Minha Doce Menina.

101 Segredos do coração.


Notas iniciais
O que estiver em itálico é a história revelada por Yosuke mentalmente.

Boa leitura.

– Hyuna... – Disse Kaname mais uma vez olhando com total adoração em sua voz.

Ninguém sabia responder o que estava acontecendo ali. Só o que sabiam é que algo em Akiyo despertou algo em Kaname. Ambos se fitavam sem qualquer hesitação.

– Desculpe-me. Mas não me chamo Hyuna. Chamo-me Akiyo. – Ela esperou até que ele respondesse.

– Ambos foram apresentados em sua recepção. Recorda-se? –Falou Yosuke.

– Akiyo... Não me recordo desse ter visto esses olhos, eu os reconheceria em qualquer lugar.

Foi o que bastou para reações diferentes estourarem. Rin morria de curiosidade, Nobuko de confusão. Os youkais com poderes ligados a mente souberam de imediato sobre isso.

– Mesmo assim você a chamou de Hyuna. – Falou Rin.

– Duas vezes. – Acrescentou Nobuko.

– Isto não tem importância. – Respondeu Kaname sem tirar os olhos de Akiyo. – O que importa agora é cuidar da pobre moça que está sendo afligida pela maldita marca que em seu ombro foi colocada.

A expressão de Raiden mudou drasticamente e Yosuke deixou um sorriso de lado aparecer.

– Lamento informar Kaname, mas Akiyo é minha amiga e eu cuidarei dela. – Disse Rin passando a frente do youkai e dando o braço a amiga. Kaname sorriu largamente.

– Bom, acho que não tenho como competir com isso. – Ele se aproximou delas e segurou a mão de Akiyo ainda a olhando. – Estarei te aguardando Rin. – Sem tirar os olhos de Akiyo ele beijou sua mão e depois abriu um sorriso sedutor. – Até breve.

Fico ainda algum tempo segurando a mão da mulher e depois saiu da casa. A primeira coisa que passou na mente de Raiden foi ir atrás do youkai, mas depois se lembrou de algo muito mais importante: O que a marca estava fazendo com Akiyo.

– Está se sentindo melhor? – Indagou Yosuke.

– Eu estou bem. – Ela disse ciente de que todos já sabiam sobre sua marca mesmo tendo implorado a Kori para que não contasse.

– Você deve ficar em repouso Akiyo. Não pode se esforçar. – Aconselhou Nobuko timidamente e só recebeu o olhar de Akiyo como resposta.

– Isso mesmo. Vamos subir agora e eu cuidarei de você. – Rin sabia que seus planos falhariam daquela vez. Akiyo não estava bem e precisava ser cuidada. Então virou a humana e conduziu até seu quarto.

Ficaram na sala somente Nobuko, Raiden e Yosuke e quando o ultimo se virou para fitar os outros dois, sabia mesmo sem usar seus poderes que eles queriam ter uma conversa.

– Você disse que por me ver com Nobuko, uma reação se desencadeou na marca de Akiyo novamente. – Afirmou Raiden que deu ênfase na ultima palavra.

– Sim eu disse. – Acrescentou apenas Yosuke.

– Quando isso aconteceu? – Quis saber Nobuko.

– Quando Akiyo estava próxima de dar a luz.

– E como você conseguiu controlar? – Perguntou novamente a humana.

– Não consegui. Não posso controlar uma marca que não é minha.

– Quais foram as conseqüências Yosuke? – Pronunciou-se novamente Raiden.

– Ela quase morreu e Natsumi morreria junto com ela.

– Oh Kami! – Disse Nobuko desesperada e tampou a boca com as mãos.

Raiden sentiu-se nocauteado. Jamais poderia imaginar que aquilo havia acontecido com aquela mulher que vivia tão bem ali. O coração de Akiyo guardava muito mais coisas do que ele poderia imaginar.

– Como aconteceu? – Questionou ele ávido por saber, então Yosuke decidiu mostrar e mostraria a Nobuko também.

Era uma linda tarde de sol, mesmo que este não estivesse tão forte. Poucas nuvens habitavam o céu tornando-o ainda mais lindo. Akiyo estava sentada em um banco localizado embaixo de uma árvore. O tempo de gestação estava completo e ela cantava alisando a enorme barriga.

– Estrela do verão, por que está vermelha?

Ontem à noite eu tive um sonho triste.

