Minha Querida Francesa Anastasia
5 Cap 5 - A Sonhadora
Notas iniciais

POV ANASTASIA
— Depois você desce pra conversarmos tá bem? – digo assim que saio do quarto de hóspedes depois de tomar banho. Elliot havia me esperado terminar para que pudesse finalmente entrar. Já estava com minha camisola e por cima com meu roupão.
— Tudo bem Ana, daqui a pouco estou lá em baixo! – E é tudo que ouço dele assim que termino de fechar a porta.
Confesso que conversar com Elliot me distrai muito. Ele me faz rir e é cuidadoso com as palavras. Posso dizer que ele é meu melhor amigo. E eu preciso muito de um amigo nesse momento em que me vejo abandonada pela minha mãe que se vai sem dizer nada, deixando-me sem saber o que pensar.
Quando me dei conta de que nunca mais veria minha mãe e de que ela corre milhares de perigos lá foram sem a proteção dos Grey, uma tristeza profunda se instalou em meu peito. O abraço de Christian foi muito caloroso e me fez voltar a me recompor. Ele nunca havia me abraçado antes. Foi muito bom estar em seus braços, e só de pensar nisso já me ponho a sorrir.
Vou andando pelo corredor até passar ao lado do quarto de Christian e Katherine, e o que eu escuto não é bem aquilo que eu esperava após toda a situação que ocorreu há poucas horas atrás.
Posso ouvir gemidos, urros e estrondos. Sei muito bem o que isso significa. Quando eu era muito criança eu descobri o que era sexo.
Minha mãe tinha um namorado secreto e o levava para nosso quarto enquanto ela me mandava fazer outras coisas. Um dia, eu e os meninos brincávamos de pique esconde e eu acabei dentro do armário do meu quarto e do quarto de mamãe. Estava escuro, mas pela fresta de luz que entrava das janelas eu podia ver nitidamente o ato.
Fiquei quieta todo tempo dentro do armário, e depois de uns 40 minutos eu pude sair sem que ninguém me visse. Desse dia em diante, eu sempre espiava quando sabia que eles iriam se encontrar. Não apenas para ver o ato em si, mas pela pequena esperança de tal homem poder ser meu pai e que esse era o único modo que eu podia vê-lo.
Sempre que perguntava à minha mãe sobre meu pai, ela mudava de assunto, e quando era mais direta ela me mandava esquecer.
Não ter nem uma pista de quem seu pai é, causa muita dor. Ouvir a pessoa que você ama se deitando com outra, causa muita dor. Ter que conviver com isso é quase impossível.
Tento manter a cabeça erguida e descer as escadas com firmeza, ignorando os ruídos daquele quarto que se tornavam cada vez mais distantes.
~*~
— E aí você se lembra de como ele me olhou com aqueles olhos esbugalhados pensando como eu tinha conseguido sair ileso daquele tombo?! – Elliot dava gargalhadas ao lembrar de nossa infância.
Estávamos falando de um verão em que fomos para o interior e eu e Elliot inventamos de descer um morro correndo. Chistian estava muito bravo com a ideia. Elliot decidiu correr primeiro e caiu muito feio. Mas levantou sem nenhum arranhão!
— Sim! Christian não acreditou que você pudesse sair daquele tropeço sem nenhum machucado! – e ríamos sem parar enquanto eu já terminava de lavar a louça do jantar.
De repente, Christian surge na cozinha com sua ceroula, seu peito definido a mostra e com sua moringa na mão. Ele nos olha de forma um tanto séria e eu de pronto me ponho a serviço.
— Oh, está vazia? – Trato de pegar a moringa e direciono a mesma para o filtro, enchendo-a com cuidado para não transbordar.
— Já não está na hora de você ir dormir, Elliot? Amanhã você acorda cedo – ouço Christian falar com Elliot daquele jeito mandão de sempre.
— Tem razão, boa noite Ana! – Diz Elliot enquanto seus passos vão deixando o local. Esqueço de responder, estou concentrada em encher a moringa de Christian.
Sinto um calor em minhas costas e isso me dá calafrios. Não entendo muito bem... Será que estou ficando com febre?
Assim que termino de encher a moringa, viro-me para devolvê-la a Christian, mas sou pega completamente de surpresa.
Sua mão firme rodeia minha nuca e seus lábios ternos já estão sob os meus. Lábios quentes e ternos estão a percorrer os meus, estabelecendo uma ligação de ... Afeto? Desejo?
