Minha Querida Francesa Anastasia
38 Cap 36 - Fantasma
Notas iniciais
POV CHRISTIAN
— Merda... – resmungo ao sentir uma dor quase insuportável que avassala minha cabeça e me dá a sensação de que ela irá explodir a qualquer momento.
Desperto mais um dia nesta hospedaria francesa que cheira a maresia. A luz do sol quente vem por entre as frestas da veneziana e encontram meu rosto.
Arrasto-me sonolento pelos lençóis e tateio-os em busca de Anastasia, porém não a encontro. E então me lembro: ela se foi.
Resmungo com a enxaqueca que me fazia tontear, dificultando minha busca pelo relógio da cabeceira da cama.
Ao percorrer os arredores próximos da cama com uma das mãos, posso sentir os adornos das bordas das garrafas de bebida que eu vinha ingerindo há dias, sem falar no cheiro do álcool que se mistura com o cheiro do sal vindo do mar.
Havia perdido completamente a noção do tempo. Não fazia ideia de quantos dias haviam se passado e nem qual foi minha ultima refeição.
Assim que alcanço o relógio, pego-o em minha mão e o aproximo de meu rosto, pois estava com a visão turva e as dores de cabeça não ajudavam nada.
— Ah, que maravilha... – ironizava ao discriminar que já eram duas horas da tarde.
Tentava me levantar para chegar ao banheiro sem esbarrar em muitas coisas, mas esbarrava no pé da cama e na soleira da porta de acesso ao toalete.
Quando expunha meu membro para realizar minhas necessidades fisiológicas matinais, percebia que estava usando apenas uma samba canção de algodão.
Enquanto ia recompondo a consciência, sentia o cheiro do álcool ainda mais forte predominando o ar e o cheiro do meu corpo também não era dos melhores.
Dentro do vaso eu podia perceber que havia vomitado e, surpreendentemente, eu não me recordava disso.
Acionava a descarga e despia-me, entrando diretamente no chuveiro para lavar-me.
Enquanto eu sentia a água escorrer pelo meu rosto e corpo, minha consciência retornava aos poucos e o embotamento se esvaia gradualmente.
De repente já estava pensando nela. Preocupava-me se ela estava fazendo uma boa viagem, se ela se alimentava bem e se já havia chego ao seu destino...
Mas o sentimento que vinha após a preocupação era a enorme falta que eu sentia dela.
A falta que Anastasia fazia era equivalente a uma peça de quebra-cabeças perdido e que não poderíamos ver a completude e a harmonia da figura sem a mesma. Mas era uma peça importante e decisiva, como se sem ela o quebra-cabeças não faria nenhum sentido.
E realmente não fazia.
Os dias sem Anastasia não fazem nenhum sentido.
Quando dava por mim, meus olhos marejavam em lágrimas e minha garganta fechava violentamente, fazendo com que eu perdesse a respiração enquanto forçava o choro para dentro.
Precisava me recompor o quanto antes. Preciso cumprir a promessa que fiz à Anastasia, aos meus companheiros e todo o povo de Menz. Eu precisava voltar o quanto antes.
Após o banho, enxugava-me rapidamente e ando até minha sucinta mala, pescando dentro dela outra samba canção.
Em seguida, abria as janelas para que o mau cheiro saísse e renovar os ares e apanhava uma sacola a qual eu jogava dentro todos os recipientes de alcoólicos jogados ao chão: garrafas de mais garrafas de Bourbon.
— Que porra... – resmungava devido à dor de cabeça, que era intensa, e a minha barriga que protestava entre enjoo e fome.
De repente, ouço alguém bater em minha porta e, de forma sorrateira, beirava-me até o olho mágico para conferir quem seria.
Para minha surpresa, eram Glass e meu braço direito Taylor.
— Mas que diabos... – resmungava novamente enquanto destrancava e abria a porta. Estava com um mau humor daqueles esta tarde.
