Notas iniciais
Oi gente, voltei Peço mil desculpas pelo atraso, tive uns problemas pessoais e não consegui postar antes Como sempre, agradeço a ajuda da minha amiga, MariahMagic O capítulo está um pouco mais longo, espero que gostem

— Oi Rory, eu não sei o que dizer… Estou muito feliz em conhecê-la

— E você é?

— Desculpa, não me apresentei. É o nervosismo. Sou Neal Cassidy, seu pai – eu arqueei a sobrancelha fazendo cara de dúvida e olhando diretamente para Emma. Ela conhecia minhas caras e bocas, sabia que eu a perguntava: “O que?” Ela me olhou de volta, piscou os olhos lentamente, respirou fundo e baixou a cabeça, como se, mesmo não querendo, tivesse que concordar. Minha cabeça estava a mil. Minha mãe nunca falou sobre meu pai e eu também nunca tive muito interesse. De algum jeito, desde pequena eu entendi que se eu não o conhecia tinha um motivo e se Emma nunca falava dele pra mim, havia uma boa razão para não tocar no assunto. Imaginei que era melhor pra nós duas que eu não perguntasse. Mas ele simplesmente aparece na nossa casa a essa hora e está feliz em me conhecer, “Oi? ”, “Porque não apareceu antes?”, “O que ele quer?”

Ao mesmo tempo que aparentava estar feliz, ele também parecia muito confuso e nervoso. Sentei, tentei me acalmar um pouco, mas não aguentei. Perguntei de uma vez:

— O que você está fazendo aqui? O que quer com a gente?

— Eu quero te conhecer, filha

— Não acha que está um pouco atrasado não?

— Me desculpa, é que... – ele pensou um pouco e não terminou a frase. Eu o interrompi

— Você nem sequer pensou em uma desculpa decente antes de vir aqui? Sério mesmo, o que você quer? Por que você resolveu aparecer agora? Não sou eu quem foi atrás de você, na verdade estou muito bem sem você. Mas por algum motivo, depois de 18 anos você resolveu aparecer. Nos diga qual é esse motivo.

— Rory, eu... – a mesma pausa de antes – eu quero te conhecer

— Mas por que? Por que agora? Por que você não quis me conhecer 18 anos atrás e agora quer? O que te fez mudar de ideia?

— É que... — essa pausa estava me irritando cada vez mais – eu mudei, eu parei pra pensar na vida. Eu fiz terapia, olhei para os meus erros e reparei todos os que pude. Agora quero reparar o maior de todos. Eu quero recuperar o tempo que perdi com você, eu gostaria de poder voltar no tempo para reparar esses erros, para nunca tê-la deixado, mas eu não consigo. Então eu peço que você, por favor, me perdoe e ajude-me a repará-lo. Eu quero te conhecer, eu realmente quero, mas pra isso eu preciso que você queira também.

— Não dava pra essa fala ser mais clichê, mas seguinte, eu vou te dar uma chance e você vai me mostrar o que eu perdi não tendo um pai nesses anos

— Eu posso fazer isso!

— Eu ainda não terminei. Vai ser assim: amanhã eu não tenho compromisso, então me leva pra dar uma volta, fazer alguma coisa interessante. Algo que você goste e ache que eu vá gostar também. Imagino que esteja livre amanhã, a não ser que já queira começar dando mancada.

— Não não, eu estou livre. O que vamos fazer?

— Eu já disse... Você escolhe algo que ache que eu vá gostar. Não precisa decidir agora, mas me manda uma mensagem pelo menos uma hora antes de passar aqui pra que eu possa me arrumar e me avisa que tipo de roupa eu devo vestir. Agora você vai embora porque eu estou cansada, quero dormir e não pretendo acordar cedo amanhã, então planeje algo para fazermos à tarde.

— Nem para almoço?

— Humm... Almoço pode ser, estarei pronta ao meio dia

— Então eu passo aqui ao meio dia

— Ok, tchau. Até amanhã papai — falei sarcasticamente.

Subi as escadas e segui em direção ao meu quarto. Não pude deixar de ouvir a pergunta que ele direcionou a Emma:

— Ela gosta de cavalos?

— Sinceramente, eu não faço ideia – ela carregava nos olhos um brilho intenso, acompanhado de um sorriso no canto da boca.

