Minha Querida Francesa Anastasia
7 Cap 7 - Ela Vai Ressurgir
Notas iniciais

POV ANASTASIA
Por que isso tá acontecendo comigo?
Por que eu estou passando por isso?
Por que, meu Deus?
Minhas lágrimas escorrem sem parar e minha vagina dói. Uma dor sem igual. Nunca tinha recebido nenhum homem dentro de mim e não estava preparada pra isso. Era a pele dele contra a minha. Sem lubrificação. Sem sentimento. Sem motivo.
— Isso, chora mais! Eu gosto de te ver chorar! – e ele diz num tom sádico, amando aquela situação toda.
Abro meus olhos para encará-lo, mas não consigo muito bem definir seus traços. Mas algo em seu pescoço brilha contra a luz e me chama atenção.
Há um anel de diamantes em seu cordão. E a minha sensação é de tê-lo visto em algum lugar. Em uma tentativa de me distrair enquanto minha dignidade era arrancada de mim da pior forma possível, procuro gravar os detalhes que podia daquele anel.
De repente ele sai de mim de uma vez só, sem nenhuma piedade e sai de cima de mim em um sobressalto.
— Queria te ver de novo. Passamos uma noite ótima! – ele diz com sarcasmo e some na escuridão do quarto.
— Pois eu não quero te ver nunca mais! – digo com ódio, me encolhendo o tanto que eu podia na cama, me desabando a chorar.
Não entendo o motivo de isso estar acontecendo comigo! Eu não consigo compreender!
A única coisa que consigo fazer é tremer e chorar.
Tremer e chorar.
Tremer e chorar...
Até...
Apagar.
...
Acordo assustada pela madrugada e não ouço mais barulhos no andar de cima. Todos devem ter ido embora.
As lembranças do que aconteceu marcam meu corpo dolorido. Queria que tivesse sido um pesadelo, mas não foi.
Levanto da minha cama com as pernas trêmulas e busco o interruptor para acender as luzes.
Assim que a lampada se acende e eu olho para o lençol da minha cama, vejo os trapos de minha calcinha, sangue e ... Gozo? Deve ser daquele... Monstro!
As cobertas estavam todas no chão e nelas não havia nada. Pego apressadamente o cobertor cor de caramelo que Christian havia me dado e dou uma longa fungada nele, procurando algum conforto. Não consigo me conter e me ponho a chorar novamente.
Olho-me no espelho e vejo sangue e suor em minha camisola.
Não consigo olhar-me nos olhos, mas imagino minha feição...
Inconsolável. Destruída. Acabada.
Arrasto meus pés no chão enquanto junto em uma trocha o lençol com o sangue, minha camisola e os trapos dentro e dou um nó.
Visto-me com meu roupão e calço meus chinelos de pano.
Vou caminhando até o andar de cima lentamente para não acordar ninguém junto da minha trocha de coisas as quais jogarei fora.
Pela porta de trás eu saio da casa em direção aos latões de lixo externos. O vento gelado devia bater em minha pele e queimá-la instantaneamente devido a mudança radical de temperatura, mas eu não sinto nada. Estou anestesiada e apática.
Após jogar no lixo aquela trocha de lembranças que quero esquecer, volto para dentro da casa, trancando a porta de trás e caminhando de pé em pé até o banheiro do quarto de hóspedes.
Ao passar pela sala sinto um cheiro forte de fumo e reparo no quão vazia a cristaleira está de garrafas de whisky.
O cheiro de cigarro da sala me dá nojo, o que me faz subir as escadas correndo com a mão no rosto.
Esse cheiro forte de cigarro... Eu nunca vou esquecer...
No banho eu esqueço da vida por um tempo. Me concentro na água quente que me lava o corpo e me tira do peso das impurezas que estão entranhadas em meus poros.
Eu chego a agredir minha parte íntima de tanto que a lavo e esfrego, numa tentativa de limpá-la da sujeira que eu fui submetida. Ela arde, mas eu não ligo. Eu preciso me limpar. Estar nova em folha. Me sentir um pouco melhor.
Ao sair do banho, percebo que o dia lá fora começa a raiar e as leves frestas de sol começam a tocar as nuvens.
Minhas pernas estão fracas e eu ando um tanto desengonçada de volta para o meu porão.
Coloco calças dessa vez. Não me permito usar uma de minhas camisolas. Visto um pijama xadez azul com branco com a camisa sendo de botões.
Arrumo novamente minha cama, colocando outro lençol e me deito. Encolho-me. Refugio-me entre minhas cobertas e de lá não quero sair.
Acabo dormindo novamente.
...
— Ana... Você está bem? – Acordo com um afago em meu rosto como se estivesse medindo minha temperatura.
Abro meus olhos e vejo Christian sentado ao meu lado enquanto Katherine está de pé com os braços cruzados e uma feição ilegível.
— Você parece um tanto quente. Acordei e você não estava na cozinha e achei estranho... – diz ele preocupado enquanto continua verificando minha temperatura. – Você está com um pouco de febre, pequena. Acho melhor que você descanse hoje.
Eu apenas consigo olhá-lo com vazio no olhar, não consigo pensar em nada. Minha vontade é de morrer. Estou completamente apática e sem sentimentos. Estou anestesiada com o que aconteceu. Tudo o que eu queria era contar. Mas tenho medo...
— Ela nem fala, coitadinha... Está com febre mesmo... – diz Katherine parecendo estar preocupada, mas eu ainda desconfio dessa gentileza toda.
