracou na África...

De repente, silêncio.

Plenitude.

Notas finais
GENTE! Essa despedida foi de partir o coração, nénom?! E as palavras de Karla, o que acharam? OMG! O que será que aconteceu com Anastasia?! Será que ela vai chegar bem na América?! IMAGENS DA CABINE DE 2ª CLASSE DO NAVIO: — http://1.bp.blogspot.com/-3fHF2RGER0M/UFN9lPjrVqI/AAAAAAAAAJ8/FXAwaLCZ6m0/s1600/second-class_2168660k.jpg — http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2013/03/02/article-2287163-1863A85C000005DC-490_964x590.jpg COMENTEM E RECOMENDEM! Promero liberar antes da data o próximo capítulo com 15 comentários :3