Minha Querida Francesa Anastasia
11 Cap 11 - Vingar-te-ei
Notas iniciais

POV ELLIOT
Envolvido em conferências táticas, Christian pediu-me para acompanhar Anastasia enquanto Dr. Flynn a examinava. Disse que era devido a sua formação como mulher e que ela precisava passar por um médico que tivesse todas as orientações necessárias.
E ele tinha razão, tínhamos que prover isso à Anastasia, afinal é como uma irmã para nós.
O dia está muito frio e neva muito. Ando pelas ruas de Berlim até alcançar a casa de meu irmão.
Verifico se a porta está aberta e não está. Por isso bato.
— Elliot! Graças a Deus você chegou! – diz Anastasia com os olhos arregalados e um terror na voz – Não quero encarar aquele médico sozinha!
— Ele já chegou Ana? – será que cheguei atrasado? Christian me mata se eu o fizer! Vou tirando meus casacos e quepe apressadamente.
— Não, por isso estou comemorando! Você chegou primeiro! – diz Ana alcançando meu rosto e sorrio para ela.
Mal entro na sala e o Dr. Flynn está aqui.
Abro a porta apressadamente e já o vejo.
— Boa tarde, Elliot! – diz Dr. Flynn cumprimentando-me.
Bom, vamos às apresentações...
— Ana, esse é o Dr. Flynn, médico de Christian e meu também. É de nossa confiança.
— Boa tarde, Dr. Flynn – diz Ana um bocado receosa enquanto aperta a mão de Flynn.
— Muito prazer, Anastasia. Estava com Christian a pouco e ele já disse o que está se passando. Vou preparar a cama do quarto de hóspedes para examinar-te.
— Eu levo o senhor até lá – digo de pronto, mostrando-me útil o encaminhando para o quarto de hóspedes.
~*~
— Muito bem, agora eu vou pedir para que você deite na maca e coloque as pernas nesses suportes bem aqui – diz Flynn para Anastasia que me olha muito apreensiva.
— Está tudo bem, Aninha... –estendendo-lhe a mão, ajudando-a a subir na maca.
— Seja o que Deus quiser... – diz Ana vestida de avental enquanto deita-se na maca como Flynn orientou. Acho um pouco de graça no que ela disse, mas assim que o exame começa, viro o rosto para dar a Ana mais privacidade.
Enquanto olho para o nada, Anastasia aperta minha mão, e de pronto eu aperto sua mão novamente, mostrando-lhe que estava ali.
Mas de repente sou surpreendido com a pergunta de Flynn para Ana.
— Já teve relações sexuais, Srta Anastasia?
De pronto olho para Ana e mostro-me tranquilo para que ela possa dizer ao médico exatamente o que se passa.
— S-Sim, doutor... – assim que ouço a resposta de Ana e vejo seu rosto corar, não consigo conter meu espanto. Meus olhos se arregalam no mesmo instante.
O que? Anastasia não é virgem? Ela já foi tocada? Mas por quem? Por que ela não me contou?!
— Eu posso ver que sim... E foi recente... – diz Dr. Flynn.
Pode ter sido recente... Mas Anastasia... Por que não me contastes?
Como pode? Anastasia foi tocada! Como isso pode ter acontecido?
— Tudo bem, Anastasia... Pode vestir-se. – diz Dr. Flynn ao terminar o exame.
Anastasia corre como um foguete para dentro do banheiro para trocar as roupas e eu de pronto vou até Dr. Flynn.
— E então, doutor? O que há com Anastasia? – pergunto meio sem saber o que dizer, mas querendo respostas.
— Algo grave aconteceu com ela, Elliot. Infelizmente eu encontrei vestígios de violência sexual. Há fissuras e lacerações em seu canal vaginal e seu hímen foi seriamente arrancado. Percebi pela coloração do seu canal que ela perdeu muito sangue. Eu recomendo uma alimentação rica em carne e grãos para recuperar seu ferro o mais rápido possível.
Enquanto Flynn fala, eu só consigo pensar em uma coisa: Anastasia foi estuprada.
E quem fez isso à ela, vai pagar!
~*~
— Vou ser bem direto. Dr. Flynn falou comigo sobre seu exame e ele me disse que você sofreu violência sexual, Anastasia... Há indícios de lacerações no seu exame... – digo sem rodeios assim que fecho a porta e caminho com Ana até a sala de estar. Não consigo esconder minha indignação e minha preocupação.
