Minha Doce Menina.
91 Engano.
O frio havia finalmente trazido o ar de sua graça as Terras do Oeste. Alguns surpreenderam-se com a mudança no tempo, mas Rin não. Para ela era sempre assim. Se Sesshoumaru não estava, por perto não havia calor.
Estaria sendo ela exagerada? Sim estaria, mas não nesse momento porque não sabia onde estava seu marido, nem o que fazia, muito menos o que motivara sua viagem a ser prolongada.
Enquanto se preparava para dormir, olhou para o lado vazio da cama. Seu coração apertou mais uma vez. Ela sentia sua falta e ninguém podia fazer nada para ajudá-la. Resolveu deitar-se na cama para que ao menos em seus sonhos, Sesshoumaru estivesse presente.
E mesmo assim não conseguia dormir. Aquela estranha sensação ainda lhe perturbava e a humana precisava saber se era somente fruto de sua imaginação ou realmente algo estava acontecendo.
Era mais um péssimo pressentimento.
Só que este era bem maior do que qualquer outro que ela já havia sentido.
*
- Recupere-se logo. Nossa casa fica muito triste sem sua presença. – Ele disse enquanto segurava a mão de sua esposa.
- Obrigada, mas eu sei que todos me odeiam e que não sentem minha falta. – Ela disse com pesar.
- Mas eu sinto. Isso já não é suficiente? – Ela abriu um enorme sorriso.
- É. É suficiente sim. – E se aproximou dele para abraçá-lo.
Ultimamente era assim. Desde que ela adoeceu em função de sua marca, ele dedicara todos os cuidados possíveis a sua esposa. Estavam descobrindo um no outro o que não quiseram procurar durante todo o tempo em que viveram juntos.
Nobuko não abria mão da presença de Raiden e ele por sua vez, nunca deixava de visitá-la. Tudo melhorava na presença um do outro. Tudo reluzia na presença um do outro, mas bastava se afastarem para que as coisas não mais fossem tão coloridas. Ainda assim, na distância, estavam conectados.
Porém incomodava. Ela ainda estava de cama, mal levantava para andar e continuava vivendo na casa de Yosuke. Akiyo não suportava a idéia de tê-la ali, por sua históra e seu passado, e principalmente pelo fato do motivo de levar Raiden ali ser outro. Yosuke era consumido pelo ciúme.
- Infelizmente terei de ir agora, minha querida. Mas não se preocupe. Amanhã eu virei te visitar. – Ele beijou a mão da humana.
- Você não pode, pelo menos, ficar mais um pouco?
- Não. Isto não é horário de estar na casa de outros. – Ela abriu a boca para questionar, mas decidiu ficar quieta. Ele ficou curioso. – Fale.
- Eu não gosto quando você vai embora. Sinto-me completamente sozinha.
- Mas Yosuke sempre vêm vê-la...
- Eu não gosto de estar com ele. – Ela o olhou nos olhos. – Porque me lembro do que ele tentou fazer. – Raiden entendia seus sentimentos, mas não queria que isto continuasse.
- Nobuko, sei que esta situação é muito complicada, incômoda e cruel, mas é somente temporária. Yosuke não lhe fará mal, ele está muito preocupado com sua saúde e tudo o que quer é que se recupere logo. – Ela baixou o olhar.
- Mas é que... – Suspirou. — É que esta situação me traz lembranças que eu gostaria de esquecer. – O youkai se aproximou de Nobuko e levantou seu rosto.
- Eu te ajudo a esquecer. – No mesmo instante, ela ficou completamente corada. Nunca tinha estado tão perto dele assim. – Mas você tem que tentar.
- E... Eu vou t-tentar. – Ela lutou para dizer e ele abriu um enorme sorriso.
- Confiarei em você. – E ele depositou um beijo em seu rosto. – Agora eu realmente tenho que ir. Espere por mim. – E se levantou da cama caminhando em direção a porta.
