As pernas estavam emaranhadas sobre a grande cama macia. Os lençóis brancos cobriam os corpos nus que se amaram intensamente por horas. Ela estava com a cabeça em seu peito, enquanto ele acariciava seus cabelos. Sabia que logo ela acordaria.

Não demorou muito até que seus pensamentos se concretizassem e Rin acordou espreguiçando-se vagarosamente na cama. Ao sentir os braços fortes do marido ao seu redor, agarrou-se ainda mais a ele e sorriu. Era muito bom acordar todos os dias ao seu lado.

- Hum... – Disse sentindo a preguiça tomar seu corpo. – Bom dia meu amor.

- Bom dia minha Rin. – Ela sorriu. Adorava quando ele a chamava de minha Rin.

- Como passou a noite? – Ela perguntou ainda manhosa.

- Bem e você?

- Muito bem. – Ela deu ênfase à palavra muito, para que ele entendesse que havia adorado a noite anterior. Iria dar continuidade aquela conversa, mas achou melhor medir todas as suas palavras antes de se pronunciar.

- Existe algo que queira me dizer Rin? – O youkai perguntou surpreendendo a esposa.

- Na verdade, sim. Ou melhor, tenho duas coisas a te perguntar. – Ela disse ainda vacilante.

- Diga.

- Primeiro. – Ela olhou para baixo, tinha a nítida impressão de que ele não concordaria com sua idéia. – Eu gostaria de aprender a me defender sozinha. – Um silêncio incômodo se instaurou no recinto.

Rin sabia o que seu marido pensaria sobre aquilo, mas gostaria de se sentir útil para alguma coisa. Mesmo que não houvesse necessidade, pois ela sempre teria a Sesshoumaru ou os soldados, não queria sentir-se tão dependente de outros. Queria poder defender-se sozinha.

- Porque este interesse repentino Rin? – Perguntou o youkai sério.

- Não é um interesse repentino. Só que ver você se tornar mais forte cada dia e ver Hideaki treinando arduamente, dando seu sangue para ser melhor, despertou em mim uma vontade de treinar também. Sesshoumaru eu não sei me defender.

- Você não precisa.

- Eu sei que não. – Ela disse calmamente. Nunca imaginou ser fácil convencer o youkai. – Só estou dizendo que gostaria de aprender um pouco sobre isto. Vai que um dia eu precise?

- Não creio que existirão oportunidades para que você entre em combate.

- Sesshoumaru... – Ela levantou os olhos para o youkai. – Não duvido de sua força, muito menos de sua capacidade. Só gostaria de aprender um pouco... – O youkai não respondeu e Rin sabia qual seria sua resposta.

Sesshoumaru era muito orgulhoso. Sempre salvara Rin, sempre a proporcionou segurança e ela não tinha motivos para querer se defender sozinha. Sabia que em seus pensamentos, ela não necessitaria de tal coisa, porque ele sempre estaria lá para protegê-la.

- Então me prometa que vai pelo menos pensar na minha proposta? – Ela disse, lendo os pensamentos do youkai.

- Pensarei. – Respondeu depois de um tempo e ela sorriu escondendo o rosto dele. – E qual é a segunda pergunta? – Ela sorriu e desta vez sorriu largamente.

- Raiden, por acaso, virá aqui hoje?

*

- Como assim eu não posso mais vir até sua casa? Eu sou a mãe do seu filho! Eu deveria vir aqui quando eu quisesse! – Gritava Nobuko histérica.

Durante os seis anos que se passaram, Nobuko agiu como se dominasse o mundo. Ela acreditava ter Yosuke e Raiden na palma de sua mão. Embora os dois youkais nunca lhe colocassem rédeas, sabiam de sua personalidade asquerosa, mas procuravam ficar em silêncio. Principalmente Raiden. Ele nunca falava algo sobre ela.

- Abaixe seu tom de voz para comigo Nobuko. – Alertou Yosuke seriamente. – Você não é minha fêmea e a mulher que me pertence não se agrada da sua presença em minha casa.

- E quem é essa mulher? Não me diga que é Akiyo? – Mediante ao silêncio de Yosuke, ela gargalhou debochadamente. – Ainda considera como sua fêmea uma mulher que lhe abandonou? Você é muito inocente meu querido. – Ela se aproximou dele e passou a mão por seu rosto. – Acha que ela ficou sozinha durante todo este tempo? Vivendo aqui ela se deitou com você e traiu o marido. Realmente acredita que ela não se deitou com mais alguém?

