Minha Querida Francesa Anastasia
23 Cap 22 - A Vítima Perfeita
Notas iniciais

POV ANASTASIA
Após um café da manha reforçado e muitos beijos trocados, Christian sai rumo à SS para cumprir seus afazeres já que voltou do fronte e me avisou para ficar em alerta já que logo menos os nazistas iriam invadir a França e então seria nossa oportunidade de ir até lá.
A reação de Christian com minha gravidez está sendo a melhor possível. Está babando em minha barriga que eu ainda tento esconder, conversa com a mesma, alisa e afaga como todo pai envolvido com o processo faria.
Preciso confessar que essa reação de Christian me alegra e me deixa completamente boba e cada vez mais apaixonada por ele.
Mas ao me dar conta que em pouco tempo iremos nos separar, meu coração aperta e minha garganta fecha com minha vontade incontrolável de chorar.
Decido que após o almoço, irei para meu porão e deixarei pronta uma mala em caso de em ultima hora Christian precisar me levar.
Desde que Christian chegou Katherine não apareceu no andar de baixo, o que para mim é um tanto estranho já que ela estava envolvida comigo. Conversávamos todos os dias, compartilhávamos momentos de distração...
Decido afastar esses pensamentos da minha cabeça e me concentrar no que estou fazendo.
Colocava-me a picar alguns legumes para fazer um caldo bem nutritivo para o almoço e o som da vitrola já ecoava pelos cômodos da casa, alegrando o meu dia.
De repente eu escuto uma voz por trás de mim, fazendo-me pular em um susto. O som da vitrola estava tão alto que eu não havia escutado passos vindo até a minha direção.
— Bom dia, Anastasia – era Katherine que chegava a cozinha e me pegava desprevenida.
— Oh, Katherine! Que susto que você me deu! – coloco minha mão em meu peito e respiro fundo procurando recompor o ar que havia escapado de meus pulmões de repente.
— Perdão, eu não quis assustar-te! E então, o que teremos para o almoço de hoje? – Katherine pergunta demonstrando interesse.
— Tudo bem, o som da vitrola está alto, por isso não te ouvi. Estou fazendo um caldo de legumes, já os descasquei e estou colocando-os para cozinhar – digo enquanto vou acrescentando os legumes picados em uma panela com água fervendo com temperos e restos de galinha para dar um gosto a mais.
— Entendi. Eu vou arrumar a mesa para o almoço e depois preciso conversar contigo sobre uma coisa muito importante, tudo bem? – diz Katherine com um tom de voz sereno.
— Claro que sim, podemos conversar – sorrio para ela, mas logo volto minha concentração ao almoço que preparava.
— Eu adoro jazz, você se incomoda se eu aumentar o volume da música? – pergunta Katherine enquanto arrumava a mesa da sala de jantar para o almoço.
— Não me incomodo, até irei gostar – digo sorrindo, cantarolando as músicas enquanto temperava o caldo e o provava.
O som da música estava tão alto que mal podia ouvir Katherine na sala mexendo com os talheres, os copos e pratos.
— Pronto, Ana. Vamos conversar? – diz Katherine, assustando-me novamente.
— Oh! – digo em susto, colocando a mão no peito novamente – Vamos sim, pode falar... – digo enquanto dedico-me às panelas.
— Bom, eu sei que você terá de fugir daqui para não correr riscos e eu queria dizer que eu sinto muito por isso, pois nós duas criamos um vínculo... – diz Katherine pausadamente.
— Sim, criamos mesmo. E eu fico feliz por isso, por poder esquecer do que passou e poder ter uma relação amigável com você depois de todos esses anos, não é? – e ao terminar de dizer, sorrio para ela de forma sincera.
— Tens razão. Por isso eu gostaria de lhe dar um presente para que esse vínculo se tornasse eterno – e enquanto ela fala, ela se aproxima de mim e não sei por que, mas sinto meu corpo gelar da cabeça aos pés, tendo um mau pressentimento.
Como modo de defesa, eu dou um passo pra trás, seguindo meu instinto.
— Está com medo de mim, Anastasia? – pergunta Katherine com uma expressão confusa.
— N-não é que você se aproximou muito rápido... – digo tentando disfarçar meu nervosismo.
— Ah claro, me desculpe... Mas então, este é o presente – e Katherine tira do bolso de sua saia preta rodada uma caixinha preta de veludo vermelho, entregando-me.
— Posso pegar? – pergunto com receio.
— Claro querida, é seu! – diz Katherine rindo com leveza e descontração.
