Minha Lady, Minha Marinette
9 Amor e atenção
Notas iniciais
Eu estava lanchando na sala, bem animada, e como, muito animada, motivo? Faço a mínima ideia, mas eu me sentia livre, que nem uma borboleta.
Será que Nathanael tem medo de mim agora? Ah.. Eu não sei, eu queria tanto fazer amizade com ele.. Como posso fazer isso?
Félix entrou na minha sala, parecia querer falar comigo, então eu meti todo o pão na minha boca e fui até ele.
— O que foi? – Falei de boca cheia, com um pouco de dificuldade.
— Falta de educação falar de boca cheia, venha cá. – Ele pegou minha mão e me arrastou para fora da sala. – Eu quero que você me ajude com Marinette.
— Oi? Você acha que vou te ajudar? Já faço isso pro Adrien.
— Eu sei, mas preciso muito da sua ajuda, você é o cupido da família Agreste.
— Sou da família Céleste, mas diz ai o que foi.
— Quero me desapaixonar da Marinette, não quero mais me apaixonar, vou ter que evitar contato humano, e essa é a primeira vez que sou mais ou menos rejeitado, eu só quero acabar com tudo isso e deixar o Adrien com ela.
— Bem.. Isso é legalzinho da sua parte mas..
— Eu amo Adrien e você, Catherine, mesmo não parecendo.
Arregalei os olhos com as palavras de Félix, meu rosto levemente corou, um pouco envergonhada – uma coisa rara de acontecer comigo – e os meus olhos brilharam, Félix nunca demostrou amor para nós dois, sempre nos tratou com frieza e com ruindade, era como se ele pisasse na gente, querendo ser o melhor. Não sabia se aquilo era verdade ou uma mentirinha só para eu ajudar ele, mas quando ele disse aquilo, eu consegui ver sinceridade nos olhos dele.
Eu abracei ele, meu rosto estava afundando no peito dele, eu queria chorar naquele momento, pois era a primeira vez que eu o vi dizendo que me amava.
Ele se abaixou para ficar na minha altura, e retribuiu o abraço.
— Eu acabei mudando muito depois do sumiço da mamãe e.. É, eu fiquei igual meu pai.
Permaneci calada, abraçando ele, algumas lágrimas caíram dos meus olhos.
— Ei! Não vai chorar por causa disso né?
— Desculpa. – Desfiz o abraço, limpando as lágrimas. – Eu sempre achei que só a mamãe e o Adrien me amavam de verdade..
— E o seu pai?
— Meu pai não liga pra mim, quando soube da morte de mamãe não queria nem saber de mim, fui na casa dele e ele me colocou na rua, ai tio Gabriel pediu pra você me buscar e...
— Não confio muito nesse teu pai, Gabriel acreditou que você estava segura na casa dele, então eu fui te buscar em Tokyo.
— S-Sério?! – Dei um largo sorriso.
— Sim, eu expliquei para ele, e ele sempre acredite em mim, então..
— FÉLIX EU TE AMO DE VERDADE! – Abracei ele novamente, colocando meu rosto no peito dele, e ele retribuiu.
— Também te amo, Papillon, agora precisa me ajudar a desapaixonar dela.
Estremeci quando ele me chamou de Papillon, ele sabia?!
Desfiz o abraço e olhei para ele.
— P-Papillon?
— Uh? Acho você um pouco parecida com ela.. Acho que o nome dela era Papillon, aquela borboleta que fica junto com a joaninha e o gato preto, certo?
— S-Sim.. Bem.. Acabei de criar um trocadilho de Papillon! Me chame de Papy, vão pensar que eu sou a Papillon de verdade!
— Bleh, tá bom, Papy.
— Certo, primeiro temos que te distrair com uma garota, mesmo você não querendo uma! – Puxei ele para o terraço da escola, onde havia muita gente, e sentamos em um banco.
— E a morena ai? – Ele apontou para Alya.
— Tem namorado, hum.. E aquela ali? – Apontei para uma menina aleatória.
— Aquilo é uma menina?
— …Esquece. – Ficamos apontando para meninas e meninas, para ver se ele se interessava em alguma, e adivinha? EM NENHUMA! Ele não conseguiu ficar mais apaixonado depois da Marinette, o que a Marinette tem que as garotas não tem? Pele pálida? Olhos azuis? Fofura? A porcaria do Miraculous??
Ambas são a mesma pessoa, e também é adorada por algumas pessoas, então.. Faz sentido.
Nathanael apareceu ali, ele parecia preocupado.
