Notas iniciais
Olá leitores e leitoras! Saindo agora O MAIOR capítulo até entao dessa fic que vocês tanto gostam! Hoje teremos novos personagens agregados à história: Elena e Leila. Como será que elas vão contribuir para o andar dessa história? Estão curiosos? Então aí vai o capítulo: MAS ANTES, queria avisar vocês que agora temos um grupo no whatsapp para fofocar sobre a fic: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll Estão todos convidados :3

POV ELLIOT

São 3 horas da manhã e a escuridão da manhã ainda predominava o céu. Nenhum resquício de sol tocava a aurora quando tive que acordar para aprontar-me para liderar a base de apoio da invasão à França.

Confesso que está tudo extremamente rápido, mas sei que Hitler não quer perder a oportunidade de entrar nessa guerra por cima e quer evitar um possível ataque à Alemanha .

Enquanto me arrumo, não consigo evitar um riso que escapa da minha garganta assim que lembro quando ensinei Anastasia a atirar ontem.

FLASHBACK ON

— Você precisa segurar a arma com segurança, pois ela alavanca pra trás com a propulsão que expele a bala! – explico para Anastasia quando ela atira com uma pistola e a mesma volta para trás devido à falta de técnica ao segurar a arma.

— Falar é fácil, né Elliot! – diz Anastasia me olhando com gracejo.

— É assim olha – posiciono-me por trás do corpo de Anastasia e arrumo suas mãos, fazendo-a segurar a pistola criando uma mão de apoio e outra de mira – Tá vendo? A esquerda apoia e a direita aponta. E com o indicador da mão direita você pressiona o gatilho.

Anastasia tenta novamente atirar com o meu auxílio e quando ela puxa o gatilho e atira, acerta uma das latas que eu havia colocado penduradas no galho de uma dar árvores no quintal.

— Viu só? A pistola não alavancou e você ainda acertou o alvo! – digo enquanto me afasto de Anastasia, deixando que ela tente novamente por conta própria.

Ela se concentra, ajeita a arma em sua mão como havia ensinado e consegue acertar outra lata, o que me impressiona.

— Uau, garota! Boa mira hein! – digo com admiração.

— É como costurar... Você sustenta em uma das mãos, marca o local e fura o tecido – e assim, Ana acerta a corda que pendurava a lata, fazendo com que ela caia ao chão.

Engulo o seco após ver tal habilidade e pego a pistola da mão de Ana.

— Tudo bem, já entendi, você sabe atirar... – digo andando pra longe de Anastasia com a arma em minha mão, abrindo-a e removendo as balas.

— Elliot! Volta aqui! – Ana corre atrás de mim falando de uma forma meiga – Eu quero continuar atirando!

— Você é o que agora? Sniper? Isso aqui não é brinquedo! – digo com severidade, terminando de remover as balas.

— Quem mandou você me ensinar?! Agora eu quero mais! – diz Anastasia, que para em minha frente com aquele olhar meigo e muito pidão – Por favor! Vamos atirar mais!

— Já disse que não, Anastasia! Ninguém mandou você se fazer de boazuda das armas de fogo e da costura! – digo de forma decidida.

— Ah é? Tá com medo que eu seja melhor que você? – ela diz me provocando, e aquilo mexe com meu ego, não posso negar.

— Você quer um duelo, é? – digo entrando em seu desafio.

— Pode apostar que sim! Quem acertar mais latas, ganha! – diz Anastasia confiante de que ganharia.

— Vamos lá, principiante! – digo, já sacando outra pistola de meu bolso e divido das balas em número igual para cada arma.

Entrego uma das armas para Anastasia e encho a superfície de um tronco cortado de latas.

Volto a me posicionar ao lado de Anastasia e me preparo para o duelo.

— Vamos lá... 1, 2, 3!

E ambos começamos a atirar até não sobrar uma lata sequer.

— E agora? Como sabemos quem ganhou? – pergunta Anastasia confusa.

— Nós dois ganhamos, somos uma ótima dupla! Mas você tem que admitir que atirou várias vezes no tronco da árvore... – digo para provocar.

