Minha Doce Menina.
80 Novos tempos.
Notas iniciais
Boa leitura.
Querido Raiden,
Já não sei quais argumentos usar ou quais palavras dizer para que acredite em tudo o que há em meu coração, mas eu ainda tenho coisas a lhe falar. Coisas que não posso mais guardar ou mesmo segurar porque me sufocam.
Fui muito feliz ao seu lado. Tive uma vida maravilhosa e feliz. Você me proporcionou momentos inesquecíveis e me fez sentir uma mulher especial e única. Confesso que sinto falta destes tempos, confesso que se pudesse seria sua novamente, mas esta não é sua vontade.
Como você mesmo me disse, ainda deseja meu sangue em suas mãos e não posso correr o risco de morrer e deixar o meu filho, já que ele só tem a mim. Por isso meu amor, eu prometo ficar longe de você e de tudo o que me ligue a você.
Já lhe pedi perdão, já chorei já me humilhei e me arrastei aos teus pés, mas tudo isto de nada adiantou. Sempre chega um momento em que a dor acaba se tornando costumeira e sinto que a dor de te perder alcançou este estágio.
Se eu ficar próxima a você apenas estarei atrapalhando seu caminho e de muitas outras pessoas que não merecem sofrer. Por isso eu decidi que não serei mais um incômodo.
Eu te amo. Não tenha dúvidas. Eu te amo de uma maneira sobrenatural. Mas meu coração não pode se deixar levar por mais tempo. Ele está muito fraco, precisa ser cuidado. Precisa se recuperar.
Desejo de todo o meu coração que você viva bem. Que seja feliz e encontre em outra fêmea tudo o que eu não pude lhe dar. Ame muito Raiden, seja amado. Sorria e volte a ser o youkai pelo qual eu fui apaixonada um dia.
Eu vou embora. Vou sair de sua vida como você deseja, mas tenha certeza de que eu sempre pensarei em você. Entretanto, basta qualquer palavra sua e eu desisto de partir. Qualquer palavra sua Raiden, e eu fico ao seu lado.
E nunca se esqueça de que eu sempre amarei você.
Adeus, meu amor.
Ele enrolou o pergaminho pela milésima vez. Sabia de todas as palavras, poderia citá-las, mas sempre as lia. Era uma forma de senti-la mais perto. Já havia se passado tantos anos e nenhuma notícia. Será que um dia a reencontraria?
*
O sol nascia aquecedor sobre as Terras do Oeste. Em uma das janelas do grande castelo, a jovem senhora olhava para o céu límpido. Sentiu ser abraçado por trás e sorriu.
- Bom dia meu amor. – Disse com a voz melodiosa.
- Bom dia minha Rin. – Disse a voz grave e firme do youkai. – É melhor que se vista. Hideaki logo estará aqui.
- Oh, é mesmo. – Ela concordou e logo procurou o que vestir.
Agora que seu filho já não era mais um bebê e sim um rapazinho bem crescido de seis anos, gostava de ir até o quarto de sua mãe todas as manhãs para se certificar de que ela estava bem.
Ela claro que o pequeno tinha muito mais intimidade com ela do que com o pai, mas nem por isso amava um menos do que o outro. Era um menino forte e inteligente, muitas vezes sério como seu pai, mas também muitas vezes amoroso como sua mãe. Era uma mistura perfeita de ambos.
Não demorou muito até que ele chegasse ao local. Bateu a porta do quarto e sua mãe ordenou que ele entrasse.
- Bom dia meu pai. – Disse ele com o olhar cintilando para o youkai.
- Está atrasado para seu treinamento. – Disse seriamente, ainda sem fitar-lhe. Rin nada disse, apenas observou o marido.
- Perdão meu pai, apenas vim ver se está tudo bem com minha mãe. – Ele disse com os olhos baixos.
- Bom dia meu amor. – Rin se aproximou dele e o abraçou para que o clima fosse quebrado.
- Bom dia mamãe. Está tudo bem com a senhora? – Ele perguntou fitando-a atentamente.
- Sim meu amor. Eu estou ótima. – Ela passou a mão pelos cabelos prateados do filho. – Já tomou seu café da manhã?
-- Sim. E a senhora? Tomou também? – Perguntou o pequeno preocupado.
- Não meu amor, mas já estou indo fazer isto. – Ela sorriu para ele admirando-o pela forma com que cuidava dela.
Por ser um hanyo, Hideaki já sabia que sua mãe não viveria tanto tempo quanto ele. Por isso, procurava zelar por ela e sempre se preocupava com seus mínimos detalhes. O amor que sentia por aquela mulher era incondicional e Rin se orgulhava muito disso. Era completamente apaixonada pelo filho.
O pequeno saiu para seu treinamento. Sabia que seu pai não o alertaria uma segunda vez e tratou de obedecer a sua ordem. Depois que Rin o avistou se dirigir ao pátio dirigiu as palavras a Sesshoumaru.
- Quando foi que ele cresceu tanto? – Perguntou ainda olhando a figura do hanyo que era muito parecido com seu marido.
- O desenvolvimento de nosso filho é surpreendente. – Constatou o youkai.
- Parece que foi ontem que o senti dentro de mim. – Ela disse alisando a barriga. O youkai se aproximou dela, novamente envolvendo-a por trás.
- Deseja outro filho minha Rin? – A voz era maliciosa. Ela sorriu marota.
- Não acredito que consigamos, mas podemos tentar... – Agora se virou para o youkai que imediatamente tomou seus lábios em um beijo ardente.
Beijaram-se por muito tempo, até que suas carícias precisaram ser saciadas de outras maneiras o que os levou a amaram-se calorosamente. Estes estavam sendo os dias de Rin. Apaixonados e intensos. Ela estava muito feliz. Sentia-se completa.
*
Era terrível para despedidas. Sempre se apegou demais as coisas. Estava parada frente à casa já havia vários minutos e não sabia ao certo se sorria ou chorava. Não queria ter de sair dali, afinal reconstruiu sua vida. Mas era necessário. Respirou fundo. Não estava preparada para abandonar sua paz e estabilidade emocional.
- Mamãe. – Chamou uma pequena criatura. Ela desviou os olhos para quem a chamava. – Oji-san está pedindo para a senhora vir logo.
- Eu já estou indo meu amor. – E olhou novamente para casa. Tinha a sensação de que não deveria fazer aquilo, mas era a coisa certa.
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