Deixo-me levar pelo momento. É meu primeiro beijo e não sei como fazê-lo, ao mesmo tempo estou assustada e não sei como reagir a isso.
De repente, seu outro braço envolve minha cintura e me puxa para seu peito nu, me prendendo em seu corpo. Ao mesmo tempo, Christian adentra minha boca com sua língua, envolvendo a minha de forma que o vínculo de nossas bocas fique ainda mais intenso.
Enquanto nossas línguas entram em um jogo delicioso onde eu satisfaço meus desejos proibidos, sinto meu corpo completamente parado e em choque enquanto segurava a moringa cheia de água.
Christian vai parando de me beijar, deixando meus lábios de forma súbita, ele me olha sorrindo enquanto eu o olho com os olhos arregalados, deixando claro meu susto com aquilo tudo.
Ele solta um riso maravilhoso que me deixa completamente arrepiada após me analisar. Sem demora, ele toma posse da moringa que está em minha mão, depositando-a em cima da pia.
Sem dizer nada, ele segura novamente minha nuca, me puxando para outro beijo com sua boca gulosa e insistente que me deixa completamente entregue a ele.
Não tenho forças para lutar contra isso. Afinal, é o que eu quero e eu estou gostando. Por que eu pararia?
Porque ele é meu chefe? Meu superior?
Porque ele é casado?
Porque ele nunca poderia ficar comigo?
Sim, por todos esses motivos eu pararia, mas há um motivo maior que me faz continuar beijando-o: eu o amo. E eu sinto isso em cada batimento do meu coração que acelera a cada instante.
Mas não consigo me mover, não consigo abraça-lo. Estou apenas deixando que ele me leve consigo nessa troca de afeto que me era tão esperada.
Sua boca é avassaladora na minha, explora cada espaço da minha língua e me envolve a cada momento, me provocando arrepios.
Christian gruda ainda mais seu corpo no meu, me pressionando contra a pia da cozinha, me fazendo sentir seu corpo grande e forte. Sinto seus dedos começarem uma carícia em minha nuca enquanto sua outra mão começa a passear pelo meu corpo, começando pelas minhas costas, indo para minha cintura e então chega até meu bumbum, onde ele aperta com veracidade, adentrando ainda mais com sua língua em minha boca.
Não consigo evitar um gemido de surpresa que escapa de meus lábios, indo direto para os de Christian. Não esperava que esse seria o rumo de sua mão.
Após meu gemido, Christian interrompe o beijo mais uma vez, mas eu continuo de olhos fechados e respirando fundo, tentando me recompor do que havia acontecido. Fico alguns minutos com os olhos fechados e quando eu os abro, ele não está mais aqui.
Olho para trás e percebo que a moringa não está mais ali.
Oh, Christian... O que você fez comigo?
Levo meu dedo indicador até meus lábios, onde os contorno por alguns segundos, lembrando do que havia acabado de acontecer.
Sorrio sem parar. E com sorrisos incontroláveis, vou andando para o porão de forma sonhadora. Sinto meu corpo estranho. Meu corpo está quente e minha vagina úmida.
Nunca havia ficado assim antes.
Oh, Christian... O que você fez comigo?
~*~
Já estava na cozinha novamente preparando o café da manhã com um baita sorriso nos lábios. Fritava os embutidos em uma frigideira, os ovos em outra enquanto em cima da pia o café passava e minha cabeça estava em outro lugar.
Minha cabeça estava no beijo que ele havia me dado. Estava na lembrança dos seus lábios nos meus. E eu suspiro... E suspiro novamente...
— Bom dia, Ana! Que cheiro ótimo! Quero comer logo essas linguiças... Ana... Por que você está com os sapatos trocados? – diz Elliot enquanto eu o ouvia sentar na cadeira da mesa da cozinha.
Eu o ouvia bem distante, pois meus pensamentos iam longe e eu estava completamente aérea.
— Ana? Alô Ana, terra chamando! – Diz Elliot em um tom mais alto enquanto estralava os dedos para me despertar de meus pensamentos.
— Oi? Er, já está saindo... – Digo assim que desligo os embutidos e os ovos, servindo a mesa de bagels, compotas, geleias e manteira, fatias de broa de centeio, queijos, embutidos crus e fritos, ovos e um café bem forte.