— Aí não enche, Elliot! – diz Anastasia provocada com o que eu havia dito, mas logo ela ri e beija meu rosto – Obrigada por ter me ensinado a atirar, gostei muito! – e entrega-me a arma.

— Não tem de que, vai ser muito útil. Vamos pra dentro? Temos que arrumar nossas coisas – digo guardando as pistolas nos estojos em minha cintura e vou caminhando com Ana para dentro da mansão.

FLASHBACK OFF

Com minha mochila nas costas pronto para partir eu abro a porta do meu quarto e ando pelo corredor destino ao quarto de Anastasia.

Quando passo por sua frente, a porta está aberta e vejo Christian tomando Anastásia em seus braços e beijando-lhe com certo cuidado. Gosto da relação dos dois, percebo meu irmão mais leve e mais humano. Mais sincero consigo mesmo e sem medo de ser feliz.

Isso me alegra, pois o tempo que ele passou ao lado de Katherine ele tornou-se frio, impassível e agressivo. Anastasia aqueceu o coração desse homem e o trouxe de volta.

— Bom dia, irmão – diz Christian assim que termina de beijar Ana, a libertando.

— Bom dia aos pombinhos. Está na hora de irmos.

Vejo Anastasia vestindo um uniforme de elite feminino: botas pretas compridas, meia calça cinza e grossa, uma saia cinza de feltro, camisa verde escura e por baixo posso ver que ela veste uma camiseta branca e por cima o casaco oficial.

— Elliot, quando chegar na base, eu quero que dê um capacete à Anastasia. Só vai usar o quepe quando estivermos seguros! – diz Christian daquela forma autoritária dele e eu afirmo, já que é meu superior.

— Pode deixar, Christian, não vou colocar Anastasia em risco – e eu não sou nem louco de fazê-lo. Depois sobraria pra mim...

— E aquele baú é a mala de Anastasia. Eu quero que você proteja Anastasia e aquela mala como se fosse sua vida, entendeu? Aquela mala é muito importante! – diz Christian com ainda mais autoridade.

— Pode deixar comigo, Christian. Sabe que vou pilotando um caminhão, cuidar dessa mala é moleza, ainda mais numa base de apoio.

— Certo. Bom, tenho que ir antes, vamos sair mais cedo que vocês. Cuidem um do outro e encontro vocês depois da Linha Magnot em Metz – diz piscando para Anastasia e em seguida, Christian me abraça, batendo-me nas costas e eu o retribuo, demonstrando força e confiança.

— Vocês vão perfurar a linha e nós vamos invadir logo atrás de vocês –digo transmitindo certeza.

— Vamos sim. Até mais tarde – diz Christian vestindo seu quepe e saindo porta a fora.

— Ai Elliot... Eu estou tão preocupada... – diz Anastasia com um olhar aflito.

— Não fique, só vai ser pior. Você precisa se sentir confiante e atenta. Vou deixar você escolher a pistola que quiser usar, o que acha? – digo na tentativa de animá-la.

— Posso escolher? – diz Ana com interesse.

— Sim, te deixo escolher, se sentirá mais confiante? – pergunto analisando o rostinho de Ana se transformando.

— Com certeza! – diz Ana com um olhar mais confiante.

— Esse é o espirito! Vamos tomar café e então partimos – digo de forma cautelosa, já pegando o baú de Ana e carregando-o para o andar de baixo.

~*~

Anastasia já estava ao meu lado dentro do caminhão e trilhávamos rumo ao leste da França. A base de apoio saía em comboio de caminhões, alguns deles levavam suplementos e outros levavam as tropas.

Eu gostaria de estar puxando o comboio pela frente com as tropas em meu carregamento. Porém Christian tinha que interferir nisso...

Eu liderava o comboio de suplementos e armamentos, e no meu carregamento haviam muitas e muitas armas. A única coisa diferente era o baú de Anastasia que estava bem no fundo do caminhão e ao lado do banco o qual sentávamos.

De onde estávamos, já era possível ouvir os bombardeios dos aviões e os tremores no chão.

Anastasia olhava curiosa pela janela procurando os aviões que já deixavam rastros no céu de sua trilha rumo à França. Rumo à guerra.

Na medida em que avançávamos, os estrondos tornavam-se mais altos e os tremores intensificavam-se, fazendo o caminhão tremer consequentemente.

