Minha Querida Francesa Anastasia

28 Cap 27 - O Grande Ditador


Notas iniciais
Olá, leitores e leitoras! Liberando mais um capítulo que acabou de sair do forno para vocês! Consegui responder os comentários de todas vocês, YEY! Continuem comentando ♥ Vamos ao capítulo: CRIAMOS UM GRUPO NO WHATSAPP PARA FALAR SOBRE A FIC, lá eu tenho liberado alguns SPOILERS e até uns trechinhos do CAPÍTULO antes de liberar! Então venham, é só amor! É só acessar o link que vocês caem direto no grupo: https://chat.whatsapp.com/HsLLhHr0xf7AhbqHM0FCll

POV ANASTASIA

Pela primeira vez estou saindo com Christian para ir à SS. Estou ansiosa em vários aspectos...

E curiosa também, não posso negar!

Não sei o que vou encontrar naquele lugar, mas imagino muitas coisas pelo que Elliot me conta. Que é um lugar o qual não parece ser o que é.

Na linguagem do Elliot, isso quer dizer que é algo muito bonito, porém mal por dentro. E pelas atrocidades que ele me conta que são decididas neste local, eu imagino que seja um lugar enorme e incredulamente lindo para compensar as coisas horríveis que eles fazem.

Estou com Christian dentro de seu carro arrumada como Grace indicou: um vestido preto com o fecho envelope de comprimento médio e saia rodada e saltos não muito chamativos cor de carne.

Antes de sair de casa, Christian comentou sobre uma prima sua que morreu quando era pequena com uma doença rara e que hoje ela teria quase minha idade, só que um pouco mais velha. Grace reteu os documentos da pequena e hoje eu os usarei como sendo meus para não levantar suspeitas.

Estou tentando aprender o nome, a data e local de nascimento, o número de registro e terei de inventar uma assinatura já que o documento é antigo.

— Então, qual é mesmo o seu nome? – pergunta Christian enquanto dirige.

— Bienna Grey – digo com certa prontidão.

— E quantos anos você tem? – pergunta Christian logo em seguida.

— Er... Tenho 20 anos, nasci em 1919... Essa eu demorei um pouquinho né? – digo com nervosismo.

— Sim, precisa ser mais rápida, meu anjo – diz Christian sorrindo gentil para mim.

— Mas será que vai dar certo? Christian eu ainda vou fazer 17 anos! – digo enquanto leio novamente a documentação de Bienna.

— Acho que a única coisa que vão reparar é o quão linda tu és! E olhe para mim... Quantos anos aparento ter? – pergunta pra mim sorrindo de forma atraente para mim.

— Hmm – mordo meu lábio inferior enquanto observo o rosto de Christian e decido ser brincalhona – Você tem quantos anos mesmo? Trinta? – e começo a rir logo em seguida.

Christian vem com a mão em minha coxa e a acerta de forma dura como se estivesse chamando minha atenção.

— Você vai ver os trinta tapas que eu vou dar nessa bunda quando chegarmos em casa, mocinha – diz ele de forma bem humorada.

— Mas sendo sincera agora, tu tens 25, mas aparenta ser mais novo sim – digo com certeza. Christian sempre foi muito charmoso e numa perdeu seu ar galanteado que trás consigo desde os 15, 16 anos... Sempre foi um absurdo de lindo e hoje não mudou nada. Os anos só o faz mais maduro e mais desejável... É um homem maravilhoso...

Quando me dou conta, estou suspirando olhando para o homem ao meu lado, perdida em sua beleza e charme que me deixavam completamente louca por ele.

— Por que suspiras, pequena? – pergunta Christian com curiosidade – Está nervosa, não está?

— Na verdade eu estava pensando no quão charmoso e elegante que tu eres, Christian – e sorrio para ele sentindo meu rosto corar completamente.

— Ah, Anastasia... – suspira Christian e eu o interrompo.

— Anastasia não... Bienna! – digo com bom humor.

— Sim, Bienna – e pisca para mim enquanto eu me derreto por dentro com aquele gesto.

