O caminho parecia ser muito longo. Havia um cargo muito pesado a ser levado, porém todo este cargo estava em seu peito. O que havia acontecido afinal? Sentia-a o pior ser humano da face da Terra, sentia-se um lixo, a pior das espécies e no entanto, ainda o amava com todas as suas forças.

Mas algo a intrigava? O que ela estava fazendo ali afinal? Não se lembrava de ter ido a um jardim. Tudo o que se lembrava eram as palavras perversas que tanto a fizeram sofrer.Os olhos arderam, mas lágrimas não caíram dos mesmos. Sentia-se completamente só.

Até que um calor atingiu seu corpo parecia se envolver e a medida que este chegava ela sentiu todas suas partes reagirem. Sentiu braços, pernas, troncos, cabeça. Uma claridade se instaurar.

Pouco a pouco foi reagindo, pouco a pouco foi lutando e quando sentia-se completamente inteira abriu os olhos e estes se depararam com a ultima pessoa que ela esperava ver.

*

A carta que informava o dia de sua chegada já havia sido conferida várias vezes, mas ela estava terrivelmente aflita. Pela janela esperava o momento em que seus grandes amores despontariam em qualquer lugar da paisagem em sua direção. Esperou por muito tempo, até que duas figuras aparecem: Hideaki e Jaken.

Imediatamente correu na direção dos dois. O pequeno youkai verde revirou os olhos sabendo do jeito estabanado de Rin e já se preparou para os inúmeros beijos e abraços. Hideaki também já sabia o que estava por vir, embora seu semblante estivesse sério.

– Meu filho, senti sua falta. – Ela se abaixou e beijou a bochecha do pequeno. Depois, deu-lhe um longo abraço. – Também sentia sua falta Jaken-sama.

Hideaki e Jaken se entreolharam, não entenderam a reação de Rin naquele momento. Ela parecia muito mais controlada.

– Então... Como foram de viagem? – Perguntou a humana, enquanto caminhavam lentamente até a sala de estar do castelo.

– Tudo correu bem. – Respondeu Jaken, também olhando torto para ela.

– E para você meu filho? Como foi a viagem? – Ela perguntou ainda séria.

– Tudo bem. – Ele disse também desconfiado, embora estivesse sério.

Os três se aconchegaram na sala e ficaram conversando por horas. Jantaram, conversaram ainda mais e depois Rin foi colocar sua cria para dormir. Enquanto se despediam, Jaken olhou signitivamente para Hideaki que embora fosse pequeno, entendia o que se passava. Sua mãe não estava em seu estado normal.

Subiram até o quarto e ela deu um banho bem quente e demorado em seu filho. Alisou seus longos cabelos prateados e lhe distribuiu muito carinho. Depois de longos minutos de conversa, o pequeno pegou no sono e ela continuou ali observando seu filho.

Era a imagem refletida de Sesshoumaru. Sesshoumaru... Ele lhe dissera na carta que estaria com ela naquele dia. Ela esperou pacientemente, contou todos os segundos que faltavam e ele simplesmente não havia aparecido.

Por um momento seu coração pensou no pior, mas logo balançou a cabeça. Ele com certeza tinha algo muito sério a resolver.

*

Ao perceber que estava em seus braços, imediatamente tentou se mover, mas não conseguiu. Assim como se desesperou, seu corpo começou a doer. Fechou os olhos com força e pediu aos céus para que aquilo fosse somente um sonho ruim, pois a dor era insuportável.

– Você deve se acalmar. – Ele disse calmamente para ela que apenas o olhou com pura aflição nos olhos.

– Acho melhor eu deixá-los a sós. – Disse uma voz feminina que Nobuko conhecia muito bem.

Era Akiyo. Ao reconhecê-la, sua angustia apenas aumentou. Olhou ao seu redor e não encontrou seu filho e nem Raiden. Estava ficando cada vez mais nervosa, precisava sair dali.

– Deve estar se perguntado o porquê de estar em meus braços. – Disse Yosuke e ela o olhou. – Você estava tremendo de frio e como os cobertores não adiantaram, achei por bem te envolver. – Ela abriu os lábios para falar, mas ele os calou. – Não deve se esforçar, apenas descanse.

Nobuko fechou os olhos com força, tentando acreditar que aquele era só mais um de seus sonhos, mas ao abrir os olhos novamente, constatou que ainda estava deitada sobre a cama que estava dividindo com Yosuke, em um quarto que se encontrava na casa dele.

O que estaria fazendo ali afinal? Desde que Akiyo voltara, ela nunca mais pôs os pés naquele lugar porque Yosuke disse que não queria tal coisa. Uma grande confusão se passava em sua mente e logo a lembrança do ultimo momento em que estava acordada a instaurou. Yosuke havia tentado matá-la.

