Minha Querida Francesa Anastasia
27 Cap 26 - A Véspera da Invasão
Notas iniciais

POV CHRISTIAN
Já eram cinco horas da manhã após uma noite cheia de ondulações. Anastasia havia se alimentado e se acalmara com minhas carícias e cuidados, porém tinha crises emocionais e chorava de um momento a outro sem nenhuma motivação aparente.
Dr. Flynn veio vê-la pela parte da noite e verificou que Anastasia recuperou-se completamente fisicamente, porém emocionalmente minha pequena permaneceria abalada por algumas semanas ainda devido à queda brusca de alguns hormônios por causa do aborto, o que me preocupava.
Depois de uma tarde e uma noite inteira acalmando Anastasia, na manhã seguinte antes de sair para a SS eu e minha pequena conversamos com calma a respeito do que houve enquanto ela esteve desacordada e sobre o que iriamos fazer dali para frente.
— Então você teve que vender a casa? Isso é terrível, querido! Não consigo mensurar a quantia que Katherine levou para você precisar fazer isso! – dizia Anastasia encolhida entre meus braços que a envolviam de frente para mim enquanto nossos rostos se tocavam de forma sutil.
— Não se preocupe com isso, agora está tudo sob controle, o processo de separação está em curso e ela não pode fazer mais nada – digo de forma tranquila enquanto deposito um beijo em sua testa e após isso, volto a olhá-la de frente para mim, encostando minha testa na dela, olhando dentro de seus olhos que mais pareciam uma imensidão azul de paz e tranquilidade. Suspiro profundamente com tal sensação.
— Não acredito que Katherine foi capaz de fazer tudo isso... Eu realmente acreditava na melhora dela... Ou talvez quisesse acreditar no melhor das pessoas, sabe? – diz Anastasia com uma voz tranquila, porém com tom de confusão.
— Eu sei, minha pequena. Tu esperas o melhor das pessoas, e não deves perder isso. Porém, da próxima vez tente ser mais atenta e não confie em qualquer um, por mais que ainda haja bondade no mundo, a maldade está tomando conta. Não vê essa guerra que se formou novamente? Por mais que as nações tenham sofrido sérias devastações na Grande Guerra, elas ainda acham que a guerra é a solução – digo enquanto estou submerso nos olhos azuis intensos da minha pequena e sinto a suavidade de sua pele enquanto afago seu rosto delicado.
— Tens razão, querido. Preciso ser mais atenta e me esforçarei para tentar aguçar minhas percepções... Ainda mais agora que vamos para a França amanhã né? – diz Anastasia com certa animação.
— O que? – digo com certa autoridade – Tu achas que vai para o fronte neste estado? – digo ainda mais sério.
— Por que não? Além do mais, eu não vou à fronte, eu vou à base de apoio junto com o Elliot. Não vou estar sozinha – diz Anastasia um bocado animada. Confesso que vê-la daquela forma deixava-me um tanto quanto aliviado após ouvi-la chorando por horas a fio. Porém tinha a consciência de que ela não estava preparada para aquilo.
— Minha menina, eu entendo seu entusiasmo em poder acompanhar uma tropa de apoio junto com Elliot, porém você não está totalmente recuperada e... Eu não posso arriscar em te perder de novo! Eu não posso! – digo sendo completamente sincero com ela. Sei que posso me abrir completamente com Anastasia, sentia-me seguro com ela por mais que eu saiba que ela tentará me convencer daquilo que ela acredita. Minha pequena e sua cabeça dura.
— E eu não posso suportar a ideia de te ter longe de mim! Não mais, não dá! Eu preciso de você perto de mim! Recuperar-me da perda do nosso bebê não vai ser fácil sem você! Preciso de você mais do que nunca agora, Christian! – diz Anastasia com certo desespero na voz enquanto se encolhe ainda mais entre meus braços e então eu entendo o reflexo da minha falta de cuidado e proteção para com minha pequena resultou.
Seguro minha pequena em meus braços a acolhendo ainda mais enquanto suspiro profundamente pensando na negligencia a qual eu submeti Anastasia.
Minhas atitudes impensadas provocavam ira e raiva em Katherine, que as direcionava a minha pequena. Consequentemente, o culpado de tudo o que ocorreu bem de baixo do meu nariz sou eu.
Talvez se eu não tivesse diminuído Katherine aquela noite, Anastasia não teria passado por tudo isso e nosso filho ainda estaria crescendo dentro de seu ventre.
Nunca vou me perdoar por ter deixado minha pequena tão exposta e sujeita aos ataques psicopáticos de Katherine.
Meu foco agora é somente Anastasia, e exclusivamente ela. Farei tudo o que ela quiser, tudo o que for melhor para ela, tudo o que a fizer sentir bem.
— Tens certeza de que é isso que queres, minha pequena? – pergunto como forma de validar realmente as vontades dela.
— Absoluta! Eu não posso mais ficar longe de ti! Só sinto-me segura contigo! – diz Anastasia com convicção e então decido retomar o meu plano e leva-la comigo para a invasão da França.
