Minha Querida Francesa Anastasia
24 Cap 23 - Correndo contra o tempo
Notas iniciais

POV CHRISTIAN
Logo ao chegar na SS naquela manhã, sou recebido com diversas advertências para me apressar rumo à sala de conferências e eu já faço uma ideia do que me espera.
Mais uma ordem de Hitler para mais uma invasão, e desta vez o destino é certo: a França.
Acelero meus passos largos em ritmo apressado em direção ao destino e percebo o grande fluxo de oficiais de elite no mesmo direcionamento que o meu. E então tenho cada vez mais certeza do destino da conversa.
Ao chegar ao enorme salão de conferências vejo meu nome em uma das principais cadeiras ao lado de Hitler.
— Gruppen Grey, o senhor foi convocado para explicar as táticas para a invasão da França para o restante dos oficiais – diz Traudl Junge, a secretária de Hitler que organizava a conferência.
— E então invadiremos? Quando Traudl? – pergunto com certo nervosismo. Mal cheguei da Polônia e não tive tempo de preparar a minha pequena pra isso, muito menos de esquematizar nossa situação por lá.
— Dentro de cinco dias, Mein Gruppen – diz Traudl com profissionalismo.
— Cinco dias... – passo a minha mão em meus cabelos em nervosismo e um suspiro intenso surge em minha expressão.
Vou caminhando até o tablado onde encontro meus companheiros táticos e tomo meu lugar na bancada enquanto os cumprimento.
Não demora muito até que eu apanhe um papel e começo a rabisca-lo, procurando bolar algo de última hora ao meu favor, visando manter minha menina comigo pra onde quer que eu estivesse.
Alguns rabiscos e ideias e em poucos minutos eu já havia encontrado a solução... Sim... É isso!
— Grey, Hitler está vindo! – um de meus companheiros chama-me a atenção e então levanto rapidamente, esticando meu braço como todos os outros e damos assim um sonoro:
— Heil Hitler!
E nos sentamos após o aval do nosso Füher, que já se colocava a falar.
— Bom dia a todos vocês. Reuni-os aqui hoje e acredito que todos estavam esperando por este momento. Invadiremos a França em menos de uma semana. Devemos mostrar para estes bastardos a potência que nos tornamos e massacrá-la, humilhá-la e toma-la, pois só assim haverá paz. Convoquei-os hoje pois são os líderes de tropas e hoje terão subsidio estratégico de nosso Excelentíssimo Gruppenfüher Christian Grey que explicará como funcionará a invasão, utilizando a mesma tática eficaz que utilizamos na invasão da Polônia, o Blitzkrieg. Por favor, Gruppen... – diz Hitler passando-me a palavra.
— Danke, Mein Füher – pigarreio antes de começar a falar e então começo minha articulação estratégica – A Blitzkrieg foi desenvolvida como um ataque relâmpago e com o máximo de destruição possível com apoio aéreo e terrestre simultaneamente, possibilitando um avanço territorial em um curto período de tempo, sendo desnecessário o uso de trincheiras que nos impossibilitava de ocupar territórios. Consiste em três elementos essenciais: o efeito-surpresa, a rapidez da manobra e a brutalidade do ataque, e seus objetivos principais são: desmoralização do inimigo e a desorganização de suas forças, paralisando seus centros de controle.
Observo todos os oficiais de elite que me olhavam com bastante atenção, e então sinto-me confiante para continuar.
— O elemento surpresa será primeiramente as naves Arado Ar 234 com capacidade para até 1500 kg de bombas. Iremos bombardear velozmente com os bombardeiros e logo atrás seguimos com os Tanques Jagdpanzers acompanhados de caminhões, contendo soldados que finalizarão a invasão por terra, realizando as invasões necessárias e ocupando o local.
— E como será feita a ocupação, Mein Gruppen? – ouço um questionamento, e vem muito a calhar.
— Primeiramente, os soldados deverão dirigir-se às residências e forçar rendição, encaminhando os residentes para algum lugar estratégico, como uma praça principal. Daremos o pronunciamento de ocupação e selecionaremos as melhores casas para abrigar alguns soldados, onde criaremos bases para manter a área sob domínio alemão – e então encontro o espaço certo para falar da minha estratégia elaborada de último momento – Para garantir esse domínio, sugiro que um oficial de elite permaneça ocupando o local com alguns soldados até que ele seja requisitado em outra ocupação, revezando assim entre oficiais e garantindo a segurança da elite estratégica além de garantir uma base fixa para fornecer suplementos e abrigo aos soldados que ainda virão.
