Minha Querida Francesa Anastasia
19 Cap 18 - O Voo para a Verdade
Notas iniciais

POV CHRISTIAN
Estávamos dentro de um avião indo em direção à Moscou. Foram enviadas diversas propostas de acordo com a União Soviética, todas sem retorno. Até que finalmente este pacto foi aceito e então aqui estamos.
A França e a Inglaterra estavam tentando negociar com a União Soviética e então nossa estratégia foi invadir a Lituânia, sendo isso uma ameaça para os soviéticos, e assim chamamos atenção dos mesmos para um pacto entre nossos países.
A Inglaterra e a França são tão burras que sempre buscavam acordos pacíficos sendo que o que chama atenção de Stalin é a ameaça. Além do que os diplomatas franceses e ingleses são extremamente inferiores à Stalin, não tendo assim nenhum tipo de subsídio para acordos. Hitler está à altura senão acima de Stalin neste momento na Europa.
Sendo bem sincero, não estava acreditando que estávamos nos prestando a esse serviço de assinar um pacto com aqueles comunistas de esquerda. Mas entendia muito bem o fundamento disso.
Hitler queria assegurar-se de que a União Soviética não se aliasse a nenhum dos outros países, pois ele sabe que se eles comprarem essa briga contra nós estamos fodidos.
No silêncio da viagem, estávamos os oficiais táticos e jurídicos unidos em uma espera tremenda para chegar ao nosso destino.
E nessa viagem eu pude perceber o quão quieto e reflexivo estou. Da mesma forma que eu sempre tive repleta confiança em meu Partido Nazista, agora estou com uma tremenda dúvida em minha cabeça.
Anastasia tirou-me de minha zona de conforto e fez-me refletir sobre o que eu estava fazendo, se estava sendo manipulado, se estava fazendo e sendo aquilo que eu realmente acredito por mim mesmo e não por algo que foi importo a mim.
Decidi isolar-me por dias para refletir sobre o que estava fazendo e se o que fazia era o correto. Não correto para os outros, e sim para mim.
E eu devia pensar nisso o quanto antes, pois já estava a bolar um esquema tático para mim mesmo e principalmente para Anastasia. Sou uma pessoa muito racional e em um momento crítico eu não consigo não levar em consideração todo o meu conhecimento estratégico.
Preciso pensar na melhor maneira de leva-la até a divisa com a França com todo aquele dinheiro todo e de lá me safar. É tudo bem complicado, mas sei que se eu pensar bem, tudo vai sair como planejado. Preciso só de uma brecha e de uma oportunidade.
De repente escuto um dos comandantes presentes questionar Hitler, quebrando o silêncio da viagem.
— Mein Füher, por quê faremos um pacto com esses comunistas de esquerda? Deveríamos destruí-los!
Todos os presentes se entreolham e eu suspiro profundamente, pois a pergunta é extremamente idiota e a resposta daquela pergunta é extremamente óbvia.
Então eu só apoio uma de minhas pernas em cima da outra e levo uma de minhas mãos até minha testa, massageando-a com certa falta de paciência para burrices.
Se eu fosse o Füher, jogaria este traste pra fora desse avião nesse momento. Uma pergunta dessas não serve para uma pessoa que está entre a elite da SS.
Então eu ouço um suspiro profundo vir de Hitler e então eu entendo que seu sentimento é o mesmo que o meu, mas ele decide ser brando em suas palavras, pois ele precisa deste grupo de apoios tão essenciais.
— Os senhores sabem que a Rússia e a Alemanha são governadas por duas doutrinas diferentes. Mas, no momento em que a União Soviética não pensa em exportar a sua doutrina, eu não vejo mais motivo que nos impeça de uma tomada de posição. Por isso decidimos firmar um pacto que exclua o uso de todo tipo de violência entre nós por todo o futuro.
O silêncio predomina o ambiente novamente enquanto a grande maioria em peso dos presentes murmura e suspira com certa falta de paciência.
Hitler era muito bom com as palavras e sabia deixar seus objetivos bem claros de forma simples. Conseguiu deixar muito explícito e bem articulado sua intenção. E na minha opinião, só não entende quem não quer.
Ele deixou EXTREMAMENTE claro sim, claramente nossas crenças são diferentes, mas no momento atual a União Soviética não pensa em espalhar o seu comunismo pelo planeta e, como forma de proteção, realizar esse pacto já que ele nos beneficiará.