Yosuke segurou a mão de Nobuko e a apertou com força. Ela olhou para o local desesperada e pensou na possibilidade de gritar, mas sabia que não seria socorrida por alguém. Ela não estava em sua casa, melhor dizendo, não estava na casa de Raiden.

- Não ouse falar de Akiyo. Mesmo tendo traído a Raiden, ela ainda consegue ser uma fêmea mais digna do que você. Realmente pensou que eu nunca saberia de seu passado? De como as coisas chegaram até onde estão hoje?

A humana tremeu. Nunca iria imaginar que ele soubesse tudo sobre si. Se sua história fosse revelada, ela perderia o rótulo de inocente, sofrida e traída. As coisas já não seriam mais do jeito que ela queria. Começou a se desesperar com essa possibilidade.

- Você é meu macho Yosuke. Eu tenho a sua marca. A única fêmea que você pode ter sou eu. – Ela se aproximou dele e o agarrou, beijou seus lábios, mas ele a afastou.

- Sua oportunidade de ser minha passou. Lembre-se de que foi você quem escolheu viver com Raiden.

- Isso não me importa. Você é meu. E não aceito outra fêmea vivendo com você. – Ela se soltou de sua mão. – Kenichi! – Chamou e em instantes o pequeno hanyo estava próximo a ela.

- Sim mamãe. – Respondeu a cópia perfeita de Yosuke.

- Nós já estamos indo embora. – Ela fez uma pausa e seus olhos fitavam furiosamente os olhos cinza de Yosuke. – Meu aviso já foi dado. – E se virou, começando a caminhar.

O pequeno hanyo apenas olhava atentamente a forma como sua mãe agia. Preferia a presença do pai e teria ido morar com ele se ela não tivesse feito um grande drama para que o filho ficasse. Ele não a via como mãe porque ela o tratava como a garantia de prender um macho.

- Papai? – Chamou o pequeno.

- Sim. – Respondeu o youkai.

- Quando Akiyo vai vir morar aqui? – O pequeno realmente queria saber.

- Hoje mesmo ela chega as Terras do Oeste. – O hanyo sorriu com a notícia. Akiyo sim o tratava como uma mãe.

*

Estava ansiosa. Haviam se comunicado por cartas durante todos os anos em que estiveram longe para amenizar a saudade, entretanto a ansiedade de se reencontrarem fazia com que parecesse que não se viam desde que nasceram.

Rin andava de um lado para o outro, enquanto Hideaki observava a mãe nervosa. Ele sorriu um pouco de lado. Achava a mãe linda de todos os jeitos.

- Mamãe fique calma. – Ele a alertou.

- Não consigo meu filho. –Um barulho de carruagem se aproximou, fazendo com que Rin se sobressaltasse. Imediatamente uma de suas empregadas já estava à porta para abri-la. Rin olhou para o filho. – Seja o príncipe que você é e não se esqueça do que combinamos. – O pequeno apenas concordou e olhou para a porta. Já sentia o cheiro de quem se aproxima há algum tempo.

Não demorou muito até que a porta fosse aberta e uma figura pode ser notada. Ela estava linda. Os seios aumentaram um pouco em função da gravidez, os quadris também se alargaram. Porém continuava magra. Os cabelos que antes eram tão mais ondulados estavam lisos até a altura de seu queixo e conforme desciam iam enrolando. Ela estava linda e a felicidade por reencontrar Rin a deixava ainda mais, se é que era possível.

- Rin-sama. – Chamou à humana.

- Akiyo! – E ela correu na direção de sua antiga empregada, dando-lhe um abraço forte. Ficaram assim por muito tempo até que se separaram para se olhar. – Você está ainda mais linda!

- Oh, Rin-sama muito obrigada. A senhora também está linda e se me permite dizer, a maternidade lhe fez muito bem.

Akiyo notou o que Sesshoumaru também havia notado. Depois que deu a luz a Hideaki o corpo de Rin ficou ainda mais perfeito. Assim como Akiyo, os seios e os quadris também aumentaram. Rin era bela e depois de seu filho, ficou ainda mais.

- Isto é a felicidade de ser mãe. Falando em ser mãe, onde está seu mais novo amor? – Perguntou querendo ver o fruto do ventre de sua amiga.

