Minha Lady, Minha Marinette
10 Um simples pedido
Notas iniciais
Sou o gato mais sortudo do mundo, quer dizer, gatos pretos não tem sorte, né? Mas eu devo ser um que tem! Sabe qual é a sensação de beijar a sua amada? É ótima!
Eu estava pulando pelos prédios a noite, no frio, mas aquilo não me incomodava. Eu estava pensando em pedir a Marinette em namoro, mas não sei se ela vai aceitar.. Eu tenho medo disso.
Cheguei em casa, entrei no meu quarto e voltei a ser Adrien, nem dei um oi para a Cathe, só fui me jogar na cama e gritar no travesseiro.
Cathe perguntou o que houve, então me levantei da cama, com um sorriso enorme nos lábios, e expliquei tudo pra ela.
Depois de explicar tudo para ela, ela fez uma expressão estranhamente alegre, e depois deu alguns pulinhos.
— MEU DEUS ADRIEN! EU TO NO CHÃO!! – Ela gritava, enquanto pulava.
— C-Calma… Eu vou pedir ela em namoro amanhã!
— QUER FAZER EU SURTAR MAIS AINDA?! É CANON!
— ….Quê? Ah é mesmo, as vezes eu não entendo a sua língua.
— Hehe. – Ela se deitou no sofá, já preparada para dormir. – Então você fez uma marca no pescoço dela? Que safadinho.
— S-Shhh! O pescoço dela me atrai! Não é culpa minha..
— É sua culpa sim, você se atrai pelo pescoço dela, oras.
— B-Borboleta idiota, boa noite. – Apaguei as luzes e me deitei na cama, e adormeci rapidamente.
Acordei e me levantei da cama, e fui logo me arrumar e descer, para tomar o café da manhã.
Já estava tudo preparado na mesa, e Catherine já estava comendo o dela, acho que acordei tarde demais. Félix estava ao lado dela, também comendo.
Ué, antes ele só tomava o café da manhã, almoço e jantar escondido, ou com meu pai.
— Bom dia, Adrien. – Disse ele, enquanto comia.
— Félix disse bom dia pela segunda vez.. É o apocalipse! – Catherine falou em um tom sarcástico, e depois riu.
Comemos o café da manhã juntos, Nathalie se aproximou e nos elogiou, pois é a primeira vez que comemos juntos no café da manhã. Depois ela continuou com os negócios dela no computador.
Depois de comermos, entramos na limousine branca, e fomos para a escola, nem demorou muito para chegarmos.
Entrei na sala e sentei no meu lugar, ao lado de Nino, e ele começou a falar sobre o namoro dele com a Alya, realmente, ele parece bem feliz com aquilo.
Marinette entrou na sala, usando um cachecol que cobria todo o pescoço, eu olhei para ela e sorri, mas quando ela olhou para mim ela logo corou e desviou o olhar.
Ah.. Ela é tão adorável.
— Parece que você está com muito frio, né Marinette? – Disse Alya, olhando Marinette se sentar ao lado dela.
— S-Sim… Está muito frio…
E a professora entrou na sala de aula, pelo menos a Marinette se salvou dessa.. A aula começou, um pouco entendiante, mas eu estava muito ansioso para pedir ela em namoro, acabei não prestando muita atenção na aula.
Finalmente chegou o intervalo, e ela foi lanchar junto com Alya, e eu tentei ir atrás, mas…
Acabei descobrindo que eu não estou preparado para pedir ela em namoro.
Eu fiquei tremendo naquela hora, e deixei ela ir embora.
Droga, eu não consigo fazer isso! Acho que preciso da ajuda da Cathe..
— Precisa de ajuda com meninas, campeão? – O brasileiro colocou a mão em meu ombro, eu me assustei com o toque dele.
— E-Eh?
— Ué, achei que estivesse apaixonado pela Marinette.
— …Eu estou, eu ia pedir ajuda para a minha prima.
— Quero te ajudar também, campeão, eu nunca tive uma namorada, mas eu manjo dessas coisas.
— Ok, então me ajuda a procurar a Catherine.
— Nossa, ok. – Saímos da sala, e fomos para a sala de Catherine, ela estava sentada com um pão na boca. Lucas entrou na sala e pegou na mão dela, puxando ela para fora da sala.
Conversamos sobre o assunto, e treinamos a “confissão”. Eu estava nervoso demais, mas Lucas e Cathe estavam tentando me acalmar, e eles conseguiram.