No mesmo instante o pavor tomou conta dos olhos de Nobuko, ela queria de todas as formas sair daquele lugar. Ele havia tentado matá-la e com ela ali, seria muito mais fácil consumar o ato. Pensou em Raiden e quando outro pensamento maldoso iria atingí-la, Yosuke decidiu se pronunciar.

– Não matei seu marido. – Ela o olhou. – E não tenho a intenção de matá-la. Você está aqui por motivos contrários aos que acredita.

Ela só pensava no dia em que ele a encontrou, nas palavras que lhe dissera e no que tentou fazer. A lembrança fez doer seu coração e logo, lágrimas tomaram seus olhos.

– Por favor, não chore. – Ele secou algumas de suas lágrimas que ousaram cair, mas ela não queria seu toque. Não queria sua presença, não queria estar ali.

– Raiden, por favor, onde quer que você esteja venha me salvar! – Ela pediu em pensamento.

– Não se preocupe, Nobuko. Ele já esta aqui. – A humana olhou para ele. Acaso estaria lendo seus pensamentos? Ele balançou a cabeça afirmativamente.

*

– Aonde vai Natsumi! Pare de correr! – Pedia Akiyo enquanto via sua pequena filha sair apressadamente de sua presença.

– O papai está aqui! – Ela disse e segundos depois avistou o youkai. Imediatamente correu em sua direção e pulou em seus braços. O youkai a pegou no colo e a abraçou fortemente.

– Minha pequena, senti sua falta. – Ele disse enquanto era envolvido pelos braços dela.

– Eu também papai! Estava com muitas saudades! – Ela apertou ainda mais o abraço e neste momento Akiyo os alcançou.

Ficou parada ao ver a cena e sentiu-se um pouco estranha com tudo aquilo. Ainda não havia se acostumado com o fato de ter Raiden tão próximo de sí quando ficaram anos sem se ver. No mesmo instante em que sentiu sua presença ele abriu os olhos e ela ficou hipnotizada pelos orbes vermelhos. Natsumi soltou-se do abraço e acompanhou o olhar do pai.

– Papai, o senhor não acha que a mamãe fica mais bonita com o cabelo solto? – Perguntou a menina. O youkai olhou para ela e depois para sua antiga esposa.

–Sim. – Respondeu simplesmente. Akiyo sentiu seu rosto esquentar.

– O senhor acha que eu sou tão bonita quanto a mamãe? – Ela perguntou e os olhos do youkai ainda estavam fixos nos de Akiyo.

– Não. – A confusão passou pelo rosto da hanyo.

– E por quê? – Ela perguntou. Ele a olhou.

– Porque você é a mais linda de todo o mundo! – E jogou a menina para o alto, que reluziu de tanta felicidade. Akiyo não pôde deixar de sorrir naquele momento, estava muito feliz por sua filha. – Onde está Kenichi? – Ela foi despertada de seu transe.

– Ele está comendo. Natsumi também estava, mas sentiu sua presença e saiu correndo. – Ele olhou para a filha que cochichou algo em seu ouvido. A mãe sentiu-se um pouco encimumada. Elas nunca tiveram segredos uma com a outra.

– Isto não está correto. – Ela fez um pequeno bico.

– Mas eu não estou com fome papai e eu já comi quase tudo. – Reclamou a menina.

– Mas que sapeca! – Disse Akiyo. – Você estava pedindo ao seu pai para não terminar o jantar! — E se aproximou desvendando o segredo. Raiden gostou dela ter se referido a ele como pai.

– Eu não quero mais mamãe! Papai me ajude! – Ela abraçou o youkai.

– Você deixou a comida quase toda! Que feio! – Ela disse fazendo uma careta para a filha que a olhou.

– O que foi?

– Eu estou decepcionada. – Disse Akiyo fazendo uma cara triste.

– E por quê?

– Porque minha querida e unica filha não vai ter forças para controlar um raiozinho sequer! Que tristeza, não é Raiden?! – Ela lançou um olhar significativo para o youkai.

– Certamente. – Ele confirmou. Natsumi baixou os olhos.

– Então eu vou comer... – Ela se deu por vencida e Raiden a colocou no chão.

Triste, ela foi em direção a sala de jantar para terminar sua refeição e Akiyo abriu um sorriso quando ela saiu de sua vista.

– Ela sempre faz isso? – Perguntou o youkai chamando sua atenção.

– Todos os dias. Ela diz que não gosta de comer. – Explicou a humana.

– O que ela come?

– Comida youkai e humana, mas ainda assim é uma luta. Prefere brincar e correr, correr e brincar! – Disse Akiyo revirando os olhos e logo depois abrindo um sorriso.