— Então vamos descobrir. Até amanhã, Emma – ele se dirigiu até a porta da frente

— Até amanhã.

Ele estava saindo quando se virou e perguntou:

— Você vem junto?

— Não. Acho melhor que esse momento seja de vocês dois apenas.

— Tudo bem então. Tchau!

— Tchau!

Dessa vez ele foi eu continuei meu caminho até o quarto. Ouvi os passos da Emma subindo as escadas. Esperei que ela batesse na porta, mas ao invés disso ela seguiu reto para seu quarto. Provavelmente decidiu me deixar absorver tudo e falar sobre isso comigo no dia seguinte. Caí direto na cama e peguei no sono. Só acordei no domingo com o som do despertador me avisando que era hora de levantar. Achei que tinha colocado no modo soneca, mas aparentemente não o fiz porque só acordei mais tarde com minha mãe avisando que ele já havia chegado e estava me esperando lá embaixo. Tive que me arrumar às pressas.Z “Mas o que usar?” eu me perguntava. Acabei tendo que pegar o que estava na frente pra não me atrasar mais ainda. Desci correndo, escorreguei quando estava quase chegando. Nada aconteceu, graças ao santo do corrimão.

Dei um beijo na bochecha da mamãe e saí, indo em encontro a meu pai.

— Então, aonde nós vamos?

— Você saberá quando chegarmos lá – entramos no carro

— Ah não faz isso!

— Isso o que?

— Não me deixa curiosa...

— Tá bom, você gosta de frutos do mar?

— Olha, eu não sou muito fã, a não ser que seja camarão à milanesa. Aí é outra história. Eu amo camarão à milanesa

— Camarão à milanesa teremos então

— E à tarde, o que vamos fazer?

— Você é curiosa mesmo, em?!

— Eu sou mesmo. Nunca comece a me contar uma fofoca se não for terminar ou for se arrepender depois. Pensa antes, porque depois que começou a contar não tem mais volta. Ou conta ou conta, porque eu sou chata e vou encher o saco até saber. – ele riu e disse:

— Anotado!

Chegamos no restaurante, almoçamos e conversamos muito. Nos conhecemos melhor. À tarde fomos para um haras e lá nós andamos a cavalo. Eu, pela primeira vez e devo admitir, é superdivertido. Eu realmente não imaginei que fosse me divertir tanto com ele. No decorrer das horas ele foi me apresentando a várias pessoas que encontrávamos. Entre elas, Milah (minha avó que me pediu para chamá-la pelo nome, assim não se sentiria velha). Por algum motivo meu pai chamava meu avô de Sr. Gold, provavelmente uma coisa deles, já que todos os outros o chamavam de Rumple – não sei de que nome saiu esse apelido, mas se o apelido já é estranho eu não quero nem pensar no nome – também fui apresentada a Bela, atual esposa do meu avô. Um pouco estranho meus avós estarem divorciados e morarem na mesma propriedade, mas pelo que eu pude entender com esse curto primeiro contato que tive com eles, foi um divórcio amigável. Nem um dos dois queria abrir mão de suas terras, então o problema se resolveu construindo, no mesmo terreno, uma nova casa para Milah.

Bom, é uma bagunça todo mundo vivendo junto, mas por incrível que pareça, funciona. Também conheci Gideon, meu tio mais novo que eu (aparentava ter uns 15 anos) fruto do segundo casamento do meu avô. Ainda conheci uma moça, porém acabei não perguntando o nome dela, não sei o que ela é minha. Negra, linda, bem arrumada, usava saltos, um vestido claro bem cinturado, várias jóias e um cinto que tinha uma fivela dourada, maravilhosa. Esbarrei nela a caminho do banheiro e ela sorriu pra mim, mas parecia apressada. Seguiu o caminho até seu carro, desviando das poças de lama da chuva da noite anterior, evitando qualquer estrago em seus sapatos.

Na volta pra casa me peguei pensando sobre isso: Meus pais se conheceram em outro estado, mas a família dele é daqui. “O que ele fazia lá?”. Como uma boa curiosa, não pude deixar a dúvida ficar martelando em minha cabeça

— Oh Neal

— O que?

— Você é daqui, né?!

— Sou sim, por que?

— É que a Emma nunca deixou seu estado natal até se mudar pra cá, então como se conheceram? Você foi pra lá? Por que?