— Já está na hora de voltar, não acha? – dizia Taylor com um olhar sério, porém demonstrando respeito. Taylor não era um homem de muitas palavras, por isso nos dávamos bem.
— Andou se embebedando é? – zombava Glass. Creio que seja de minha fisionomia esguia e embotada ou do cheiro do quarto. Talvez dos dois.
— Uma boa tarde para os senhores... – digo enquanto abria passagem para a entrada de ambos no meu quarto e em seguida fechava a porta – Como me encontraram?
— O marido de Elena a informou. Tivemos conhecimento através dela. Como você demorou uma semana para dar as caras, viemos te buscar – explicava Taylor sucintamente. Ele sabia que eu não era um homem de ladainhas, muito menos em minha situação atual.
— Essa quantidade de bebidas seria suficiente para embebedar uma quadrilha... – comentava Glass impressionado enquanto averiguava a sacola que eu estava utilizando para coletar as garrafas que estavam espalhadas ao chão.
— Sabe que foi a atitude correta, não sabe? – falava Taylor de forma amigável, passando-me verdade em suas palavras enquanto segurava meu ombro.
— Sei... – simplesmente o respondia. Não queria tocar muito neste assunto, então já o desvencilhava – Então voltaremos... – dizia enquanto apanhava minha mala, buscando roupas limpas para vestir e encontrava uma última calça de feltro lavada, passada e dobrada por Anastasaia e a vestia juntamente com uma regata branca de baixo e uma camisa da mesma cor.
Guardava todas as minhas coisas que estavam espalhadas pelo quarto dentro da minha mala e encaminhava-me para a porta logo atrás de meus companheiros.
Porém, antes de sair, tomava uma decisão um tanto imatura, porém necessária para o meu coração. Retirava a fronha do travesseiro ao lado do meu e a colocava em um bolso lateral da mala. Uma de minhas últimas lembranças de Anastasia é dela deitada com a cabeça nessa fronha lutando contra o sono para aproveitar as últimas horas comigo.
Nunca me esquecerei...
Dava uma última olhada naquele quarto antes de sair e trancá-lo, carregando a chave comigo para entregar na recepção da hospedaria.
Enquanto atravessávamos o corredor de portas e descíamos as escadas, ouvia Taylor sugerir de comermos algo antes de seguir viagem e então concordo com o mesmo. Precisava me alimentar com urgência antes que os protestos em forma de dor de meu corpo se agravassem ainda mais.
~*~
Durante todo o caminho de volta eu me lembrava da pressa que eu havia passado por ali para salvar minha pequena.
Seguíamos viagem em dois carros: Glass dirigia o carro que eles haviam utilizado para me encontrar enquanto Taylor dirigia o carro que eu estava usando.
— Onde conseguiram o carro? – questiono Taylor, procurando ocupar minha cabeça com bobagens.
— Em um saque. Você deixou estruturados alguns comboios alemães e nós seguimos com os saques, todos sem nenhum prejuízo.
— Excelente... – impressionava-me com a proatividade de meus homens.
— E você? Onde conseguiu este? – questiona-me curioso.
— Troquei com um fazendeiro no meio da estrada. Não podia chamar atenção com aquele carro oficial nazista... – o respondia um tanto reflexivo – E Menz? Como está a vila?
— Estão todos bem, só preocupados com Bienna...
— Anastasia, Taylor... – o corrigia educadamente.
— Ah sim, Anastasia... – Taylor se corrigia respeitosamente – Você precisa ser forte, homem. Quando essa guerra findar, vamos poder sair do país e você poderá vê-la novamente.
— Essa merda de guerra... – resmungava voltando minha atenção para a paisagem que borrava a janela ao meu lado devido a velocidade que o carro alcançava na estrada.
~*~
Após muitas horas de viagem de volta a Menz, Taylor estacionava o carro em frente à casa do lago, que era onde eu residia atualmente.