Apanho a caixinha pequenina e quando a abro reparo que é um colar de ouro extremamente delicado, porém bem firme com uma pedrinha de rubi em formato de gota como pingente extremamente delicado e de bom gosto.
— Uau, é lindo! – digo muito impressionada. Era uma peça de muito valor realmente, mas não entendia o porquê desse presente – Por que está me dando algo tão valioso assim? – pergunto confusa.
— Bom, ouvi dizer que após a crise na América, está difícil de encontrar empregos, portanto é apenas uma peça que você possa contar para penhorar se precisar de ajuda financeira – diz Katherine com uma feição de preocupação.
— Ah sim, entendi. Mas não te fará falta? – questiono com preocupação, porém meus olhos estavam hipnotizados por aquela pedra tão maravilhosa que fazia toda a diferença naquela peça tão delicada.
— Óbvio que não, eu tenho muito dinheiro e posso comprar várias destas. Não me fará falta alguma – diz Katherine com uma expressão despreocupada.
— Ah sim... Então muito obrigada, é realmente uma peça de muito bom gosto! – sorrio sincera, porém ainda estava nervosa. Sentia meu corpo se eriçar aos poucos, tendo uma má sensação.
— Imagina, sei que você fará bom uso dele. Quer experimentar? – pergunta sorrindo para mim.
— Depois, vou terminar o almoço... – enquanto falo sou interrompida por Katherine.
— Não aceito um não como resposta! Não se deve fazer desfeita do presente dos outros, Ana! – diz Katherine pegando a caixinha da minha mão e retirando o colar de seu suporte de veludo vermelho.
— Ah... Bom... Tudo bem então... – afinal, qual será o problema de experimentar uma peça tão linda.
Katherine desata o ganchinho da corrente, abrindo-a enquanto eu junto meus cabelos soltos em minha mão, puxando-o para o lado, dando espaço para Katherine colocar o colar em mim.
— Bom, vamos lá... – diz Katherine em um suspiro perto dos meus ouvidos enquanto vai entrelaçando meu pescoço com a correntinha e a puxa para trás para fechá-lo.
— Nossa... Não estou conseguindo fechar... – diz Katherine enquanto puxa com mais pressão a corrente do colar para trás, fazendo-a pressionar a pele do meu pescoço.
— Cuidado, Katherine... Puxe com mais cuidado... – digo com cautela, procurando acalmá-la para que ela possa fechá-lo com tranquilidade.
— Ana, você pode vir mais pra trás então? Assim fico mais próxima para enxergar... – diz Katherine com tranquilidade.
— Claro – e dou um paço para trás.
Katherine faz com que meu corpo grude contra o dela e puxa o cordão com ainda mais força, machucando meu pescoço e limitando minha respiração.
— Katherine... Está ficando difícil de respirar... – digo já com o ar limitado.
— É mesmo? Essa é a intenção, querida... – e ao dizer isso, Katherine puxa com ainda mais força o cordão contra meu pescoço enquanto prende meu corpo contra o seu, fazendo-me sufocar.
O ar já me faltava e eu tentava busca-lo a qualquer custo enquanto me debatia em desespero. Procurava manter o máximo que podia do ar que ainda havia em meus pulmões.
Com uma das mãos eu tentava puxar o cordão do meu pescoço, mas ele estava de alguma forma grudado contra a minha pele, me fazendo sufocar ainda mais.
Enquanto me debatia, podia sentir a respiração pesada e curta de Katherine em meu ouvido que soltava o ar com mais força em cada tentativa minha de sair de seu domínio.
Podia sentir a pressão nos meus olhos e os sentia saltando das órbitas enquanto o ar em meus pulmões ia se esvaindo aos poucos, mas precisava lutar por mim e pelo meu filho.
Procuro analisar a bancada da pia que está em minha frente e estico minha mão com muito esforço, tentando alcançar a faca que eu havia cortado os legumes para tentar me defender.
Katherine percebe meu esforço e não demora em cruzar as duas pontas da corrente, me sufocando ainda mais. Esforçava-me a todo momento para puxar o ar mas era completamente em vão.
— Você não sabe quanto está sendo prazeroso fazer isso, Anastasia – diz Katherine em meu ouvido com a voz pesada devido ao esforço que fazia para me enforcar.
Percebia que quanto mais eu realizava esforços e me debatia, mais ar eu perdia e mais o meu coração acelerava, gastando as energias de meu corpo.
Decido então relaxar meu corpo na esperança de conseguir alguma brecha e assim consigo: ao relaxar, meu pescoço escorrega do cordão e escapo por baixo dos braços de Katherine, correndo o quanto podia em direção à porta da frente enquanto recuperava o ar.
