Minha Querida Francesa Anastasia
14 Cap 14 - A Ira da Verdade
Notas iniciais

POV Christian
“Salutmonpetitgarçon
Você sabe quem está escrevendo essa carta e sei que sabe como me encontrar.
Gostaria de dizer que eu estou bem e que cheguei a salvo na França, mas não ficarei aqui por muito tempo. Preciso que traga Anastasia até mim, pois consegui um navio daqui três semanas para levar-nos para os Estados Unidos.
Junto com Anastasia, preciso que ela traga o que é dela de direito. Seu pai vai saber do que estou falando.
Peço com urgência que a traga, sei da situação que está prestes a eclodir em todo o nosso continente.
Merci.
K.S”
Essa merda dessa carta não sai de minha cabeça. Opto por tirar essa história a limpo de vez.
Apanho o telefone discando o número da mansão.
Vou dar um basta nessas questões.
— Mansão dos Grey – a nova empregada atende. Sua voz é de uma senhora bem madura.
— Carrick, por favor – digo com autoridade.
— Claro, quem gostaria?
Como assim quem gostaria, porra?
— Christian Grey, mulher! – digo um tanto irritado.
— Oh, claro senhor Grey! – diz assustada.
Porra! Ligo pra minha própria casa e ainda perguntam quem gostaria?
Cacete!
— Boa noite, meu filho! – ouço a voz de meu pai.
— Vou jantar aí com Anastasia. Chego em cinco minutos.
— Lembrou que tem família, meu filho? Que bom que vai trazer Ana! Saudades dessa pequenina! – diz com humor.
— Não me tire do sério, Carrcick. Não estou para brincadeiras hoje. Vamos conversar, tu e eu, cara a cara.
— E posso saber o motivo dessa conversa Christian? – diz meu pai com certa autoridade e seriedade.
— Chego em cinco minutos. – digo antes de desligar o telefone.
Levanto da minha cadeira com o envelope de Karla em mãos e subo as escadas apressadamente.
Abro a porta do quarto de hóspedes e vejo minha pequena ir despertando aos poucos. Essa visão me trás uma paz no meu coração tão aflito e raivoso.
— Acorde minha pequena. Vamos jantar na mansão hoje, o que acha? – digo com um sorriso no rosto ao ver o rostinho amassado de Ana ao ir despertando.
— Claro Christian! Vamos sim! – vejo um sorriso surgir no rosto de Anastasia – Há tempos que quero ver Grace e Carrick, sinto saudades! E adoro quando você me leva pra passear! – e levanta em um salto caminhando até mim com seu corpo completamente nu me seduzindo.
— Cuidado com o que faz, mulher! – e vou reparando em seu corpo perfeito e branco feito porcelana. Anastasia era tão linda que não parecia real.
— O que você quer dizer com isso, Christian? – e ela sorri pra mim enquanto morde seu lábio. Uma perdição.
Envolvo seu pequeno corpo com um dos meus braços, puxando-a para mim, pressionando meus lábios nos dela, beijando-a com paixão, tomando-a pra mim.
Anastasia correspondia ao meu beijo, retribuindo, envolvendo minha língua com a sua, demonstrando pra mim que era minha e estava entregue a mim.
Vou interrompendo o beijo aos poucos, desvinculando nossos lábios olhando em seus olhos que queimavam a desejo.
— Não me provoque, Anastasia. Precisamos ir antes que fique tarde. Troque de roupa rápido e vamos! – digo um tanto sério apesar de que eu gostaria de ficar aqui com minha menina. Mas preciso resolver essa questão.
— Que envelope é esse na sua mão, Christian? – diz ela apontando para a minha outra mão que estava solta ao lado do meu corpo se referindo a carta de sua mãe.
— Depois falamos disso, minha pequena. Vá colocar uma roupa, por Deus! Antes que eu desista de ir! – digo com os olhos ardendo em desejo olhando para Anastasia.
— Ah, então não vou colocar nada! – ela diz com um baita sorriso no rosto.
— Vá logo, Anastasia! – digo sério desferindo um tapa firme em sua bunda branquinha, deixando a marca de minha mão ali. Confesso que gosto disso.
— Ai! Já vou!!! Mandão... – diz Ana resmungando enquanto vai andando até as escadas para colocar suas roupas.
Aproveito e vou rápido para o meu quarto vestir-me também.