Ao descer do carro, podia ver as luzes acesas da casa de Elena refletindo na água do lago enquanto preparava-me antes de olhar para trás e deparar-me com o cenário da minha felicidade, onde passei momentos de muita alegria ao lado da minha pequena.
Virava-me enfim e subia as escadas em direção à porta, percorrendo a varanda e abrindo a mesma, observando ao redor.
Ainda podia sentir o cheiro dela, a presença dela...
— Grey, Elena está vindo – dizia Taylor do lado de fora da casa enquanto observava a mulher caminhando em direção a nos, deixando Leila para trás, que colocava as mãos em seu rosto como se estivesse aos prantos, e isso me preocupa.
— Christian, trago notícias do transatlântico, e não são muito boas... – diz Elena ao se aproximar de mim com um olhar receoso.
— O que houve? – pergunto com certo medo. Não era uma pergunta que eu queria fazer, pois tinha medo da resposta...
— Na parada do navio na África, Anastasia contraiu malária e passou maior parte da viagem no convés de feridos e não resistiu... – dizia Elena com certa calma, mas suas palavras devastavam-me por dentro.
— O que? – questiono em desconformidade.
— Anastasia morreu antes de chegar a América... – Elena dava uma pausa na sua fala ao reparar minha feição em choque – Eu sinto muito. Estamos todos muito tristes com a notícia. Saiba que pode contar conosco pro que precisar – diz de forma compreensiva.
Era como se minha mente tivesse escurecido e nada mais existisse.
Tudo ao meu redor era nada.
Caminhava sem sentido algum para dentro do chalé enquanto passava minha mão em meu rosto até minha nuca, andando de um lado para o outro.
Taylor entrava pela porta e observava-me atento, porém eu não me importava.
— Inferno! – gritava de um segundo para outro, direcionando minhas duas mãos em punho contra a parede da sala, fazendo a estrutura da casa tremer.
Levava minhas mãos ao meu rosto sem pensar e, de repente, já estava aos prantos.
Enquanto chorava, gritos de dor e agonia saíam de minha garganta sem sequer cogitar.
De repente, tudo era preto em minha frente e, quando dei por mim, havia revirado a casa completamente: móveis, mesa, cadeiras, tudo... E eu me encontrava sentado no sofá, que estava intacto, olhando para o que eu havia feito sem nem lembrar.
— Christian... – dizia Taylor respeitosamente enquanto ia se sentando ao meu lado – Entendo sua dor, sabes que perdi minha esposa de forma cruel. Ela era judia e, foi morta ao voltar para casa após um dia de trabalho. É uma dor irreparável, mas precisamos aprender a conviver com ela da melhor maneira possível.
Taylor era um homem exemplar: já fazia parte do exército antes do regime nazista entrar em vigor e, foi forçado a lidar com a morte da mulher como algo natural e necessário para o desenvolvimento da Alemanha.
Não poderia ter uma pessoa melhor ao meu lado nesse momento tão difícil na minha vida.
— Pode contar comigo e com todos nós, sabe disso. Desertamos não só por estarmos cansados de toda aquela baboseira nazista, mas por respeito e amizade que temos por você – dizia Taylor firmemente e suas palavras me faziam sentir que eu tinha amparo.
Porém o choque daquele momento não me permitia falar completamente nada.
Sentia-me vazio.
Um nada.
Algo completamente sem sentido algum.
~*~
Já haviam se passado três dias após a morte de Anastasia e eu me encontrava completamente embotado. Não conseguia me expressar e muito menos falar.
Era como se eu estivesse completamente anestesiado para não sentir aquela dor por medo de não suportá-la.
Meus companheiros tentavam distrair-me como podiam, porém Taylor tem sido mais respeitoso e compreensivo. Deve ser devido ao que o aconteceu com ele e sua esposa.
Apesar de embotado, eu estava atento e precisava retomar minha vida aos poucos. Por isso havia planejado um saque a um comboio francês que erguia acampamento nas redondezas.