— C-Cathe… Posso conversar um pouco com você?
— Acho que devo ir, até Papy. – Ele se levantou, indo embora e sumindo da minha vista, então bati levemente no banco, pedindo para Nathanael, e ele sentou-se ao meu lado.
— Eu te conheci através do Akuma.. D-Desculpa.
— Está tudo bem, ruivinho!
— ..V-Você é mais fofa quando não é akumizada.. – Ele murmurou, seu rosto estava bem vermelho, mais que seu cabelo.
Esse menino é uma gracinha.
— Obrigada! – Dei um sorriso, que fez ele corar mais ainda.
Ficamos conversando por um bom tempo, ele parecia gostar de mim, ele é tão fofo! Dá até vontade de apertar. Ele ficou falando sobre o Adrien, que era da sala dele e tal, e também sobre alguns estudantes da classe, incluindo um brasileiro lá.
Espera, um brasileiro?
Uma coisa que eu amo é o jeito dos brasileiros! O jeito que eles zoam as pessoas.. Por que eu sou assim? É a inspiração dos brasileiros. Sou uma francesa que nasceu em Tokyo e que tem espírito de brasileira! Eu não curto muito a cultura de lá, não to querendo dizer que eu odeio, só sou neutra. Eu somente amo muito os brasileiros.
O intervalo acabou, e demoramos um pouco pra sairmos do banco, eu fui para a minha sala e ele foi para a dele, e voltei a ficar no enorme tédio lá.
Passou-se horas e horas dando aulas chatas, aquelas bem chatas e que eu já ouvi antes, fiquei desenhando de boa, e finalmente o sinal tocou, a largada, o grande paraíso!
Me levantei e coloquei meus materiais na mochila, e depois coloquei ela nas costas, sai da sala e corri para a sala de Adrien, até que eu me esbarrei em alguém.
— Me desculpe. – Ele se abaixou, pegou na minha mão, me ajudando a se levantar. – Está tudo bem com você?
— Ah.. Sim, é culpa minha, hehe, tava procurando meu primo. – Arrumei minha saia.
Era um rapaz alto, que tinha cabelos castanhos e olhos que me lembram fogo e.. Ele usava óculos.
— Hum, seu primo? Adrien Agreste?
— Sim! Ele está na sala?
— Eu vi ele saindo.. Acho que ele foi conversar um pouco com o amigo dele, aliás, ele fala muito de você com a morena de óculos e a amiga dela.
— Então você deve saber meu nome, certo~?
— Catherine, não? Me chamo Lucas Rafael, prazer. – Ele se curvou diante de mim, mas logo em seguida se levantou.
— ...E-Então você é o brasileiro que o Nath disse?? Cara, eu sou muito fã dos brasileiros!
— Sério? Achei que os franceses odiavam os brasileiros.
— Acho que alguns odeiam, mas eu amo eles, o jeito que eles são.. Eu sou quase uma, mas sou francesa, hehe.
— Que ótimo, consegui uma amiga aqui.
— Você não tem amigos ainda?
— Pois é, ainda não.
Conversamos muito, parecia que a limousine atrasou um pouco para buscar eu e os rapazes, mas logo chegou quando eu e Lucas acabamos de conversar.
Fiquei no banco do meio, como sempre, e Adrien do meu lado, Félix de outro.
Não demorou muito para chegarmos em casa, e então entramos nela, Félix foi pro escritório de tio Gabriel e eu e Adrien fomos para o quarto dele.
— Adrien, você não vai acreditar.
— Uh? – Ele jogou a mochila na cama.
— Félix desistiu da Marinette~ E ele disse que ama a gente!
— Nah, eu já sabia, ele só não demostrava isso.
— Como você…
— Quando você nem nasceu ainda, a gente brincava muito e.. Depois de mamãe sumir, ele começou a me tratar como lixo e frieza, então suspeitei que fosse por causa da mamãe.
— Ah.. – Dei um sorriso tosco e cocei minha cabeça. – Aliás, você devia falar mais com o brasileiro da sua classe! Ele é bem legal!
— Não gostei dele, ele parecia dar encima de Marinette! E agora que ele começou a falar com você..
— Não fica assim, gatinho bobo, se ele fazer qualquer coisa com a Marinette ou comigo, eu digo a você! Esqueceu que eu sou uma borboleta? E lembra do que eu te falei naquele dia?
— Borboletas sempre observam e blablablah.
— Errado! Borboletas cuidam de suas vidas, mas também ajuda os outros, bem, depende da borboleta.