Saímos do local que estávamos conversando e fomos para a praça de alimentação, onde provavelmente Marinette estará lá.
Ela estava lanchando junto com Alya.. E eu não parava de tremer.
Lucas e Cathe me empurraram para elas duas, e eu não sabia como reagir.
— Uh.. Mari, posso conversar com você? – Olhei para Marinette, que estava com o rosto vermelho, e ela concordou com a cabeça. – Bem.. Eu preciso de privacidade.. – Olhei para Alya, e ela entendeu meu recado e saiu da mesa, então eu me sentei na frente da Marinette.
— O-O que houve?
— B-Bem.. Desculpa pelo chupão no pescoço e…
— Está t-tudo bem, Adrien! Eu consegui desfaçar dos meus pais.. Hum..
Eu peguei na mão dela, e fiz ela estremecer e olhar para mim, um tanto nervosa.
— Bem.. Eu… – Acabei avistando Lucas e Catherine atrás dela, mas bem distantes e escondidos, dando um sinal de ok com as mãos, Alya estava com Nino vendo a minha situação, realmente, só 4 estavam observando, então decidi logo soltar isso para fora. – E-Eu queria que…
— ADRIEEEEN! – Chloé apareceu, berrando ao meu lado. – Me ajudaaaaa!! Preciso que você escolha um vestido para mim.
— M-Mas… – Ela me puxou, infelizmente eu tinha que deixar a Marinette de lado. – Converso depois, Marinette!
Ela me mostrou uns vestidos, e eu escolhi um aleatoriamente, e depois ela pediu outro, e outro, e outro…
Quando me livrei daquela, a Marinette sumiu da minha vista e o sinal logo tocou, avisando que é para todos entrarem em suas salas.
~~
Eu não sabia como me expressar, eu só sabia que eu estava
— É sério? É SÉRIO?!
— Calma, quem sabe ele tenta uma outra vez?
— Eu não aceito isso! Eu vou matar aquela loira depois. – Dei passos pesados, até que Lucas tocou em meu ombro.
— Ei pequena. – Olhei pra Lucas, sem demonstrar raiva alguma. – …Hoje eu não vi o Félix.
— Hum? Ah.. Ele fica muitas vezes em algum lugar longe de todos, então não se sabe onde ele fica no recreio…
— Ah?
— Resumindo: Ele evita contato humano.
— Entendi.. Que coisa. – Ele passou a mão na nuca, com um olhar meio triste.
— Queria falar com ele? Eu posso procurar!
— Não… Não é nada não. – Ele deu um sorriso, e depois ajeitou seu óculos. – Ei, quer ir para a lanchonete que eu trabalho depois da escola? Eu faço alguns doces para você e.. Você não precisa pagar.
— S-Sério? Bem.. Eu não posso aceitar, seu chefe pode ficar bravo e..
— Acredite, pequena, o dono de lá é o meu tio e ele deixa eu trazer amigos pra lá. Melhor tio.
— Opa, então ok! – Se despedimos e o sinal tocou, e fomos para as nossas salas.
Acabei se atrasando um pouco, mas fui na sorte pois a professora logo entrou quando eu sentei na cadeira, e começou aquela aula entediosa.
Depois de um tempo, a aula finalmente acabou, e sai da sala, procurando Lucas.
Lucas não estava na escola, então decidi ir sozinha para a lanchonete, já que o Gorilla demorou muito.
Fiquei andando, procurando a lanchonete do tio do Lucas por Paris. Eu realmente esqueci onde era.. Eu devia ter ido de carro ou de bicicleta.
Não fiquei andando por horas, só por alguns segundos, conhecendo Paris enquanto eu procurava a lanchonete, até que eu passei por um beco, e me puxaram para lá.
Aquilo não era um bom momento, eu sentia.
Eram três caras altos e com vários músculos. Eles usavam uma camisa polo branca e suja.. Parecia ser de sangue.
Eu ia agir, mas um dos homens tampou a minha boca.
— Shhh, você não vai morrer se nos obedecer, certo? – Afirmei com a cabeça, eu estava completamente nervosa, tremendo, e suando.. Que sensação horrível, então eles querem me matar?
Os outros tiraram a minha saia lentamente, enquanto um me segurava e apontava uma faquinha no meu pescoço, ah droga, eu quero sair daqui! Eu acabei lacrimejando, segurando o choro, e ele fez um leve corte em meu pescoço, o que fez eu lacrimejar mais ainda.
