Minha Doce Menina.
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O sol já iluminada o céu aquecendo tudo aquilo que fora atingido pela madrugada fria, mas não fora capaz de aquecer o coração de Akiyo. Ela estava sentada em sua cama, olhando para um ponto fixo do qual não conseguia definir o que era. Somente os pensamentos e os sentimentos dentro de si eram claros.
Será que ele não havia percebido? Será que não havia notado? Ela ainda o amava, ainda tinha esperanças de que pudesse viver ao seu lado, com todo o amor que ainda sentia. Mas será que ele ainda a amava?
Baixou a cabeça e fechou os olhos. As lágrimas não mais existiam, mas a dor em seu ombro sim. Era algo angustiante e intenso. À medida que ela pensava no youkai, a dor aumentava. Mas a humana suportava calada. Resistia. Já tinha um plano em mente e começaria a colocá-lo em prática.
Levantou-se decidida a respirar ar puro. Os empregados que passaram por ela notaram o quanto estava diferente. Aquela mulher que outrora iluminava aquela casa estava terrivelmente triste.
Foi até a cozinha e ao olhar pela janela, viu Raiden e Nobuko caminharam sorrindo um para o outro em uma profunda intimidade. Imediatamente saiu dali e foi em direção a sala, onde a mesma pôde ver um novo buquê de rosas.
Rosas estas que ela sabia a quem pertencia e quem remetia.
Uma pontada enorme de dor a fez perder o equilíbrio e caminhar até a parede apoiando-se nela. Fechou os olhos e tentou respirar profundamente, mas recebeu outra forte pontada, que a fez cair sentada no chão.
Sentia-se fraca, tonta. As coisas começavam a rodar ao seu redor e ela não gostava daquilo. Sentiu seu traje ensopar no ombro esquerdo e levou sua mão até o local. Quando retornou a mesma não pôde deixar de acreditar. O local onde ficava sua marca estava sangrando.
- Meu Deus senhora! O que aconteceu?! – Indagou Kori aproximando-se da humana no chão.
- Ajude-me a levantar Kori... Estou me sentindo muito tonta... – Ela tentava manter-se de olhos abertos.
- Temos que mandar chamar um médico imediatamente! A senhora está sangrando!
- Por favor, não faça tanto alarde... Leve-me para o quarto... – Ela pedia completamente torpe.
A empregada levantou sua senhora do chão e ajudou-a a ir até seu quarto. Akiyo era praticamente carregada. Sabia por que estava se sentindo daquela maneira e tinha certeza de que algo muito grave estava acontecendo dentro de si.
*
Moveu-se lentamente na cama e se espreguiçou. A mão procurou por um corpo ao seu lado, mas só o que encontrou foi um lençol frio. Sinal de que ele já havia despertado. Levantou-se da cama enrolada em um lençol, pois estava nua. Aproximou-se da janela e viu que dormira demais.
Rapidamente jogou o lençol que cobria sua nudez e correu para o quarto de banho, onde correu ao banhar-se. Quando pronta saiu apressada para a sala de jantar, onde o café da manhã já estava servido.
- Dormiu demais menina. – Chamou-lhe a atenção o velho Jaken.
- Bom dia meu filhote. – Cumprimentou Rin, beijando-lhe a bochecha, para logo depois de sentar. – Bom dia para o senhor também, Jaken-sama. – Disse o olhando de soslaio.
- Bom dia. – Responderam ambos.
- Como passou a noite meu amor? Dormiu bem? – Questionou Rin, servindo-se do chá fumegante a mesa.
- Sim mamãe. – O hanyo comeu mais um pouco. – A senhora foi ao meu quarto.
- Fui assim que cheguei. Como sabe? Você estava dormindo. – Ela o indagou sorrindo, imaginando se ele havia atuado durante os momentos em que ela esteve lá.
- Senti seu cheiro hoje pela manhã. – Ele respondeu calmamente, assim como o pai. Rin alargou ainda mais o sorriso.
- Você está se tornado cada vez mais forte e inteligente, meu amor.
- Assim como seu pai é. – Bajulou Jaken. – Você herdou tudo isso dele príncipe Hideaki, mas também herdou a teimosia e curiosidade de sua mãe. – Disse o pequeno youkai lembrando-se de Rin quando pequena.
- Minha mãe era teimosa? – Indagou o hanyo.
- E respondona!
- Jaken-sama! Não diga essas coisas! — Disse Rin.
- Ah, pequeno príncipe! Sua mãe sempre me respondia e perguntava inúmeras coisas a Sesshoumaru-sama. Sua curiosidade não tinha fim! – Resmungou Jaken.