Ao chegar até a porta do hall, tentava virar a maçaneta, mas para a minha surpresa a porta estava trancada.
— Socorro!!! Socorro!!! – exclamo com desespero inutilmente devido à altura da música que ecoava pela casa.
Não, não, não! O desespero corria pelas minhas veias e minha vontade de viver gritava dentro de mim e lutava contra a confusão mental que sofria devido à falta de oxigenação em meu cérebro.
Ao virar para procurar algo para me defender, Katherine aparece com um castiçal de prata da mesa da cozinha e o acerta em minha cabeça, fazendo com que minha cabeça confusa devido à falta de ar fique completamente tonta e eu caio com meu corpo de lado no chão entre a sala de estar e o hall em instinto para não machucar o meu filho que crescia em minha barriga.
Tento me rastejar, mas é em vão, pois Katherine acerta novamente com o castiçal de prata em minha cabeça, deixando-me semi-consciente, virando-me de barriga para cima.
Minha visão era distorcida e minha audição já estava levemente distante, vendo vultos e ouvindo ruídos.
Katherine aproveita a oportunidade para sentar sob meu peito e estrangula-me com suas próprias mãos, impedindo a passagem de ar na minha garganta.
Meus olhos saltavam e lágrimas escapavam dos mesmos enquanto via a satisfação no olhar de Katherine mesmo com a visão distorcida enquanto ela tentava me matar.
Debatia-me no chão e tentava acertá-la com minhas mãos e pernas, mas era em vão. Meus movimentos estavam limitados devido à gravidez.
A cada esforço que eu fazia menos ar eu tinha em meus pulmões.
Sentia meu corpo ir perdendo as forças aos poucos e percebia que estava beirando à inconsciência, pois minha visão passava de embaçada para apenas contornos e já não conseguia ver Katherine muito bem.
Meus olhos vão cedendo à escuridão que me domina aos poucos e vou perdendo a consciência.
Tudo é preto.
Tudo é tranquilo.
Meu corpo está leve e pleno.
Meu coração ainda bate.
Bate
Bate
Bate
Á procura de ar ele bate.
Acordo puxando todo o ar que posso de forma instintiva e tusso sem parar enquanto meus olhos avistam o teto da sala de estar.
A dor em meu pescoço era muita e minha cabeça doía devido à falta de ar.
Podia sentir sangue escorrer pela minha cabeça devido às pancadas de Katherine em minha cabeça.
Ao olhar ao meu redor, percebo que Katherine está sentada atrás do meu corpo deitado já com a corrente de ouro dando a volta em meu pescoço enquanto ela o segurava em suas extremidades.
O desespero assola meu coração novamente e meu movimento é de levantar, mas estava completamente presa àquele cordão de ouro.
Ela sorri pra mim e volta a me estrangular, puxando com toda sua força a corrente do colar, asfixiando-me novamente.
Tentava puxar o ar de todas as maneiras, me debatia novamente enquanto a ouvia falar:
— Morte por estrangulamento não é fácil. A vítima volta à vida facilmente. Só estava esperando você voltar de novo. Ver seu desespero é prazeroso!
E meu corpo se debatia e convulsionava sem parar, tentando me soltar de todas as formas possíveis das mãos de Katherine enquanto a olhava completamente confusa, não entendia o porque de tanto ódio.
— Você acha que é suficiente? Acha que é perfeita pra ele? — e ri com desdém ao dizer enquanto continua puxando o cordão com tamanha ira — Você é a vítima perfeita, Anastasia! A vítima perfeita para mim!
Agora era inviável escapar. Eu estava completamente presa naquele cordão de ouro que me asfixiava com tanta precisão e piorava com a tremenda força de Katherine.
Tentava puxar o ar, mas nada preenchia meus pulmões e então eu ia retornando à inconsciência aos poucos, perdendo a luz e adentrando na escuridão novamente. Estava fraca e não tinha mais forças para lutar.
Decidia então entregar-me ao destino que Katherine havia escolhido para mim, adentrando na escuridão profunda de mim mesma, sentindo a vida esvair do meu corpo completamente.
Perdoa-me filho, eu não consegui nos salvar. Meu sonho era poder ter-lhe em meus braços, sentir sua respiraçãozinha e cuidar de ti com todo o amor que há em mim.
Perdoa-me mãe, não poderei chegar à França. Espero que possa fugir e salvar-se do imenso ódio que se instaura nesse continente dominado pela discórdia.
Perdoa-me Christian, não tive forças suficientes para combater o ódio de Katherine. Eu sempre te amarei.
E então, entrego-me, deixando com que Katherine terminasse com a minha vida com suas próprias mãos.
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