Eles tiraram minha saia completamente, e já estavam tentando tirar a minha roupa, e eu me mexi, tentando agir, mas um deles me chutou, e não foi só uma vez.
— Ora, ora… Isso dá cadeia, sabia rapazes? – Eu tentei olhar para ele, e vi que ele era uma pessoa familiar… Mas eu nunca o vi na minha vida, ele tinha um chicote, que só fazia girar. – Vocês tem 10 segundos para fugir, sou um bom leão e não chamarei a polícia.
— Ha-ha-ha! E vai fazer o quê se a gente não sair, rei da selva? – Disse um, que estava apontando a faquinha pro meu pescoço.
— Você não passa de um cara fantasiado, cala essa boca! – Disse o outro, que tirou minha roupa completamente e jogou no chão, já estava preparado para tirar a minha meia-calça.
Ele deu uma risada, e lançou o chicote para ele, que enrolou e puxou para fora do beco, fazendo ele ficar todo machucado, e fez o mesmo com o outro. – Vai querer argumentar também, bonitão? – Ele deu um sorriso sarcástico, e o último homem correu dali, apavorado.
Eu me encolhi, abraçando minhas próprias pernas, tremendo de medo, meu cabelo estava bagunçado, e também quase solto.
Ele se aproximou de mim, e se curvou, estendendo a mão.
— Pequena?— Ele deu um sorriso. – Você está toda machucada… Ainda quer ficar aqui ou quer vir pros braços de um leão?
Eu me levantei, com um pouco de dificuldade, e apoiei no ombro dele. A minha saia e a minha roupa estavam no chão, toda suja e um pouco rasgada.. Espera, quando foi que eles rasgaram o meu uniforme?
— Você não pode sair assim, olha o estado dessa roupa. – Ele pegou a roupa, que estava rasgada. – Você pode vir pra minha casa, tenho umas roupas da minha irmã que dá em você.
— Eu devo confiar em você? – Perguntei, e ele limpou as minhas lágrimas.
— Pequena, eu sou um grande amigo do Chat Noir, e acabei de te salvar. Não sou nojento igual aqueles homens enormes, ok? – Ele me pegou no colo, e saltou para um prédio, deixando as minhas roupas lá.
Ele entrou em uma varanda, e me colocou no chão, ai entrei na casa.. Eu realmente estava muito envergonhada por estar em uma casa desconhecida só com as roupas íntimas. Ele pegou umas roupas e uma toalha para mim.
— O banheiro fica ali. – Ele apontou para uma porta de madeira velha, então entrei lá.
O banheiro nem era tão grande e nem tão pequeno, entrei no chuveiro e tomei banho, depois sai já vestida.
Era um vestido branco, bem simples.
Eu não podia sair do nada da casa, então comecei a procurar pelo leão e fiquei pensando: Ele é da equipe? Então por que diabos eu nunca vi ele? Estranho..
Parei em frente de uma porta de madeira, tinha alguém no quarto.
— E se ela descobrir? Você é doido cara?! – Apareceu uma voz desconhecida, que nunca ouvi na minha vida.
— Shh, ela não vai saber, e eu precisava tirar ela daquela situação! Você acha que sou o quê, Mutt?
Mutt… Então é um kwami? Nah, todos os kwamis que eu conheci tem duas letras a mais no nome, então…
— Preciso de mais para se transformar.
— Ta. – Ouvi um barulho de sacola se abrindo. – Mutt, transformar.
Como era provável que ele já se transformou em leão, eu bati na porta, e ele abriu e me deixou entrar.
— Vamos pentear esse cabelo, ai eu deixo você ir pra casa. – Ele pegou uma escova e começou a pentear o meu cabelo, e eu deixei.
Ficamos conversando coisas aleatórias, sobre meus amigos, meus primos, a escola, e tal. Ele também disse um pouco sobre a vida dele. Depois dele acabar de pentear, ele guardou a escova e me levou para a entrada, também me colocou no colo dele e saltou para longe.
Cheguei na frente de casa, e quando eu ia agradecer ele, o leão some da minha vista.. Isso é totalmente estranho.
Entrei em casa, realmente não havia ninguém, mas Félix pareceu que brotou no chão e correu pra me abraçar.
— CATHE! ONDE VOCÊ ESTAVA?! TODOS ESTAVAM PREOCUPADOS!! – Félix me apertava, e me levantou, fazendo meus pés ficarem em uma distância enorme do chão. Eu somente mexi um pouco as pernas.