– Acredito que tenha herdado isto de você, já que sempre foi inquieta. –O youkai alfinetou.

– Ora! É a parte youkai dela que lhe dá tanta enegia, a culpa é sua! – Ela disse brincando e ambos sorriram um para o outro.

Naquele momento eles perceberam que nunca mais sorriram assim simplesmente por sorrir e que também não tiveram mais chances de conversar calmamente. Natsumi estava fazendo aquilo, estava os unindo outra vez e os dois sabiam disso.

A atenção de Raiden foi tirada, quando ele sentiu cheiro de lágrimas. Lágrimas estas que pertenciam a Nobuko. Ela clamava por ele e mesmo não tendo idéia do porque, podia sentir isto.

– Vou fazer a segunda coisa que me trouxe aqui. Com sua licença Akiyo.

– Claro. – O sorriso da humana se desfez e ela apenas olhou o youkai se afastar. Não gostou do fato de Nobuko interromper aquele raro momento entre os dois.

*

A porta foi aberta e ela pôde ver quem muito queria. Raiden. Imediatamente sentiu-se segura e quis de todas as formas que ele a levasse embora, para nunca mais voltar naquela casa.

– Ela estava ansiosa para vê-lo desde que acordou. – Disse Yosuke, que estava sentado sobre a cama, próximo a ela. Raiden não gostou daquilo, mas nada diria.

– Olá minha querida. – Ele se aproximou da humana que o acompanhava aflitamente com os olhos. – Sei que deve estar muito aborrecida, mas tudo o que estamos fazendo é para que você melhore rapidamente.

Mais lágrimas rolaram pelos olhos de Nobuko. Ela não estava em paz. Em seus pensamentos um único pedido: sair da casa e da presença de Yosuke.

– Ela não quer ficar aqui. – Raiden olhou para o outro youkai. — Acha que eu posso tentar matá-la. – Raiden olhou para ela.

– Não pense assim. – Ele acariciou os cabelos de Nobuko. Yosuke sentiu um pouco de ciúme, que foi imperceptível a ambos. – Você está aqui porque ele quer que viva, mas isto não cabe a mim dizer. É uma conversa que só você e ele podem ter.

Ela chorou ainda mais. Aquilo era um sinal de que Raiden não ficaria com ela e muito menos a levaria embora. Ele a deixaria ali, para viver naquele lugar que lhe trazia tantas lembranças tristes.

– Nem mesmo você quer ficar próximo a mim, não é Raiden. – Ela pensou com tristeza e baixou o olhar.

– Nobuko. – Yosuke a chamou e ela o olhou com reluta. – Minha marca reagiu a seu corpo, porque você deixou que seu coração fosse consumido pela raiva de ser esquecida. Ela começou a te ferir e a única maneira de fazer com que isto não mais acontecesse, foi retirá-la. Raiden e eu combinamos tudo aquilo para que eu fizesse o processo de desmarcação, mas você lutou e quando o hospedeiro luta, a marca jamais é retirada.

– Vê?! – Raiden a perguntou e ela o olhou naquele momento. – Yosuke nunca quis marcar outra fêmea, ou mesmo retirar a marca que há em você. Ele somente fez aquilo para que você não sofresse mais.

Ela tentou digerir tudo aquilo, mas ainda se lembrava das palavras que ele usara. Elas ainda feriam e machucavam. A humana teve certeza de que aquilo não poderia ser mentira.

– Mas era. – Disse Yosuke ainda sabendo tudo o que passava em sua mente. – Era tudo mentira. – Ele se levantou e caminhou em direção a porta. Quando ia sair do local, parou para continuar sua fala. – E você sabe, pois tenho certeza de que ainda se lembra das palavas que lhe disse quando eu a marquei. – E saiu do recinto.

Os problemas que Yosuke e Nobuko enfrentavam eram muito complexos. Mesmo que ele lhe dissesse tudo aquilo agora, os anos em que viveram próximos provavam totalmente o contrário. A verdade é que ela nunca soube se algum dia ele realmente a amou.

*

O vento daquela noite fria ainda balançava os cabelos dos Inu Youkais aquela noite. O primeira estava sério, mas o segundo sorria abertamente.

– Ainda não consigo entender o porque de você, o grande Sesshoumaru-sama, vir me pedir algo deste tipo. – Disse Kaname.

– Faça o que eu digo. Você será recompensado. – E o youkai deu as costas, dando aquela conversa por encerrada.


Notas finais
Muitos conflitos, poucas vidas. Conseguirá Nobuko viver próxima a Akiyo e Yosuke? Raiden conseguirá enfrentar a proximidade desta situação? Sesshoumaru, por que ainda não voltou para casa?

Beijo e até a próxima.

OBS.: Alguém aí tem a curiosidade de ler um hentai do Yosuke?