Chorando enquanto falava.

Ah, olhos vermelhos.

De repente abriu um largo sorriso. A cria chutava o ventre de sua mãe em resposta a sua voz cantando aquela canção. Akiyo continuou a alisar a barriga e foi encorajada a continuar cantando.

– Estrela do verão, por que está perdida?

Está procurando por nós, que desaparecemos.

É por isso que eu tenho sonhos tristes.

Não terminou a canção com o sorriso no rosto que deveria. Naquele momento ela pensava em Raiden. Será que ele iria aparecer? Será que ele iria estar lá quando seu filho nascesse? Dia após dia a certeza destas respostas era concreta.

Decidiu levantar-se e entrar em casa. Chorava um pouco até que sentiu algo em seu ombro. Reconheceria aquele toque em qualquer lugar. Era Yosuke.

– E então? – Ela questionou com um pouco de esperança, mas o silêncio lhe arrancou a mesma.

Ele não viria.

Ele não a veria.

Ela nunca mais o veria.

Naquele mesmo instante ela sentiu raiva, muita raiva e desejou do fundo de seu coração nunca ter conhecido Raiden. Foi o que bastou para que sua marca reagisse.

– Ai. – Disse baixo, sentindo uma dor em seu ombro. – Ai. – Falou um pouco mais alto até que perdeu o fôlego.

Os olhos de Yosuke se arregalaram um pouco pelo cheiro que ele estava sentindo, era cheiro de sangue. Era cheiro do sangue de Akiyo. Imediatamente a pegou no colo e correu para dentro da casa.

Deitou-a na cama e segurou sua mão. A mulher que fora designada para ajudar à jovem estava ao seu lado naquele momento, muito nervosa.

– Traga uma bacia com água e panos limpos. – Ordenou o youkai e no mesmo instante a humana se retirou dali.

O sangue continuava jorrando do ombro de Akiyo e a mesma já estava perdendo a razão. Procurava focar-se em algo, mas não conseguia. Queria falar, queria pensar, mas não conseguia. Tudo o que existia era a dor. A dor emocional e a dor física.

– Akiyo. – Yosuke chamou com a voz firme e ela lutou para olhá-lo. Quando conseguiu, sentiu seus olhos pesarem, pesaram tanto que ela acabou dormindo e então Yosuke ficou aliviado. Assim ele conseguia pelo menos adiar aquilo.

A empregada voltou com tudo o que o youkai havia pedido e logo atrás dela veio à mãe de Akiyo desesperada. Soube o que havia acontecido com a filha e foi ver o que estava acontecendo.

– Como ela está? – Questionou Akemi, a mãe de Akiyo.

– Bem. – Ele se virou para a empregada. – Ela não acordará por um bom tempo, limpe-a e troque suas roupas.

– Sim senhor. – Disse a humana fazendo o que ele havia dito.

O youkai saiu do quarto e Akemi foi atrás. Precisava falar com ele. Percebendo isso, Yosuke caminhou até a sala daquele local e quando lá chegaram, a mulher o olhou completamente nervosa e preocupada.

– Diga. – Ordenou ele.

– O senhor é um youkai e com toda a certeza sabe que o que eu sei. – Ela iniciou.

Não eram necessárias palavras, ele já havia entendido. Mesmo assim ela decidiu continuar.

– Esse bebê já passou do tempo de nascer. Tenho certeza de que o senhor sabe o que pode acontecer.

Yosuke permaneceu em silêncio e parecia pensar em algo. Tentar encontrar uma solução, até que pareceu chegar a uma conclusão.

– Interferirei nesta gestação. – Disse seriamente.

– O que pretende fazer? – Questionou a mãe preocupada.

– Farei com que Akiyo dê a luz.

Akemi sentiu-se um pouco mais aliviada. Yosuke certamente faria de tudo para que sua filha fosse feliz.

Algumas horas se passaram e Akiyo finalmente acordou. Sentia-se mal, o corpo estava dolorido e sentia dor nas costas. Estranhou estar em seu quarto, até que se lembrou do que havia a levado até ali.

Colocou a mão no ombro esquerdo e respirou fundo. Tinha certeza de que sua marca havia causado aquela dor.

Decidiu procurar por Yosuke. Sempre ficava em paz quando estava próxima a ele. Levantou-se da cama e caminhou lentamente até a escada. A casa que Akiyo morava não era muito grande, mas havia um andar superior.