— Esta última parte não me foi de conhecimento, Gruppen Grey – diz Hitler interrompendo-me. Não nego que me sinto apreensivo, mas preciso garantir que é a melhor estratégia.
— Mein Füher, a França é um país fortemente estruturado e mais desenvolvido que a Polônia. Como vamos garantir a invasão se não ocuparmos o local por um período de tempo significativo? Além do mais, servirá de base de apoio às outras invasões – Boa Grey! Você é um baita de um filho da puta!
— Mas nossa intenção é dizimar os territórios e é por isso que o Blitzkrieg foi criado, para não nos fixarmos em um mesmo lugar – diz o Marechal Keitel, um dos braços direitos mais influentes de Hitler dentro da SS.
Múrmuros começam a se instaurar no recinto devido a minha pequena alteração tática. Preciso contorna-lo para ganhar a aprovação do Füher.
— Mein Marschall, precisamos de bases para manter alimentos e armamentos que sejam mais próximos dos nossos locais de próximas ocupações. Um acampamento não seria nada seguro para nós. Nas ocupações permanentes, nos abrigaremos em residências francesas para nossa própria segurança contra um possível bombardeio inimigo. Duvido muito que as forças militares francesas vão querer sacrificar sua população para matar apenas alguns de nossos oficiais – Isso Grey, uma jogada de mestre bem executada.
— Muito bem pensado, Gruppen. Oficializaremos o aprimoramento da tática e para uma primeira ocupação, você será o responsável. Se der errado ou certo, você será o responsável – diz Hitler para o meu alívio.
— Não falhará. Para isso, a última tropa terá de vir com o máximo de armamento possível para podermos armazenar na primeira ocupação oficial bem como reservas de mantimentos para as seguintes tropas que darão continuidade. A partir daí, as próprias ocupações desenvolverão os seus próprios mantimentos, encaminhando-os o tempo todo juntamente com o reforço bélico para futuras ocupações.
— Perfeito. Você tem meu aval para desenvolver isso, Grey – diz Hitler, validando minha estratégia de última hora, me fazendo respirar extremamente aliviado.
Volto a sentar-me após a explicação da estratégia e percebo que a deixei extremamente clara, deixando-me aliviado e com a certeza de que os oficiais repassariam com maestria aos seus subordinados.
No desenvolver da reunião, a Senhorita Traudl vem até mim e sussurra em meu ouvido:
— Gruppen Grey, a equipe de buscas solicita o senhor.
E tudo que eu consigo pensar é: Jack Hyde.
Finalmente encontraram o filho da puta e eu não vejo a hora de por minhas mãos nele.
Peço o aval de Hitler para me retirar e assim que o tenho, caminho com muita pressa em direção à saída da sala de conferências, dando de cara com o Major responsável pelas buscas.
— Mein Gruppen, encontramos a ossada de Hyde e coletamos a mesma.
— Ossada? – o desgraçado foi morto?
— Sim, encontramos nas redondezas da onde dissestes que ele estaria.
— Encontraram a ossada em Lubbenau? — pergunto para verificar minhas suspeitas enquanto já me ponho a caminhar ao lado do Major em direção à ala pericial.
— Sim Grey. Inclusive bem próximo à casa de campo dos Kavanagh, o que é suspeito.
— Caralho... – resmungo enquanto acompanho o Major.
~*~
— Aqui está, Gruppen Grey — dizem ao abrir o saco onde estava a ossada de Hyde.
Começo a observá-la com bastante cautela enquanto inicio as perguntas.
— Ele foi carbonizado, não foi? – verifico os ossos com manchas pretas, indiciando carbonização.
— Sim, e ficou por muito tempo exposto ao tempo. Quase não o identificamos – diz o perito.
— E havia algo com ele ou próximo? – pergunto com curiosidade, procurando solucionar esta merda. Estou realmente irritado por não poder colocar as mãos nesse bastardo maldito.
— Curiosamente, próximo ao local, encontramos um botão de ouro e enroscado no mesmo, fios de cabelo loiros.
— Um botão de ouro é? – pergunto com certa curiosidade – Mostre-me.
— Claro, aqui está – diz o perito, entregando-me um plástico e dentro dele continha o botão dourado tamanho médio com um detalhe muito interessante.
Um detalhe que apenas uma família portava.
Um pequeno “K” inscrito na peça me remete a todos estes anos encontrando esse símbolo em todas as joias, botões, fivelas, broches, pentes até nas roupas íntimas dos Kavanagh.