— …Catherine, isso não faz o maior sentido!
— Bleh, brevemente você vai entender, vou tomar banho, vou sair com o..
— Quem?
— …Félix, vou conversar com ele sobre isso, e ele queria conversar numa lanchonete. – Peguei uma toalha e fui no banheiro.
Tirei minhas roupas e amarrei meu cabelo como um coque, enchi a banheira de água e depois entrei nela, me sentando.
— Agora eu entendo o porquê do Adrien sempre tomar banho de banheira.. Dá pra refletir sobre muitas coisas.. – Me afundei um pouco na água, fechando os olhos.
Depois de um tempo na banheira, me levantei e peguei uma toalha. Vesti uma camiseta de mangas longas lilás, era bem clarinho, uma meia calça branca e um short verde, não muito curto.
Fui pro quarto de Adrien, e soltei meu cabelo, peguei uma escova e sentei na cama, e comecei a pentear.
Meu cabelo solto é bem cheio, por isso que costumo deixar ele com pigtails, e era um pouco chato pentear meu cabelo. Ugh, sinto saudades de quando mamãe penteava meu cabelo..
Ouvi alguém abrindo a porta.
— Precisa de ajuda, Papy-chan? – Era a voz de Félix, ele fechou a porta e se aproximou de mim.
— Não me chame de Papy-chan, por favor.
— Certo~ – Ele se sentou na cama e pegou a escova que estava na minha mão, e começou a pentear o meu cabelo.
Eu não sabia como quebrar aquele silêncio que me incomodava um pouco, mas Félix tentou puxar assunto.
— Ei, por que você sempre usa esse troço preto no pescoço? Nunca te vi sem ele.
— Uh? Ah, é minha gargantilha, foi mamãe que me deu. – Dei um sorriso. – Ela me deu no meu aniversário de 12 anos.
— Hum.. Essa pulseira também?
— Sim, são meus objetos favoritos!
— Pronto mocinha, vamos para a lanchonete. – Ele se levantou, e eu fiz o mesmo.
Saímos de casa e pedimos para aquele cara grandão e estranho nos levar para a lanchonete, eu pensei que o Félix sabia dirigir, ué.
Chegamos na lanchonete, eu pedi um milkshake com bolo de chocolate, Félix pediu somente um cappuccino.
Havia um gatinho no cappuccino dele, que me lembrava o Chat Noir.
— Que fofinho. – Apontei pro gatinho que estava no cappuccino.
— Gatos pretos são adoráveis. – Disse ele, tomando o cappuccino. – Então, como eu me desapaixono dela?
— Bem, você precisa se distrair com alguma menina.
— Papy, eu disse que não quero mais se apaixonar.
— Mas é preciso! Ou então se apaixone por livros! ..Ou qualquer coisa que não seja uma menina. – Disse, em seguida eu tomei o milkshake.
— Hum.. É uma boa ideia.
Ficamos conversando enquanto comíamos, e eu fala sobre várias meninas que encontrei na escola, e ele parecia estar 100% nem aí com o que eu falava, nah, eu não ligo, pelo menos ele comprou milkshake e bolo pra mim!
Ele também puxava assunto comigo, falando sobre os horríveis alunos de sua classe.. É, ele deve odiar todo mundo desse planeta, menos a família.
— Quantos anos você tem, Félix?
— 18, fiz aniversário no dia que eu te levei pra nossa casa.
— …Três dias antes da morte da mamãe… – Abaixei minha cabeça, um tanto decepcionada.
— Desculpa em te lembrar, Papy. – Ele colocou a mão em meu ombro, e olhou para o meu prato vazio, que restava só algumas migalhas. – Parece que seu bolo acabou, um outro pedaço deve te animar! Hum… – Félix olhou pros lados, tentando achar algum garçom por perto.
Eu percebi que Félix queria me ver sorrir de novo, eu já dei um sorrisinho quando eu o vi preocupado comigo.
— Uh.. Com licença, você podia pegar mais bolo? – Ele cutucou um garçom que estava de costas para a nossa mesa, mas na hora que o garçom se virou..
Era o Lucas, com o uniforme de garçom.
Félix e Lucas ficaram trocando olhares, as bochechas de Félix ficaram levemente rosadas, meu Deus, essa cena é real?!
— …Lucas! Você então trabalha aqui? – Olhei para Lucas, ele e Félix finalmente acordaram para a realidade.