Com muito cuidado ela se apoiou para não cair e desceu os degraus calmamente. Quando chegou ao ultimo, sentiu uma enorme dor no ombro outra vez e caiu sentada no chão. O baque foi enorme e Akiyo sentiu uma dor terrível por todo seu corpo.

Iria tentar se levantar, até que sentiu algo escorrer por sua perna.

A bolsa de Akiyo havia estourado e o que saiu não foi somente o liquido claro, mas também sangue. A humana começou a se desesperar e sentiu que naquele momento ela não teria mais os poderes de Yosuke ao seu auxílio. Teria de sentir o que era dar a luz a um meio youkai.

– Mãe... – Tentou chamar, mas sua voz ainda estava fraca. – Mãe...

Akiyo não tinha forças para se levantar e começou a se desesperar. Estava preocupada com sua cria e não tinha qualquer sintoma de trabalho de parto. Fechou os olhos com força e pensou em Yosuke, chamando por ele mentalmente. Poucos segundos depois o youkai estava a sua frente.

– O que aconteceu? – Indagou levantando-a.

– Eu caí. – Ela disse chorando ainda meio tonta pelo que sua marca havia feito. – E esse líquido saiu de mim Yosuke, mas eu estou sangrando... Eu estou... – Ela fraquejou e o youkai a amparou outra vez.

– Mantenha-se acordada Akiyo. – Ela não o respondia, estava totalmente zonza. – Akiyo. – Chamou outra vez e vendo que ela não o responderia, ele a levou para o quarto.

Colocou a humana na cama que parecia suar frio. Yosuke soube que naquele momento o peso de gerar um hanyo e o peso de sua marca estava massacrando-a. A situação não era fácil. Mesmo não querendo ele teria de interferir.

Fechou os olhos e se concentrou. No mesmo instante Akiyo abriu os olhos, o torpor que a tomava havia diminuído. Yosuke abriu seus olhos também e eles tomaram uma tonalidade diferente. Ficaram vermelhos e depois completamente brancos. Viu também manchas azuis tomarem seu rosto abaixo de seus olhos.

Assim como Raiden, Yosuke não era um youkai que possuía a habilidade de se transformar. Sua verdadeira forma era aquela. Olhos brancos e estrias azuis nas maçãs do rosto. Os olhos de Raiden em sua verdadeira forma eram brancos como um raio.

Ao mirar os olhos brancos de Yosuke o coração de Akiyo palpitou ao ritmo do coração dele e então algo diferente aconteceu. Uma dor em suas costas se formou e contrações começaram a acontecer.

Yosuke havia controlado sua mente e seu corpo e ele mesmo, fez com que ela entrasse em trabalho de parto. Segundos depois a mãe de Akiyo entrou desesperada por ter visto a poça com sangue que a filha havia deixando. Ao ver seu estado, olhou para Yosuke e então entendeu o que estava acontecendo.

– Ela logo dará a luz, porém está muito fraca. – Disse mentalmente à mulher que o olhava.

– Hai. – Ela disse e então ajudou a filha a se ajeitar para conceber seu filho.

O youkai se levantou e ou via os gritos de Akiyo aumentarem. A dor era irreal. Somente fêmeas humanas que geravam um hanyo sabiam o que aquilo significava e somada a um tombo era bem pior.

Quando estava perto da porta do quarto, foi parado pela voz de Akiyo.

– Yosuke... Ah! Prometa... Prometa que...

– Não prometerei nada. Apenas viva. – Disse em um tom muito sério, sabendo que ela tinha a consciência de que não viveria.

O youkai saiu do quarto e caminhou em direção a sala, onde ficou esperando até que o filho que Akiyo gerava viesse ao mundo.

Os gritos que outrora eram altos e fortes, agora estavam resumidos a longas respirações falhadas pelo esforço. Cansada, não sabia como fazer para expelir o pequeno ser dentro de si. A dor que tomara seu corpo, já se tornara insuportável e nem mesmo o local ao seu redor conseguia enxergar com clareza.

– Ele passou do tempo de nascer. Ela não vai agüentar Yosuke-sama. — Dizia a empregada angustiada pelo que presenciava indo pegar mais água limpa. — Seu corpo está muito fraco.

A verdade era que se Akiyo demorasse muito mais para ter o filho, ela morreria e a criança morreria dentro de si.