Mas... Foco, Anastasia! Você está prestes a entrar na SS e precisa estar atenta!

~*~

A parte da frente do prédio era imensa com milhões de bandeirolas com a suástica e a arquitetura que mais parecia uma fachada grega com pilastras semelhantes. Porém dávamos a volta, pois pararíamos no estacionamento.

O estacionamento era todo supervisionado e já na entrada do mesmo havia guardas da inteligência nazista, porém reconheciam o carro de Christian e o deixam passar com facilidade.

— Bom dia, Mein Grupper, muito trabalho hoje hein! – diz um dos guardas para meu amado.

— Por suposto, amanhã é o grande dia – diz Christian sem dar muito assunto para eles.

— E esta linda mocinha, quem é? – diz o guarda e Christian já o olha com desdém, entrando no estacionamento sem responder sua pergunta.

— Não era melhor responde-los? – pergunto com certo receio.

— Anastasia... Eu mando neles... – diz Christian com total tranquilidade.

— Ah sim... – digo engolindo o seco, podendo ver o tamanho poder que Christian tinha.

A entrada do estacionamento era mais modesta do que a entrada principal, porém não deixava de ser bonita. Também tinha bandeirolas nazistas como de costume e era bem organizada.

Assim que entrávamos pela porta, havia corredores em ambos os lados e logo a frente tinha um amplo lounge que mais parecia uma recepção, onde várias moças em bancadas datilografavam e atendiam telefonemas.

Christian caminhava direcionando-se para uma das moças da bancada dizendo:

— Bom dia, Lotta. Alguma demanda? – pergunta firmemente.

— Bom dia, Gruppenfüher Grey. Bom, Füher recebeu um material um tanto quanto crítico vindo dos Estados Unidos de um tal ator Britânico e está o assistindo neste momento. Ele pediu para que fosse até lá quando chegasse – diz a moça loira de forma profissional.

— Ah, já sei do que se trata... – diz Christian colocando-me a mão em minhas costas me direcionando para caminhar para um dos imensos corredores antes de ser interrompido por Lotta.

— Desculpa a intromissão, Gruppen, mas quem é a moça? – pergunta enquanto me analisa.

— É Bienna, minha prima antes que você e suas colegas comecem a fofocar que já tenho um novo affair. Não acha que devem trabalhar? Amanhã é um dia importante – diz Christian rígido enquanto volta a caminhar guiando-me com sua mão imponente em minha cintura.

— Foi um prazer, Lotta – digo simpática enquanto caminhamos corredor adentro onde havia várias e várias portas de madeira maciças muito bonitas com uma enorme suástica esculpida a mão no meio de cada uma.

Percebia a imensidão daquele prédio quando ao fim do corredor, fazíamos a curva para outro, onde ao lado deste havia várias janelas por onde a luz do verão entrava e aquecia aquele corredor.

— É muito grande aqui... – sussurro pensativa para Christian.

— Sim, é um prédio grande, muitas pessoas trabalham aqui – diz Christian enquanto andávamos.

— Eu percebi pelas janelas externas que aqui tem um porão. O que tem lá? – pergunto intrigada.

Christian respira fundo com minha pergunta e responde brevemente para não levantar suspeitas.

— Há celas... Com subversivos presos... Militantes contra o regime nazista, pra ser mais específico – diz Christian num tom de voz baixo.

— E o que fazem com eles? – sussurro tal questionamento, curiosa.

— No mais ficam presos, mas são submetidos a interrogatórios, torturas... – diz Christian sendo sincero, mas percebia incomodo em minhas perguntas, por isso trato de calar-me. Entretanto, não posso negar que saber daquilo causava-me desconforto.

Como podem torturar pessoas? Para que? As pessoas deviam ter o direito de terem a liberdade de fazer suas próprias escolhas. Não ser obrigadas a acatar um regime destes.

Ao fim daquele imenso corredor havia uma porta que abria em duas e parávamos em frente à mesma.

— Fique aqui, não entre. Vou entrar para falar com Hitler e já volto – diz Christian olhando para mim de forma séria.

— Tudo bem, eu fico aqui te esperando – digo com certeza para acalmá-lo.