Continuo com minha calça de feltro cinza, coloco suspensórios em minhas calças, uma regata de baixo branca, camisa branca de algodão e um sobretudo. Nos pés sapatos.
No espelho do banheiro, penteio meus cabelos, deixando meu corte militar bem aparente. Percebo que minha barba já está ficando bem aparente. Preciso fazê-la mais tarde.
Levo no bolso de meu suspensório o envelope de Karla e meu pente caso Anastasia bagunce meus cabelos. Preciso manter minha imagem, por Deus! Aquela menina quer me tirar do sério o tempo todo!
— Estou pronta, Christian! – grita Anastasia no andar de baixo.
Desço apressadamente as escadas passando as mãos em meus cabelos.
Vejo minha menina e ela veste um vestido preto com golas redondas brancas de manga comprida e um cinto branco na cintura com a meia cor de pele e um sapato boneca preto. Lembro quando comprei essa roupa para Anastasia e lembro como ficou lindo nela, e como continua lindo. Mas confesso que reparo as cinturas de Anastasia mais largas e seus seios mais robustos. E isso me agrada.
— Você está linda, ainda mais com esses cabelos soltos – sorrio bobo para minha menina.
— Obrigada, Christian – ela fica corada, e isso me deixa ainda mais apaixonado.
— Vamos? – e vou guiando minha pequena até a porta já com as chaves da casa e do carro na mão.
Aproveito esse tempo com minha menina, pois sei que daqui alguns minutos eu estarei tendo uma conversa séria com Carrick e a minha paz vai sumir do meu alcance.
~*~
— Boa noite, minha querida! – diz Carrick ao ver Anastasia, beijando-lhe o rosto.
— Boa noite, Carrick! Estava sentindo falta! Cadê Grace? – diz Anastasia animada com um sorriso no rosto.
— Está na sala de jantar, querida! Pode ir lá – diz Carrick e Anastasia corre apressada até o salão de jantar. Parece que estava com saudades.
— Diga a Grace que podem servir o jantar, já iremos acompanhar-vos – digo olhando para Ana.
— Direi! – diz Anastasia enquanto já chegava ao salão.
— Vamos ao escritório agora – digo um tanto impositivo.
— Não queres jantar antes? – pergunta Carrick um tanto confuso.
— Não, vamos agora – digo já caminhando até o escritório sem sequer tirar meu sobretudo.
Carrick me acompanha e vamos juntos apressadamente até o escritório.
Entro e sento em uma das cadeiras em frente à mesa. Carrick fecha a porta atrás de nós e caminha até a cadeira atrás da mesa.
— Bom... O que está te incomodando, Christian? – pergunta meu pai.
— Isso aqui... – tiro rapidamente o envelope do meu bolso colocando-o em cima da mesa entre nós dois.
Carrick apanha o envelope e lê atentamente.
Fico observando as reações de meu pai enquanto lê as palavras de Karla. Mas não consigo identificar, pois Carrick mantém um olhar tranquilo.
— É de Karla, não é? – pergunta Carrick já com certa certeza.
— É óbvio... O que é de Anastasia de direito? – digo um tanto inflexível, esperando respostas.
— É um tanto complicado, Christian... – meu pai diz suspirando.
— Não quero saber da complexidade, eu quero saber dos fatos Carrick! Diga logo! – prossigo inflexível. Não sairei daqui esta noite sem respostas. Estou farto de segredos ao meu redor.
Carrick desliza uma das mãos em seu rosto demonstrando tensão. Sua testa é rígida e franzida e sua expressão é de nervosismo.
— Se souberes, não podes contar a ninguém – diz meu pai com instabilidade no tom de voz.
— Não contarei.
Carrick hesita e começa a tossir.
— Diga logo! Sou teu filho mais velho, homem! Tens que confiar em mim! – digo inquieto.
— Anastasia é tua irmã, Christian. Tua e de Elliot... – diz meu pai como uma bomba e eu me calo em choque, sem saber o que pensar.
— Tive um caso de muitos anos com Karla e Anastasia nasceu. Sempre lhe dei tudo do bom e do melhor, mas Karla se negava em receber qualquer coisa de mim depois que Anastasia ficou mais velha. Não sei se por culpa ou algo assim já que ela e Grace eram muito próximas. Por isso tenho em meu cofre uma quantia destinada a ela junto com uma parte da herança que é dela por direito. Vendi nossa casa de campo já que não usávamos e esse dinheiro é para Anastasia.