— Ei bobinha... Seus sapatos estão trocados! – Diz Elliot me olhando com humor enquanto se servia sem sujar seu uniforme.
— Ah... Estão? – Digo assim que puxo minha saia para o lado para ver meus pés e realmente, estou com um pé com meu chinelo de pano e outro com meu sapato. – Nossa, que desatenção a minha... – digo enquanto tiro ambos e fico de meias enquanto lavo a louça do que havia acabado de preparar.
Quando reparo em mim, me pergunto como que eu me vesti, pois não me lembro de tê-lo feito. Estava com uma saia comprida preta bem grossa, meia calça e meias de lã de ovelha compridas por cima da meia calça, camisa branca e um suéter rosa bem quentinho.
— E é legal te ver de cabelos soltos de novo... Só te vejo de cabelo preso desde que começou a trabalhar aqui... – ele sorri enquanto fala e eu me assusto.
— Meu Deus, Katherine vai me matar! – e vou logo procurando o pano para secar minhas mãos para que eu pudesse prender meus cabelos.
— Bom dia – e ouço a voz dele... Meu corpo se arrepia e eu paro de fazer o que estava fazendo para olhá-lo e... Morder meu lábio. Ele estava com seu uniforme de gala que eu tanto gostava... Ele fica lindo assim...
— Bom dia, Christian... Ainda bem que fiquei para o café da manhã hein! – Elliot diz sorrindo enquanto se empanturra de comida como sempre.
— Bom dia, Ana – diz ele com certa seriedade, mas posso ver seus lábios esboçando um sorriso.
— Bom dia... – e vou até ele para servir seu café do jeito que ele gosta – Você quer leite hoje? – pergunto com todo cuidado.
— Só o café mesmo, Ana... E eu adoro te ver de cabelos soltos – ele diz ainda sério, porém com a voz leve e suave.
Sinto meu rosto ficar corado no mesmo momento, e para esconder viro de costas, voltando à louça.
— Eu disse o mesmo! Faz tempo que não vejo Ana de cabelos soltos! – diz Elliot de boca cheia.
— Ana, precisamos sair para a SS. Você vai ficar bem com Katherine? – diz Christian parecendo estar preocupado comigo, como sempre.
— Eu fico bem sim. – digo confiante. Eu sei me defender das covardias dela.
— Ela deve sair para ver as coisas para o meu brandy de aniversário e então não ficarão muito a sós. Prometo que volto cedo – diz ele com segurança na voz, tentando me passar tranquilidade.
— Tchau, Ana! Depois nos falamos! – diz Elliot enquanto sai pela porta.
— Até mais tarde, pequena – diz Christian. Ele se aproxima de mim, beija minha testa e segura minha mão, deixando sob ela um bilhete e uma única flor já um pouco murcha.
Me impressiono pois ele nunca havia me deixado bilhetes. Meu corpo se arrepia e não consigo evitar um sorriso.
— E não fique andando descalça Ana, por Deus... – resmunga antes de deixar-me só na cozinha.
Assim que ele deixa a cozinha, abro o bilhete com rapidez enquanto seguro a flor com uma das mãos.
“Perdoa-me por ontem, Ana. Não queria te assustar. Foi mais forte do que eu. Espero que esteja bem. Encontrei essa flor ontem, era a última que havia restado depois do outono.
Gruppenführer Grey.”
Leio o bilhete várias vezes e suspiro infinitas vezes.
Ele me tira do chão e me faz flutuar para muito longe.
Ele me faz viajar em meus sentimentos mais intensos.
Oh, Christian...
— Bom dia, francesinha – diz Katherine ao entrar na cozinha, tirando-me de meu estado de sonho, trazendo-me ao pesadelo.
No mesmo segundo, enfio a flor e o bilhete dentro do bolso do meu avental. Vai saber o que ela fará se os ver.
— Bom dia, Sra Grey. Café? – Ofereço-lhe uma xícara, substituindo a que estava suja em cima da mesa.
— Óbvio! – diz Katherine enquanto revirava os olhos como se minha pergunta fosse óbvia demais.
Em meus pensamentos eu estou no paraíso.
Então não importa o que Katherine ou o mundo me façam hoje, eu vou continuar feliz e sonhadora.
Ele me fazia sonhar dessa maneira.
E eu amava flutuar nas nuvens daquela maneira.
Oh, Christian...
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