Com cuidado, Christian bate na porta e entra na mesma, porém não a fecha em um descuido, deixando a porta com uma fresta pela qual eu podia ver o que se passava lá dentro.

Era uma sala escura onde haviam poucos oficiais sentados em cadeiras de costas para a porta e no fundo da mesma um filme estava sendo projetado. Um filme engraçadinho com um moço simpático que brincava com uma bola que simbolizava o Planeta Terra.

Christian vai até o fim da sala e senta ao lado de um homem que assiste o filme com uma expressão impassível, como se ele estivesse assistindo uma parede em branco. Então posso deduzir que seja Hitler já que Christian começa a conversar com ele.

Interajo com o filme e gosto daquela cena, vendo a semelhança daquele moço com Hitler, porém de forma completamente sarcástica ele tirava sarro do Füher, e isso me dava vontade de rir.

Coloco minha mão na frente da boca e seguro o riso enquanto espiava pela fresta da porta aquela cena tão hilária.

Não percebo o tempo passar e quando me dou por mim, já estava completamente concentrada assistindo ao filme.

E então, vejo uma cena que me toca o coração e me faz ter vontade de chorar.

O moço do filme começa um discurso muito sincero:

" Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, gentios... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos somos assim. Queremos viver pela felicidade dos outros, não pela miséria dos mesmos. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido...”

Aquelas palavras me tocam no mais profundo do meu coração e quando menos percebo, já estava chorando e refletindo sobre essa guerra de ninguém.

Sinto-me mal por todo esse momento cruel e destrutivo que estamos vivendo onde não podemos mais ser quem somos e passamos por uma seleção onde só arianos germânicos são aceitos e todos os outros são considerados como uma raça inferior.

Sem querer, soluço em meu choro e então vejo cabeças virando-se para a porta e isso me assusta.

Dou passos para trás, saindo do campo de visão da porta e rapidamente pego um espelho de bolso que Grace gentilmente colocou em minha bolsa e verifico minha maquiagem. Limpo minhas lágrimas e me recomponho.

Assim que guardo o espelho em minha bolsa. Vejo Christian e Hitler saindo pela porta imediatamente e vindo até mim.

Sinto minha pele arrepiar ao ver aquele senhor. O causador de todo sofrimento que a Europa ia passar a ter por culpa de sua ganancia e sede de poder.

— Hallo, schöne Dame – diz Hitler que me cumprimenta e me elogia, chamando-me de belíssima moça, estendendo uma de suas mãos para que eu desse a minha em cumprimento.

— Heil, Hitler – digo antes de estender-lhe a mão, a qual ele pega e beija como um verdadeiro cavalheiro. Faço um grande esforço para não tremer naquele encontro tão inesperado.

— Füher, esta é minha prima Brienna Grey. Ela é interprete e fala algumas línguas – diz Christian me apresentando.

— Sua família é muito bonita, Gruppen. Não há nada como a verdadeira raça ariana – diz Hitler sorrindo para mim. Mal sabe ele que fala com uma francesa.

Isso me faz sorrir, pois Hitler está elogiando outra nacionalidade sem ao menos saber. Certamente será um momento em que eu jamais irei esquecer.

— Certamente, Mein Füher – digo com toda educação enquanto nós três começamos a caminhar.

— Mein Füher, eu falo outras línguas, tive a mesma educação que Brianne, porém creio que alguns de nossos soldados precisarão se comunicar com os habitantes. Será apenas um teste, Brianne ficará sob minha responsabilidade e se não der certo, eu a mandarei de volta – diz Christian para Hitler enquanto caminhávamos.

— Confio em você, Grey. Não me decepcione. Sua tropa está bem equipada e preparada? – diz Hitler para Christian.

— Sim, Mein Füher, estamos preparados e devidamente armados. O esquema tático aéreo também está pronto para a invasão. Partiremos na madrugada de amanhã.

— Muito bem, me mantenha informado. Heil Gruppen, Ms. Grey... – diz Hitler antes de retirar-se e entra em outra sala rapidamente.