- Ah! Eu não era tão ruim assim, Jaken-sama! – Iniciou Rin e eles deram início a uma longa conversa, onde o pequeno youkai sempre falava das travessuras de Rin e ela o defendia.
Hideaki adorava tudo aquilo. Para ele, era muito interessante saber o que sua mãe fizera quando pequena, já que seu pai fora sempre muito sério e centrado em poder. Diferente dele, Rin teve uma infância emocionante, com várias histórias divertidas para contar e que deixavam Jaken vermelho só pela lembrança.
Não perceberam que se embalaram naquele momento e Rin atrasou-se mais ainda para seu treinamento. Beijou e abraçou mais uma vez seu filho e foi em direção ao pátio onde Kaname já a esperava.
No caminho, encontrou Sesshoumaru saindo da sala de negócios com Yosuke e imediatamente lembrou-se de sua adorada amiga que com certeza ainda estava muito triste pelo acontecimento da noite anterior.
- Bom dia Sesshoumaru. Bom dia Yosuke. – Ela os cumprimentou tendo os olhos fixos no segundo a quem se dirigiu.
- Bom dia Rin-sama. – O youkai a reverenciou.
- Será que posso conversar com você? Isto é claro, se seus assuntos com meu marido já estiverem terminados. – Ela olhou para o youkai que como sempre estava seriíssimo.
- Faça como quiser. Meus assuntos com Yosuke por hora terminaram. – E o mesmo se retirou do local.
Encararam-se por algum tempo, até que Rin decidiu que melhor seria se eles se sentassem para conversar. Dirigiram-se até a sala, onde a senhora convidou o youkai para se sentar. Não precisava usar seus poderes para saber o que ela queria.
- Yosuke, como está Akiyo? – Indagou Rin visivelmente preocupada.
- Não muito bem.
- Imagino. Eu queria tanto ir vê-la, ter ficado com ela. Meu coração se partiu ao ver o quanto sofria. – Disse Rin pesarosa.
- Não dormiu esta noite, passou-a toda planejando o que fará em breve.
- E o que ela fará? – Rin ficou preocupada.
- Quer voltar para a casa em que vivia até alguns meses atrás. – Disse o youkai olhando Rin nos olhos, vendo a surpresa estampada em sua face.
- Como assim voltar? E Natsumi? – Perguntou sabendo que Raiden jamais permitiria.
- Embora não sabia logo ela saberá. Uma vez que retornou, Raiden não permitirá que ela se vá.
Rin sabia o que ele queria dizer com aquilo. Mesmo que não admitisse, ele jamais permitira que ela se afastasse outra vez. Mesmo que o motivo fosse somente sua filha.
- E por acaso, Raiden esteve em sua casa hoje?
- Sim. Acredito que ainda esteja lá. – Afirmou o youkai.
- É melhor para Akiyo que não o veja. – Rin tentava planejar algo. — Faça o seguinte, traga-a até aqui.
- Desculpe-me pelo questionamento senhora, mas para quê?!
- Quando está lá, Raiden costuma passar o máximo de tempo possível com Nobuko, não é?! – Questionou Rin sabendo da resposta.
- Sin.
- Então, eu mesma vou acompanhá-lo e convencê-la a vir aqui e tirar de sua mente esta idéia louca de voltar para onde nunca deveria ter ido.
- Acredito que isto fará bem a ela. – Disse o youkai depois de pensar sobre o assunto.
- Então me dê apenas algum tempo para falar com Sesshoumaru e convencê-lo, está bem?! – Disse a humana se levantando.
- Aguardarei senhora.
- Certo. Agora tenho que ir. Sabe bem como Sesshoumaru é. – Disse Rin sorrindo.
Procurou por seu marido e não demorou a encontrá-lo. Como sempre estavam em sua sala de negócios. Ao perceber a presença de sua mulher se aproximar logo imaginou o que pretendia e teve a certeza quando a viu entrar no recinto com um enorme sorriso no rosto.
- Meu bem... – Começou em um tom doce. – Posso lhe pedir algo?
- Peça. – Disse ainda olhando os papéis à frente.
- Eu gostaria de sair agora, visitar Akiyo. Sei que não concorda com minhas atitudes, mas ela é minha amiga e eu realmente quero visitá-la.
O youkai continuou mirando o papel à frente e depois de alguns minutos olhou para sua esposa. Era impossível decifrar o que ele estava pensando naquele momento, até que decidiu se pronunciar.
- E quanto a Kaname?! – Ele disse simplesmente.
Naquele momento Rin se lembrou de que havia esquecido completamente de seu treinamento e bateu a mão na testa como sinal de reprovação pela atitude. Mas não poderia deixar sua amiga na mão, não naquele momento.