- Acredite: eu já estou esperando. – Ela disse o olhando se afastar. – Oyasuminasai.
- Oyasuminasai. – Ele respondeu e saiu do cômodo. Ao constatar que estava sozinha, ela colocou a mão no rosto e fechou os olhos. Definitivamente só ao lado dele se sentia segura.
Ele estava em seu quarto olhando o lindo céu estrelado, mas seus pensamentos estavam em outro lugar. Para ser mais precisa, estavam em um quarto próximo ao seu, onde uma linda humana estava acordada.
Deu lugar a vontade que o tomara e se dirigiu em direção a seu quarto. Abriu a porta e percebeu que a assustou. Ela estava sentada sobre a cama e olhava o chão. Com certeza planejava andar por aí.
- Somente vim ver se está tudo bem. – Ele se explicou, antes que ela começasse um novo choro, mas foi diferente. Desta vez ela apenas concordou.
- Eu estou bem, obrigada. – E voltou a olhar o chão. Yosuke arqueou uma sobrancelha. Acaso ela não mais estaria chateada por estar ali?
- Nobuko, acredito que não seja mais necessário adiar esta conversa. – Ela continuou olhando para o chão.
- Não precisa me explicar qualquer coisa que seja.
- E por quê?
- Raiden já me explicou. – A expressão de Yosuke mudou completamente.
- Então eu acho que...
- Espere Yosuke. – Ela pediu e ele que estava quase completamente virado para a porta, voltou a olhá-la. – Vou tentar fazer disto algo confortável para todos nós. – E agora o olhou. – Eu acredito que isto não seja desconfortável somente para mim.
- Ninguém se incomodará...
- Incomodará sim. – Ela o interrompeu. – Eu vou me esforçar para me recuperar e prometo dar o menor trabalho possível. – Ela baixou os olhos. – Desculpe-me por duvidar de suas intenções e por todo aquele choro. Eu realmente estava muito nervosa. Você semprefoi maravilhoso comigo, mesmo eu não merecendo e nunca me deu motivos para desconfiar de sua personalidade.
- Você não sabia da verdade, então era normal agir daquela maneira. – Ela apenas sorriu de canto e continuou olhando para baixo. Ele ficou a admirando por um bom tempo, até que decidiu se pronunciar. – Não gostaria de olhar o céu? A noite está belíssima.
- Eu gostaria, mas ainda não sinto firmeza em meu corpo para ficar de pé. Sinto-me fraca. – Ela disse agora o olhando.
- Isso não será um problema. – Ele se aproximou da humana e a levantou, fazendo com que seus corpos se colassem. Ela de jeito nenhum olhou para cima e ele a levou até a janela, segurando-a pela cintura. Era no mínimo, uma situação desconfortável.
- Que noite linda... – Ela disse olhando para o céu.
- Linda... – Ele repetiu a ultima palavra e fechou os olhos, aspirando o perfume dos cabelos da humana. Ela não percebeu nada disso, pois ele estava a suas costas.
Ouviu risadas e olhou para baixo. Akiyo, Kenichi e Natsumi brincavam durante a noite, que embora fosse linda, era também muito fria.
- O que eles estão fazendo nesta friagem? – Perguntou Nobuko preocupada.
- Eles acham que ainda é muito cedo para dormir e pediram a Akiyo para brincar um pouco do lado de fora.
- Ah... – Ela disse simplesmente.
As crianças estavam bem agasalhadas, embora fosse desnecessário tal coisa, pois eles não sentiam frio como os humanos. Mesmo Nobuko não gostando do fato de seu filho pedir algo a Akyo, ela ficou em silêncio. Ele parecia se divertir.
Um vento frio soprou e Kenichi olhou para cima. Viu sua mãe na janela o olhando. Natsumi e Akiyo acompanharam o olhar do menino e viram as duas figuras também. A mulher ali presente sorriu um pouco.