A angústia tomara o local de maneira impressionante, o estado da mulher que dava a luz era muito grave. As chances de morrer eram maiores do que a de viver.

– Não existe nada que eu possa fazer agora. – Disse Yosuke com os braços cruzados. Uma de suas mãos estava sobre o nariz e a boca. Estava inconformado, mesmo estando controlado.

Mais uma forte respiração pôde ser ouvida e um grito estrondou pela casa. Um novo som foi ecoado por todos os cantos, o choro de uma criança. Yosuke sentiu-se imensamente feliz e aliviado, ela conseguira levar a gestação até o final e poderia ver o rosto da criança que tanto amou mesmo sem conhecer.

Pouco tempo depois, Akemi chegou com a criança nos braços. Embora fosse um momento de felicidade, lágrimas caíam por seu rosto. Olhava para o pequenino ser que ainda se remexia e chorava. Depois seus olhos pousaram sobre o youkai.

– Ela não... – A mãe da humana não terminou a frase, uma nova torrente de lágrimas escapou de seus olhos. O youkai concentrou-se, procurou pela batida do coração de Akiyo, mas não a encontrou.

Não esperou que limpassem o quarto e sequer olhou a criança. Conduziu-se até o local e encontrou Akiyo ali deitada, com o rosto calmo. Mas aquilo não estava certo, ela teria que viver. Aproximou-se da cama e segurou seu rosto.

– Akiyo. Akiyo. – Chamou, mas ela não o respondia.

Fechou os olhos mais uma vez transformando-se e tentou controlar todo o corpo de Akiyo. Tentou fazer seu coração bater, tentou fazer com que ela acordasse, mas nada adiantava. Depois de muito insistir ele parou.

Parou de tentar.

Parou de acreditar.

Voltou a sua forma humanóide e olhava Akiyo com o rosto completamente angustiado. Ele, que era um youkai que se mantinha controlado nas situações mais difíceis estava terrivelmente triste naquele momento.

Fechou os olhos ainda acariciando a mão de Akiyo que ficava cada vez mais fria. Depois de tudo o que lutou e de tudo o que sofreu, ela havia perdido sua vida, não havia vivido para criar sua filha. Que por sinal era uma linda menina.

Levantou seu tronco e a abraçou. Abraçou forte como sempre fazia quando a reencontrava. Aquele provavelmente seria seu ultimo abraço.

Todos esses pensamentos lhe invadiram a mente até que algo a fez abrir os olhos. O coração de Akiyo bateu forte. Sua respiração retornou e quando olhou para seu ombro esquerdo viu um pequeno brilho. E foi aí que entendeu. A marca de Raiden não permitiu que ela morresse. Por algum motivo acreditou que ela teria que viver.

– Yo... Yosuke... – Balbuciou ela e o youkai a soltou do abraço, olhando em seus olhos e sorrindo.

– Acho muito bom ter vivido. – Disse querendo dar-lhe uma bronca. – A criança que você deu a luz não para de chorar. – Disse o youkai alargando ainda mais o sorriso.

Mesmo tendo utilizado aquelas palavras, Akiyo sabia que ele estava feliz por vê-la viva e mesmo muito fraca sorriu para ele. Yosuke a colocou encostada à cabeceira da cama.

– Vou mandar que limpem o quarto e depois trarei sua cria. – Disse o youkai se levantando e saindo do quarto.

A empregada entrou com os olhos vermelhos por ter chorado e limpou tudo, inclusive a Akiyo. Então quando tudo estava em seus devidos lugares à humana esperou que trouxessem seu bebê.

Sua mãe entrou no quarto com a criança nos braços e logo atrás Yosuke. A mulher ainda chorava, eram muitas emoções para um mesmo dia. Calmamente se colocou ao lado de Akiyo e lhe direcionou o pequeno embrulho.

Mesmo estando muito fraca e necessitando descansar, Akiyo tirou forças de todo o amor que sentia para segurar seu filho naquele momento. Estendeu os braços trêmulos a mãe e esta lhe direcionou o bebê.

Ao pegá-lo no colo, Akiyo sentiu um amor tão grande invadir seu peito que achou que não fosse caber. Era seu filho, era seu mais novo amor. Naquele momento sentiu que tudo o que passou valeu a pena apenas por aquele momento.