— Está mesmo. Vamos deixar Ana descansar – diz Christian beijando-me a testa antes de se levantar e sair dali.
Katherine se aproxima de mim com um olhar diferente. Ela nunca havia me olhado daquela forma. É difícil definir que olhar é esse.
— Como foi ontem à noite? Os rapazes fizeram muito barulho? – diz ela enquanto descruzava os braços.
Assim que os seus dedos passam pela fraca luz que entra em meu quarto, posso ver algo que brilha.
Abro bem os olhos para ver o que é...
Olho para os dedos de Katherine e...
Vagabunda!!!
Não posso acreditar no que vejo!!!
É aquele anel!!!
O anel do cordão daquele monstro!!!
Calma, Ana... Você precisa ser esperta...
— Que anel bonito, sra... – digo em um tom de coitadinha para não mostrar nenhuma suspeita.
— Lindo não é? Meu pai me deu quando tinha 15 anos...
— Você sempre anda com ele, não é? – pergunto.
— Sim, na maioria das vezes, ele é lindo e muito raro. Uma peça única. Mas você não sabe muito bem o que é isso não é? Um dia te explico melhor... – diz Katherine com um sorriso sínico nos lábios enquanto vai virando os calcanhares para subir as escadas do porão.
Assim que ela vira de costas, eu vou atrás dela.
— Engraçado... É uma peça tão rara e exclusiva que o homem que me estuprou ontem a noite tinha um idêntico no cordão que usava!
Katherine congela. Para de andar no mesmo instante, mas não me olha nos olhos.
— Só quero ver o que vai acontecer assim que eu contar ao Christian o que houve... Posso identificar o homem com muita facilidade e não quero nem saber o que vai acontecer com o casamento de vocês... Você sabe o quanto ele se importa comigo, não sabe? Eu sei que sabe... Lembra-se daquele tapa que ele te deu assim que mexeu comigo? – vou falando pausadamente, com sede de vingança.
— Não se atreveria a contar pra ele, sua francesa imunda! Você teve o que mereceu e tem que colocar-se no seu lugar! – diz tentando ser imponente, mas percebo falhas em sua fala.
— Não só me atreveria como vou contar agora mesmo! – e ameaço de subir as escadas.
— Não! Espere! – diz Katherine antes que eu suba as escadas – Eu faço qualquer coisa!!! Qualquer coisa! Mas não conte pra ele!
O que? Tenho Katherine na palma das minhas mãos?
Preciso usufruir disso... Mas no momento eu não consigo nem olhar em seu rosto!
Eu ainda não acredito que ela foi capaz de fazer isso comigo!
— Eu quero que você faça uma viagem. Uma viagem beeeeem longa! Eu não quero olhar na sua cara por semanas! Pois sou capaz de mudar de ideia só de olhar pra você e do que você fez comigo! – digo com indignação, porém me mantenho forte. Ela tem que entender que eu não estou de brincadeira.
— E deixar você aqui sozinha com Christian?! – diz Katherine inconformada com o que eu havia exigido.
— Sim, eu e Christian sozinhos! Por semanas! Só eu e ele! E você bem longe daqui! – digo com muita certeza na voz e muita imponência no olhar.
— Você não sabe onde está se metendo, garota! – Katherine não tem nenhuma noção de riscos. Sabe que eu estou com o poder de destruí-la e mesmo assim me ameaça.
— Não, Katherine, você que está cavando a própria cova a partir de agora. Se você não fizer o que eu estou mandando você fazer, vai ser muito pior pra você! E você sabe disso! Então pare de me questionar e faça o que eu estou falando! Saia da minha frente e se vá! Não quero vê-la por semanas! – digo com muita frieza na voz, mostrando a ela que falava sério e que não estava para brincadeiras.
Katherine se vê encurralada e sobe as escadas. Em poucos minutos eu já a vejo separando suas coisas para viajar para a casa de campo de seus pais.
Percebo que havia me transformado. Que já não era a mesma menina inocente. Percebo que agora eu era uma mulher. Uma mulher que teve sua inocência roubada e sua dignidade destruída.
Mas eu sabia que o melhor de mim ainda está no meu coração. Intacto e brilhante. Um pouco fraco sim, mas eu sei que eu vou ressurgir das cinzas.
Vou fazer jus ao meu nome: Anastasia, A Ressuscitada.
FLASHBACK ON
— Mamãe, por que meu nome é Anastasia? – pergunto à minha mamãezinha enquanto ela faz um delicioso pudim na cozinha da mansão dos Grey.
— Seu nome é uma homenagem à Grã Duquesa Anastacia Romanov. Você sabe quem ela foi, querida?
— Sim mamãe, ela era a princesa da Rússia não era? E que tinham boatos de que ela ainda estaria viva e que sua avó que mora na França a procurava pois tinha esperança que sua neta ainda vivesse...
— Isso mesmo, meu amor. Mamãe escolheu esse nome, pois mamãe te vê como esperança. Além do mais, seu nome vem do grego de anastasis, que significa “que tem força para ressuscitar”. Então sempre que você for lembrar do seu nome, lembre-se que ele diz quem você é: a esperança da ressurreição, que não importa o que aconteça, você vai ressurgir e se reinventar. Anastasia, A Ressucitada.
FLASHBACK OFF
Nunca vou esquecer, minha mãe...
Eu vou me reinventar, eu vou me refazer, nascer de novo!
Mamãe, onde quer que você esteja...
Eu vou ressurgir, eu prometo!
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