— Ah… Oi Catherine! – Ele deu um sorriso. – Não sabia que estava aqui, fiquei distraído…
— Conhece ele, Papy? – Félix franziu a sobrancelha, olhando pra mim.
— Sim! Ele é meu amigo, o nome dele é Lucas! – Dei um sorrisinho. – Lucas, esse é o meu primo, Félix.
— Olá Félix! Prazer em conhecer! – Ele deu um sorriso, fazendo Félix corar um pouco.
— O prazer é todo meu. – Disse ele, pegando a xícara de cappuccino e levando para a boca.
— Luquinhas~ Você pode trazer mais bolo de chocolate?
— Posso sim! Espere um pouco, pequena! – Ele foi para um lado, sumindo das nossas vistas.
Interessante ver que ele estava com o mesmo broche dourado na roupa, e acho que mais nenhum garçom usava ele..
Desde que Félix disse que o prazer é todo dele, ele ficava com a xícara encostada nos lábios, desviando o olhar, parecia querer evitar Lucas.
— Eu sei de tudo, Félix. – Voltei a olhar o loiro, e ele se engasgou com o cappuccino.
— S-Sabe de quer?! Você não sabe de nada, pirralha!
— Heheh~ – Apoiei as mãos na mesa, me levantei e me aproximei de Félix, com os rostos próximos.
— O-O quê?!
— Você acha que eu não vi? O seu rosto vermelhinho~ Você é pálido demais, dá pra ver quando você tá vermelho ou não. – Desaproximei de Félix e me sentei. – Você ainda tá vermelho.
— …Droga. – Ele murmurou.
— Se recomponha, Félix!!
Depois de um tempinho, Lucas voltou com um pedaço enorme de bolo, e pra acompanhar, mais milkshake, eu amo esse garoto! Em seguida, eu agradeci, dando o sorriso de sempre.
— Ei Félix, você é um adulto né? – Lucas perguntou, olhando pra Félix.
Como Félix não conseguiu responder a tempo, eu tentei ajudar ele.
— Ele é quase um adulto, é do 3º ano do Ensino Médio e tem 18 anos! Fez aniversário alguns dias atrás..
— Ah, entendi, qual escola você estuda, Félix?
— Colégio Françoise Dupont, o mesmo da Catherine. – Ele respondeu, sem nenhuma dificuldade.
— Ah.. Eu também estudo lá, espero fazer uma grande amizade com você, Félix. – Ele deu outro sorriso, se retirando de lá, provavelmente atender os outros pedidos.
— Que sala ele é? – Félix sussurrou para mim.
— Da sala de Adrien, então quer dizer que o pombinho está apaixonado? – Sussurrei de volta.
— Você disse que eu podia se distrair com outras coisas.. Sem ser uma garota. – Ele se levantou. – Come logo esse bolo, está ficando tarde.
— Espera! – Meti o bolo na boca e bebi o resto do milkshake, em seguida eu me levantei.
Félix pagou toda a conta, e fomos pra limousine, indo para casa.
Ele ficou calado e inexpressivo durante a curta viagem, eu queria saber o que ele pensava.
— Félixu~ O que está pensando?
— Naquela garota estranha que você recomendou eu se distrair com ela.
— Ah… Ok.
Chegamos em casa, e ele entrou no quarto dele – como sempre – e eu no de Adrien. Ele estava lá, conversando com o Plagg, deitado na cama.
Ele logo se levantou, parecia estar preocupado comigo, mas eu expliquei tudo que aconteceu, e depois eu fui trocar de roupa no banheiro.
É só impressão minha ou Félix está apaixonado por Lucas? Não significa que eu seja contra! Mas.. Se o Lucas se incomodar? …Mas Félix fica tão fofo corado, hehe~
Também seria um problema grave se tio Gabriel fosse homofóbico.
Sai do banheiro, já arrumada para dormir, e me joguei no sofá.
— Ficasse a tarde toda na sessão de fotos? – Perguntei, olhando para Adrien.
— Sim, e logo quando eu queria conversar um pouco com Marinette..
— Conversar sobre…?
— Não sei, mas acho que foi bom ter ido na sessão de fotos.. Eu preciso da sua ajuda.
— Certo, pode se aproximar~
~~
Estava furiosa, por simplesmente a maldita da Chloé me xingar de “porca”, ugh, eu não aguento essa loira! E ainda eu tenho que fazer um monte de tarefas de educação física! Eu odeio isso! Mas tudo bem, só preciso ter paciência e… É, somente paciência!