- Eu me desculpo com ele depois, mas por ora eu preciso realmente ir. – Ela voltou a ser decidida.
- Vá. – Disse simplesmente e Rin comemorou no mesmo instante dando beijos no rosto de seu marido.
Saiu correndo em direção á seu pátio de treinamento onde encontrou o outro youkai de cabelos platinados muito bem relaxado a esperando. Ele já a fitava com seu costumeiro olhar de deboche.
- Vejo que...
- Não tenho tempo de lhe dar explicações. Você terá de me treinar enquanto vou até a casa de Akiyo. – Ela o interrompeu apressada.
- E como eu faria isso? – Questionou ele com a sobrancelha erguida.
- Como posso saber? Você é o mestre aqui!
- De onde surgiu esta idéia mirabolante...
- Temos que ir. Agora. Ou você vai comigo e me treina pelo caminho, ou eu o encontro no horário de sempre amanhã.
O youkai a olhava intensamente, tentando desvendar o que ela planejava naquele momento. Convencido de que talvez o trouxesse um pouco de divertimento, tomou sua decisão.
- Vamos ver o que posso fazer. – Disse o youkai se levantando.
Não demoraram muito até chegar à residência de Yosuke. No mesmo instante em que sentiu sua presença, Kori esperou por seu senhor na sala de estar, onde ele rapidamente entendeu que ela precisava dizer algo.
- Bom dia Rin-sama. Bem vindo de volta Yosuke-sama. – Reverenciou a youkai.
- Bom dia. – Respondeu Rin sorridente.
- Este é Kaname. – Apresentou Yosuke. – Ele agora é um dos servos de Sesshoumaru-sama.
Kori o reverenciou sem olhar-lhe nos olhos.
- Rin-sama veio visitar Akiyo. Por que ela ainda está em sua cama? – Questionou o youkai que já havia encontrado sua mulher por usar seus poderes.
- Há algum tempo, encontrei-a no chão senhor. Ela estava completamente tonta e seu ombro sangrava.
A expressão no rosto de Yosuke se alterou completamente. Então havia voltado a acontecer.
- Pela energia que ela está emanando. – Iniciou Kaname. – Isto foi ocasionado por sua marca.
- A marca de Akiyo está reagindo a ela? – Questionou Rin. – Aconteceu mais alguma coisa? Algo que ela não tenha conseguido suportar?
- Suponho que sim. – Yosuke fechou os olhos concentrando-se e logo a resposta já podia ser dada. – Ela viu Raiden e Nobuko pela manhã. Foi o suficiente para desencadear novamente a reação.
- Novamente? –Indagou Raiden que neste instante aproximava-se com Nobuko e já havia escutado boa parte da conversa.
Kaname olhou para trás, da onde vinha a voz do youkai. Seu olhar encontrou-se com o de Nobuko e, para não perder o costume, foi completamente invasivo. Examinou-a meticulosamente dos pés a cabeça, deixando-a completamente sem graça e Raiden um pouco irritado.
Sorriu debochado, ato que deixou Nobuko ainda mais encabulada. Definitivamente, ele sabia se aproveitar de sua natureza intimidadora. Kaname adorava ser muito, muito mal.
Viu o olhar de Nobuko e Raiden serem tomados em atenção então decidiu acompanhá-los. Virou-se para frente e naquele mesmo instante todo seu ar de superioridade youkai desapareceu.
Os olhos de Kaname encontraram-se com os olhos de Akiyo.
Os olhos de Akiyo.
Os olhos de...
- Hy-Hyuna... – Balbuciou ele, perdendo totalmente sua razão.
*
Enquanto cumpria seus afazeres pela casa, a empregada pessoal de Rin foi requisitada por um mensageiro que lhe entregou um pergaminho que era direcionado a ela. Como sua senhora não estava, entregaria a Sesshoumaru.
Dirigiu-se até a sala de negócios onde Sesshoumaru se encontrava e bateu a porta calmamente, apenas por educação já que ele podia sentir sua presença.
- Entre. – Ordenou com frieza em sua voz.
- Sesshoumaru-sama, um mensageiro acaba de me entregar isto. É para Rin-sama. – Ela estendeu a bandeja para o youkai que pegou o pergaminho.
- Saia. – Ele ordenou.
A empregada o reverenciou e saiu.
Sesshoumaru abriu o rolo e leu o conteúdo. Sua expressão transformou-se um pouco quando concluiu a leitura. Sabia a atitude de Rin ao ler aquilo e a idéia em não lhe agradou.
Nem um pouco.
Notas finais
Beijo e até a próxima.
Obs.: Reta final da fic.
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