- Está com Yosuke. Pedi que fosse direto para casa, talvez estivesse com fome. Logo eles estarão aqui. E seu novo amor, Rin-sama? Onde está?!

- Bem aqui. – E ela saiu da frente da humana, revelando a figura do pequeno hanyo.

- Céus?! Que criança perfeita! – Ela se aproximou dele e se abaixou, ficando de joelhos para que seus olhos se encontrassem mais próximos. – Olá Hideaki-sama. – Ela o reverenciou.

- Olá. – Ele disse sério.

- Eu me chamo Akiyo. Eu era empregada desta casa, trabalhei aqui por muito tempo e quando você nasceu eu o segurei nos meus braços. Você ficava me olhando muito sério e vejo que continua sério até hoje. – Hideaki deixou um sorriso de lado escapar.

- Meu pai também é assim. – Ele disse.

- Eu sei e posso te contar um segredo? – Ele concordou com a cabeça e ela falou baixinho. – Você é muito parecido com ele.

Agora sim Hideaki sorriu e Rin juntamente com ele. Ela já havia cotando através de cartas para a amiga o quanto seu filhote admirava o pai e dizer-lhe aquelas palavras era algo que com certeza o conquistaria.

- Que tal aproveitarmos este final de tarde no jardim? – Rin propôs. Todos concordaram e se dirigiram até lá.

Ficaram conversando por muito tempo e Hideaki estava bem próximo a mãe, prestando atenção em todos os cheiros ao seu redor. As orelhinhas mexiam-se a cada novo barulho e ele se convenceu de que talvez o que sua mãe esperava não fosse aparecer, até que um novo cheiro que se aproximava em velocidade impressionante pôde ser notado. Imediatamente ele olhou para a mãe e ela entendeu seu recado.

*

Ele não precisaria ir até ali aquele dia. Seus relatórios poderiam ser entregues mais tarde. Entretanto, passou muito tempo tentando ocupar sua cabeça com os afazeres e logo havia terminado. Tratou de imediatamente levar-lhe até seu senhor.

Movia-se em uma velocidade impressionante. Mas algo fez com que ele parasse bruscamente não muito longe do castelo. Aquele cheiro ele conhecia muito bem, mas há anos não o sentia. Algo dentro de si agitou-se e quando notou que vinha do castelo logo se direcionou até lá.

Não demorou muito tempo para chegar e o local estava impregnado por seu cheiro. Começou a andar normalmente e à medida que se aproximava do jardim, ele sentia o cheiro aumentar. Parou a janela e viu três figuras ali. A primeira era a sua senhora, que estava de frente para ele. A segunda era o herdeiro, que também estava de frente para ele. E a terceira, estava de costas e os cabelos que ele tanto admirava, soltos.

Involuntariamente se dirigiu até lá.

*

Ela já havia visto o youkai pela janela, mas Akiyo não. Estava de costas para a porta dupla que os levava até o jardim em que estavam. Rin sabia de todas as coisas que poderiam acontecer enquanto os dois estivessem no mesmo local, mas não se importou com isto. Apenas queria que se vissem. Ainda tinha esperanças de que voltassem.

- Raiden. – A voz de Sesshoumaru o chamou e quando Akiyo ouviu este nome, sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. – O que faz aqui?

- Vim entregar-lhe os relatórios que me pediu Sesshoumaru-sama. – Ele respondeu, ainda olhando a mulher de costas para ele.

Sesshoumaru havia acabado de chegar. Sua presença, assim como a de Raiden foi uma surpresa para todos. Quando Rin o perguntou se ele estaria no castelo àquela manhã, ele respondeu que não. Apressou-se em voltar para casa, sabia que ela estaria planejando algo.

- Sesshoumaru, acredito que se lembra de Akiyo. – Rin disse chamando a atenção do youkai e a humana não teve escolha. Virou-se para trás, mas olhou diretamente para seu senhor.

- Fico honrada em revê-lo Sesshoumaru-sama. – Disse calmamente e ele nada respondeu.

O coração estava totalmente acelerado, mas ela não tinha escolha. Agora que já havia se virado teria de encará-lo. E depois de muito reluta, os olhos de mel encontraram-se com os olhos avermelhados.

Notas finais
Eu sei que vocês iram reclamar pelo final do capítulo, mas o suspense é a alma do negócio! KKKKKK
Beijo e até mais tarde, porque vou postar outro.