Parei um pouco de fazer as tarefas para cuidar da padaria, já que meus pais foram descansar e eu estava tomando conta dela, bem, só falta 1 hora para ela fechar.
Passou-se alguns minutos, e eu estava arrumando algumas coisas na padaria, até que o sino tocou, avisando que alguém entrou.
Como eu estava agachada, eu me levantei, arrumando minha roupa.
— Ah, Marinette? Você é dona dessa padaria maravilhosa? – A voz era conhecida, quando olhei para trás, era Lucas, o brasileiro da minha classe.
— Oi Lucas, ah.. Bem, ela são dos meus pais… Eu geralmente cuido daqui!
— Seus pais têm bom gosto em doces e salgados, hein? Hum.. Eu quero alguns croissants, também cinco macarons e… Uma coxinha.
— Coxinha? Desconheço isso.
— O QUÊ? Na frança não vende coxinha?! Que coisa horrível! Coxinha é um salgado bem famoso no Brasil, e é muito bom!
— …Uau. – Dei uma risadinha, e peguei alguns croissants e macarons, separados em duas caixas, entreguei para ele logo em seguida. – Aqui está.
— Agradeço. – Ele entregou o dinheiro e pegou as duas caixas. – Ei, você sabe qual é a graça nos gatos?
— Uh? Gatos? – Desviei o olhar, me lembrei logo do Chat Noir. – Bem… Eles são fofos e adoráveis e.. alguns são metidos.
— Ah, sei lá, eu prefiro leões, são tipo gatos gigantes mas.. São legais e mais fortes, hehe, até. – Ele saiu da padaria, e eu olhei um pouco confusa para a porta se fechando.
Estranho.. Ambos são felinos.. E acho que não é tão comum alguém gostar de leões.
Hum… Isso me lembrou do Lion, agora tenho dois felinos na minha vista, ótimo.
Entrei na sala e subi para o meu quarto, me joguei na cama e Tikki rolou na cama.
— As tarefas, Marinette!
— Amanhã é sexta.. E não vai ter aula de física, então eu tenho um bom tempo para fazer tarefas, yey! Agora vou dormir.
Desliguei as luzes e adormeci.
Acordei em um local branco, sem ninguém, e eu estava como Ladybug.
Eu não entendi o motivo daquilo, mas é provável que seja um sonho, então eu fiquei andando por ali, perguntando se tinha alguém.
A minha voz ecoava no local, olhei para o lado e havia um homem sentado em uma cadeira, com roupas luxuosas, que me lembrava alguém..
Gabriel Agreste.
Por que diabos ele está aqui?
Tentei correr até ele, me aproximando, e ele estava de costas para mim.
— ….Sr. Agreste? – Perguntei, um tanto confusa. – Por que está aqui?
— …Maldita… – Ele murmurava, e eu ficava mais confusa.
— Ah?
— …MALDITA! POR QUE TEM QUE ENTRAR NO MEU CAMINHO?? – Ele se levantou e se virou para mim, derrubando a cadeira.
— S-Senhor se acalme..
— COMO NÃO ME ACALMAR?! VOCÊ É UMA GAROTA INÚTIL DEBAIXO DA MASCARA, MARINETTE!
Ele sabia que eu sou a Marinette?
— M-Mas.. – Antes de eu falar algo, ele sumiu lentamente, e atrás de mim apareceu Alya.
Eu me virei novamente, Alya estava com uma expressão horrível, de raiva e decepção.
— MARINETTE, POR QUE VOCÊ NÃO ME DISSE QUE ERA A LADYBUG? VOCÊ É A PIOR AMIGA QUE EU JÁ TIVE! – Depois de ela dizer aquelas palavras, ela sumiu, e apareceu muitas pessoas me cercando, e apontando para mim.
Inútil… garota inútil… garota inútil… garota inútil…
Eles falavam, e eu me agachei, tampando os ouvidos. Eu não queria ouvir aquelas coisas, aquelas palavras horríveis.. O que está acontecendo?!
— Parem… P-Por favor!! – Gemi de dor, eu sentia facadas nas minhas costas, mesmo ninguém atirando em mim.
Todos sumiram, e eu fiquei agachada lá, chorando e tremendo de medo.
— Marinette? – Apareceu uma voz conhecida, e eu amava aquela voz.
— A-Adrien… – Disse entre soluços, meu rosto estava vermelho e molhado, por causa das lágrimas.
— Por favor… Não fique assim.. – Ele enxugava minhas lágrimas, e abri meus olhos lentamente, e eu estava no meu quarto.