— Estamos chegando perto, não estamos? – diz Anastasia.

— Sim, os tremores estão se intensificando, não é? – digo de forma um tanto quanto natural.

— Sim e eu já consigo ver os aviões... – diz Anastasia apontando para o céu e então nós dois já conseguimos ver bombas caindo em algumas partes mais à frente.

Anastasia olha para aquilo muito impressionada e com os olhos arregalados. Creio que ela jamais imaginou que seria dessa forma. E se imaginou, não nessa proporção.

— Está com medo? – pergunto à ela.

— Não. Só nunca havia visto nada igual antes. É tudo muito novo pra mim – admite e sei que é sincera comigo.

— Vou pedir que fique à postos, estamos nos aproximando da Linha Magnot, linha de defesa francesa. Pegue sua pistola e não importa o que aconteça, só atire! – digo com tranquilidade para não deixa-la nervosa.

— Atirar? – diz Anastasia com receio.

— Sim... Lembre-se das latas e da costura, está bem?

— Está bem, Elliot. Vamos conseguir – diz Ana otimista.

Em menos de dois minutos, posso ouvir um apito do fronte do comboio. Um apito significa alerta, e então eu espero ansiosamente o segundo apito...

O soar do segundo apito me faz respirar profundamente aliviado.

— O que foram estes apitos, Elliot? – pergunta Anastasia.

— É como os comboios se comunicam, Ana. Um apito significa “alerta”, que sinaliza que estamos em perigo. O segundo apito significa que a barra está limpa e que estamos em segurança – explico à ela de forma atenciosa.

— E então isso quer dizer que... – Anastasia diz e eu a interrompo.

— Que Christian conseguiu... Já estão dentro do país e provavelmente já estão tomando o distrito de Lorrane.

— Sim, ele conseguiu... Será que ele está bem? – pergunta Anastasia aflita.

— Claro que está, você já viu Christian ferido alguma vez? – a questiono com otimismo para tranquiliza-la.

— Tens razão, tudo ficará bem... – diz Ana mais calma.

Olho mais a frente e posso ver alguns corpos ao chão e soldados franceses juntando corpos mortos, o que me deixa preocupado. Não quero que Anastasia veja essas coisas, mas é tarde demais...

Ela observa os corpos sendo colocados uns ao lado dos outros com sofrimento no olhar. Vejo que ela tenta passar uma imagem de força, porém conheço bem Anastasia e sei que ela quer chorar.

A percebo mais alguns segundos e percebo que ela engole o choro bravamente enquanto ainda vê aqueles homens mortos e feridos.

— É isso que a guerra vai fazer não é... – diz Anastasia um tanto frustrada.

— Infelizmente, Ana... Mas fico mais tranquilo sabendo que você vai embora dessa tremenda confusão... – pigarreio com pesar e tento focar na direção do caminhão.

— Dieu soit avec, mon ami – ouço Anastasia dizer e quando a olho, vejo que ela fala com um dos soldados franceses que dispunha os corpos uns ao lado dos outros, olhando-o com tremenda tristeza.

— Toi aussi, madame – responde o soldado acenando tristemente para Anastasia, que volta a acomodar-se no banco do caminhão, afundando-se no revestimento de couro.

— O que vocês falaram? – pergunto curioso – Eu não sei nadinha de francês... – e não sei mesmo, admito.

— Disse a ele para que fique com Deus, ele e todos os outros. E ele desejou o mesmo para nós... – diz Ana suspirando profundamente mexendo em um dos botões de sua camisa de forma triste.

— Bom... Você precisa me dar umas aulas de Francês, vamos ficar aqui por um bom tempo! – digo de forma animada para distraí-la.

— Claro, vou te ensinar algumas coisas – diz Anastasia após suspirar profundamente e então, passamos o resto da viagem com ela me ensinando algumas palavrinhas em francês.

~*~

Era por volta das 8 da manhã. Aproximávamos-nos de Metz e podia ver ao longe os aviões alemães em terra, os tanques postos na entrada da cidade e podia ouvir o som das motos dos comandantes circulando pelo vilarejo.

— Ali é onde vamos ficar? – pergunta Anastasia intrigada.