— Então Anastasia é minha irmã... – digo pausadamente absorvendo a informação.
— Sim, ela é – diz Carrick.
Um silêncio solene toma conta do escritório.
Ficamos nos olhando por longos minutos.
Passo a mão em meus cabelos em nervosismo.
— Porra Carrick... – é tudo o que consigo dizer.
— Me perdoa filho... – diz Carrick.
— Te perdoar? Porra! Eu estou apaixonado por Anastasia! Estamos tendo relações há dias! E agora você vem e me diz que ela é minha irmã?! – levanto da cadeira bruscamente e começo a andar de um lado pro outro sem saber o que pensar.
— Estas a relacionar-se intimamente com Anastasia? E Katherine? – diz meu pai um tanto rude.
— Por que estás a julgar-me? Traístes minha mãe debaixo do nariz dela por anos!
— Ela é sua irmã, Christian! Foram criados como se fossem irmãos!
— Mas eu não o sabia porra! – paro no mesmo instante resmungando no lugar — merda... merda... E agora Karla quer leva-la de mim! Quer leva-la para a América!
— Sabes que é o melhor para as duas. Uma guerra está prestes a explodir, Christian! O primeiro alvo será a França com toda certeza! Elas precisam fugir enquanto há tempo! Além do mais te afasta dela e termina este incesto.
— Pai, eu a amo! Entendes? Eu amo Anastasia! A culpa disso é toda tua! Devias ter-me contado tudo antes de envolver-me! Merda! – chuto com muita brutalidade a cadeira a qual eu estava sentado.
— Acalma-te Christian! – diz meu pai enquanto levanta de sua cadeira.
— Para o inferno a calma Carrick! Para o inferno! – digo com fúria. Apanho a carta de Karla, enfiando-a de qualquer jeito no bolso de meu sobretudo e caminho até a porta.
Carrick em um segundo está ao meu lado e segura a porta.
— Vais contar para alguém? – pergunta Carrick com sua falta moral.
— Sou um homem de palavra, Carrick! Disse que não contaria e não o farei! Agora se me der licença... – digo já alcançando a maçaneta e abrindo a porta de uma vez.
Caminho até o salão de jantar como um tornado e vejo minha mãe e Anastasia sentadas a mesa jantando com tranquilidade.
— Vamos, Anastasia! – digo firme.
— Mas tu ainda não jantastes, Christian! E nem cumprimentou tua mãe! – diz Grace com um olhar preocupado.
— Não tenho fome. Vamos Anastasia! – digo com mais firmeza ainda.
— Tudo bem... Até uma outra vez, Grace – e Anastasia beija o rosto de minha mãe e caminha apressadamente até mim.
— Adeus, Grace – digo assim que me viro com a mão nas costas de Anastasia empurrando-a em direção a saída.
Pego o casaco de Anastasia e abro a porta de sopetão, caminhando até meu carro.
Eu e Ana entramos rápido e eu arranco o carro com muita velocidade, querendo estar longe dali o mais rápido possível.
— O que se passa, Christian? – diz Anastasia com espanto no olhar.
— Apenas um desentendimento com meu pai, não te preocupes! – digo um tanto exaltado enquanto dirigia apressadamente pelas ruas de Berlim.
— Não me parece apenas um desentendimento. Parece ser algo sério. Mas entendo que é algo entre tu e teu pai. Respeitarei. Mas por favor, vai devagar! Vai acabar nos matando! – diz Anastasia muito aflita com a maneira que eu dirigia.
Minha pequena tinha razão, eu estava nos colocando em risco.
Começo a dosar a velocidade, moderando na direção e tentando manter-me calmo.
Assim que nos aproximamos de minha casa vejo o carro de meu irmão se aproximar, e então chegamos juntos.
— Oh Elliot! Tinha te prometido um jantar! Ainda bem que Christian não comeu! O farei imediatamente! – diz Anastasia ao sair do carro com preocupação.
— Ainda bem que está aqui Elliot, precisamos conversar.
— Sim... Precisamos... – diz Elliot com tensão e nervosismo na voz. Parece que sabe de algo.
Abro a porta da frente e Anastasia vai entrando na casa acendendo as luzes e caminha apressadamente para a cozinha.