Uma tremenda ira toma conta do meu corpo e diversas suposições assolam meus pensamentos.
Será que Kavanagh matou o bastardo para salvar o casamento da filha e limpar a sujeira daquela vagabunda?
Meu sangue ferve e meu primeiro pensamento é ir até a sala daquele cretino e arrancar-lhe tudo o que sabe sobre essa merda.
Mas preciso manter a calma e extrair tudo o que a perícia tem até o momento.
— Foi encontrada mais alguma coisa? – pergunto enquanto respirava fundo para me tranquilizar.
— Não senhor, mas as suspeitas são de que foi um homicídio planejado já que pelas condições da ossada, foi queimada durante o inverno para que desaparecesse.
Porra! Que merda é essa?!
— Preciso ir, qualquer novidade, me contatem – digo controlando minhas emoções, mas vou andando com pressa para fora daquela ala, direcionando-me até a sala do meu queridíssimo sogro.
Um porra de um sogro!
Uma merda de família!
Todos uns bastardos cretinos!
~*~
Entro sem avisar no corredor dos escritórios e entro sem aviso prévio na sala de Kavanagh, passando direto por sua secretária que tentava impedir-me.
Encontro-o sentado em sua cadeira com um olhar reflexivo e um tanto perdido, mas eu já ia despertar esse filho da puta.
— Kavanagh, encontraram a ossada de Hyde, você tem alguma coisa a ver com essa merda? – digo intolerante e com uma raiva assolada por todo o meu ser.
— Ossada? Jack está morto? Jurava que tinha fugido... – diz enquanto levanta de sua cadeira com a expressão surpresa.
— O infeliz foi encontrado próximo a sua casa de campo e foi morto no inverno! Nós dois sabemos quem frequenta aquela merda no inverno! – digo aproximando-me de Kavanagh altamente pronto para ir para cima dele para arrancar-lhe toda a verdade possível.
E eu faria isso e não me importa se ele é o meu superior ou meu sogro!
— Mas neste inverno quem estava lá era Kate... – diz Kavanagh reflexivo, com a mesma feição que apresentava quando entrei na sala.
Paro próximo a ele e então lembro-me dos dias em que Katherine passou na casa de campo do pai. No dia em que eu a espanquei. Era inverno, fazia muito frio. Jack provavelmente estava com ela...
— Espera um momento... – digo com o mesmo olhar reflexivo – Foi Katherine!
— Em situações adversas eu o reprimiria, mas Kate me ligou em alguns minutos e perguntou-me algumas coisas sem sentido... – diz Kavanagh reflexivo.
— O que ela perguntou? – digo com revolta, mas Kavanagh está perdido em pensamentos.
— Fala, homem! – Digo com mais imposição, aproximando-me dele e segurando-o pela gola de seu uniforme encarando-lhe nos olhos com fúria.
— Katherine me ligou perguntando sobre os torturados judeus e subversivos, perguntou sobre as técnicas que utilizávamos para sufocamento e por final perguntou sobre que tipo de material era o mais indicado para realizar isso. Eu lhe disse para sanar sua curiosidade, mas estou preocupado que...
— Porra, Kavanagh! – empurro-o contra a parede com muita raiva e tudo que eu consigo pensar é que há uma assassina instruída dentro da minha casa sozinha com Anastasia.
Na mesma pressa que eu entrei naquela maldita sala, eu ia para fora dela com uma fúria imensurável instaurada em meu ser.
— Aonde vais? – pergunta Kavanagh com preocupação enquanto vem atrás de mim.
— Tu criastes um monstro! Sua filha é uma porra de uma assassina e está em casa sozinha com Anastasia! E tu sabes o quanto Katherine nutre repudio dela! – digo gritando com muita raiva enquanto já começava a correr pelos corredores da SS em direção ao estacionamento.
— Merda! – exclama Kavanagh enquanto me segue.
Chegamos juntos ao estacionamento e eu voo para dentro do meu carro, ligando-o o mais rápido que consigo.
Em um instante vejo Kavanagh ao meu lado dentro do carro e fico extremamente confuso.
— O que faz aqui, homem?! – digo em tom de imponência.
— Vou com você. Quero evitar uma confusão maior.
— A confusão maior vai ser quando você me impedir de acertar minhas contas com sua maldita filha! – e acelero o carro como um foguete para fora do estacionamento, percorrendo as ruas de Berlim como se os segundos fossem minutos e a cada tic do meu relógio fosse o único tempo que eu tivesse.
Aguente firme, minha pequena, eu estou a caminho.
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