– Parabéns minha filha. É uma linda menina. – Disse Akemi e a filha olhou em seus olhos.

– Uma menina? – Questionou fraca e olhou novamente para a criança que tinha os olhinhos vermelhos e cabelos negros.

– Sim. Uma forte e saudável menina. – Acrescentou a mãe já bajulando a neta.

– Ela é linda. É perfeita. – Disse a humana segurando seu bebê nos braços. – Eu te amo minha filha. Eu te amo minha estrelinha. Eu te amo minha Natsumi. — E o pequeno bebê sorriu um pouco, tendo os olhos vermelhos cintilando.

– Filha, amamente-a. – Aconselhou a mais nova avó e assim Akiyo fez.

Deixou seu seio a mostra e então o pequenino bebê o abocanhou com avidez. A pequena mãozinha repousando no seio de sua mãe de olhos fechados. Depois de se satisfazer, Akemi a pegou nos braços para continuar com os cuidados.

– Você deve descansar agora Akiyo. – Disse Yosuke aproximando-se dela. – Para uma humana você se esforçou como uma youkai e mesmo youkais precisam descansar. – Então ele a ajudou a deitar-se na cama.

– Você irá embora? – Ela questionou com a exaustão em sua voz.

– Não. Ficarei aqui com você até que se recupere completamente. – Ela concordou já com os olhos fechando. – Descanse. – E ele acariciou os cabelos de Akiyo até que ela pegasse no sono.

Todos os anos seguintes foram passando como em um filme. Viram Akiyo se recuperar, viram Natsumi crescer e dizer sua primeira palavra, que foi papai, viram-na dar seu primeiro passo sozinha. Viram a briga para fazê-la comer desde muito nova.

Durante todo aquele tempo Akiyo nunca deixou que Natsumi pensasse mal de pai e sempre disse coisas boas ao seu respeito. Mesmo sofrendo, chorando as escondidas, o amando intensamente, sentindo sua falta, ela fez de tudo para que a filha tivesse uma boa impressão do pai e tudo isso deu certo.

Raiden e Nobuko abriram os olhos e no mesmo instante a mulher começou a chorar. Dissera todas aquelas coisas a Akiyo sem saber de nada que havia acontecido. Nobuko tapou o rosto com as mãos poe estar envergonhada. Akiyo sofrera durante todos esses anos estando longe enquanto ela oscilava entre Raiden e Yosuke. Precisava lhe pedir perdão urgentemente.

– Ela virá comigo. – Disse Raiden firmemente.

– Acredito que ela não queira ir com você. – Respondeu Yosuke.

– Akiyo é minha fêmea marcada. Mãe de minha herdeira. Ela virá comigo. – Disse convicto.

– Ela quer ir embora das Terras do Oeste outra vez. Jamais aceitará voltar para aquela casa...

– Nobuko vive com você, não?! Você a trouxe para cá assim que sua marca reagiu, não?! – Alfinetou Raiden, sabendo que com esta afirmação Yosuke teria que ceder, mas estava enganado se pensou que poderia persuadir um youkai como Yosuke.

– Nobuko já está bem e pode ir com você agora mesmo se quiser. – A humana foi surpreendida por aquelas palavras, assim como Raiden. – Acredito que a partir de agora, ela não mais necessitara de meus cuidados. Se quiser eu me ofereço a remover sua marca. – Acrescentou seriamente.

Nobuko olhava Yosuke ainda com as lágrimas caindo de seus olhos. Agora não sabia mais por que chorava. O que havia acontecido com ele? Por que estava a desprezando desse jeito?

Raiden ficou sem ter o que dizer por um momento. Nunca imaginou que ele usaria aquelas palavras ali. Mas ele não desistira assim tão fácil.

– Como bem sabe nos temos um trato. Quando descobriu que Nobuko estava grávida, você exigiu sua tutela e eu a concedi, mesmo que a tivesse tomado como minha esposa. Existe uma dívida Yosuke e ela deve ser paga. – Respondeu Raiden.

– Você a renegou.

– Sim, mas é a vida de Akiyo que está em jogo agora. Sabe o que aquela marca pode fazer.

Yosuke pareceu pensar por um tempo. Não era bom que aquela marca continuasse sangrando, até porque não era um simples sangramento. Era algo muito grave e que certamente poderia levá-la a morte.