— Tudo bem, você venceu – assim que me dou por vencido, Anastasia abre um sorriso imenso e tão iluminado que até me contagia, fazendo com que eu também sorrisse.
— Christian!!! Não sabes como meu coração se acalmou com essa decisão! Farei tudo o que mandares, prometo! Não sairei de perto de Elliot! – diz Anastasia com muito entusiasmo, porém de forma mais tranquila, transparecendo alívio por ter permitido que ela fosse.
Ficarei extremamente apreensivo durante a tática de invasão, porém sei que Elliot cuidará bem da minha pequena por mim até que eu a possa ter em meus braços novamente.
Mas agora preciso preparar o terreno para leva-la comigo sem levantar demasiada suspeita.
Em minha cabeça surgem várias hipóteses de como fazer isso da maneira mais segura para minha pequena e avalio cada uma delas enquanto acaricio os cabelos dela que se aconchega novamente em meu peito.
Uma de minhas hipóteses era mantê-la como soldado, mas aí teria de cortar seus cabelos e isso é algo que eu não quero... Amo os cabelos de Anastasia e seu tom mogno tão peculiar.
A outra hipótese, porém mais arriscada, seria infiltrar Anastasia de modo em que ela fosse necessária e passasse despercebido, sem demonstrar ameaça. Poderia leva-la comigo como interprete já que minha pequena fala muito bem francês e tê-la sob meus cuidados. Porém para não levantar demasiada suspeita, teria de pintar-lhe os cabelos de um castanho mais claro ou até um loiro.
Tenho que admitir, loiras não fazem muito o meu tipo e não me atraem, mas creio que seja necessário para que Anastasia não chamasse tanta atenção.
Ok... Anastasia é linda e é difícil não notar sua beleza... Porém com os cabelos loiros, passaria tranquilamente por uma raça ariana pura e não causar-lhe-ia maiores problemas.
— Pequena... O que você acha de pintar os seus cabelos de loiro? – pergunto com naturalidade para saber o que ela pensava sobre o assunto, mas noto um olhar de confusão no rosto dela.
— Loiro? Por quê? Aonde quer chegar com isso? – pergunta com dúvidas, e não era para menos já que deixei o assunto subentendido.
— Bom... – pigarreio antes de voltar a falar – Não era algo que eu quisesse, eu amo seus cabelos castanhos, você sabe disso. Porém preciso te deixar o menos perceptível possível aos olhos dos outros para que isso dê certo... Penso em leva-la como minha interprete pessoal. Tenho certa abertura para aperfeiçoar minha estratégia.
— Ah sim, entendo... – diz Anastasia reflexiva – Bom... Se for para facilitar que eu fique contigo, eu pinto o cabelo sim – diz com tranquilidade.
— Tudo bem... Precisamos fazer isso logo – digo enquanto já vou levantando da cama, caminhando até o corredor vestindo minhas ceroulas brancas com o peito a mostra, deixando minha pequena acomodada em sua cama.
Bato levemente na porta do quarto de Grace e Carrick e chamo por minha mãe. Sei que ela acorda cedo e poderá nos ajudar.
— Bom dia, filho. Aconteceu algo com Anastasia? – pergunta Grace abrindo uma fresta de sua porta, mas já podia ver que ela estava de pé pois já tinha tirado as vestes de dormir e estava vestida prontamente.
— Não, é que eu preciso que você nos ajude a pintar os cabelos de Anastasia de loiro – digo com certa timidez.
— Loiro? – indaga Grace desconfiada – O que vocês estão aprontando?
— Preciso leva-la em segurança para a França! Sabes que é para o bem dela sair desse absurdo que estamos vivendo aqui – digo com sensatez.
— Ai Christian, tens razão... – diz Grace reflexiva – Diga para Anastasia ir para o banheiro da suíte dela que eu já vou a seu encontro.
— Tudo bem, obrigado – digo e já vou caminhando de volta para o quarto de Anastasia, que já se levantava abrindo as cortinas, deixando a pouca luz daquele horário entrar.
Ela estava vestindo uma camisola comprida com finas alças de cetim cor champagne que destacavam a cor pálida e linda da sua pele.
Sem demora eu ia por trás da minha pequena, abraçando-a amorosamente e distribuindo beijos de seu rosto até seu pescoço, onde busco seu cheiro com fungadas profundas.
— Christian... Eu estou ficando arrepiada! – diz Anastasia soltando risos que faziam meu peito encher-se de alegria.
— Eu te amo – digo com meus lábios contra seu pescoço o qual beijava de forma carinhosa.
Anastasia fica em silencio entregando-se para mim, inclinando sua cabeça, oferecendo-me o pescoço enquanto suas mãos macias como veludo percorriam meus braços que a envolviam cuidadosamente.
— Eu também te amo, Christian – diz minha pequena com convicção e em seguida suspira profundamente enquanto sentia sua pele arrepiar por debaixo de meus lábios quentes.
