Minha Doce Menina.

82 O fruto do amor.


Notas iniciais
Como prometido o segundo capítulo de hoje. O que estiver em itálico são lembranças.
Boa leitura.

Alguns segundos haviam se passado e eles não pararam de se olhar. Sérios. Ambos estavam sérios e o clima se tornou tão pesado, que Sesshoumaru decidiu intervir.

- Acompanhe-me até a sala de negócios. – Direcionou sua fala até Raiden e começou sua caminhada até o local. O youkai relâmpago continuou parado, não queria sair, mas teria de fazer tal coisa.

- Com sua licença. – Não precisou se virar, quando viu que Sesshoumaru havia saído, Akiyo virou-se para Rin ignorando completamente sua presença ali. Foi muito diferente do que ele esperava. Ela nem mesmo o olhou com ternura.

- Akiyo. – Disse Rin após ver Raiden sair do local onde estavam. – Porque está com esta expressão em seu rosto?

- A ultima pessoa que eu desejava ver agora, era Raiden. Eu fui embora para isso. Para nunca mais vê-lo. – Ela não olhava para Rin. E a humana sentiu a voz da amiga cheia de mágoa e rancor. Aquilo não era bom.

- Você... Ainda... – Não sabia como usar as palavras e Akiyo decidiu explicar a situação.

- Eu não voltei para implorar por seu amor. Voltei porque não posso continuar a viver com minha filha sem treinamento. O sangue youkai dela já a consumiu uma vez e por muito pouco, ela não machucou alguém. – As palavras de Akiyo eram duras, mas verdadeiras.

- Eu imagino que toda esta situação não esteja sendo fácil para você. – Disse Rin pesarosa.

- Se não fosse Yosuke, não sei o que seria de mim.

- Você vai viver com ele? – Perguntou Rin.

- Sim. Mas desta vez, vou viver como sua mulher.

O tempo passou muito rápido. Se dependesse de Akiyo, ela já teria ido embora há muito tempo, mas ela prometeu a Rin que esta conheceria sua cria e precisava cumprir. Além do mais, Yosuke já estava a caminho e ela teria de esperar. Passou-se ainda mais tempo e como estava muito preocupada, resolveu voltar para casa.

- Tem certeza de que não quer ficar mais um pouco? – Perguntou a jovem senhora das Terras do Oeste.

- Já é quase noite, Rin-sama. Não posso ficar aqui por muito mais tempo.

- Tudo bem então. Vou pedir que um de meus empregados a leve até sua casa.

- Não será necessário. Yosuke já deve estar a caminho.

- Tudo bem então. – Rin se aproximou dela. – Volte aqui o mais rápido possível.

- Pode contar com isso Rin-sama. Eu voltarei. – E se abraçaram mais uma vez, para logo depois se despedirem e a humana tomou seu caminho.

- Mamãe, porque ela ficou tão séria quanto viu Raiden? – Perguntou Hideaki e Rin procurou as palavras certas para lhe falar.

- Raiden e ela brigaram muito feio antes de você nascer, por isso ela ficou muito séria.

- E até hoje eles não se falam? – Perguntou o hanyo.

- Isso mesmo meu amor, mas eu acho que eles vão voltar a se falar logo. – Disse Rin sorrindo e o pequeno notou a presença de Raiden se aproximar.

*

A noite estava bem próxima de cair, então ela achou por bem não caminhar lentamente. Além de estar sozinha, estava preocupada com sua pequena cria. Havia dito a Yosuke para irem até o castelo, mas eles não deram sinal de que chegariam.

Akiyo andava pensando somente nisto, até que ventou fracamente e as árvores se balançaram. Ela teve a sensação de estar sendo seguida e achou por bem aumentar o passo. Não demorou muito até que sua suspeita se confirmasse.

- Akiyo. – A voz do youkai a chamou e ela já não foi mais pega de surpresa. Parou de caminhar e continuou de costas para ele.

Não tinha a pretensão de olhá-lo, muito menos de conversar com ele. Mas ao ouvir seu nome ser chamado parou, para que ele falasse o que quisesse e ela pudesse ir embora. Mas ele nada falou e ela voltou a caminhar.

- Akiyo. – Ele a chamou novamente e ela desta vez virou-se para ele após parar de caminhar.

O vento que antes veio calmo voltou um pouco mais forte. Raiden estava com os cabelos soltos. E tanto seus fios negros, como os fios castanhos dela movimentaram-se. Ela colocou a mecha que voava frente a seu rosto atrás da orelha e esperou que ele falasse.

- Já faz muito tempo desde que nos vimos. – Ele deu início ao assunto.

- Faz muito tempo para quem? Para mim ou para você? – A voz de Akiyo era fria, assim como a dele.

- Não para mim. – Ele respondeu, seus olhos estavam em fendas. Não gostava do tom que ela utilizava.

- Muito menos para mim. – Ela disse sem expressar qualquer sentimento.

Ele a analisou meticulosamente. Aquela mulher que estava a sua frente não era a mesma que escrevera as palavras na carta. Ele percebeu que seu jeito de ser havia mudado, mas cogitou a possibilidade dela ter mudado somente com ele.

- Pensei ter ouvido que nunca mais voltaria.

- E eu não voltaria.

- Então o que faz aqui.

- Acredito que isto não seja do seu interesse.

- Responda-me.