— Cath! – Adrien se aproximou, com as roupas que eu estava usando anteriormente. – O que aconteceu? Se machucou??
— E-Eu só… Não, está tudo bem! Um cara de leão me ajudou.. – Félix me colocou no chão, e eu suspirei aliviada.
Adrien olhou confuso para mim, mas logo entendeu o que eu disse. – Ah.. Bem, por que as suas roupas estava naquele beco esquisito?
— Dizemos que… Três homens me pegaram no beco, mas o amigo do Chat Noir me salvou!
— Hum.. Certo mocinha, ficamos preocupados com você. Pelo menos a Nathalie não sabe de nada… Vá comer algo, você parece faminta.
— Taaa! – Eu fui para a cozinha, procurando algo para comer, e Adrien subiu para o seu quarto.
~~
Eu andei pelos corredores da casa, um tanto confuso. Como assim o Lion salvou a Cathe? Bem, eu realmente não sabia que ele era um cara tão bom assim… Entrei no meu quarto, e me deparei com uma figura conhecida, o Lion, com uma sacola.
— Olá, menino bonito. – Ele deu uma risada.
— Ah… Então é você que salvou a Cathe? – Dei um sorriso, tentando disfarçar, já que eu conhecia ele. – Obrigado!
— De nada… Então, você me deve algo por causa disso.
— ...Tá bom, o que quer?
— Marinette é da sua sala, certo?
Estranhei a pergunta, e logo lancei um olhar de desconfiado. – Sim… Por que?
— Ei, não fique assim, campeão. Só queria saber mesmo, aliás, a padaria dela vende uns croissants deliciosos!
— Ah… Nunca passei na padaria dos pais dela, hoje eu.. – Ele me entregou a sacola. – Ué..?
— Aqui está, os pais dela estão viajando e… Bem, ela cuida da padaria, mas hoje ela fechou.
— Como você sabe de todas essas informações?
— Não me pergunte, só delicie seus croissants. – Ele deu outro sorriso, indo para a janela. – Aliás, diz pro teu irmão que aquele ruivo precisa falar com ele, até. – Ele saiu do meu quarto, e eu fechei a janela.
Nossa que cara simpático, ele até me lembra o Lucas.
Certo, já percebi que os dois são simpáticos, parecem até ser a mesma pessoa.. Bem, não estou muito interessado na identidade dele, então tanto faz.
Me deitei na cama com a sacola do lado, e Plagg saiu do bolso do meu casaco, e como sempre, reclamando.
Depois de alguns minutos, deitado na cama e refletindo, Cathe abre a porta e entra no quarto, Lokky e Lullu estavam brigando.
— Eu disse que não era para comer as uvas todas!!
— ….Você come bolo, não vem me julgar. – Ela comeu uma uva inteira.
— Bolo, doces, brigadeiro, e uva! NÃO ERA PARA COMER AS UVAS!!
— Adrien me ajuda. – Catherine disse exausta, se jogando na cama.
— Tô fora. – Respondi, pegando um croissant e metendo na boca.
— TODO MUNDO SABE QUE QUEIJO CAMEMBERT É MELHOR QUE ESSES TROÇOS AI!!
— MENTIRA!!
Os kwamis ficaram rindo e conversando, eu somente fiquei deitado na cama junto com Catherine, tediosos.
O dia passou rápido, eu desci pra a sessão de fotos e a aula de chinês, depois voltei, tomei banho e me joguei na cama.
Cathe não estava lá, provavelmente ela estava com as amigas dela..
Marinette…
Ah droga! Eu esqueci do pedido de namoro… Tenho que evitar a Chloé mais vezes, sério, quem sabe eu tente outro dia..
Fechei meus olhos lentamente e adormeci, eu estava muito cansado.
~~
Grama… Era grama, aquela bem verdinha, que eu sempre deitava embaixo da árvore. Falando em árvore, havia uma lá, e eu estava embaixo dela, aquela sombra fria me cobria do sol.
Não havia nada além do verde da grama, e o azul do céu, eu não entendi muito bem o porquê de eu estar lá, então me levantei. Comecei a andar, a procura de algo, e realmente não tinha nada além de verde.
Depois de andar tanto, eu comecei a correr, e não era pouco, acabei tropeçando em “nada” e cai de costas na grama, felizmente eu não sentir dor nenhuma.
Fiquei observando o céu, que começou a mudar de cor, por uma cor mais escura e verdeada, que nem os olhos de um gato negro.
Olhos de um gato negro…
…Chat Noir.
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