— Elliot, por favor, não conte ao Christian! – Ana se esvai em lágrimas, implorando-me. Como ela pode me pedir uma coisa dessas?!
— Como você não quer que eu conte uma coisa grave dessas Anastasia? Quem fez essa merda com você?! Diga-me agora! – Digo com muita veemência! Eu não vou tolerar saber que Ana foi estuprada e não saber o que se passa! Ela vai me contar nem que seja a força!
— Está bem longe daqui! Por favor! Eu lhe conto tudo, mas por favor não conte ao Christian! Ele vai destruir tudo o que tiver pela frente! Ele vai perder a cabeça! – Ana implora em desespero enquanto minha cabeça está uma pilha de nervos.
Porcaria, Anastasia!!! Porra!!!
Decido então respirar fundo e me acalmar. Sento-me no sofá para recuperar-me.
Preciso de controle para que Ana possa sentir-se segura o suficiente para contar-me o que ocorreu.
— Está bem. Conte-me tudo, Anastasia. Eu prometo que não vou falar com Christian – tento ser sério, mas no fundo eu estou transtornado.
— Oh Elliot! Muito obrigada!!! – Ana começa a encher minhas mãos de beijos, mas eu a interrompo na hora, puxando-a para sentar ao meu lado no sofá.
— Ow, pare com isso, Ana! Quero que me conte tudo, do início ao fim.
E enquanto Anastasia me conta com riqueza de detalhes tudo o que aconteceu, eu não consigo esconder a minha revolta, a minha raiva.
Sempre tive ciência de que Katherine não era flor que se cheire, mas ser capaz de ser mandante de uma barbaria dessas é demais!
— Quando aquela mulher voltar... Eu vou vir ficar aqui Ana. Vou dormir nessa maldita sala todas as noites para proteger-te! Víbora! Monstruosa! Uma verdadeira cobra! A minha vontade é de ir até Lübbenau e... e... – E de repente tudo é negro em meus olhos e quando me dou por mim, acabava de socar uma parede com toda minha força.
— Calma, Elliot! Por favor! — Ana aparece por trás de mim, olhando minha mão, mas isso pouco me importa. O que me importa agora é o que irá acontecer. Que atitude tomar. Mas estou tomado por um choque que não deixa-me pensar. Apenas passa pela minha cabeça a revolta, a ira.
— Ana... Se algo acontecer a você... Eu não sei o que eu faço... Quando essa mulher voltar... Eu não sei o que faço...
— Respira, Elliot! Por favor, eu preciso que guarde esse segredo contigo! Não sabes como me tirou um peso por não poder falar disso com ninguém! Ajudou-me muito falar sobre isso com alguém! – diz Ana com uma paz invejável. Ela passou por tudo isso e ainda consegue se manter como sempre. Anastasia é uma garota forte e extraordinária. Nesse momento eu posso realmente ver o seu real valor.
Mas confesso que estou tomado pelo ódio e pela indignação e não consigo pensar em mais nada a não ser encontrar quem fez isso com ela.
— Ana, eu vou encontrar esse filho da puta e ele vai cuspir as próprias bolas! E quando essa víbora voltar, eu não vou desgrudar meus olhos de você, está entendendo?
— Para, Elliot! Eu estou a me relacionar com Christian!!! Enfim estou com a pessoa que eu amo!!!
Como??? Christian está com Anastasia?
Os dois estão juntos? Relacionando-se?
Não consigo entender mais nada!
— O que? Além de ser estuprada você está mantendo relações com Christian?
— Sim Elliot! Eu enfim estou com Christian! O amor da minha vida inteira! Eu não quero estragar isso! Eu não posso estragar!
— Estragar o que? – diz meu irmão que aparece pela entrada o hall de repente.
Olho para Ana e percebo seus olhos vazios e completamente perdidos.
Creio que ela esteja esperando minha reação frente ao que eu sei. E sinto que eu vou ter que sair dessa por nós.
— Estragar a surpresa de que você e Ana estão... Juntos... Não é? Ana não queria que eu soubesse pelo Flynn que está a manter relações. Mas agora eu já sei e Flynn recomendou uma dieta com carnes e grãos para a verdadeira Sra Grey – digo convicto do que estava a proclamar e dou uma piscadela para Anastasia.