Solto um suspiro imensamente profundo e olho para Christian com certo incomodo.

— O que foi? – pergunta ele para mim.

— Não esperava que fosse conhecê-lo... – digo com tremor na voz.

Christian ri e logo coloca novamente sua mão em minha cintura, guiando-me novamente para dentro daqueles imensos corredores que não tinham fim.

— Que filme era aquele, Christian? – pergunto com curiosidade.

— É de um palhaço britânico, Charlie Chaplin. Está zombando de Hitler mundo a fora – explica Christian.

— É eu percebi... E achei o máximo – digo a ultima frase em um sussurro com um sorriso no rosto.

— Cuidado, minha pequena... Está em território inimigo – diz Christian sussurrando enquanto andamos pelos corredores da SS.

~*~

Naquele dia, Christian mostrou-me todos os cantos daquele lugar gigantesco, menos o porão. E eu também não fazia questão de ir até lá, pois acho que não daria conta de ver todo aquele sofrimento e não poder fazer nada a respeito.

Fui apresentada aos outros oficiais de elite que iriam conosco na invasão e alguns deles tentavam um flerte, uma aproximação... Mas Christian os afastava com seus comentários diretos e sarcásticos, deixando bem claro que eu não era para o bico de nenhum deles e exigia respeito para comigo.

Ao fim da visita, Christian me levou até sua sala: era ampla com paredes e chão revestidos em madeira, a janela era enorme por onde entrava muita claridade naquele ambiente escuro devido ao tom da madeira e os detalhes em vermelho que havia ali como poltronas e um sofá.

— Como vai conosco na invasão, tomei a liberdade de conseguir um uniforme feminino de elite para você.

Christian ia até seu armário e quando o abria, tirava um cabide com a roupa que eu usaria.

Era um casaco igual ao dele com os emblemas costurados, um quepe com uma caveira (característicos dos membros de elite da SS), braçadeira com a suástica, uma saia na mesma tonalidade do casaco e uma camisa na cor verde escura.

— Provavelmente eu vou te dar um capacete de metal para proteger-me melhor durante a invasão, tudo bem? – diz Christian de forma preocupada.

— Sim, sem problemas – digo com confiança, Christian sabia o que era melhor pra mim, então deixo que ele me guie.

— Pensando melhor... Não sei se vou deixar você usar essa roupa... Você vai ficar incrivelmente gostosa... – diz Christian já me olhando com fogo.

Dou uma risada tímida de início, mas aí penso que outras oficiais usam este uniforme.

— Espera aí, Christian Grey, quer dizer que você fica analisando as outras oficiais? – pergunto com certo ciúme.

— Ana, se você visse as oficiais vestindo isso, ficaria com pena... – diz Christian de forma sarcástica, e depois começa a rir, preparando algumas papeladas e as colocando em uma maleta.

— O que você quis dizer com isso, Christian? – digo sem conseguir entender onde ele queria chegar com aquilo.

— Elas são velhas, e as novas são feias, e então nenhuma se salva... – diz Christian concentrado enquanto joga alguns papeis no lixo e outros dentro da maleta.

Os que ele joga dentro da lixeira de metal, ele acende um fósforo e o joga dentro da mesma, queimando os papeis.

— Vamos pra casa, minha pequena – diz Christian beijando minha testa – Precisamos que descansar, temos muito que fazer amanhã.

E ao dizer isso, Christian e eu saímos pela porta e vamos em direção ao estacionamento enquanto ele levava sua maleta e eu carregava em meus braços meu uniforme.

E então um frio na barriga aparece e minha ficha cai: vou participar de um dos eventos mais importantes da história da humanidade.

O início de uma guerra que não se sabe o fim.

Será que durará para sempre?

Será que durará um mês e Hitler conquistará tudo o que quer?

O que será do mundo agora?

Notas finais
O próximo capítulo será a invasão! Como será que Anastasia vai lidar com isso? O que acharam do plano de Christian? Será que dará certo? Ana conheceu Hitler, o que acharam do encontro? Vou começar a digitar o próximo capítulo e com uma recomendação eu libero :3