— Sim, é ali mesmo. Bem vinda à Metz! – digo com animação, tentando distrair Anastasia em relação aos corpos que deixávamos para trás naquele trajeto penoso que retratava escancaradamente o cenário atual da Europa.

— Os soldados franceses virão aqui para encaminhar estes corpos nas arremediações de Metz? — pergunta Anastasia com curiosidade.

— Pouco provável. Terão medo de acabar tendo o mesmo destino já que invadimos a província – digo com sinceridade.

— Precisamos ajuda-los, Elliot! Eram cidadãos e certamente tinham família, amigos, pessoas que se importavam – diz Anastasia de forma ativa.

— Não sei se devemos Ana... Precisamos perguntar a Christian... – digo com receio, não sei se é uma boa ideia.

— Pois mesmo se ele não deixar, eu retornarei e o farei – decide Anastasia.

— Eu te ajudarei, ok? – decido prontamente. Sei que é o certo a fazer e eu o farei.

~*~

Chegávamos à cidadela de Menz. Era uma vila muito bem estruturada e simpática. Porém completamente tomada pelos alemães.

Já podia ver bandeiras com suásticas penduradas por todo o vilarejo, determinando de uma vez por todas aquela invasão.

Estaciono o caminhão que dirigia próximo da entrada para ser descarregado e de pronto tomo posse do baú de Anastasia, que já descia do caminhão prontamente.

— Onde Gruppenfüher Grey delimitou seus aposentos? – pergunto a um de meus subordinados que participou da invasão.

— Atravessando a praça principal logo acima, é um casarão azul claro, pertence à uma tal de Madame Lincoln – responde-me o soldado e então subo em uma das motos destinadas aos comandantes, acomodando o baú na lateral da moto, deixando espaço atrás de mim para Anastasia acomodar-se.

Ela me abraçava fortemente e íamos em direção à praça principal com aquele enorme baú misterioso.

Ao chegar na praça, encontramos Christian em um escritório improvisado, onde delimitava as alocações.

Assim que ele percebe nossa chegada, ele acena e aponta a direção do tal casarão.

Percebo que Anastasia manda um beijo para ele e acena para todos os outros rapazes presentes.

Essa menina não tem jeito, está se sentindo toda feliz por conhecer o mundo e não ficar limitada em quatro paredes.

Estaciono a moto na entrada do enorme casarão. Ele era grande e tinha uma enorme varanda. Ao lado tinha um lago muito aconchegante e árvores que faziam uma sombra muito agradável, onde alguns soldados deitavam e descansavam.

Anastasia não perde tempo e já salta da moto, indo em direção à porta do casarão, batendo três vezes na porta de forma educada.

Uma moça vestida em roupas simples atende a porta. Baixa, esguia, cabelos longos e escuros e pálida. Lembrava muito Anastasia...

— Bonjour, mademoiselle. Mon nom est Bienna Grey, pourrait parler avec le responsable de cette magnifique maison? – diz de forma educada e assertiva para a moça, que entra novamente na casa, trazendo uma senhora alta, loira e de porte elegante vestindo roupas vermelhas.

*tradução: Bom dia, senhorita. Meu nome é Brienna Grey, posso falar com o resposável desta casa magnífica?

— Vous devez être Madame Lincoln... – diz Anastasia que é interrompida de forma rude.

*tradução: Você deve ser Madame Lincoln...

— Eu falo sua língua e sim, eu sou Madame Lincoln. O que quer? – diz a mulher já levando um cigarro até a boca e baforando a fumaça com desdém.

— Madame Lincoln, sua residência foi confiscada ao Grüppenfuher Grey. Espero que tenha uma ampla e reservada acomodação para ele – diz Anastasia com imponência, tratando a senhora do mesmo modo como foi tratada.

— E você é quem? A puta dele? – diz a senhora com enorme falta de interesse.

— É assim que vocês tratam os outros por aqui? Creio que sejamos mais educados que vocês... Agora voltando ao assunto, estou esperando uma acomodação ampla e reservada para o Grüppenfuher Grey – diz Anastasia de forma incisiva e eu sorrio com tal desenvoltura. Jamais havia imaginado vê-la tendo tal atitude.