— É isso mesmo! Sei que em Elliot podemos confiar, Christian! Por isso contei a ele... Zangado? – diz Anastasia tremendo de nervosismo pelo momento que tivemos a pouco.
— Eu mesmo lhe ia contar, Elliot. Mas também preferi esperar um momento oportuno, não na SS onde qualquer pessoa poderia ouvir-nos – diz Christian com um sorriso esboçado enquanto tira seus casacos e vai diretamente para Ana, alcançando-a em seus braços e lhe dando um beijo terno.
Percebo que estou a sobrar e decido fazer meu caminho.
— Está tudo bem, Christian. Preciso terminar minha revista pelos setores da SS para verificar se está tudo em seu devido lugar.
— Por que não volta para jantar? – diz Anastasia convidando-me gentilmente.
— Voltarei, só não quero a ficar de vela entre tu e Christian! – digo demonstrando humor, mas não posso negar que dentro de mim há uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento.
— Não ficarás, prometo! – diz Ana sorridente.
— Já eu não posso prometer nada, Lelliot! – diz Christian a sorrir, beijando Anastasia de uma forma tão cheia de paixão que nem parece meu irmão.
Nunca o vi dessa forma.
Ele está feliz com Anastasia e isso me enche de alegria.
Quem sabe a pequena Ana não coloca um pouco de humanidade na cabeça de Christian e não descongela esse coração de pedra que tem.
— Vou me retirar. Anastasia, Christian... – digo em retirada, apanhando meus casacos e quepe, saindo pela porta da frente, deixando os pombinhos à vontade.
Ao caminhar de volta à SS, entendo que Christian não estaria preparado para saber o que se passou com Anastasia e que provavelmente nunca o deveria saber.
Nunca o vi tão feliz em toda vida. Nunca o vi sorrir daquela forma. Nunca vi um olhar tão satisfeito em seus olhos.
Então tomo uma decisão: vou fazer um pente fino em todos os presentes naquele brandy para descobrir quem fez essa monstruosidade com a pequena Ana e eu mesmo vou resolver isso.
Assim que chego à SS, tomo posse de um papel e uma caneta, anotando os nomes dos presentes naquela noite comparando com a descrição que Anastasia me passou.
Após uma análise profunda dos presentes eu percebo que só há uma pessoa dente estes que teria o maior prazer em fazê-lo e que bate perfeitamente com a descrição: Jack Hyde.
Só pode ser esse desgraçado!
Tomo posse de meu revolver e vou até a sala de comando verificar onde estava o posto de Hyde hoje.
— Boa tarde, Obersturmfüher Trevylan! – sorri-me Lotta, a secretária do comando.
— Boa tarde, Lotta. Podes por gentileza verificar o posto de Hyde para mim? Preciso localizá-lo.
— Claro, Oberst! – E Lotta verifica a papelada do dia buscando pelo bastardo.
— Ele deu retirada ontem pela tarde após o patrulhamento do gueto e não compareceu hoje, Mein Oberst. – diz Lotta com um sorriso gentil contornado de seu batom vermelho.
Muito suspeito Hyde não estar em serviço hoje. Justo em uma semana de decisões e conferências.
— E ele deixou algum comunicado? Alguém o encaminhou para algum lugar?
— Não, senhor – confirma Lotta o que eu já sabia.
— Muito obrigado, Lotta! És um anjo! Marque por gentileza o meu demandar de hoje. – E beijo sua mão antes de sair. Não perco a oportunidade de esbanjar meu galanteio.
— Sim, senhor!
Após ver o rosto corado de Lotta, eu volto meus pensamentos em meu raciocínio lógico.
Se Hyde não está em serviço...
Se ele tiver alguma coisa a ver com essa merda toda...
Hyde está em Lübbenau com Katherine!
Só pode ser isso!
Decido então ir atrás de Hyde. Não seria a primeira vez que o caçaria. Há poucos meses eu e ele vivíamos nos caçando por aí. Nossas gangues eram travadas rivais e eu sei muito bem o tipinho desse desgraçado.
Tomo meu rumo de casa e preparo-me para minha viagem. Em seguida já apossava-me de meu carro (que pouco usava, gosto de caminhar) e ponho-me a dirigir em direção à Lübbenau.
Em torno de 50 minutos ou uma hora já estarei lá.
E espero encontra-los.
Se estiver certo, os encontrarei de fato e acabarei com isso de uma vez por todas!
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