Todos sabem que o poder bélico e militar dos soviéticos é extremamente de ponta e eles não hesitariam em nos destruir, apesar de termos um poder bélico similar senão melhor.
A Alemanha cresceu muito durante esses anos de isolamento mundial, mas foi com muito custo já que perdemos muito. A União Soviética não teve nenhum declínio desde então e por isso me preocupo.
Foram enviados diversas propostas de acordo com a União Soviética, todas sem retorno. Até que finalmente este pacto foi aceito e então aqui estamos, à caminho de Moscou.
~*~
Assusto-me com o baque do avião no chão e então percebo que peguei no sono durante essas quatro horas de voo.
Apanho minha maleta militar com meus pertences, meu quepe e coloco meu casaco de luxo já que lá fora está um tanto frio, afinal, estamos no extremo norte do mundo.
Descendo as escadas do avião atrás de meu colega de trabalho o Ministro Ribbentrop já posso avistar a recepção de Molotov, Ministro de Negócios Estrangeiros da União Soviética.
Os dois se cumprimentam e logo começam as apresentações até que Hitler junta-se à nós.
Vamos em comboio de carros da pista de pouso do aeroporto em direção ao Grande Palácio de Kremlin, onde Stalin nos esperava e onde provavelmente passaríamos a noite.
Enquanto tomávamos nosso caminho, podia ver a grande potência soviética que se formava. A URSS era extremamente fechada assim como a Alemanha Nazista, mas eu preciso dizer que Moscou era de cair o queixo.
Uma cidade grande, muito bonita, prédios de muito bom gosto e cheios de poder e vigor, um povo sorridente e feliz. Confesso que era muito bonito de ver.
Então eu me percebo e me vejo extremamente receptivo a coisas que não sejam do meu país. Me pego a admirar outros lugares e a contemplar outro tipo de funcionamento social e político.
Se fosse há poucos meses, eu não olharia nem pela janela, eu apenas olharia para frente sem reparar em nada até a chegada de nosso destino devido ao tamanho orgulho.
Percebo que Anastasia me fez refletir tanto que quebrou barreiras dentro de mim. E posso dizer que estou me sentindo muito bem dessa forma com que há ao meu redor. Posso ver novos horizontes, novas perspectivas.
Consigo entender que eu estou pensando por mim mesmo e que estou tendo uma liberdade de perspectivas devido ao que venho refletindo há dias.
Então penso: obrigado, minha pequena. Sua pureza de menina e sua reflexão de mulher me fez ter outros olhos.
Nesse momento eu tenho a certeza de que preciso por o meu plano em ação. Preciso levar Ana para França e deixa-la ir. Ir com ela? Talvez... Preciso ser cauteloso para não desonrar minha família.
~*~
Após a assinatura do pacto de não agressão, nos é oferecido um banquete extremamente farto com muitas comidas típicas russas como Borscht (uma sopa vermelha de legumes e carne) para a entrada, Draniki (panqueca de batata com coalhada), Salada Olivier e um belíssimo Frango à Kiev para os pratos principais e para sobremesa uma iguaria russa: Bolo Ptasie Mleczko, conhecido também como Bolo Leite de Pássaro, servido com um café forte.
Para mim tudo estava mais do que delicioso já que nunca tive muita frescura com comida, pois Karla e Anastasia sempre variaram no preparo de pratos, tanto franceses quanto alemães e até poloneses.
Passamos uma bela tarde com os soviéticos e foi extremamente rica a experiência de ter um dia com eles. Apesar de terem uma doutrina política extremamente diferente, nossas personalidades fortes e firmes eram muito parecidas. Tínhamos os mesmos assuntos e os mesmos interesses de vida. Em resumo, percebi que somos mais iguais do que diferentes.
Nesse momento eu começo a refletir o quanto eu perdi da minha vida com um pensamento mesquinho e cego de que a raça ariana era superior a todas as outras e que nada poderia ser melhor do que se o mundo todo fosse alemão.
Será que seria o mesmo com os judeus que viemos isolando, torturando e matando todos os dias? Será que seria o mesmo com os franceses? Os ingleses?
Pego-me em pensamento autocrítico em alguns intervalos de tempo enquanto estou passando um ótimo tempo conversando com aqueles soviéticos incríveis e com histórias bárbaras para contar.