— Que seja... – diz a senhora, baforando sua fumaça de cigarro em redenção – Leila, mostre à mademoiselle a casa do lago... – referindo-se à garota que atendeu Anastasia de início.

— Vamos, Elliot! – diz Anastasia enquanto anda com a garota, contornando a varanda que envolvia a casa. Trato de pegar o baú e leva-lo comigo enquanto sigo-as.

Na parte de trás da casa acabava a varanda e começava escadas, as quais levavam a uma casa menor também com varanda adornando a residência, que era extremamente aconchegante. Penso que é a qual ficaremos.

Na parte lateral da casa, havia um acesso ao lago, o que tornava a casa ainda mais acolhedora.

A mocinha abria a porta da casa e dava abertura para que pudéssemos entrar.

— Merci, Leila! – agradecia Anastasia à menina.

— De nada, Brienna, é esse seu nome, né? – responde Leila que falava alemão com certa dificuldade já que seu sotaque francês era bem aparente.

— Sim, é o meu nome. Agradeço muito e não precisa se preocupar, nos acomodamos bem aqui – diz Anastasia para Leila com tamanha doçura, que afetava a menina que sorria satisfeita com a educação de Ana.

Leila se retira e Anastasia não perde tempo: já começava a abrir as janelas, deixando que o ar de orvalho e o sol da manhã tomassem conta do ambiente.

— Acho que ela gostou de você, Aninha – digo com bom humor enquanto vou ajudando a organizar os móveis da casinha.

— Eu também gostei dela, parece ser boa pessoa. Ao contrário daquela Madame Lincoln... – diz Anastasia fechando a cara ao falar o nome daquela senhora mal educada.

— Eu pensei em defender-te, porém vi que se saiu muito bem sozinha!

— Obrigada, Elliot! – Anastasia agradece sorrindo.

Então decido explorar a casinha a qual passaríamos algum tempo.

Havia uma sala espaçosa com sofá e cadeiras juntamente com uma cozinha e sala de jantar que ficavam mais ao fundo, porém em conceito aberto. Ao lado esquerdo da porta, havia uma enorme janela estilo sacada que acompanhava a varanda e dava vista e acesso ao lago, uma belíssima visão.

Ao lado direito havia um pequeno toilet e um corredor, que dava acesso a dois quartos: uma suíte e outro apenas quarto, ambos com acomodações para casal.

Na varanda haviam cadeiras para descanso, o que tornava a casa ainda mais acolhedora.

Não era algo gigante, mas era confortável e suficiente para nos alocarmos.

Anastasia andava de um lado para o outro com brilho nos olhos, então posso perceber que ela também gostou muito do local.

— Vamos colocar algo mais confortável e vamos falar com Christian sobre os corpos – diz Anastasia caminhando até um dos quartos para trocar de roupa.

— Tudo bem, vamos.

~*~

Coloquei uma calça de feltro mais confortável, um sapato, uma regata branca de baixo surrada e uma jaqueta para não deixar meu estojo da pistola a mostra.

Anastasia colocou uma calça justa de cintura alta e manteve a blusa branca militar que usava debaixo da camisa do uniforme.

Trancamos a casa do lago e já estávamos na moto em direção à praça principal.

Chegando lá, Anastasia salta da moto com certa pressa e anda até Christian de um jeito mais rígido, não como costumava ser antes, flutuante e meiga. E então eu vejo uma nova Anastasia nascer...

Anastasia não, Brienna...

— Christian, eu preciso falar com você sobre algo importante pra mim – diz Anastasia de forma séria, o que faz Christian erguer as sobrancelhas um tanto surpreso.

Os dois se afastam e eu os dou privacidade.

Depois de alguns minutos os vejo voltar e Christian vem até mim de forma um pouco alterada.

— Elliot, você sabe como é perigoso ficar vulnerável fora do alcance das tropas, não sabe dessa porra? Como você pode apoiar essa loucura dela?! – indigna-se enquanto fala comigo autoritário.

— Eu sei, Christian, mas aqueles corpos são pessoas, com família, com amigos, com pessoas que se preocupam! Você acha justo deixa-las ao leu? – imponho-me – Se eu tivesse no lugar deles, você me deixaria apodrecendo lá? – questiono-o como forma de convencimento.