- Então já conseguiu uma abertura? – Ela pensou e o olhar de Yosuke respondeu a sua pergunta. Ela abriu um enorme sorriso que Nobuko viu e entendeu errado.
- Pode me soltar agora Yosuke. – Ela disse duramente.
- Achei que não conseguisse andar.
- Eu consigo. – Ele então a soltou, mas não eliminou a distância entre seus corpos. Ao sentir a força de Yosuke deixar seu corpo ela se desequilibrou e segurou na janela. Tentou andar, mas se desequilibrou novamente.
- Ainda não está pronta para isso. – E tentou encostar em seu corpo, mas ela afastou sua mão.
- Deixe-me tentar. – Disse duramente e outra vez, recomeçou a tentativa de andar. Mas não obteve sucesso. Yosuke a pegou nos braços e a levou até a cama. Deitou-a sobre os cobertores e ela novamente não levantou o olhar. Odiava isso.
Não sabia como e nem porquê, mas ele tinha um poder misterioso sobre ela. Viver tão próxima a ele somente lhe faria sofrer ainda mais, ou talvez se apaixonar ainda mais. Ela temeu pela segunda opção.
Por que um toque tão quente? Um olhar tão penetrante e intimidador? Por que ele agia com tanto cuidado? Por que ele se importava? Por que ele parecia realmente querer seu bem?
Em alguns momentos ela achava que ele a amava, mas então se lembrava de Akiyo e voltava a sua realidade.
*
Mais um dia amanheceu e com ele o frio também. Enquanto do lado de fora muitos já começavam o trabalho árduo de cada dia, Rin continuava em sua cama, olhando para o teto, ainda mergulhada em pensamentos e refletindo no sonho que teve com Sesshoumaru.
Decidiu não mais ficar na cama e levantou para tomar seu banho que servia também para despertá-la de seu sono. Ao chegar ao quarto de banho, a água quente já estava lá e ela não demorou muito para entrar.
Demorou longos minutos naquela terapia, sentindo todo seu ser relaxar. Após estes momentos, desceu as escadas e foi desjejuar. Encontrou seu filho e o acompanhou até seu treinamento, onde ele se dedicava com tanta vontade.
Minutos depois seus olhos avistaram cabelos prateados cruzarem uma das áreas do jardim e imediatamente se dirigiu até lá. Correu com total vontade e já podia sentir seu sorriso estampado no rosto. Parou onde havia o visto e de fato, viu novamente os cabelos prateados. Correu em sua direção e o abraçou por trás.
- Sesshoumaru. – Disse com a voz suave, enquanto beijava e e cheirava seu marido. – Eu senti tanto a sua falta, meu amor. Não me deixe mais sem noticias, eu fiquei muito aflita. – O youkai continuou de costas para ela e mesmo daquele jeito, ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Continuou beijando e acariciando o youkai. – Eu te amo, eu te amo, eu te amo.
- RIIIIIIIIIIIIIIN! – Gritou desesperadamente Jaken. Ela se assustou e logo direcionou seu olhar a ele.
- O que aconteceu Jaken-sama? – Ela perguntou assustada.
- O que você pensa que está fazendo? – Ele dizia com os olhos arrealados.
- Eu estou abraçando o meu marido. Por quê? – Ela disse parecendo dizer algo óbvio.
- Este não é o seu marido sua humana inconsequente! – Ela bufou.
- Mas é claro que é! Olhe só para ele... – Naquele mesmo instante o youkai se virou e Rin perdeu sua fala.
- Se esta é a recepção que Sesshoumaru têm quando volta, entendo o porquê dele estar casado. – O youkai a olhou de cima a baixo e ela ainda estava em estado de choque. – Ah, é mesmo. Permita-me apresentar. Eu sou Kaname, fui designado por Sesshoumaru a treinar você.
Naquele mesmo instante Rin sentiu muito mais forte, o pressentimento que lhe atormentava.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
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