Minha Doce Menina.
27 O sentimento dos youkais.
Notas iniciais
Boa leitura.
Raiden percorreu todo o caminho sem dar uma palavra. Akiyo estava atrás dele sorridente. Não acreditara no que estava acontecendo. O grande amor de sua vida a salvara e a trouxera para sua casa, como sua mulher. Ela nem tinha palavras em mente para dizer, apenas sorria por tamanha felicidade. Estava livre.
Raiden por sua vez estava muito sério, sua expressão ainda muito irritada. O que aquela mulher era capaz de fazer? Uma simples humana o fez ultrapassar todo o seu orgulho e interromper algo que ela mesma aceitou. A cena ainda em sua mente.
– Akiyo, você aceita Katsuo como seu legítimo esposo, prometendo amá-lo e respeitá-lo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida até que a morte os separe?
– Aceito.
A raiva ainda o consumia.
Quando chegaram a casa, o youkai parou no meio da sala de estar, uma de suas empregadas o reverenciou e logo depois a Akiyo que a reconheceu como a youkai que a ajudou na primeira vez que estivera ali. A menina sorriu e acenou para ela, que a reverenciou da mesma forma que a Raiden.
Quando a empregada se retirou, Akiyo se aproximou de Raiden com um enorme sorriso no rosto iria abraçá-lo, mas ele virou-se. Sua ação parou a ato da menina.
– Você pode ficar aqui o tempo que quiser, assim como pode ir embora quando quiser. Será tratada como senhora desta casa. Não precisará mais trabalhar.
Akiyo nada respondeu, um sorriso enorme estava em seu rosto.
– Entendido Akiyo?
– Sim. – Ela dizia ainda sorrindo.
– Existe algo que queira dizer?
– Senti sua falta durante todo este tempo. – Ele nada disse. Havia se perdido na beleza de sua Akiyo. Tinha vontade de abraçá-la e beijá-la infinitamente, mas quando se lembrava de que tudo aquilo era para outro macho a raiva o impedia de se aproximar.
– Fico honrado. – Ela não gostou daquela resposta.
– Raiden, me perdoe por não ter contado e me perdoe por encerrar tudo o que havia entre nós. Mas eu tive muito medo e...
– Não quero justificativas Akiyo.
– E porque não? Vai fingir que não se importa?
– Não há necessidades de fingimentos Akiyo, não da minha parte. – Ela se sentiu ofendida. A discussão começaria naquele momento.
– O que quer dizer? Que eu não sou sincera?
– Acaso o que fez foi um ato de sinceridade?
– Do que está falando Raiden? Do fato de eu ter me submetido à Katsuo ou do fato de ter sido sua?
– A resposta não pode vir de mim. – Ela se enfureceu.
– Você só pode estar zombando de mim.
– Não há necessidade de zombarias. Apenas estou sendo sincero.
– Se foi para me chamar de falsa, porque me trouxe aqui?
– Porque eu não suportaria vê-la sendo de outro macho. – Foi o suficiente para calar a menina. -Não aceito e nunca aceitarei isso. Você concordou em ser minha, concordou que eu fosse seu companheiro e na primeira dificuldade não demonstra confiança em mim.
A menina estava se sentindo horrivelmente culpada. Ela conseguira magoar o youkai mesmo que ele nunca admitisse isso em palavras. Os olhos se encheram de lagrimas.
– Raiden...
– Nada que diga, vai mudar algo entre nós. – Ela baixou a cabeça, não queria chorar na frente do youkai. – Seiko lhe mostrará onde é seu quarto.
O youkai subiu as escadas de sua casa e a menina se entregou ao choro. Ele parou.
– A propósito, você esta linda. – Ela olhou para ele, que tinha os olhos fixos à frente. As lágrimas ainda rolavam por seu rosto.
– Eu o amo Raiden. – Ele voltou a subir as escadas.
Era muita ingenuidade da parte de Akiyo achar que ele a perdoaria e tudo ficaria bem. E o pior de tudo era não saber como consertar as coisas.
Rin banhava-se em seu quarto calmamente. Estava muito feliz pelo que havia acabado de acontecer. Com certeza Raiden e Akiyo logo estariam juntos afinal se amavam loucamente. Entretanto, havia algo de diferente nele. Seus olhos possuíam uma fúria que ela nunca imaginou ver, uma fúria que ela nunca imaginou vir dele. Preocupou-se. Sabia que ele estava muito irritado com tudo aquilo e que já não era mais o mesmo youkai de antes. O que será que havia acontecido? Ela conversaria com ele assim que o visse.
Molhou o rosto e afastou os pensamentos ruins. Pensou apenas nas coisas boas em que Raiden havia feito para Akiyo e a maior prova de amor que ele poderia dar: Ter ido salvá-la, mesmo que ela não quisesse e ter assumido uma responsabilidade que não era sua.
Aquela foi à maior prova de amor depois da marca que ele poderia dar a Akiyo. Marca. Essa palavra ainda sondava sua cabeça, Sesshoumaru ainda não havia a marcado e ela estava incomodada com isso. Mas não falaria nada, o amava e se era assim que ele queria assim seria.
Mesmo demonstrando sentimentos por Rin, ainda não era inteiramente. Ela ainda tinha seu próprio quarto e quando passavam a noite juntos a maioria das vezes acordava sozinha no dia seguinte, porque ele não gostaria que os encontrasse daquele jeito em seu quarto para preservá-la. Mas preservá-la de quê? Todos sabiam que eles tinham um tipo de relacionamento íntimo. Ela realmente não o entendia, mas vivendo este um mês como companheiro do youkai, ela compreendeu que não deveria questioná-lo quanto a algumas de suas decisões.
Afundou-se na banheira e queria que os pensamentos afundassem também. Quando levantou e abriu os olhos deparou-se com Sesshoumaru. Sentiu-se um pouco envergonhada, mas logo relaxou. Não havia nada a esconder.
– Olá meu bem. – Ela o cumprimentou.
– Como foi o casamento?
– Maravilhoso. – Deu-lhe um meio sorriso.
– Raiden interferiu.
– Como sabe? – Ela perguntou desconfiada.
– Para que você tenha gostado algo deve ter dado errado.
– Nada deu errado, tudo deu certo. Ele provou seu amor por Akiyo, como sempre fez desde que nos conhecemos. Assumiu-a como sua fêmea e o sacerdote não pôde casá-la. – Ela sorriu olhando para a água enquanto Sesshoumaru apenas ficou a observando. – Ela será muito feliz ao seu lado, tenho certeza.
Por mais que nunca fosse admitir o grande youkai ficou com ciúme da declaração de Rin e do sorriso bobo que ela tinha no rosto. Ele se virou e saiu.
– Sesshoumaru? – Ela o chamou, mas ele já havia saído do quarto.
Depois de se banhar, a menina aproveitou para ler um pouco. A muito não fazia isso e queria fazê-lo antes de seu youkai a procurar. Ficou tanto tempo ali em sua cama, que sem se dar conta acabou dormindo. Sesshoumaru aproximou-se da porta do quarto da moça, mas não entrou foi para seu quarto dormir. Não a queria aquela noite e pensou que ela também não.
Notas finais
Beijo.
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