— E o bombardeio de perguntas começa novamente — ele riu, eu dei um leve soco em seu braço para mostrar meu descontentamento com aquele comentário — eu passei o vestibular de uma ótima universidade de lá, era uma chance de ouro, não poderia desperdiçar, então me mudei. Fui um pouco antes das aulas começarem, para ir me habituando ao local e, confesso, pra aproveitar a água quentinha daquele litoral, no pouco tempo de férias que ainda me restava. Ela começaria o último ano do Ensino Médio na semana seguinte. Foi na praia que nós nos conhecemos.Eu estava com um amigo, na verdade colega de apartamento. Ela estava com aquela moça morena, muito amiga dela. Como é mesmo o nome dela? — ele pensava

— Regina — complementei

— Isso mesmo, a Regina. Elas contaram que aquele dia era uma espécie de despedida para as duas. Regina estava prestes a embarcar num avião para Lisboa, eu acho. Mas era Portugal, de certeza. Sendo assim, meu colega deu o azar de nunca mais vê-la, mas como pode imaginar, eu e sua mãe mantivemos contato. Namoramos uns anos, aí eu consegui transferência para uma universidade tão boa quanto aquela, só que era aqui, perto da minha família. Sendo assim, meus pais não me deram opção. Eles bancavam meus estudos e deixariam de mandar dinheiro se eu não voltasse. Com os estudos eu não tinha tempo para trabalhar, então o jeito foi voltar, por livre e espontânea pressão. Emma me levou até o aeroporto, choramos muito e ela terminou comigo. Disse que não gostava da ideia de relacionamento à distância. A essa altura ela também não conversava mais com a Regina, claro que com amizade é diferente, mas elas se desencontraram. Tinha o fuso horário e as duas ficavam ocupadas o dia todo. Ah, desculpa... Desviei o assunto.

— Não, tudo bem. Na verdade eu tinha umas dúvidas sobre isso e você respondeu.

— Ok, continuando então. Passaram dois meses que eu tinha voltado para cá e recebi uma ligação dela avisando sobre a gravidez. Eu fiquei assustado, mas feliz. Sempre quis constituir uma família, mas eu não podia contar para os meus pais, pois seria um sermão e tanto. Também não tinha como viajar sem o dinheiro deles. Eu fiquei muito abalado, mas tive que seguir em frente. O que me ajudava era receber as fotos que sua mãe me enviava, até que, um dia, ela parou de enviar. Você já estava bem grandinha, eu poderia ter ido atrás de vocês, mas não fazia ideia de onde estavam. Sua mãe tinha meu telefone, meu endereço, tudo. Mas eu, eu não tinha nada de vocês... Anos depois eu acabei descobrindo que, na verdade, Emma ainda me enviava suas fotos, mas minha namorada na época, descobriu e passou a escondê-las de mim. Eu terminei com ela, claro, mas sua mãe já tinha parado de enviar, pois não recebia mais resposta. Então, novamente, eu precisei seguir sem vocês. Comecei a namorar outra garota; Dessa vez eu contei no início sobre você, ela soube lidar bem com isso. Juntos nós fizemos terapia e eu decidi procurá-las, por mais difícil que fosse encontrá-las, inclusive contratei um detetive. Só pra descobrir que vocês estavam aqui do meu lado e há um bom tempo já — a essa altura do campeonato meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas eu me forçava a deixá-las ali — tive que conversar com Emma, explicar tudo o que aconteceu. Até que ela finalmente me deixou te conhecer.

— Ouvindo seu lado da história, até parece que você não é tão babaca quanto eu imaginava

— E qual é o outro lado da história? — ele perguntou preocupado

— Não sei, eu nunca ouvi o outro lado, só observei quieta.

Chegamos em casa, ele me levou até a porta, eu o abracei, me despedi e entrei. Emma se dirigiu até ele é perguntou:

— E aí, como foi?

— Eu acho que ela gostou — disse ele, com um sorriso bobo estampado no rosto; Ela retribuiu o sorriso

Notas finais
Quero agradecer a todos os comentários que vocês deixam aqui, eles motivam, cada vez mais, a continuar a história Continuem me contando o que estão achando Agora tenho instagram, quem quiser me seguir é @lauracat.melo Até o próximo capítulo, beijinhos