E nos lá íamos.
Estacionávamos nosso caminhão em uma distância razoável por entre as árvores para não chamarmos atenção e íamos nos aproximando a pé dos caminhões de carregamento, verificando todos eles enquanto um de nossos homens averiguava a movimentação do acampamento.
Devido à extrema diversão e distração dos soldados, a quantidade de armamento e mantimentos que conseguíamos era abundante, nos abastecendo por mais de um mês.
Tudo estava tão disperso que desconfiava do que estava acontecendo naquele acampamento.
Decido então aproximar-me dos alojamentos e o que eu encontro é um pequeno grupo de homens divertindo-se dentro de uma mulher qualquer.
Mas algo ali me estava familiar e então procurava prestar mais atenção.
Por entre os seis homens eu podia ver cabelos loiros vestindo preto.
E então eu tinha certeza de quem era: Katherine. E os homens a estavam estuprando em coletivo.
Não conseguia sentir completamente nada com a cena que eu via, mas sei que Anastasia gostaria que eu a ajudasse e então, esperaria um momento para me aproximar. E não demorava muito até o momento oportuno aparecer.
Aproximava-me de Katherine que estava jogada em um canto escuro com as roupas rasgadas e os cabelos desgrenhados. Confesso nunca tê-la visto de forma pior. Nem quando a espanquei ela ficou tão deplorável.
— Christian? – ela sussurrava assim que levantava os olhos e me enxergava – Eu estou sonhando? – pergunta confusa.
— Vou te tirar daqui – dizia com frieza, pegando-a no colo e carregando-a facilmente por entre as árvores.
Quando entrava na caçamba do caminhão com Katherine em meus braços, meus companheiros olhavam-me com confusão, mas não estava muito a fim de dar explicações.
— Os franceses a estavam estuprando... – dizia Taylor por mim
— Ela não é sua esposa, Grey? – questionava Glass reconhecendo-a – Lembro-me dela em seu aniversário.
— Era – o corrijo – ela fez coisas repugnantes, porém nenhuma mulher merece tal tratamento – digo enquanto coloco Katherine sentada entre meus homens, oferecendo meu casaco para que ela pudesse cobrir suas intimidades.
Todos se calam e seguimos em silêncio enquanto retornávamos para Menz.
~*~
— Obrigada, Christian. Eu não sei nem como te agradecer – repetia Katherine pela milésima vez após sair do banho, caminhando até a sala da casa do lago.
— Nada mudou. Amanhã você vai voltar para Berlim – dizia de forma indiferente enquanto inspecionava no meio da sala um carregamento saqueado de armas e munições, analisando o que podíamos aproveitar dali.
— Se eu voltar para Berlim, eu vou ser presa – diz Katherine.
— Como se eu me importasse... – continuava indiferente à situação. Katherine precisava pagar pelas atitudes que tomou.
— E onde está Anastasia? – questiona-me e essa pergunta atravessa o meu peito como se o estivesse rasgando. Dói pensar na morte da minha pequena.
— Morreu de malária durante a viagem para a América – tento me expressar da maneira mais neutra possível para não demonstrar minhas fraquezas. Katherine é traiçoeira e já provou do que é capaz.
— Então agora podemos ficar juntos enfim! – dizia Katherine de forma esperançosa enquanto caminhava até mim com um sorriso, porém só de pensar em estar com ela eu tenho vontade de matá-la.
— Não há nenhuma probabilidade de voltarmos, Katherine – alego com veemência enquanto terminava de descarregar uma ultima espingarda, passando para o carregamento de revolveres.
— Mas Christian, nós temos um filho! Ele está sob a tutela de meu pai! Tens que conhece-lo e cuidar dele...
— Isso se for meu não é? – digo interrompendo-a.
— Nós podíamos ter sido felizes se não fosse Anastasia...