Fico satisfeito que Anastasia se ocupe, pois a conversa que terei com Elliot será longa.
Caminho com meu irmão até meu escritório e fecho a porta. Caminho até a minha cadeira atrás da mesa e Elliot demora a se acomodar em uma das cadeiras em frente à mesa.
Sento-me e olho para Elliot. Seu rosto está soado e seus olhos com as pupilas dilatadas. Meu irmão está visivelmente nervoso.
— Voltou logo de Lübbenau hein... Dirigiste rápido... – digo o analisando.
— Eu sei o que está fazendo Christian. Dirigi muito rápido sim... – diz com nervosismo.
— Conte-me ... – olho para Elliot impassível, mostrando que ele não tem chances de escapar ou de mentir.
— Sobre a consulta com Flynn... Ele encontrou lacerações violentas dentro de Anastasia além de que seu hímen foi brutalmente arrancado, o que indica estupro... – Elliot conta-me com nervosismo, mas ao ouvir a palavra estupro sinto o meu sangue ferver.
— E quem foi o desgraçado Elliot! Diga-me! – coloco minhas mãos em cima da mesa já me levantando, falando em um tom muito alto quase gritando com meu irmão. Estava prestes a perder o juízo.
— Foi Hyde. Tenho quase certeza. Fui atrás do maldito...
— E você foi atrás do desgraçado em Lübbenau? Na casa dos Kavanagh? – pergunto juntando as peças desse quebra cabeças.
— Quem o mandou foi Katherine, Christian...
— O QUE?! Que porra é essa que você está me dizendo?! – meu tom de voz é grosso e intimidador. Não posso crer no que estou ouvindo.
— Eu conversei com Anastasia, ela me fez prometer que não te contaria e me contou os detalhes do que aconteceu! Foi na noite do teu brandy de aniversário, ela facilitou a entrada e a saída de Hyde no porão além de pagar-lhe por isso!
— E como sabes que ele estava em Lübbenau porra?! – falo com raiva.
— Verifiquei seu demandar e ele saiu ontem e não voltou. Fui até a casa dos Kavanagh e só estava Katherine lá, mas eu tenho certeza de que tinha mais alguém lá, Christian! Katherine não fuma e tinha muitos cigarros no cinzeiro, haviam dois pratos usados, duas taças de vinho, dois lugares na cama utilizados... Receio que sejam amantes, Christian!
— Esse porra não vai fugir! – pego o telefone no mesmo momento ligando para a SS.
— Müeller, acione buscas, temos um desertor e eu o quero vivo... Jack Hyde! Tenho informações de que está na região dos arvoredos em Lübbenau. Eu quero essas buscas AGORA! – desligo o telefone quase quebrando-o ao colocar com muita força no gancho.
— Vamos Elliot. Vamos atrás desse desgraçado. Quando eu o encontrar ele vai se arrepender de ter nascido... – vou caminhando até a porta.
— Mas e Katherine? – pergunta Elliot.
— Ela vai apanhar até não aguentar mais! – digo com muita ira.
Minha cabeça está borbulhando e eu mal consigo pensar. Meu corpo está dominado por um ódio intenso.
Ao sair do meu escritório deparo-me com Anastasia.
— Vim avisar que o jantar está pronto...
— Você! Eu entreguei meu coração pra você! Eu entreguei minha alma e você esconde uma merda dessas de mim Anastasia?!
— Eu... Eu não queria...
— Não queria o que, porra?! Já não basta esconder uma merda dessas de mim você ainda quer justificar algo?
— Estávamos vivendo dias tão bons que eu não queria estragar... Eu te amo, Christian... – e Anastasia se cai em prantos.
— Foda-se, Anastasia! Foda-se! Quando eu voltar, conversamos! – digo tirando o meu sobretudo de passeio e colocando o meu sobretudo oficial, apanho meu quepe e meu coturno e saio em disparada para o meu carro junto de Elliot.
Acomodo-me na direção e parto com muita velocidade para Lübbenau.
Corro com meu carro.
Corro com muita velocidade.
Nada mais me importa além da ira que me domina.
Indignado com meu próprio pai.
Estou completamente cego de raiva.
Não vejo a hora de botar minhas mãos em Hyde e em Katherine.
Cego de ódio.
Com fome de vingança.
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