— Eu vou mandar uma tropa com vocês... – diz Christian dando-se por vencido.

— Não, vou eu e Anastasia, não podemos levantar suspeitas – digo decidido, pois sei que é o melhor a ser feito, e Christian no fundo também sabe que tropas só chamariam mais atenção para um eventual ataque aéreo.

— Merda... Então eu vou com vocês! – diz Christian abrindo os botões de seu uniforme.

— Você tá comandando essa invasão... Sério mesmo que você vai dar esse mole? Imagina o caos que isso vai ficar sem você aqui! Eu vou com Anastasia e acabou! – decido de pronto.

Christian bufa de raiva, coça a testa em preocupação e logo em seguida passa a mão em seu cabelo: ele sempre fazia isso quando ficava nervoso.

— Ok, não demorem! Eu lhes dou uma hora e uma tolerância de 15 minutos, senão eu vou atrás de vocês!

— Vai ficar tudo bem, Christian, confie mais em mim, e principalmente em Anastasia! Você não sabe os foras que ela deu na Madame Lincoln – digo rindo com humor.

— Vai logo Elliot, antes que eu me arrependa – diz Christian me interrompendo.

— Sim, Gruppen – digo chamando Ana com a cabeça para ela vir comigo até a moto para irmos até o campo ajudar aqueles homens.

~*~

Quando chegamos no campo, tinham cinco ou seis civis franceses fazendo o resgate dos corpos, mas eram civis um tanto idosos, tendo apenas dois mais jovens.

Optamos por ajudar mesmo assim. Estacionamos a moto e vamos em direção aos homens a pé.

— Bonjour, besoin d'aide? – diz Anastasia dando bom dia e oferecendo ajuda.

— Bonjour, mademoiselle! Une aide serait bon – respondeu um dos senhores com mais idade, aceitando o nosso auxílio.

Eu e Anastasia nos colocamos a postos e começamos o resgate dos corpos enquanto conversávamos com os civis.

Descobrimos que eles tinham uma fazenda ali perto e eles por pouco não foram atingidos. O homem mais jovem mora em Paris, mas veio visitar a família. Ele era fotógrafo e estava documentando a invasão toda com sua câmera fotográfica e dia seguinte ele levaria as fotos para os jornais franceses para reportar toda a situação.

Anastasia era forte e carregava os corpos para o caminhão do senhor dono da fazenda que também ajudava, junto com seus ajudantes da fazenda que faziam trabalhos braçais como colheita de alimentos.

Após carregarmos os corpos para o caminhão, o bom senhor nos ofereceu um copo de água, pois era verão e o sol estava quente. Optamos por aceitar e assim vamos até a fazenda do senhor francês.

Chegando lá, descarregamos os corpos em um galpão enquanto uma senhora muito simpática nos trouxe leite e bolo para nos alimentarmos.

Ao fim de tudo, quando eu e Anastasia nos aprontávamos para irmos embora, o jovem fotógrafo nos pediu para tirar uma fotografia de nós dois.

— Mas isso não vai parar nos jornais não né? – pergunto com receio.

— Não, é só para lembrarmos que existe bondade em meio a tanto ódio – diz o jovem com um sorriso no rosto.

Então eu e Anastasia deixamos que ele tirasse uma foto nossa em frente ao galpão e em seguida, seguimos rumo de volta à Menz.

Notas finais
E aí? Um capítulo bem grande, não? Foi cansativo para ler ou foi tranquilo? Muitas informações nesse capítulo! Vimos o surgimento de uma nova Anastasia: mais empoderada e confiante devido aos acontecimentos da vida, o que acharam? Christian cada vez mostrando-se mais humano e sensibilizado com outras nações, nem parece a mesma pessoa não é mesmo? E esse POV Elliot, como é para vocês ver as coisas do ponto de vista dele? Gostam? Mais uma vez o vínculo fraternal entre Anastasia e Elliot é posto para vocês verem a imensidão da consideração e carinho que eles tem um pelo outro. Bonito de ver, né? Estou aguardando aquela recomendaçãozinha marota ♥ Não esqueçam de comentar e favoritar a fic para me deixar ainda mais feliz! Até o próximo capítulo!