- Até que para alguém que não procurou por notícias minhas durante anos você está interessado demais. Não se esqueça de que eu não sou sua esposa. Não é a você que devo prestar contas da minha vida.

Ele nada mais respondeu. Suas suspeitas se confirmaram. Ela havida mudado sim, mas para ele. O tempo em que a observou pela janela, ouviu como falava com Rin e o jeito em que se expressava. Agora parecia realmente não querer estar em sua presença. Iria começar outro assunto, mas sentiu dois seres se aproximando.

- Se não há mais nada a me dizer, irei me retirar. – Ela começou a se virar, mas a voz dele o interrompeu novamente.

- Ainda não terminei. – Ele não tinha mais o que dizer, apenas queria ter a oportunidade de ver quem era o hanyo que se aproximava. E não demorou muito até que chegassem.

Acompanhada por Yosuke, uma linda fêmea hanyo dirigiu-se até Akiyo com um grande sorriso no rosto. Ela tinha os cabelos negros e lisos, apenas as pontas ondulavam-se. Seus olhos eram vermelhos e seu sorriso era cativante.

- Mamãe! – Chamou a pequena e Akiyo logo se virou para onde vinha o som de sua voz.

A mesma sensação que o invadira anos atrás quando teve a oportunidade de sentir sua herdeira chutar sua mão ainda na barriga de Akiyo o invadiu ao pôr os olhos nela. Era linda e ele não tinha palavras para dizer isto.

A humana se abaixou séria. Não queria que Raiden visse sua pequena filha, ainda não estava preparada para isso. Tinha medo do que ele poderia fazer a ela. A filha a abraçou e depois, depositou um beijo em sua bochecha.

- Demorei mamãe? – Perguntou com sua linda voz.

- Sim meu amor. Fiquei preocupada. – A hanyo ficou séria e entortou a cabeça.

- Porque está tão séria mamãe?

- Nada minha linda. – Ela forçou um sorriso e a filha se convenceu.

Depois de abraçar a mãe mais uma vez ela olhou para o youkai que sua genitora conversava. Aproximou-se dele séria e depois que o fitou por longos minutos, abriu um enorme sorriso.

- Olá. – Ela o cumprimentou e ele estava tão admirado com sua beleza, que não conseguia responder. Mas depois de alguns segundos em transe, se pronunciou.

- Olá. – Ele se abaixou para que seu rosto ficasse na altura da dela.

- Como você se chama? – Perguntou docemente.

- Raiden. E você como se chama?

- Natsumi. – Ao ouvir o nome, Raiden não pôde deixar de olhar para Akiyo. Ela o olhava também, seriamente.

*

- Então estamos resolvidos. Se for um menino eu escolho o nome. – O youkai concordou com a cabeça e ela sorriu. – Se for menina, você escolhe.

- Parece-me justo. – Ele concordou.

- Eu já escolhi o nome do nosso filho. Quer saber? – Ela lhe disse animada. E ele concordou com a cabeça. — Se chamara Ryo.

- Porque este nome? – Perguntou interessado.

- Porque de um jeito ou de outro me lembra Raiden e Akiyo. – Ela disse sorrindo. – E qual nome você gostaria de dar se tivéssemos uma filha?

- Aprecio o nome Natsumi. – Akiyo fez uma careta.

- Não parece o nome de uma filha minha. – Raiden sorriu com a declaração dela. – E nem precisa se importar de escolher. Se um dia eu gerar uma criança, será um menino.

*

Raiden voltou seus olhos para a pequena a sua frente. Ela sorria para ele de uma forma tão linda e cativante que fazia com que sua máscara fria e dura se desfizesse. Ele sorriu largamente, como há anos não sorria. Desde o dia em que descobrira que fora traído, perdeu os motivos para sorrir, mas agora ao olhar aquela criança ali, o fruto do amor entre Akiyo e ele, que tinha características suas e era tão apaixonante, sentiu que os motivos para sorrir haviam voltado.

Akiyo deu um passo à frente, queria terminar com aquela interação de ambos, mas Yosuke a olhou seriamente e concordou com a cabeça, anunciando que estava tudo bem. Ela continuou parada, vendo o que acontecia.

- Você é muito bonito Raiden. – Disse Natsumi.

- Obrigado. Você também é.

- Seus cabelos são tão lindos... Os meus são como os da mamãe. – Ela avaliou e uma curiosidade se formou no youkai.

- E seus olhos vermelhos? Você os herdou de quem? – Akiyo ficou rígida e Yosuke deixou que seus olhos ficassem em fendas.

- Do meu pai. A mamãe me contou uma vez que ele tinha os olhos vermelhos e o cabelo preto.

- E onde ele está agora?

- A mamãe me disse que ela fez o papai ficar triste e ele não quis mais ficar com ela e que ele mora muito longe.

- Entendo. – Ele disse simplesmente.

O youkai olhou novamente para Akiyo. Percebeu que ela ficou desconfortável com sua filha expondo as coisas daquela forma, mas foi maravilhoso ouvir tudo aquilo. Mesmo estando magoada e longe, ela nunca teve a intenção de jogar a filha contra o pai e de uma forma incrível, aquilo tudo mexeu com seu coração.

Notas finais
Foi amor a primeira vista. Raiden se apaixonou pela filha instantaneamente. Mas como será que as coisas se ajeitarão daqui para frente?
Beijo e até a próxima.