Sou pego de surpresa assim que sinto uma mão em meu ombro. Era Hitler pedindo-me um momento para conversarmos.
Acompanho-o até seus aposentos e o mesmo fecha a porta atrás de mim e nos sentamos em poltronas dispostas em seu quarto frente a frente.
— Eu tenho uma missão para você daqui, Gruppenführer Grey.
— Certamente Mein Füher, qual seria? – digo de pronto.
— Eu não passarei a noite aqui e estou regressando à Berlim em alguns minutos. Lembra-se da tática de invasão da Polônia que viemos debatendo? – diz sério.
— Positivo, Mein Füher, tenho as táticas em minha maleta como o senhor pediu.
— E então daqui tu vais para a Polônia. Hoje mesmo mandarei tropas ao seu encontro e assim que chegares lá, os encontrará. Iremos invadir utilizando o Blitzkrieg. Iremos dividir o país com os soviéticos, e assim firmar nosso pacto.
— Mein Füher, se invadirmos a Polônia, declararão guerra contra nós. Sabes disso, não? – digo de forma a acabar com minhas dúvidas em relação às intenções de Hitler.
— Sim Gruppen, e é exatamente por isso que vou invadi-la. Já está na hora de reformar a Europa e coloca-la nos eixos – diz Hitler com veemência.
— O Füher pretende invadir a França logo em seguida, não? – pergunto já com um pouco de certeza, pois tudo encaminhava para isso.
— Eres muito observador Grey, por isso eres meu Gruppen Estratégico. Não tive escolha melhor, eres de grande competência e confiança para a SS e toda a Alemanha. Não é a toa que estou mandando você para o fronte dessa invasão. Nada pode dar errado. Precisamos mostrar nossa força e nossa tática inteligente. Tenho a plena certeza de que posso confiar em você enquanto nos planejamos para a invasão da França.
— Sim senhor. Obrigado pela confiança Mein Füher – sinto-me um tanto orgulhoso por ter chegado até aqui. Por ter cativado Hitler e toda a SS com minha inteligência e capacidade. Mas entendo que hoje não é o que eu quero para mim.
Deixo os aposentos de Hitler reflexivo, porém certo do que farei.
Comandarei a invasão da Polônia com toda minha capacidade para ganhar ainda mais confiança e me aproveitarei da invasão à França para levar Anastasia e Karla em segurança até o porto, onde deixarei minha pequena para seguir em direção a paz e segurança, longe daqui.
Salvarei minha menina, e depois salvarei a mim mesmo desses pensamentos antissemitas, racistas e xenofóbicos os quais fui condicionado todos esses anos e caminharei rumo à verdade de mim mesmo.
Farei isso por mim e pela minha pequena e lutarei pela minha liberdade, podendo morrer por era também.
Vai ser um caminho difícil e extremamente perigoso, mas vai ser preciso.
Sei que poderei contar com a ajuda de Elliot e terei de afirmar que ele sempre esteve certo. Precisarei de sua ajuda e seu apoio para mudar e melhorar.
Por enquanto, aproveitarei o momento com meus novos amigos soviéticos e depois pensarei nisso. Amanhã terei um dia cheio e turbulento. Preciso relaxar e aproveitar essa experiência rica de contato com um povo tão restrito e escondido do mundo.
~*~
Dia seguinte eu acordo cedo e me arrumo para viajar junto com meus colegas para a as fronteiras da Polônia para coordenar a invasão e estudar o terreno antes da chegada das tropas.
Acredito que não precisaremos de acampamento, pois nossa estratégia de invasão é infalível e não durará muito tempo para que possamos invadir algumas casas para manter parte de nossos homens enquanto o resto segue invadindo o restante.
Preciso dizer que a estratégia que criamos é um tanto cruel, mas nada podemos fazer a não ser obedecer.
Para muito homens será gratificante, mas para mim não será tanto já que estou repensando em tudo o que está acontecendo ao meu redor e a conclusão não é nada boa.
Mas o farei o mais rápido que puder para voltar para minha pequena, contar-lhe toda a verdade e esquematizar sua fuga.
É provável que a perderei para sempre e muito mais provável que eu morra sem poder vê-la novamente, mas é necessário salvá-la.
Eu a amo e farei até o impossível para deixa-la em segurança.
Fale com o autor