— Te garanto que meu desinteresse em você não tem nenhuma relação com Anastasia. E, aliás, o meu maior erro foi ter casado com você. Agora vá dormir e descanse para tomar seu rumo amanhã – digo seriamente enquanto olho para Katherine que está em pé do outro lado da mesa de centro em frente a mim.
Katherine olha-me nos olhos com tamanha tristeza e se ajoelha ao chão, chorando em desamparo. E eu apenas consigo olhar aquilo, sem sentir nada.
— Te perder foi a pior que a morte pra mim. Eu já nasci perdendo, Christian. Minha mãe morreu durante o meu parto, ela tinha uma imunidade baixíssima e eu a matei. Meu pai não soube como me criar e então nunca me deu limites e sempre deu tudo o que eu sempre quis! Fez-me tornar essa pessoa mimada e sem escrúpulos – faz uma pausa, fungando o nariz devido ao seu choro excessivo e emocionante, porém não me comovia nem um pouco – Eu nunca me senti completamente feliz, mas você me faz chegar perto disso. Não te ter é o meu pior castigo! Eu só vim parar aqui pois estava lhe procurando!
— Procurando-me? – questiono sem entender.
— Sim, pois tinha esperanças que pudéssemos ser felizes...
— Como sabia que eu estava aqui? – pergunto com dúvidas.
— Uma foto de Anastasia e Elliot apareceu nos jornais franceses. Eu estava em Paris nessa altura e meu pai me encontrou lá após a invasão alemã ter chego. Mostrei o jornal ao meu pai...
— Então você fez a denúncia! – levanto-me do sofá em um solavanco, ficando de pé com um olhar repleto de indignação.
— Sim, eu fiz a denúncia. Eu te queria pra mim! Você tinha que se livrar daquela garota! – exclama Katherine e suas palavras me enchem de ódio, fazendo com que eu avance pra cima dela sem pensar e a pressionar contra a parede, olhando em seus olhos com ira.
— Por sua culpa eu desertei! Por sua culpa eu tive que sair às pressas para a região litorânea com Anastasia grávida de gêmeos, e uma gravidez de risco! Por sua causa Anastasia ficou desamparada e morreu! Além de tudo isso, você me faliu e tentou matar o amor da minha vida, fazendo com que ela perdesse nosso primeiro bebê! E depois de tudo isso você ainda tem a audácia de se vitimizar para mim querendo voltar? Eu pensei que fosse louca, mas nem tanto! – vomitava todas aquelas palavras sem ao menos pensar enquanto encarava Katherine que, aos prantos, se encolhia contra a parede.
Após instantes olhando um para o outro, Katherine quebra o silêncio.
— Você era tudo o que eu tinha e tudo o que eu queria... Mas se não sou o mesmo pra você, prometo que não irei mais lhe incomodar... – dizia pausadamente até ser interrompida pelo bater da porta do chalé.
Deixava Katherine sozinha enquanto caminhava até a porta para atende-la.
Assim que abria a porta, dava de cara com Leila que, antes de falar, arregalava os olhos ao olhar atrás de mim, colocando as mãos em sua boca em horror.
Foi o tempo de virar-me para trás e ver Katherine com uma arma apontada para a própria cabeça.
— Adeus, Christian – e puxava o gatilho, ativando a arma, fazendo com que a bala atravessasse sua cabeça, espirrando sangue para todos os lados enquanto seu corpo caía ao chão.
— Oh meu Deus! – exclamava Leila em pânico.
Ao presenciar aquilo eu só conseguia sentir uma ponta de inveja de Katherine no fim das contas.
Dava-me conta de que, por mais que minha vida não fizesse mais sentido sem Anastasia, eu não tinha coragem suficiente para fazer aquilo.
E isso me frustrava no fundo.
Estava tudo acabado.
Só me restava vagar feito um fantasma.
Prosseguir me arrastando pela vida sem motivos.
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