Sinto minha virilidade despertar ao forçar meu corpo contra o de Anastasia, fazendo com que eu tivesse contato com sua bunda redonda e perfeita.
Porra, eu estava excitado com seu corpo e inebriado por aquele perfume de sua pele doce.
Quando forço ainda mais meu volume já formado contra sua bunda, ouço minha mãe entrar no quarto, e isso me faz suspirar em protesto.
— Vamos, minha querida! Vamos pintar esse lindo cabelo, infelizmente... – diz Grace de modo muito convidativo por mais que lamentasse pela cor escolhida segurando um frasco escuro de água oxigenada em suas mãos – E você, Christian, larga a moça! Ela acabou de acordar, por Deus! – diz me recriminando.
— Argh... – resmungo insatisfeito, porém não podemos perder tempo e liberto Anastasia de meus braços.
Ela beija-me levemente os lábios e vai saltitante em direção ao banheiro da suíte atrás de minha mãe que já estava lá dentro.
Vou atrás encostando-me na soleira da porta e reparo que Anastasia havia se despido para realizar o procedimento para não correr o risco de manchar suas roupas e havia se sentado em cima da tampa do vaso sanitário enquanto Grace colocava um pouco daquele líquido em um pequeno pote e ao lado havia pincel e tesoura.
— Querida, terei de cortar um pouco do comprimento dos seus cabelos para que o produto possa fazer um efeito melhor e seu cabelo pareça o mais natural possível, tudo bem? – diz Grace com certo pesar nas palavras. Percebia que ela não queria cortar os cabelos longos e incríveis de Anastasia.
— Eu entendo que é para um bem maior. Pode fazê-lo, Grace – diz Anastasia confiante de que é o certo a ser feito.
— Tudo bem, vamos lá – diz Grace quando penteava os longos cabelos de Anastasia.
Percebo que minha mãe tinha bastante habilidade em cortar os cabelos de Anastasia e em seguida em pintá-los.
— Nossa mãe... Onde aprendeu essas coisas? – pergunto curioso.
— Quando se está na guerra, as enfermeiras não tem cabelereiros, manicures, depiladoras... Tínhamos que nos virar como podíamos, e assim aprendi vários e vários truques.
— Você podia me ensinar alguns desses truques, gostaria muito de aprender! – diz Anastasia animada com suas pernas cruzadas sentada de costas para minha mãe com sua pele completamente a mostra.
— Claro querida, vou ensinar-lhe o que sei... – diz Grace fazendo Anastasia levantar e pôr-se de frente ao espelho do banheiro.
Grace começa a ensinar a Anastasia como cortar e pintar seu próprio cabelo e eu vejo uma sintonia materna entre elas, como se Grace fosse sua mãe.
Essa sintonia sempre existiu, não posso negar. Grace sempre tratou Anastasia como uma Grey, sempre deu-lhe roupas, acessórios, tudo do bom e do melhor. Ensinou-lhe bons modos e etiqueta.
Mas será que Grace o faria sabendo que Anastasia realmente é uma Grey?
Creio que sim... Minha mãe é uma mulher justa e entenderia que não é culpa de Anastasia, e sim de Carrick e Karla.
Mas prefiro afastar estes pensamentos da minha cabeça e decido aprontar-me para ir até a SS.
— Já que estão se divertindo, vou me arrumar. Se comportem! – digo com humor e já andava para fora do quarto, indo para o meu próprio.
~*~
Já estava devidamente uniformizado e saía de meu quarto, que dava de frente para o quarto de Anastasia, o qual eu entrava e podia ver minha pequena de pé em frente ao espelho do banheiro vestindo roupas de baixo e sapatos de salto alto já com os cabelos castanhos claros presos em um penteado.
Minha mãe estava arrumando Anastasia como uma verdadeira moça da alta sociedade e eu via o olhar curioso da minha menina para todas aquelas regras estúpidas para as vestes.
Mas não posso negar que vê-la naquelas meias e cinta-liga me deixavam um tanto quanto descontrolado. Porém respirava profundamente para me conter, preciso manter a calma e não ir até lá toma-la para mim.
— Bom, vi que estão se dando bem... Quer ir à SS comigo, minha pequena? – pergunto com certa calma. Já que Anastasia ia infiltrar-se, ela precisava conhecer como funciona todo o sistema dentro da inteligência nazista.
— Eu posso ir? – diz Anastasia animada com um sorriso no rosto.
— Pode sim, mas fará o que eu mandar, ok? – digo com cautela. Não quero que nada aconteça com minha menina e tudo precisa sair como planejado.
— Tudo bem, não farei nada que não quiseres! – diz sorrindo, muito animada.
— Ok. Grace arrume Anastasia? Tomaremos café e iremos.
— Já o estava fazendo até você vir nos interromper, querido – diz Grace com seu humor sarcástico o qual eu havia aprendido muito bem.
Deixo as madames a sós enquanto descia as escadas.
Tenho muito que fazer em pouquíssimo tempo.
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