Por perceber que Raiden não mais a teria de volta e agora teria outra esposa, Akiyo desejava nunca tê-lo encontrado, desejo este que vai contra os princípios de ter aceitado sua marca. O que acontecia com ela, era o inverso do que aconteceu com Nobuko.

Enquanto a marca de Nobuko reagiu a ela, Akiyo reagia a sua marca e a tudo que ela significava. A marca era parte de uma fêmea, como um órgão de seu corpo. Se a humana continuasse a rejeitá-la, o que seria de seu bem estar então?!

– Quando estiver melhor, eu mesmo darei a notícia a ela. – Afirmou Yosuke depois de refletir.

– Em breve retornarei para acertamos tudo isto. – Yosuke apenas acenou a cabeça em sinal de concordância e Raiden decidiu que o melhor seria voltar para sua casa. Precisaria ajeitar algumas coisas.

Nobuko e Yosuke ficaram sozinhos na sala. Encaravam-se sem qualquer hesitação, embora ela estivesse com inúmeras perguntas contidas em sua garganta. Quando abriu a boca para começar a falar o youkai lhe deu as costas e caminhou em outra direção.

Foi aí que a humana entendeu que ele não mais insistira em tê-la para si.

As horas se passaram tão rápido que Rin sequer percebeu que a noite estava prestes a cair. Sua amiga estava bem melhor e ela acreditava que não demoraria muito para que sua recuperação fosse completa.

Despediu-se de todos e caminhou em direção a porta da casa, onde Kaname a esperava. O youkai estava sério e em silêncio. Não tinha a pretensão de conversar, mesmo sabendo que Rin iria convencê-lo a tal coisa.

– Kaname...

– Foi proposital. – Disse o youkai já começando a caminhada.

Percebendo que ele estava diferente, ela decidiu esperar até que estivessem mais distantes da audição apurada de Yosuke. Quando chegou a certo ponto do caminho ela decidiu dar inicio novamente aquela conversa.

– Eu sei que não foi proposital. Você estava diferente, sua voz, seu olhar, tudo havia mudado. Era ela, não é?! Era Hyuna a youkai que você amava?

Kaname não respondeu as indagações de Rin, continuou caminhando sem a intenção de conversar, mas ela não desistiria tão facilmente.

– Kaname me conte... – O youkai se virou bruscamente para ela fazendo-a parar e olhá-lo.

– Será que não consegue conter sua curiosidade? – Perguntou furioso.

– Desculpe-me. – Ela baixou o olhar. – Não tive a intenção de aborrecê-lo.

Rin decidiu não mais insistir e passou por ele apressadamente. Vendo que havia sido terrivelmente grosseiro, Kaname segurou o braço da humana fazendo com que ela se virasse para ele.

Mas Rin no mesmo instante tratou de soltar-se. Se ele não queria contá-la e seria grosseiro, então ela não insistiria. Porém Kaname era mais forte e a segurou tão próxima a si que a humana não teve escolha. Teria de escutá-lo.

– Hyuna foi a youkai que eu amei e me traiu. Como conseqüência eu a matei. Quando minha espada a atravessou ela cravou seu kanzashi em meu peito. Satisfeita?! – Ele soltou Rin e começou a caminhar a sua frente.

– Kaname por que está me tratando assim? E o que Akiyo tem a ver com isto?

– Os olhos daquela fêmea humana são como os dela. – Ele se virou mais uma vez. – E você em muito mais se parece com ela.

Rin foi pega de surpresa naquele momento.

– Seus cabelos, sua personalidade, seu jeito espontâneo, suas atitudes, sua coragem, seu sorriso... – Ele falou diferente desta vez. – Parece como...

– Como se eu estivesse aqui para que a segunda tentativa desse certo? – Rin questionou com a garganta seca. Mas Kaname não respondeu. Felizmente ele não respondeu.

Então Rin começou a caminhar em direção a sua casa pensando em como Kagome se sentia com relação à Inuyasha e Kikyo. Mas ela não era Kagome, certo?! Ela não tinha os sentimentos de Kagome por Kaname, certo?!

Então o que era aquilo que comprimia seu coração?

Notas finais
Que dia complicado, não?! O que dizer do quarteto problemático e do estranho desentendimento de Rin e Kaname por uma fêmea que já morreu?

Beijo e até a próxima.

Obs.: A musica que a Akiyo cantou para a Natsumi é Natsuhiboshi - Naruto.