Chat Noir estava do meu lado, limpando minhas lágrimas.. Acho que eu não devia ficar surpresa, eu já tinha teorias que ele era o Adrien.
Eu se joguei nele, abraçando, e a gente caiu no chão. Não fez muito barulho, só sei que eu estava chorando muito no peito dele.
— P-Princesa! Se acalme! – Ele me pegou no colo e me colocou na cama, deixando eu sentada.
— D-Desculpe… Como entrou aqui?!
— A janela estava aberta.. E eu queria ficar um pouco com você.. Mas parece que esse não é um dos melhores momentos.
— N-Não vá embora, eu não quero ficar sozinha..
— Então eu ficarei aqui, princesa. – Ele se sentou na cama, ficando ao meu lado.
Conversamos um pouco, sobre a vida pessoal, os problemas e tal, ficamos muito tempo conversando só pare eu esquecer o pesadelo, até que Chat Noir parecia ter ficado um pouco preocupado com algo.
— Chat… Tá tudo bem?
— …Sim, só estou um pouco preocupado com o novo herói.
— O leão?
— É… Ele pode roubar a Ladybug de mim, tenho medo.
— Parece um pouco preocupante..
— Eu também tenho medo que ele roube você de mim, Marinette. – Ele avançou encima de mim, me prendendo na cama.
Eu logo estremeci, sem saber o que fazer naquela situação. Eu estava de olhos estavam arregalados, e o meu rosto estava vermelho, eu sentia meu sangue subir pelas bochechas.
— M-Mas você ama a Ladybug, Chat!
— Você acha que eu não sabia, my Lady? – Ele aproximou o rosto dele no meu, que me fez corar mais ainda. – E eu sei que você me ama também.
Como ele sabia?! Ele diz que conhece a Cathe, então..
Ela me traiu?!
Chat tinha razão, eu amava ele e o Adrien.
— A minha paixão é o Adrien!
— Eu sou sua paixão, my Lady. – Ele aproximou o rosto em meu pescoço, e lambeu, fazendo eu estremecer e soltar um curto gemido.
Eu consegui entender o recado dele.. Ele é o Adrien, certo? Coloquei minhas mãos em volta da nuca dele.
— Você é minha paixão, gatinho. – Murmurei, ainda com o rosto corado.
— Que bom que você entendeu o recado~ – Ele deu um beijo no meu pescoço, e depois deu um chupão.
— A-Ah… – Eu dei um curto gemido novamente, até que lembrei que amanhã tem aula. – E-Espera Chat!
— Uh? – Ele logo se afastou, limpando a boca com as costas da mão. – Ah.. Fez marca.
Eu passei a mão na parte que foi chupada, doía um pouco.
— D-Droga! Como eu vou para a escola amanhã?!
— Sorte sua que amanhã fará frio, você pode usar um cachecol.
— M-Mas e os meus pais?! Vou ter que usar cachecol o dia inteiro?!
— Acho que sim, princesa.
— É culpa sua. – Desviei o olhar, meu rosto ainda estava corado.
— Desculpe.. – Ele fez aquele olhar que todos os gatos fazem quando pedem algo, era fofo aquilo, impossível não rejeitar.. Até as orelhas de gato dele se abaixaram.
— Certo, desculpado. – Eu dei um sorriso, e ele se jogou em mim e me abraçou, em seguida ele deu um selinho em mim, fazendo eu corar. – E-Ei! Peça permissão para e-essas coisas!
— Então eu posso te beijar?
— ….Pode. – Murmurei, então ele me beijou e eu retribui. Os lábios dele estavam frios, mas depois de alguns segundos começaram a esquentar, e depois a gente se separou do beijo.
— Você está mais vermelha que um jambo. – Ele riu, e eu corei mais ainda.
— I-Idiota!
— Ah, é mesmo, você beijou a sua paixão~ – Ele riu de novo, roubando um selinho de mim. – Ops!
— E-Eu já disse que é para pedir permissão..
— Ok, desculpe-me, my Lady~ – Ele se levantou, e foi até a escada de meu quarto. – Preciso ir, até mais, princesa. – Ele subiu pela varanda, e eu me deitei na cama novamente, com o rosto corado.
Tikki apareceu, com um olhar malicioso para mim, e ela ficou rindo da minha cara, dizendo que o meu rosto estava mais vermelho que um jambo – ou melhor, mais vermelho que a própria Tikki.
Eu afundei o rosto no travesseiro, e adormeci, amanhã será um longo dia.
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